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Em busca da felicidade

O mundo em formato unissexo, ou melhor, unigénero

(O João e a Margarida estão grávidos e, fazendo-se acompanhar do filho mais velho, vão fazer uma ecografia de rotina. Durante a ecografia a técnica percebe que é possível identificar o sexo do bebé)

 

Técnica

Então, querem saber o sexo do vosso bebé?

 

Margarida

Sexo não, doutora. Género.

 

Técnica

Claro, desculpem. Querem saber o género do vosso bebé?

 

Margarida

Não. Mas está sempre a dizer «o» bebé é porque é um rapaz. Agradecia que não estivesse sempre a dizer «o» bebé.

 

Técnica

Desculpem, de facto é força de habito. Normalmente as pessoas compreendem…bom, adiante, querem então fazer surpresa?

 

João

Para nós não há surpresa nenhuma, vamos ter um bebé ou uma bebé que vamos amar muito, seja uma rapariga ou um rapaz. De que nos interessaria saber o género?

 

Técnica

Para decorar o quarto, por exemplo. Ou para escolher o nome. É o que por regra os casais fazem.

 

Margarida

Isso são pessoas que não são pela igualdade como nós. Também acha que se for uma menina o quarto tem de ser cor de rosa e se for menino tem de ser azul? Pois eu acho que devemos decorar o quarto com todas as cores e deixar que a criança, na sua liberdade de escolha, decida qual a cor que prefere. Quanto ao nome está escolhido: João Maria se for menino ou Maria João se for menina. Assim a única diferença está na ordem. É dos poucos nomes tendencialmente unissexo que conhecemos.

 

Técnica

Pois…eu de facto não conheço nenhum. Mas bom. Está tudo bom com o/a bebé. Pode vestir-se e passar à salinha ao lado.

 

(Quando a Margarida e o João estão a entrar no gabinete da técnica percebem que está a dar umas folhas de colorir ao seu filho José. Todas têm carrinhos e meninos a jogar à bola. Aproximam-se da pilha de cadernos de colorir e percebem que há uma pilha com princesas e uma pilha com piratas. Dirigem-se ao filho)

 

Margarida

José, quem te deu essas folhas para colorir?

 

José

A doutora.

 

Margarida

E foste tu que escolheste esse com piratas ou foi a doutora que te deu esse?

 

José

Foi a doutora.

 

(O João e a Margarida arrastaram o pequeno José porta fora do consultório como se a peste negra tivesse sido largada dentro do espaço. Olharam recriminatoriamente para a médica e nunca mais voltam. É verdade, iam ter uma menina, o facto de a técnica dizer «o» bebé, era de facto, força de habito.)

 

  

Na passada semana surgiu mais um polémica que não é polémica. Alguém pegou em dois cadernos de atividades , retirou duas ou três imagens lá de dentro e, com base nisso, avaliou que os livros eram discriminatórios porque os exercícios para meninas eram tendenciosos e manifestamente mais simples que os dos rapazes.

Quando li a noticia confesso que, numa primeira instância, fiquei chocada. Afinal de contas estamos em pleno século XXI e, a maior editora do nosso país está a lançar para as bancas livros que chamam as miúdas de mentecaptas e os miúdos de génios. Achei fruta a mais. Preferi fazer uma graçola sobre o tema e seguir em frente. Cada vez mais me apercebo que se fazem noticias sobre pouco e, quando leio que a avaliação foi feita com base em duas páginas desisto.

Mas o tema não morreu. Como seria de esperar e, tal como acontece com tudo o que está mal explicado, incendiaram-se as redes sociais. Ou melhor, deitou-se mais gasolina para o fogo que lavra em permanência nas redes sociais. Porque há sempre uma chama que arde sem se ver.

Depois, sossegada no meu canto, dou com um post escrito pela autora, onde a mesma explica o porquê de algumas ilustrações serem diferentes em cada um dos livros: foram entregues a ilustradoras diferentes, tendo cada uma feito a sua interpretação.

Até aqui, e mais uma vez, nada a apontar. Ou melhor, talvez um eixo de melhoria: para a proxima entreguem à mesma ilustradora para não arranjarem sarilhos com coisas que não merecem ter sarilhos.

Prossigo para ler alguns dos comentários e vejo que há quem se revolte porque a autora persiste em referir-se a rapazes e raparigas, como se, estivesse incorreto faze-lo. Ora pois, se temos dois géneros diferentes, qual seria a forma correta de o fazer então?

 

Assim, a única coisa que aconteceu foi uma tempestade num copo de água. Tempestade essa que teve e terá repercussões na vida de 3 pessoas: a autora e as duas ilustradoras. Estas, sendo mulheres jovens, ao que parece consideram que a capacidade intelectual das raparigas é inferior à dos rapazes. Logo, a sua capacidade intelectual é inferior à dos homens.

Tudo isto, por conta de um labirinto, de duas cores (azul e rosa) e das expressões «para menino» e «para menina».

 

Dito isto, e como sou pessoa para procurar a melhoria de todo o planeta vou fazer algumas sugestões que me parecem ser o Santo Graal deste problema:

 

  1. Deixam de haver listas de nomes para menino e para menina, sendo apenas possível chamar rapazes de João Maria ou José e raparigas de Maria João ou Maria José.
  2. Torna-se desde já proibida a venda de artigos azul bebé e cor de rosa. Os quartos das crianças devem ser decorados de verde, amarelo ou creme. Na loucura de cor de laranja.
  3. Todas as raparigas têm de adquirir um Action Man e uma pistola de água, mesmo que prefiram princesas e, os pais devem garantir que fazem jogos com estes brinquedos pelo menos 1 vez por semana.
  4. Todos os rapazes devem ter uma Barbie e um Nenuno, mesmo que só queiram andar à pancada. Devem trocar as fraldas ao Nenuco pelo menos 1 vez por dia para que mais tarde saibam participar na vida dos filhos.
  5. As lojas de roupa devem ser proibidas de separar roupas de rapaz e de rapariga. Devendo todos ou miúdos ter, pelo menos uma saia de tutu e todas as raparigas um cap de um MC conhecido.
  6. Os homens adultos devem fazer depilação integral para saber o que custa às mulheres e estas ultimas devem deixar de gastar dinheiro em salões de cabeleireiro para agradar aos homens.
  7. Ou seja, as mulheres devem ser sujeitas a terapia, se se arranjam para agradar aos homens, devem deixar de o fazer. Se é por elas mesmas e isso ficar devidamente patenteado num relatório redigido por um profissional capaz, sendo desejável que tal seja realizado por uma equipa com igual numero de homens e mulheres; então deve continuar a arranjar-se.

 

Para já são estas as sugestões mais pertinentes. A outra, é que as pessoas se capacitem que o preconceito está dentro das nossas cabeças e que não são as cores, os nomes nem a língua portuguesa que o ditam.

Ah, e que para a proxima se analisem as coisas com todos os facto antes de mandar gasolina.

 

Por hoje é tudo, obrigada e bom dia!

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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