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Em busca da felicidade

O negócio dos animais

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Sou e sempre fui apaixonada por animais (excluem-se tudo o que é aranhedo e bicheza mosquitosa, podem existir mas longe de mim), gosto de ter, gosto de cuidar, respeito e transtornam-me todas as formas de mau trato, incluindo aquele que acontece na decorrência de algo.

Os animais não falam. Não contam o que acontece quando vão fazer um procedimento cirúrgico. Não conferem nem desmentem. Ficam assustados se forem magoados. Voltam eles mesmos quando tudo corre bem.

Os meus já passaram maus bocados.

Em 2009 decidimos que queríamos ter um cão. Pensámos em adotar, em ficar com uma cadelinha que uma colega tinha para dar, mas estávamos conscientes que a vida de apartamento, sem varanda, sem quintar, sem terraço, com 2 idas à rua por dia, poderia ser demasiado triste para um cão de maior porte, ou para um cão mais ativo.

Decidimos por isso falar com um criador do Porto e ficámos com 2 chihuahuas. Porque eram pequenos, mais adaptados a apartamento e assim sempre teríamos espaço para dois, fazendo companhia um ou outro durante a nossa ausência.

Quando os fomos buscar descobrimos na hora que o Ghandi tinha vindo da Hungria (o que descobri não ser um bom sinal). Insistiram que fossemos busca-los mais cedo porque não podiam ficar com eles mais dias, iam nascer outras ninhadas e era conveniente que não convivessem. Tontos e inocentes rumamos ao Porto para os ir buscar. 

Menos de uma semana depois estavam de diarreia e muito mais magros. Tinham apanhado tosse do canil e por isso o senhor criador se queria ver livre deles antes que passassem aos outros.

Levamo-los ao Hospital veterinário. O Ghandi ficou internado e a Tulipa regressou a casa. No dia a seguir ele teve alta e ela ficou. A Tulipa ficou internada uma semana. Gastámos um balúrdio. Cada vez que nos ligavam diziam que ela estava melhor. Cada vez que lá chegávamos estava pior.

Comecei a investigar o espaço e percebi que algo estava errado.

Vim a confirmar mais tarde que tinham já queixas por maus tratos a animais e que a Tulipa era sedada para parecer mais doente quando a visitávamos.

Não estou a falar num botequim qualquer. Falo de um hospital veterinário no centro de Almada, com, aparentemente, todas as condições em termos de equipamentos, apenas em falta as condições humanas.

Fiquei desconfiada de todos os espaços e acabei por encontrar onde os acompanhar. 

Mudámos de veterinário algumas vezes até que encontrei o, ou a, ideal em Montemor o Novo e sim, fazia 100 km para os levar ao veterinário.

O ano passado com o bebé pequeno e a logística necessária, somada ao cansaço, decidimos escolher um veterinário perto de casa. Têm várias clínicas e, sendo que seria apenas para o check up anual e vacinação, não havia muito erro.

Este ano voltamos. E voltamos com alguns queixumes porque a Tulipa tem andado a cheirar mal da boca. Tentei ver os dentes e achei que já precisavam de ser limpos, pelo que pedi a quem deve ter competência para tal para a ver.

Que sim, que talvez fosse melhor fazer uma destartarização. 

Marcámos para esta semana porque como estamos de ferias podíamos ir confortavelmente deixa-la e busca-la e seria mais fácil para a acompanhar com a medicação pós operatória caso se visse a necessidade de remover algum dente.

Precauções.

Ontem, depois de tudo o que descrevi aqui, ainda tentam deixar implícito que somos nós que não a cuidamos bem porque os dentes estavam muito mal. A Tulipa ficou sem 7 peças dentárias. Eu fiquei passada. Porque pago para que os meus cães sejam atendidos e vistos como deve de ser, mas não.

Depois de ter dito à senhora doutora uma serie de verdades, lá amainou, que lá está, eu tenho este ar que aparenta ser bonacheirão, mas na verdade de bonacheirona tenho mesmo muito pouco.

Fui buscar a piquena às 10. Voltámos a ter uma conversa semelhante. A senhora doutora devia achar que não tinha paleio para a acompanhar, enganou-se.

No final, depois de ter pago bem pela cirurgia de limpeza aos dentes ainda me cobraram 60 € pelo antibiótico e 10 € pelo soro (que vem na fatura sob o nome de "fluidos"). Ficou por esclarecer o que está incluído no orçamento? Não é natural que o soro faça parte?

Na entrada têm uma placa que diz que "por motivos alheios a nós" cobram à cabeça. Não percebo porque é que os motivos lhes são alheios. Pagam-se à cabeça por uma decisão sua.

Mas enfim, concluindo que a história já vai longa demais.

O negócio dos animais é uma mina. Cobra-se tudo e mais alguma coisa. Pagam-se preços exorbitantes, os seguros pouco cobrem, ou poucos acordos têm e ainda por cima só se tratam os animais se se adiantar o dinheiro. Que de outra forma, gostam muito dos bichos mas bem que podem ficar para morrer.

Como ontem, na chamada da maravilhosa doutora, que me questionou se eu pagava os 60 € do antibiótico que era necessário para a Tulipa. Então e se eu não tivesse os 60 €, que estavam fora do orçamento? Podia vir para casa com duas rezas e meia?

É nestes momentos que eu me lembro que a fofinha (uma cadelinha que tive durante 13 anos e que encontrei na rua em bebé) era filhota de uma cadela que quando engravidou, foi abandonada pelo dono, cuja profissão era...tararararara...veterinário.

Não estou a queixar-me da classe profissional. Eu sonhei durante muitos anos em ser veterinária. Mas que há muita gente que não presta a cuidar de animais há. Da mesma forma que também as há a tratar de pessoas.

É o negócio mais rentável do mundo. O da saúde. Seja o dos animais ou o das pessoas.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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