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Em busca da felicidade

"Pais vão poder acompanhar anestesia dos filhos antes de cirurgia"

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O diploma foi publicado ontem, dia 02 de Agosto, em Diário da República. E eu fico contente por saber que hoje, enquanto mãe, caso seja preciso, posso dar a mão ao meu filho num momento destes.

 

Lembro-me como se fosse hoje do dia em que fui operada às amígdalas. Lembro-me da sala, do médico de barba e óculos grossos, da minha mãe de saia azul, da minha camisa de noite azul clara, das minhas pantufas com coelhinhos; a minha mãe comprou-me aquelas pantufas para me deixar contente por ir fazer aquela cirurgia. Os pais fazem o que for pelos filhos, e dizem o que for preciso também.

Lembro-me de ver a minha mãe sair num estado que hoje sei angustiante. Lembro-me de gritar por ela, para que não me deixasse ali com aquelas pessoas estranhas. Lembro-me de ter medo. Muito medo. Lembro-me de a ver em sofrimento pelo meu desespero. Lembro-me de não compreender porque continuava a andar em direção oposta. Lembro-me de a ver baixar a cabeça, resignada ao que «tinha de ser», de ter caminhado em dois passos largos para a porta. Saiu. Lembro-me de me colocarem uma mascara na cara. Lembro-me de acordar ao colo da minha mãe. Lembro-me de ir sentada ao colo dela, no banco da frente do carro pequeno dos meus pais.

Lembro-me de como é ser pequena e indefesa; de me sentir como um animal assustado que não entendia porque motivo a sua mãe não ficava para lhe dar a mão e dizer que tudo ia ficar bem.

 

E sim, a minha mãe explicou-me tudo. Mas quando estamos deitados numa marquesa, rodeados de pessoas que não conhecemos, todos de batas brancas e com objetos estranhos; nessa altura perdemos qualquer racionalidade e só queremos o conforto do colo da nossa mãe.

É sempre assim. Já fui operada em adulta e o que mais quis nesse momento era a mão da minha mãe.

 

Lia há uns meses atrás que já existem países com esta medida. Que está comprovado que, psicologicamente, é uma vantagem para a criança poder contar com o conforto do seu elo mais forte de segurança num momento de tamanha fragilidade. Nesse dia desejei que fosse possível fazer dessa forma em Portugal.

Ontem o meu desejo foi atendido.

Quando temos filhos temos de estar preparados para todos os imprevistos, mesmo que rezemos todas as noites para que a vida deles corra sempre alheia a quaisquer contratempos; especialmente os que precisam de senhores de batas brancas e bisturis.

 

Dito isto, e colocando o coração de parte, porque há coisas sérias a ter em consideração, é importante que este tema – sensível de natureza – seja encarado por todos com a maior responsabilidade, respeito e bom senso. Coisas que nem sempre abundam.

 

Assim, considero que tudo se aplica na perfeição desde que se garantam algumas premissas base:

 

Apenas faz sentido sem caso de cirurgias marcadas.

Não li todo o diploma, mas creio que em qualquer outro cenário os pais serão apenas entraves. Até porque em circunstância de urgência com um filho, tenho duvidas que o pai ou a mãe esteja no seu perfeito juízo, equilibrado psicológica e emocionalmente.

 

Que se respeite a decisão do médico

Será sempre o médico a decidir que se reúnem todas as condições para que o pai ou a mãe fique com a criança até adormecer. A verdade é que é fundamental que a pessoa que acompanha a criança esteja bem emocional e psicologicamente, de outra forma será mais prejudicial que benéfica.

 

Que os médicos saibam respeitar este direito

E não digam que «não» apenas porque têm a decisão final.

 

Que os pais tenham a capacidade de escolher o elemento mais indicado.

Caso pretendam que o pai ou a mãe esteja presente, que se considere como hipótese aquele que se «aguentará» melhor e não a mãe porque: «é o papel da mãe.»

 

Que socialmente se saibam respeitar as escolhas de cada um

A parentalidade é encarada hoje em dia com demasiado extremismo. É quase como se estivéssemos atrás de trincheiras. Há os super pais que gostam de tudo, que nunca ralham, que leem os livros todos, que levam os filhos a todos os teatros, que exigem usufruir de todos os direitos e que, perdoem-me a franqueza, se arriscam demasiadas vezes no julgamento dos que não têm as mesmas escolhas. Ainda não percebi se é porque pensam que quem não faz isso tudo não representa como deve ser o seu papel, ou se é porque precisam desesperadamente de confirmação de que as suas escolhas são as certas. Do outro lado há os que acham que temos de relaxar com estes temas, porque os nossos filhos não são feitos de vidro e têm de ser safos.

Claro que estou a exagerar com estas duas trincheiras, mas a verdade é que é exatamente porque não há grande margem para aceitar a forma de pensar dos outros que depois se geram animosidade e que, mais grave, há quem se sinta inferiorizado e obrigado a fazer aquilo com o qual se sente desconfortável.

Dito isto, importa ficar satisfeito com o facto de ter este direito e importa saber respeitar que há quem prefira não usufruir dele.

 

E vocês, o que pensam deste novo diploma?

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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