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Em busca da felicidade

Pensamentos de uma manhã de segunda-feira

E mais uma segunda feira chega como se o fim de semana não tivesse passado de uma mera ilusão. Uma miragem no deserto, vista por um ser perdido de sede sob o calor intenso do sol. Começa mais uma semana em que o despertador nos arranca dos sonhos às 6, sem dó nem piedade. Calamo-lo, mas a consciência continua o resto do trabalho “levanta-te preguiçosa, que as contas não se pagam sozinhas”. Uns minutos de ronha e a realidade abate-se como uma pedra, tenho de me levantar, tenho de preparar as coisas, arranjar o que é preciso para o dia, as roupas do pequeno, a mala dele, o pequeno almoço, vestir-me também dá jeito, no trabalho ainda não me deixam ir de pijama. Às vezes tenho pena, confesso, os 5 minutos que gasto a vestir-me davam-me jeito para outras coisas. Rezo para o pequeno não acordar já, espreito a caminha de grades e dorme, o meu anjo, a minha razão de viver, “se não fosse por ti, para ti, mandava tudo às urtigas, juro, hoje mandava tudo às urtigas e voltava a deitar-me”, digo para dentro, mas depois faltavam-lhe coisas e eu não quero que lhe falte nada.

Continuo a rezar para que não acorde já, agora não porque parece um anjo, mas porque se ele acordar já não consigo dar conta de quase nada e tenho de fazer tudo com ele ao colo. Pé ante pé trato disto e daquilo, se tiver sorte ainda consigo por um bocado de corretor nestas olheiras que me chegam às bochechas, sempre parece que dormi mais de 3 horas.

Vestir, quase pentear – que cabelo deste não dá propriamente para levar o verbo no seu todo a cabo – engolir o pequeno almoço e o pequeno acorda.

“Vamos a um leitinho!”

Despacha o biberão como ninguém e está pronto para se vestir. Quero ficar ali assim, com ele ao colo, abraça-lo. Mas olho para o relógio, esse cabrão que me persegue todo o dia, temos de nos despachar. Acaba-se o abraço e toca a vestir, contar as malas e os pertences que fazem falta para o dia. Garantir que está tudo desligado e que os cães têm água limpa. Dar-lhes um docinho antes de sair, afinal de contas vão ficar sozinhos e a minha consciência, essa porca, pesa, se não os tentar comprar com uma guloseima.

Entregue nos avós. Fecho a porta, cerro os punhos e engulo mais uma vez as lágrimas e a angustia, de mais um dia que sei ir passar em que mal o vejo. Quando lhe pegar novamente já não é dia. Sei que se divertiu, que foi bem tratado, que toda a gente teve todos os cuidados e tudo e tudo. Mas também sei que não estive e queria estar. Que não vi as graçolas e não ouvi as gargalhadas.

O fim do dia vai chega como todos os outros, para passear os cães, dar banho e dar jantar. Fazer jantar, engolir jantar e levantar a mesa. Se der ainda há uma brincadeira, umas bolinhas de sabão que trazem sempre uma gargalhada para compensar o dia.

E a semana passa assim, com dias sempre iguais e com a sensação de pouco.

O fim de semana é a luz ao fim do túnel, mais tempo para fazer o que queremos, ou talvez não.

A roupa tem de se lavar, tem de se estender, que cá em casa não há empregadas. O chão tem de se limpar, o pó também. A comida tem de se preparar, para que a semana não seja tão pesada.

Quando damos por nós é Domingo à noite. Pouco tivemos, mais uma vez. Mais que nos outros dias, é certo, mas continua a ser pouco. Não chega para compensar.

Ouço que há estudos que dizem que bastam 20 minutos por dia com os nossos filhos para que eles percebam que os amamos. Aceito que seja verdade. Só não há estudos que comprovem que esses 20 minutos chegam para nós. Que os queremos mais que tudo, mas que não temos tempo para os ver crescer. Para viver o dia a dia. Para descansar e ter cabeça para sermos pessoas felizes, presentes e capazes.

É com isso que me debato todos os dias, por deixar para trás esta angustia do pouco que tenho e sentir-me feliz com o que consigo ter. Guardar na minha memória todos os pormenores, porque o tempo não para e cada dia que se segue menos pertencemos um ao outro.

E agora com esta lamechice toda vou ali rezar para ver se é esta semana que ganho o Euromilhões.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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