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Em busca da felicidade

O meu filho pretende o meu despedimento

Acordou pouco depois das sete. Fui dar com o pai deitado com ele na nossa cama (estava a tentar convence-lo a dormir mais um pouco). Eu ia chamar o Nuno para ir tomar o pequeno almoço.

Deitei-me ao lado do pequeno. Fiz o mesmo de sempre: dei-lhe mais beijos do que ele queria e cheirei-o, cheirei-o muitas vezes. Há qualquer coisa que não se explica no cheiro dos nossos filhos, mesmo quando os pés dão já nota de algum chulé. Às vezes dou comigo a pensar como vai ser quando for um homem adulto. Já não lhe vou cheirar os pés. É como se o filho que cresceu dentro do nosso corpo se afastasse, assim de fininho, até ser um homem que se liga apenas por um fio de sentimento invisível.

Diz-me: "Mãe, lête!"

O pai foi buscar. Eu dei-lhe o beberão. E sim, tem quase 2 anos e meio e eu ainda lhe dou o biberão. Porque se recusa a bebe-lo sozinho. Porque eu prolongo a duração desde ser bebé em 300 ml de leite.

Diz-me: "Mãe, quato"

Digo-lhe: "A mãe tem de ir comer o pequeno almoço porque tem de ganhar tostões. Não pode ir brincar"

Chorou. Agarrou-se a mim. Que eu não precisava trabalhar, que não precisamos de uma casa, que não precisa de prendas nem de papa. Que a mãe havia de ficar em casa. E não, não fez um dicurso eloquente, só respondeu que não a todas as perguntas que lhe fiz.

Acalmou-se. Foi comer cereais. Sentou-se na cama com o telemóvel (sim empresto o telemóvel ao meu filho, c'horror!)

Quando acabo de me vestir diz-me: "Mãe, patos!"

Eu páro para pensar e digo: "Queres ir dar pão aos patos?!"

Ao sábado vamos sempre dar pão aos patos. Queria que fosse sábado. Eu também queria que fosse sábado.

Seguiu-se mais uma explicação. Seguiu-se muito colo. Seguiu-se uma viagem de carro em que não queria que lhe tocasse: eu era uma traidora que o abandonava por trabalho!

Depois não quis deixar o colo do pai pelos avós. Nem com pão com manteiga! Mesmo sendo dia das avós!

Vim para o trabalho de coração apertado. Cheguei atrasada para uma reunião!

 

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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