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Em busca da felicidade

Os brutos também procuram a felicidade

Existe uma ideia fantasiosa, mas muito atual, de que as pessoas que procuram a felicidade têm todas um determinado perfil. Não se apoquentam, não gritam, não têm maus dias; até porque para esses arranjam sempre uma frase inspiradora que tudo resolve.

As pessoas felizes têm sempre fotografias coloridas no Instagram, têm textos sobre o interior de si mesmos no facebook, comem sempre muitas bagas de coisas várias e nunca se fartam das suas opções. Aparentemente as pessoas felizes nunca se arrependem de nada. Não se passam dos carretos e sabem que as decisões tomadas foram sempre «a melhor com a informação que tinham à data».

As pessoas felizes têm roupas de cores leves e têm fotos tiradas por pessoas sorrateiras que as apanham a pensar no jantar quando estão à beira mar pontapeando as ondas com o biquinho do pé por forma a tapar a parte menos jeitosa da perna pousada.

As pessoas felizes têm tralha de praia a condizer e acham que os cocós dos filhos cheiram melhor que o perfume francês mais caro (estava a tentar lembrar-me de um nome mas não me ocorre nenhum porque sou pobre, e o ultimo perfume que comprei era do Boticário).

Estas pessoas felizes amam-se sempre buedesde e nunca dizem «fodasse ou foda-se lá mais esta merda!», as pessoas felizes de alma dizem «ora bolas!» e seguem à sua vida.

As pessoas felizes, aparentemente, não sabem o bem que faz à alma mandar uma valente caralhada quando as coisas correm menos bem. Para não dizer: quando correm mal como a porra! Não sabem o prazer de mandar o windows para a puta que o pariu quando o cabrão insiste em não abrir o Excel que precisamos. Não sabem o que é chamar de cabra à gaja boa que aparece no Instagram, porque desejamos profundamente ter umas nalgas iguais às dela. As pessoas felizes, sempre felizes, não sabem como sabe bem ser bruto com a vida.

Gosto de frases bonitas e de fotografias bem tiradas. As ultimas até as invejo, para dizer a verdade. Gostava de ter talento com a máquina, mas o talento não quer nada comigo em vertente alguma. O mal das frases é que se parecem tanto a lugares comuns. O enfado é que muitas vezes (e digo muitas, não todas) parecem saídas de vidas que não sabem lá muito bem o que a vida custa. Mas lá está, também não têm de saber.

«Sabemos lá nós da vida dos outros!», foi uma frase que me ficou. Porque é verdade; sabemos sempre bem como gerir a vida dos outros, como achar que podem fazer o que nós fazemos, mas sabemos lá nós dos contornos da vida alheia.

«Ser feliz é uma escolha!", já li, já ouvi, já contestei. Ser feliz não é uma opção como a cor da camisola que se veste. Aliás, se pensarmos bem nem essa, até a camisola que vestimos está disponível num numero limitado de cores. É como a felicidade. Está limitada a um numero de momentos. Alguns de nós são agraciados com mais, outros com menos. Alguns têm a capacidade de perceber quando a felicidade lhes bate à porta, outros só dão por ela quando estão novamente na fossa.

Ser feliz não é uma escolha (na minha modesta opinião), nem tão pouco é uma condição (outra vez na minha modesta opinião). Ser feliz é um momento, que se segue por outro menos feliz, que se segue por outro raivoso, que se segue por outro indiferente, que se segue por outro feliz, que se segue por outro infeliz e por aí em diante.

Cada um encara a sua felicidade de maneira diferente.

O brutos fazem-no à sua. Sem frases feitas. Sem o nascer nem o pôr do sol atrás; muito provavelmente porque no primeiro estão a caminho do trabalho e no segundo ainda estão por passar a 25 de Abril.

Eu vivo na categoria dos brutos.

Ainda assim gosto dos Instragrams coloridos. Aliás é um ponto de melhoria para o barraco: criar uma conta como deve de ser no Intagram, uma coisa que valha a pena ver. Mas também gosto de coisas divertidas, que me tirem uma gargalhada de quando em vez. Aquela coisa do: «acredita em ti!» de segunda à sexta é um pouco de amor próprio a mais para mim.

Não gosto que me digam que: «não se dizem essas coisas», como se existissem frases da felicidade e frases do diabo; como se mandar alguém à merda fosse sinonimo de falta de amor próprio. Muito pelo contrário.

Que se dê um desconto aos brutos, eles também procuram a felicidade.

 

#afinfanamotivação

#tambémseiinspirar

#senãosoubesseinspirarjátinhafalecido

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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