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Em busca da felicidade

O dia em que fui tocar para o Mario Soares

Estávamos no principio da década de 90 e eu estava na 3ª classe.

Nunca era escolhida para nada. Nunca era a primeira para nada. Era lenta a correr, não era nada cool, não era simpática que chegasse para ter todos como amigos, não era a melhor aluna da turma, as fichas de gramática davam cabo de mim. Não passava a limpo as composições porque escrevia sempre para cima ou para baixo quando não havia linhas e a Liliana, que hoje é médica e investigadora, que escrevia com a mão esquerda, fazia as letras bonitas e sempre a direito.

A professora tinha uma novidade. O nosso presidente vinha conhecer o nosso Moinho de Maré e iam ser escolhidas 3 crianças para tocar o Hino à Alegria para ele. Os que tocassem melhor.

Treinei que nem uma louca. Ao fim de uma semana sabia tocar em todos os ritmos possíveis, com a mão esquerda em cima, com a direita em cima e se me têm dado mais dois dias acho que tinha arranjado forma de tocar com a flauta ao contrário.

É que iamos tocar para o presidente.

- Como se chama o nosso presidente?

- Mário Soares.

- E como é que às vezes as pessoas o chamam, sabem? - ninguém dizia nada - bochechas - completava a Maria Helena - é que cada um deve dizer o que pensa e vivemos num país livre, é isso que diz o nosso presidente.

Estava ainda muito presente o regime de ditadura e poder chamar um presidente de "bochechas" sem ter um elemento da PIDE à porta para nos levar para as catacumbas ainda dava alegria a toda a gente.

Hoje é a realidade que conhecemos. A liberdade de expressão.

Arranjei um trabalho para a minha mãe, que ficou incumbida de me arranjar a mim uma camisa branca e umas calças azuis escuras.

No dia toquei para o presidente. Eu e mais umas duas dezenas de crianças.

Estava ali mesmo à minha frente.

 

Cresci para ter a minha própria opinião sobre o Mário Soares e a maioria dos politicos em geral. A qual não é para aqui chamada apesar deste ser, afinal de contas, o meu blog. Porque este post não é sobre política. Este post é sobre um episódio da minha vida que me marcou.

É sobre um homem que, gostemos ou não, todos temos de concordar que marcou a história política do nosso país.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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