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Em busca da felicidade

Não és tu...nem sou eu - X

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(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado)   

 

Desmaiei mesmo.

Quando acordo vejo o rosto dele a acariciar o meu.

- Está tudo bem.

- Não sei, é melhor ir ao médico.

Estaca a olhar para mim com um sorriso de gozo carinhoso. A ironia. Não preciso de ir ao médico, o médico está ali.

- Não precisas mamã. Está aqui um. - diz a Maria Clara divertida.

- A mamã tem um namorado médico. E giro!

Diz enquanto dança pela sala.

- Maria Clara, acalma-te. O Rafael é apenas amigo da mamã. - digo enquanto olho para ele.

Fica descansado. Não és meu namorado. Não vou dizer isso aos sete ventos. Não vou andar para aí a dizer o que não é verdade. Não vou pedir o que não tens que me dar. Sei que neste momento só queres fugir desta casa de loucos. Queres fugir de mim. Da minha filha que anda com tutu, mesmo nunca tendo passado uma hora numa aula de ballet. Do meu filho que não quer saber e que mesmo com a mãe desmaiada esteve preocupado com o nível do jogo na playstation.

Sei que queres ver esta porcaria toda pelas costas.

Baixa a cabeça. Não sei se resignado se descansado.

- Se calhar é melhor ir.

- Foi a decisão mais sensata que teve hoje.

O traste a falar de sensatez.

- Não Pedro, sensato era tu ires trabalhar. Não era?! Sensato era tu pegares nesse teu lombo metediço e o levares para junto da tua namorada, jovem e fresca. Sensato...

- A Joana deixou o pai.

A minha princesa desbocada. Que apesar das minhas chamadas de atenção ainda rodopia na sala com o seu tutu.

- Magoaste-me com o que disseste.

Magoei-o. Eu, magoei-o.

Fodas-se. É um traste.

- Eu magoei-te? Eu, magoei-te?! De um dia para o outro pegaste nas tuas coisas e saíste. Deixaste-me. E sabes que mais? Deixaste-nos. Mas tudo bem. Querias a tua vida. Querias os teus dias melhores. Maiores. Mais para ti. Tinhas conhecido alguém que não te mandava apanhar as toalhas do chão. Alguém que não discutia contigo porque jogavas futebol de salão com os teus amigos 5 dias da semana, em vez de vires jantar com a família. Já agora, quantas dessas vezes foste ter com a tua amante florida? A companheira que se fartou de ti agora?

- Margarida, tem cal...

- Cala-te! Desta vez falo eu. Quem pensas que és? Três anos. TRÊS ANOS! Esse é o tempo em que não tenho ninguém. Muitos dos dias nem a mim. Já sei que me vais dizer que tenho os meus filhos. E tenho. Mas a vida não pode ser só os nossos filhos. E eu? Eu sou alguém. Três anos. Há três anos que não sei o que é ter um companheiro. Três anos. Cinco anos. Seis anos. Há quanto tempo já não me vias Pedro? Há muito. Há tanto tempo quanto passei a ser a mãe dos teus filhos. Passei a perder a piada. Arquei com todas as responsabilidades e tu ficaste com o quê? Com o divertimento. Três anos que faço tudo sozinha. Três anos. Cinco anos. Seis anos. Que já não sujas cá em casa, há três. Mas não ajudas há muito mais. Tenho criado os meus filhos sozinha.

Estendo-lhe a mão aberta.

- Dá-me. Dá-me as chaves de minha casa. Já não moras cá. Não te quero a entrar e a sair a torto e a direito.

- Mas.

- NADA DE MEIO MAS. Dá-me as chaves e não me faças ficar mais irritada. E sabes que mais, não és tu - meu querido - nem sou eu. Fomos os dois. Cometemos o erro de fingir estar apaixonados.

Entrega-me as chaves que ponho no bolso.

- Agora sai e sai certo de uma coisa, no próximo fim de semana que seja teu. Vai ser todo teu. Eu também tenho vida. E essa vida é para ser respeitada. Agora sai. Depressa.

Ele vira costas. Nem sei como consegui dizer tudo isto. Quem é esta mulher? Não estou certa de estar a respirar.

- Margarida , eu acho que fizeste muito be...

- Tu também.

Está incrédulo.

- Eu também?

- Sai.

- Tens a certeza.

- Tenho. Sai. Quero ficar com os meus filhos. Se me queres vais entender. Falamos depois. Falamos de tudo. De tudo o que quiseres. Teremos os nossos momentos. Se não quiseres não ligues. Não contactes. Não te vou guardar rancor. Entendo. Mas agora sai.

Saiu.

Inspiro fundo e fito o teto.

Recompõe-te. O que tiver de ser será. Disso podes estar certa.

E o dia segue como se nada tivesse acontecido.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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