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Em busca da felicidade

Não és tu...nem sou eu - V

(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado)

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(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado) 

 

- Neste fim de semana não os posso vir buscar.

- Como assim não os podes vir buscar? É o teu fim de semana!

- Sim mas não tenho nada combinado com eles. Não lhes prometi nada. Sabes que essas coisas cumpro.

- Não tem que ver com promessas Pedro. Tem que ver com eles serem teus filhos e quererem estar contigo. Tem que ver com eles estarem comigo a semana toda e eu também ter a minha vida. Tem que ver com o eu também precisar de descansar. Tem que ver com cumprires com a tua parte das responsabilidades.

- Andas assim tão cansada?!

Foda-se. Estou capaz de lhe dar um murro no meio da cara. Como é que eu me pude apaixonar por este monte de esterco? Pior, casar e ter descendência com este animal!?

Os meus filhos aparecem a correr quando veem o pai e eu quase me afogo em culpa pelo pensamento que acabei de ter. Descendência, Margarida!? São os teus filhos. O teu sangue. Os que cresceram na tua barrida e que amas mais que a própria vida. Deves-lhe isso. Pelo menos isso.

Baixo a cabeça em arrependimento. Por me ter queixado. Pelo que pensei.

- OK.

Digo apenas em voz baixa.

Ele percebeu. Já entendeu que me estou a consumir pela culpa e que não é preciso dizer-me mais nada.

Ficam comigo este fim de semana e o descanso com que tinha sonhado, a casa arrumada que tinha visto vai ser apenas uma miragem no deserto.

Bom. Mas hoje ainda é 4ª feira e é dia de irem dormir a casa do pai, de ser ele a levá-los à escola, de eu me puder deitar à hora que me apetecer. E é isso que vou fazer.

Salto o jantar e deito-me na cama com um pacote de bolachas, um copo de vinho, o resto da garrafa pousada no chão e um filme lamechas no ecrã. “Para sempre talvez”.

Ah, um que no fim fiquem juntos e felizes. Um com um divorcio pelo meio, mas que depois acaba em amor. Um em que tenha sido ela a deixa-lo. Um em que consiga sentir a vingança que não consigo fazer.

O filme acaba e vou ver o meu e-mail. Ainda não me chegou o sono. Será que alguém leu o meu e-mail? Será que me responderam?

Publicidade, publicidade, publicidade, Rafael Mendes, publicidade, publicidade…espera…volta atrás….Rafael Mendes…a Clara fez merda outra vez, vou dar cabo dela.

Abro o e-mail.

 

Cara Margarida,

 

Na minha não muito experiente capacidade de diagnostico para estas coisa. Sou mais versado em saber se os órgãos das pessoas estão em pleno funcionamento ou não, deixando de parte a sua mente. Tende a ser muito subjetiva, sabe? Mesmo nessa minha fraca capacidade, creio que o diagnostico certo é que, em primeiro lugar, este e-mail não é para mim e em segundo lugar, não está a ter um bom dia.

De qualquer forma, posso tentar prescrever-lhe qualquer coisa. Mande o seu ex-marido à merda. Diga aos miúdos que a mãe também é gente e compre uma coisa bonita para si e, da próxima vez que o pai ficar com os filhos vá fazer uma massagem sem pensar em mais ninguém que em si.

Aproveito para esclarecer, tal como faço com os meus pacientes que têm coisas menos graves do que pensam, que os homens não são todos cabrões. Há gente boa por aí. Às vezes há é muita mulher que só sabe escolher o que não presta. São as flores e o pólen. Essa é a minha visão clinica da coisa.

Não querendo este e-mail dizer mais do que o que diz, a Margarida é uma mulher muito bonita e, para aturar uma lunática como a sua amiga e aceitar o que aceita do idiota com que casou, deve ser alguém certamente especial. Não duvide disso.

Se calhar, só se calhar, até foi bom ele ter ido embora. Deixou o caminho livre para que seja encontrada por alguém que lhe dê o valor que merece.

 

Cumprimentos,

Rafael

 

Foda-se!

Fecho o computador de uma acentada só. Olho para o copo na dúvida de se devo ou não beber o resto. Quando bebo mais do que um copo faço caca. Está provado.

Mandei o e-mail ao médico.

Que raio de idiota sou eu?!

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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