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Em busca da felicidade

O tempo como um saco elástico

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Tenho esta mania, não sei se lhe posso chamar mania, mas à falta de uma palavra melhor cá vai esta. Tenho a mania de tentar fazer do tempo um saco elástico. Estico, estico, estico. Sempre a tentar enfiar nas mesmas 24 horas que já sei que existem mais coisas. Vou só fazer mais isto. Tenho a certeza que dá para encaixar só mais aquilo. Na permanente ideia de que as ideias utópicas de gestão magnifica de tempo permitem que se aproveite o maldito em toda a sua essência.

Mas será que se aproveita?

Vejo-me a bater-me com os ponteiros do relógio. Em permanente ansiedade pela tarefa auto proposta seguinte. Aquela que tentei encaichar entre a tarefa 147 e 194, que são obrigatórias e não posso fugir.

Depois páro ao final do dia com o corpo dormente da tareia que levou, ainda a vibrar com a eletricidade que circula por dentro. Um resultado da adrenalina permanente que o corpo carrega sobre si mesmo para, por força da vontade, e contra a necessidade do descanso, se obriga a fazer.

Depois pergunto-me, será que aproveitas mesmo? Lembras-te dos pormenores do dia? Estiveste feliz e descansada ou andaste a toque de caixa, que é como quem diz a toque de vontades, as tuas e as dos outros? Somadas às necessidades e às obrigações.

Aproveitas-te o tempo? Ou gozaste só aqueles cinco minutos em que, sem pensar em mais nada, paraste no tempo e no momento para ver o teu filho brincar na banheira. Patinho para lá, tartaruga para cá? Dois, três, seis e a mãe esconde a cara atrás do muro da banheira.

Será que feitos os nove’s fora do dia não gozaste só cinco? Não horas mas minutos. Nem mesmo aqueles em que o devias embalar estavas ali. A cabeça a pensar no tempo que passa no relógio, nos minutos que  passam e ele não adormece. Ele, com quem querias estar mais tempo e agora desejas que adormeça, para teres mais dez minutos para ti, leres duas páginas e meia e ir dormir.

Pegar no despertador do telemóvel, simpático, até te diz as horas que vais dormir. Sempre menos de sete, invariavelmente menos de seis e meia, com frequência nem essas porque aquele que menos vejo no dia acorda a meio da noite à procura de aconchego, encontramos espaço no meio de uma cama onde já não há e prometemos que vamos comprar uma maior.

O saco estica, estica e às vezes rebenta. Quando me sento no sofá com a sensação de que mal me mexo. Quando já não estou certa de ser quarta ou quinta feira, quando penso que faltam duas semanas para o natal e afinal estamos a quatro dias.

Percebo aí que o saco está a rebentar e que o tempo não é elástico, elástica é a minha vida, torno-me eu, para por dentro de um saco de fibra dura mais e mais peças.

Páro e penso o que ando a fazer ao meu tempo, que de tantas coisas que faço, mal faço alguma coisa com ele.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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