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Em busca da felicidade

O "novo" regulamento, os drones e os traumatismos

Drone.jpg

 

O Felismino andava com umas dores de cabeça e a Clotilde, moça cautelosa e tendencialmente hipocondriaca, lá o convenceu de que o melhor que tinha a fazer era ir ao médico. O médico "ah e tal isto sem exames não podemos aferir nada, pode ser alguma coisa como pode não ser nada". O desgraçado de Felismino lá vai fazer um TAC. Sua frio o desgraçado e quando sai, a técnica, moça simpática e gostosa que nem reparou por conta dos nervos, diz-lhe "olhe, vá descansado que isto não acusa nada".

O Felismino sai contente e decide ir dar um passeio pelo jardim, passar pela pastelaria e levar um sortido Húngaro para comemorar a saudinha da boa em casa.

Enquanto passeava pelo jardim com retângulos verdejantes da relva mal aparada pelos senhores da Câmara que ainda não tinham aparecido, dando graças ao Senhor por estar bem, ouve um barulho que se vai intensificando e PUM!

Felismino recebe com um drone na tola, desfragmentando-lhe o alto da pinha, que toda a gente sabe ser o termo técnico para traumatismo crânio encefalico.

O desgraçado é levado para o hospital de onde tinha acabado de sair e agora já havia alguma coisa a acusar nos exames. Considerando que o drone quase o tinha feito quinar, que toda a gente sabe ser o termo técnico para falecer.

 

Esta é a minha visão sobre os drones. E o meu maior receio também. Por mais regulamentação que exista, ninguém me faz esquecer que, estando eu feliz e contente a passear ao longo da praia num dia quente, respeitando os horários para não apanhar demasiado calor, pondo o protetor máximo para me proteger contra os UV e depois, levo com um drone na mona e pumbas, está tudo estragado.

 

Esta passada semana saíu uma nova regulamentação, mas eu, depois de ler a noticia não fiquei mais descansada.

Ora diz então que:

"As Aeronaves pilotadas remotamente (RPA) apenas podem efetuar voos diurnos, em operações VLOS (Operação à linha de vista), até 120 metros acima da superfície (400 pés) nos casos em que as aeronaves não se encontram a voar em áreas sujeitas a restrições ou na proximidade de infraestruturas aeroportuárias. Voos acima de 120 metros acima da superfície (400 pés) carece de autorização expressa da ANAC (Autoridade Nacional da Aviação Civil)."

E eu pergunto, quem é que vai andar a tomar conta disto?

E disto, já agora?

"Os pilotos remotos e os observadores de RPA não podem exercer funções quando se encontrem em qualquer situação de incapacidade da sua aptidão física ou mental,..."

Pois...não sei...

Para não falar que ainda não percebi bem como que estes pássaros se alimentam. Diz que os de brinquedo não têm motor de combustão, pelo que os a sério, chamemos-lhe assim, devem ter. Então e quem é que garante que isto está em funcionamento com "combustível" suficiente para o trabalho que está a realizar?

E isto é apenas para questões relacionadas com a integridade física de qualquer Maria e qualquer Manuel.

Então e a privacidade? Diz que um "passarito" destes, um "não brinquedo", pode voar até 120 metros acima da superfície. Em resumo, consegue filmar para dentro de qualquer casa em qualquer prédio.

Como fica a privacidade de cada um de nós?

Quem compra um drone tem de o registar. Muito bem, e que exigências são feitas para avaliar que a pessoa que o está a adquirir e registar não está em "situação de incapacidade da sua aptidão física ou mental,..."? A parte física é simples. Agora, quem avalia a mental?

Um drone brinquedo pode pesar até 250 gramas. Pode ser adquirido para uma criança brincar e pode voar até 30 metros acima do solo. O que impede que um adulto o use para filmar a casa de alguém?

Eu compreendo que a utilização dos drones facilite um sem numero de circunstâncias. Que permita filmar em sítios que de risco, etc.

Mas a facilidade com que se pode aceder a um drone assusta-me. Mesmo com esta regulamentação. Afinal de contas qualquer doido pode ter acesso a um e "despenha-lo na minha tola". Qualquer tolo pode usa-lo para filmar a minha casa, e isso, isso mexe-me cá com os cordelinhos.

Mas lá está, podem ser só coisas da minha cabeça.

Novo regulamento.

 

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