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Em busca da felicidade

O avô e as fotografias na carteira

Não é que queira estar todos os minutos contigo. Preciso de tempo para mim. Para respirar. Para ser eu. O que me custa são as horas intermináveis que estamos afastados. Aqueles em que aprendes coisas novas, as que eu tenho pouco tempo para te ensinar porque a vida diz que há outras coisas para fazer.

O bem ou o mal de trabalhar paredes meias com um Centro Comercial, somada à tarefa pontual de me ver a almoçar sozinha, resulta na invariável passeata pelos corredores do Colombo. Procuro as lojas caras, com as coisas que comprava se tivesse muito dinheiro.

Pela direita e pela esquerda passam mães com os seus filhos. Estão de férias, estão de folga, são mães a tempo inteiro ou trabalham por conta própria, vida de disciplina mas com o conveniente de poder tirar uma tarde aqui e ali.

Vejo as outras mães e tenho uma vontade maior de te abraçar. Lembro-me das saudades que tenho de ti. Aquelas que faço por esquecer, que forço por calar, porque a vida segue o seu rumo e há contas para pagar.

Penso que vou voltar ao escritório e dizer “por mim, por hoje já chega, vou andando” e punha-me a caminho de casa. E ia buscar-te mais cedo. E íamos ao jardim. Brincar na areia.

Lembro-me que não vale muito a pena sonhar acordada e resta-me o telemóvel. As tuas fotografias para acalmar a lamechas que quer vir ao de cima. Lembrar-me que o que trabalho é também para ti. Muito para ti. Alguns dias só para ti.

E recordo-me da carteira do avô. Com as fotografias de todos nós. Do tempo em que não havia telemóveis. Ponto. Muito menos com fotografias. Do tempo em que quando queríamos trazer connosco quem mais amávamos, lá se guardava a fotografia tipo passe. Para quando o coração apertava. Para quando o cacilheiro se atrasava. Para quando o rio parecia um oceano.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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