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Em busca da felicidade

O dia em que decidi tirar a carta

 

Ser independente. O meu maior objetivo de vida. Pelo menos quando tinha 18 anos.

Hoje tremo ao pensar que o meu filho pode ser como a mãe dele. Em pulgas pelos 18 anos para bater as asas da forma que mais lhe aprouver. Hoje vejo a independência com menor simpatia, que o quero debaixo das minhas saias, agarrado às minhas pernas ou a pedir para me deitar mais uns minutos com ele, ali quentinhos na cama grande dos pais enquanto o frio só se sente se estivermos lá fora.

Tinha 18 anos, trabalhava e estudava. Queria tirar a carta. Deixar de andar de autocarro para todo o lado. Deixar de estar dependente da vontade do meu pai para me ir buscar ou levar onde quer que fosse. Poder ir ao Centro Comercial sem esperar 1 hora pelo transporte publico.

Poupei o dinheirinho todo e lá fui eu, direita à Escola de condução do Laranjeiro.

 

- Tem de ter uma declaração médica.

- OK, então tenho de marcar consulta com a médica de família.

(a tristeza, que ainda não era naquele dia que me inscrevia).

- Mas se quiser arranjamos uma declaração com um médico que trabalha connosco.

Luziram-me os olhos.

- São mais 25 €.

Só podia estar a brincar. Pagar 25 € para um tipo me passar uma declaração que eu podia obter da minha medica de família por 2€ e tal.

- Eu vou pedir a declaração e volto para fazer a inscrição nas aulas de código.

 

No dia da consulta espero 2 horas pela médica. Coisas que nem nas aldeias deviam acontecer. Deixava marcar as consultas para o meio dia, depois saia para almoçar, demorava 2 ou 3 horas e quem estivesse à espera ficava à espera.

- Então o que é que a traz cá?

- Não tenho problema nenhum doutora. Vou é tirar a carta e preciso de um atestado para me puder inscrever.

- Certo. Mas tenho de a examinar primeiro.

- OK. Quer que me sente na marquesa e comece por tirar a blusa.

- Naaaão! Tem-se sentido bem?

- Tenho.

- Olhe aqui para as letras deste calendário.

- Quais?

- As do titulo.

(Eram gigantes)

- Consegue ver?

- Sim.

- Muito bem.

- Não quer que lhe diga que letras são?

- Naaaaaão!

- Pronto. Tem aqui o atestado.

 

 

- OK. Obrigada.

 

Levantou-se. Foi lavar as mãos e antes de eu sair…

- As melhoras tá bem?

 

 

 

 

 

- Tá. Olhe, para si também!

 

E fui à minha vida. Com a certeza que podia ser o que quisesse na vida. Se aquela chalupa era médica!

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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