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Em busca da felicidade

Pirulitos de caramelo e saudades de tempos que já não voltam...

Ontem a minha tia partilhou no facebook esta foto e eu não pude deixar de partilhar também. As memórias que me trás. Por momentos entrei num túnel do tempo e voltei a ter 5 anos, a chegar à Costa da Caparica de mão dada com a minha mãe. O meu chapéu de pano, o meu balde de areia com a sua pazinha. Ia fazer castelos.

E que bem que eu voltava a ser assim pequenina outra vez, livre de preocupações, só eu e o meu balde, a areia da praia, o som das ondas do mar e os castelos que construía com a ajuda do meu irmão mais novo.

Hoje amo o mar. Não consigo ir à praia sem entrar na água, aliás, para mim não é ir à praia se não vamos ao mar. Mas naquele tempo tinha medo, um dia quando a maré estava a subir uma onda mais forte veio mais para dentro da areia e começou a arrastar-me, era mesmo muito pequena e só me recordo de umas mãos me agarrarem de repente. Deve ser uma das minhas memórias mais antigas, daquelas que dizem que perdemos quando nascem os dentes lá de trás mas que na minha cabeça ficou arquivada por algum motivo.

Depois fui para a natação, perdi o medo, mas manteve-se o respeito. Um respeito muito grande.

Quando eu era pequena os dias de praia tinham dois caminhos, quando o meu pai estava em casa, ao fim de semana ou nas férias, lá se pegava no carro e íamos todos para Sesimbra, não havia ondas, era tudo mais tranquilo, não havia obras nem melhorias e a maioria das pessoas preferia a Costa porque era maior e tinha mais espaço para estacionar. Para além disso o meu pai tinha a vantagem de ter onde estacionar o carro porque conhecia o senhor do porto que o deixava pôr o carro lá dentro. Passávamos por baixo da rede que não devia estar rasgada mas que se manteve assim durante anos e pum, ligação direta à praia.

Nadávamos até aos barcos e voltávamos, todos atrás do meu pai. Como patos. A minha mãe ficava na toalha, não sabia nadar, arranjava as sandes e os bongos para quando os pequenos regressavam à toalha. Chegávamos à toalha cansados e frescos, a pingar água por todo o lado, sem protetor que isso naquele tempo era coisa de gente com pele branquinha e lá em casa somos todos bem morenos. Toda a gente sabia que os morenos não tinham problemas com o sol, nem apanhavam escaldões. sentávamo-nos nas toalhas, cada um com a sua sandes e o seu bongo. O pão com manteiga e fiambre tinha um sabor diferente. Digo isso muitas vezes ao Nuno, há um sabor muito especial num pão com manteiga e fiambre quando saímos do mar. Sabe à minha infância, sabe a momentos felizes, sabe ao que não quero esquecer.

Jogar raquetes e correr na areia. Nunca soube estar na toalha.

Durante a semana íamos muitas vezes com a minha mãe para a Costa da Caparica, não tinha carta nem carro, por isso íamos de autocarro. Lembro-me como se fosse hoje, todos a pé bem cedo, preparava-se a cesta de verga com as sandes, os sumos e as peças de fruta. Depois saiamos e descíamos a rua para apanhar o autocarro, que o que parava ao lado de casa não ia para a Costa.

O autocarro parava mesmo em frente à praia e depois andávamos até à bola de Nívea. Porque não viemos naquele comboio, mãe? Porque não passa à porta de casa. Até hoje nunca andei no comboio que liga as praias, se calhar um dia havia de experimentar. Mãe quero um chupa daqueles, daqueles, dos da foto. Havia com papelinhos em volta e outros que tinham baunilha por fora. Escolhia sempre o de baunilha.

Quando viermos apanhar o autocarro. Dizia-me sempre.

E eu ia, sempre a pensar no meu chupa.

Escolhíamos um lugar longe das rochas, um dia tinha visto um menino ser puxado pelo mar junto às rochas e a mãe não lhe tinha conseguido chegar, nunca mais quis ficar ao pé das rochas. As rochas significavam coisas más e os meninos dela não iam ser levados a lado nenhum.

Cansada, cheia de maresia e areia voltávamos para apanhar o autocarro depois de uma manhã de praia, que o sol da tarde era muito forte e fazia mal à cabeça dos pequeninos. Para além disso ia-se almoçar a casa, que isto não era casa de gente rica e sandes não é refeição para quem está a crescer.

No caminho lá havia direito ao chupa, sempre o mesmo. Mas só se não tivesse pedido línguas da sogra, as daquela senhora que batia perna de ponta à ponta da praia, com a pele escura e castigada do sol.

Aqui à semanas fui dar um passeio à Costa com o Nuno e o meu campeão, quando passei pela antiga praia da bola de nívea lembrei-me desses dias, desses chupas, senti o sabor. Contei ao Nuno e tentei descrever, não encontrei na internet e ontem apareceu-me isto.

Fez-me lembrar as saudades que tenho desse tempo sem preocupações, que tenho das brincadeiras de quando eramos pequenos e os medos menores que nós, fez-me lembrar das saudades que tenho de andar de mão dada na rua com a minha mãe. Fez-me lembrar que tenho muitas saudades dela e que já lá vão 20 anos que não nos vemos.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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