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Em busca da felicidade

O pic-nic que quase não foi mas que acabou por ser

 

Há mais de 10 anos que não fazia um pic-nic. Nunca foi hábito em casa e só depois de atingir a maioridade e por desafio de umas amigas da faculdade, é que, na sequencia de uma viagem com campismo à mistura lá conheci o mundo dos pic-nics. Não abona muito a favor da minha história de infância, mas também nunca disse que foi radiante.

Numa daquelas coisas que se dá espontaneamente quando dizemos a alguém "lê lá aqui estas balelas que escrevo" e onde 2 pessoas que se conhecem à anos percebem ter mais em comum que alguma vez esperavam, surgiu o convite para um pic -nic na zona de Almada Velha. Sítios que devia conhecer como a palma da minha mão, uma vez nascida e criada nesta margem, mas que nunca pisei. Shame on me! 

Efectivamente, quem me diria que no final de todas aquelas ruas que palmilhei milhentas vezes em criança estava um jardim tão lindo, virado ao Tejo, numa tranquilidade sem par.

Como que numa sequencia de astros que se alinham para um dia bem passado, ontem ao fim da tarde recebi uma mensagem da natação do campeão a dizer que hoje não havia aula, ao que parece os professores iam fazer um curso qualquer por isso nada de aulinha. Chato para o pequeno, que gosta de andar a chapinhar na água, melhor para mim, que hoje tinha uma fornada de muffins de mirtilos, brownies e uma quiche para fazer até às 11 e meia. Sem a aula do pequeno sobrou mais tempo para tratar de tudo. Consegui cozinhar tudo o que tinha pensado, mais ou menos como tinha pensado e conseguimos sair de casa com pouco atraso. Isto estava tão alinhado que até estava a soar a estranho. 

De facto!

Quase no destino, eis que o pequeno olha para mim, abre a boca e projecta na minha direcção todo o iogurte que tinha comido antes de sair de casa. "Nuno para o carro!" Grito eu num histerismo mais ou menos controlado como se a criança estivesse a ter uma coisa má. O Nuno para o carro e vem dar uma ajuda. A criança cheia de vomito e eu também. Pego-lhe para perceber se já tudo pelo melhor, parecia estar, até abrir novamente a boca e projectar mais iogurte para cima de mim. Por momentos pensei que se tinha dado o milagre da multiplicação dentro da criança, só lhe tinha dado um iogurte mas ele parecia estar a vomitar um pack de 4.

Havia vomito branco e com odor a banana por todo o carro, eu tinha vómito até à mais intima parte do meu ser (e isto é no sentido literal). Pensamos, lá vai o pic.nic com o caraças, vamos ligar a dizer que não podemos. Ligamos, dizem-nos que esperam mais uns minutos, podia ser que a coisa se compusesse e, antes mesmo de o Nuno desligar o telemóvel já o artista saltava pelo carro só de fralda. Todo nu, eu toda cagada de vomito e ele, ali, assim, feliz como se nada tivesse acontecido.

Ele parecia estar bem. Havia vómito que se tinha limpo com papel de cozinha e toalhetes (abençoados toalhetes), o pequeno tinha mais 2 mudas de roupa na mala dele, por isso foi tranquilo e eu aprendi que tenho de ter uma muda para mim também na bagageira não vá ser inundada de vómito outra vez.

Seguimos para o pic-nic, felizmente eu como ainda estou um nadita engripada não dei pelo meu próprio cheio, que é uma coisa que não posso dizer dos restantes, dei de facto conta que se fumou muito, o que pode ter sido uma forma clara de mascarar o odor. Afinal de contas era por isso que o Pinto da Costa andava com a Carolina, ela acendia o cigarro e ele peidava-se à vontade. Assim ninguém dava por ela.

Não vou descrever todo o picnic, nem os tachos que se levavam, nem as pegas e muito menos o campingaz. Posso apenas dizer que esta malta é entendida nisto e não se atrapalha. Isto é outra liga, malta batida.

O pic nic foi o que se espera de uma refeição ao ar livre, toalhas no chão, tapetes próprios para pi nic (de certeza que há um nome técnico mas não sei), muita caixinha com comida, paparoca panada e frango assado. Geleiras com minis e umas coca colas para as crianças e para os caretas, neste caso nós.

O convívio de gente que no dia a dia é outra gente. De malta que gosta de rir para a vida e da vida. A melhor forma de a encarar. A loira certinha que faz uns truques de balé e é tarada por motas, a tipa gostosa, profissional assertiva que não é mais que uma menina bem disposta, boa onda e que até faz o pino, a tipa sorridente e descontraída que quer por os pés direitos mas não consegue, o agente da autoridade que é o agente da boa disposição, a tipa sorridente e despachada que ao contrário de mim não fica com comichões quando o cão se coça, que se lembra do que mais ninguém faz ideia nestas coisas do comer na rua, o super homem de verdade, que não trouxe capa nem se chama Clark, mas que afinal de contas também não é de ficção. O tipo que ninguém dá conta e de repente faz beatbox. A despenteada que parece credível mas que na maior parte dos dias não é lá muito crente no que faz, que se preocupa é com a ordem de cor com que come os M&M e com as verborreias que às vezes lhe saem sem querer. O tipo que é sempre o mesmo tipo com a sua criança, hoje com menos sarcasmo e mais pedalada para acompanhar o pequeno.

Os pequenos são os pequenos, livres, despreocupados, sempre ocupados em ser crianças, um dia vai chegar o dia em que têm outros papeis com que se preocupar. Até lá é correr, gozar o sol e trepar o que bem entenderem.

"Isto é tudo meio chanfrado". Pode ser, mas funcionam tão bem juntos que as peças fazem todo o sentido. Que no final das contas e dos copos todos sabem as falas do Dirty Dancing. Que não há julgamentos de valor nem tentativas de fazer parte. Quem está está porque quer, quem não está não faz falta. A não ser que quisesse ter estado e a vida sem permitir.

No fim disto tudo falta um special one, o Sebastião, Sabascão ou bastião, responde por todos ou por nenhum, reponde como lhe apetece, sempre bonacheirão e carinhoso. Conseguiu passar todas aquelas horas sem me fazer uma mija para a perna mesmo eu cheirando pior que qualquer arbusto. Já gostava daquele orelhas mas agora gosto ainda mais.

Um sábado perto de perfeito, não tivesse sido o vómito. Até o São Pedro que normalmente me azucrina a vida tirou o dia para dar uma folga à chuva e mandar uns raios de sol para a vitamina D.

Um dia, à minha parte, muito bem passado e que espero repetir, não sei se para os outros também, que a amizade pode tolerar muita coisa mas para tudo há limites e compreendo que o cheiro seja um deles.

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