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Em busca da felicidade

Nico Pico on Parque of the Peace

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Eu, se recebesse um cliente dizia-lhe logo "carta de condução, faxavore", e o tipo "ah e tal mas só quero fazer um depósito", "só quer fazer um depósito? Livrete da viatura, faxavore!". O tipo continuava "ah mas pra quê eu só quero fazer o depósito". "Já chega, tá detido. A insurgir-se contra a autoridade." E mãozinhas atrás das costas e lá ia ele.

 

Gera-se a gargalhada geral, e assim se dá inicio a mais um pic-nic onde um coitado de um agente da autoridade e uma criança ciclista se vêem no meio de uma cambada de gente traumatizada que trabalha num banco mas-que-não-são-bem-bancários-nem-coisa-que-se-pareça-menos-um-que-é-especial.

Tapetes próprios estendidos no chão, umas grades de minis, panados, patés, quiche, brownies, muffins, frango assado e um maço de guardanapos verdes alface com bolas brancas a fazer o meu marido suar, tal não é o preço por guardanapo e as unidades que comprava de uma só folha com aquele euro e tal.

Umas putas parvas de umas abelhas que se colaram a nós mas que ao fim de meia hora já incomodavam menos que o pic-nic ao lado porque não gritavam a contar anedotas. Mais preferia que me picassem o lombo todo desde que os outros cavassem. Coisa que acabaram por fazer depois de um casal de pombos lhes ter fanado metade da marmita (também foram "dar uma volta" e deixaram as coisas à confiança, qu'esperavam eles?!)

Duas rondas de minis (para o Nuno em coca-cola) e um panado depois tá tudo de bandulho cheio. A olhar para a cambada de caixas e caixinhas de comida a deglutir tarde fora.

O pequeno corre por todo o lado, pisa batatas, come pão com chouriço acompanhado de iogurte, vai ao chão duas vezes e "não é nada". Duas horas depois estava sujo que baste para deixar a avó de baixa 4 dias caso o visse. "Tadinho do menino, nestes propósitos de t-shirt suja". Pois bem que pela mãe, esta esgrouviada que conta a história, bem que pode encher-se de terra, pisar poças e rebolar na lama. Que tem idade para isso. Depois cresce e não lhe apetece, depois cresce mais um bocado e nem se lembra e quando der por ele tem idade que chegue para parecer maluquinho se lhe der para o fazer.

Raquetes, conversas, cigarros, colos, beijos, mimos, opiniões e abraços. A descontracção de um dia passado debaixo de umas árvores que não sei do que eram mas que fizeram uma sombrinha do caraças sobre um sol que estava para queimar.

Um dia em que não há relógios, não há tarefas nem afazeres. Apenas pessoas no seu descansado descanso a conviver e esquecer os dias maçadores que marcam os outros momentos da vida.

Rimos, falámos sério e até o Carlos Cruz apareceu na conversa. Resolvemos casos de policia e elegemos gente parva por categoria.

A nós, que transportamos um participante ultra menor que se recusou à sesta, calhou vir embora mais cedo. Levar o pequeno para ver se dormia a merecida sesta.

Não posso comparar este sábado com o anterior, nem seria justo porque qualquer coisa é melhor que ver sanita a cada 30 minutos. Por isso comparo-o com os outros em que se inventam passeios e se desagua no centro comercial para não se dizer que o dia foi passado em casa entre tachos, panelas e roupa para lavar.

Valem estes dias ao descanso do guerreiro que trabalha que nem um mouro. Ao guerreiro que precisa de descansar a cabeça e conviver com outros guerreiros quase tão marados da mona quanto ele. Que M&M por ordem de cor continuo a ser a única a comer. Que esta gente é boa mas pouco entende da necessidade de erguer barricadas de batata para que o molho da salada não afogue a sardinha assada.

- Esta mulher não pode ser um homem sem camisa.

O senhor agente o seu melhor. 

Não há nada como um quase velhote pintas e sem camisa a passar no momento certo para arrancar uma gargalhada à malta que está para adormecer.

Enfim, um sábado que podia ter sido igual aos outros, mas que por um nadinha aqui e ali, não foi.

 

Nota final: eish, borrachas laranja e azul para apagar caneta! eish, o Michael Knight! Eish, estamos velhos, pá!

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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