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Em busca da felicidade

O bullying não acaba na escola

Ainda hoje me lembro da primeira vez que fui gozada na escola. A primária tinha passado por mim como uma brisa. Tudo meninos e meninas bem comportadas. Havia as implicâncias normais, crianças serão sempre crianças e na maior parte das vezes não se entendem da melhor forma, mas a coisa resolve-se e no dia seguinte é tudo amigo outra vez. Quando fui para a preparatória não sabia bem o que me esperava, como menina da mamã que era estava apenas empolgada com a mudança de ares, por saber que ia conhecer mais gente, mais miudagem, maltinha de outra terra que não só a minha, isto na primária era tudo vizinhança. Quando lá cheguei a coisa mostrou-se um nadinha diferente. Havia um grupo de miúdas de uma zona menos boa, com “outra escola”, toparam-me a milhas, carne fresca e fácil. Por isso gozavam-me, muito em particular com o meu cabelo. Cheia de caracóis, cabelo pela cintura, de saia pregada e piuga a condizer. O meu 5º ano foi horrível. O 6º passou-se melhor. No 7º mudei de escola e fiquei sem mãe. A vida deu-me um apertão e eu tive de me fazer rija.

Fui gozada e depois gozei eu.

Pensamos, isto quando a escola acaba estas coisas não continuam.

Mentira, que não há um botão que desliga a maldade que as pessoas têm lá dentro. Na faculdade continua. A mim não me tocou que eu não deixei. Praxar?! Queres o quê?! Eu dou-te a praxe.

Segue-se o mercado de trabalho e pensamos que tudo isto ficou para o passado. Coisas de miudagem, o trabalho é para gente crescida, que sabe melhor, que sabe que não se deve fazer pouco do mal dos outros, que não nos devemos aproveitar dos mais fracos para a gargalhada fácil.

Mentira.

Nos empregos tudo continua. Os colegas fazem pouco uns dos outros, aproveitam para mandar uma chalaça quando o outro sai, ou por que é estrábico, ou porque é coxo, ou porque fala demais, ou por isto ou por aquilo. A saia é muito curta, o sapato é de velha, não é homem que chegue, não acha outra gaja boa. Enfim. Tudo serve para a gargalhada fácil.

Fomos filhos e agora somos pais. É isto que temos para ensinar aos nossos filhos, ou em casa dizemos-lhes para fazerem o que nós não sabemos levar a cabo todos os dias?

Se é verdade que nos temos de saber defender, também é verdade que temos de aprender a não atacar. Será que pensamos no que o colega gozado sente? Quando somos nós, que saímos da copa e alguém fica a rir lá atrás? Sentimos-nos bem? Confiantes de nós próprios? Será que não somos capazes de nos rir das nossas próprias desgraças, da tonteira das nossas vidas? Temos de usar os outros para a gargalhada?

E os mais novos pessoas, aprendem com quem?

Eu não sou santa. Também tenho de fazer um esforço, acho que todos temos de fazer. Que o bullying tem muitas faces e não acaba na escola.

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----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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