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Em busca da felicidade

...poder ser eu, para mim, só por uns minutos...

 

As máquinas estão desligadas, a maioria das luzes estão apagadas, resta a do escritório que me ilumina enquanto escrevo estas palavras e a da mesinha de cabeceira do Nuno. O pequeno já adormeceu e dorme na nossa cama ao lado do pai. Estamos a aproveitar alguns minutos para fazer alguma coisa que gostamos, só para nós. Depois damos-lhe o leite e deitamos-nos, que amanhã o dia começa cedo outra vez. 

Gosto de escrever assim, no silêncio das pessoas, da casa e das coisas. Toda a gente a descansar e resto eu a pé. Eu e as minhas baboseiras escritas. Gosto de me sentar e fazer o balanço do dia, tentar encontrar o que de bom houve num dia menos fácil, o que aprendi num dia que passou mais depressa do que esperava.

A segunda feira é sempre um bom dia para fazer balanços, marca o trilho para o resto da semana, depois vem sábado e com o descanso tudo se esquece, os desentendimentos com os colegas, as vontades que não foram feitas. Por isso sento-me e antes de começar a escrever penso no bom e no menos bom do meu dia. Começo sempre pelo menos bom, gosto de deixar o melhor para o fim, ficar com esse sabor na boca, o pensamento presente ao deitar faz-me lembrar que tenho tido mais sorte que azar na vida.

Por isso vejamos, levantei-me pouco depois das 6 da manhã, o sol ainda não tinha nascido e o meu corpo ainda não tinha descansado tudo o que queria, tudo o que devia, despachei-me a correr, despachei o pequeno a correr, com pouco tempo para brincadeira, só aquela que pode ser feita a caminho do carro ou entre uma e outra dentada na torrada. Engoli o pequeno almoço quando gosto de me demorar a comer, fiz mais de 30 km para ir trabalhar quando o que mais queria era rumar à praia e passar o dia de papo para o ar ao som das ondas a bater na areia, volto do trabalho, o transito, o maldito transito, paragem aqui e ali para comprar o que faz falta e vem a divisão de tarefas, um é cozinheiro o outro é ama. Comemos mais uma vez à vez, não há meio de convencermos o pequeno que deve ficar tranquilo à mesa. Lava-se a loiça e vimos para dentro.

Cansaço. As costas ardem, do tempo sentada à secretária, do tempo sentada no carro, não gosto de admitir, mas do tempo que passo debruçada de mão dada ao pequeno que quer correr a casa toda mas ainda tem medo de o fazer sozinho.

Depois sento-me aqui e penso que hoje já fui mãe, profissional, mãe outra vez, cozinheira, ama e nos minutos vagos tentei ser esposa de um marido que me lembra mais vezes que eu a ele que me adora. Sento-me e começo a deixar que as palavras saiam, as de desabafo e as outras, sinto o gosto de poder ser eu, para mim, só por uns minutos. Sem papeis para desempenhar, sem tarefas para cumprir, só eu para mim.

E quando estou comigo lembro-me de tudo o que de bom o meu dia teve, que acordei com o sorriso do meu marido que tem um humor muito diferente do meu ao levantar. Lembro-me dos 2 minutos que eu e o meu herói ficamos abraçados de manhã, só eu e ele, sem o mundo em torno de nós. Bebe o seu biberão, depois põe o dedo na boca e pega no bonequinho, pede para se enroscar em mim e ficamos assim, abraçados num minuto que sabe a mil mas que passa mais rápido que um segundo. Aquele minuto que dá força ao meu dia. Aquele minuto que me faz acordar e lembrar que tenho motivos mais do que suficientes para ser feliz. Depois desencosta-se, tira o dedo da boca e manda o boneco, num gesto de quem quem diz, muito bem, já tive que chegue de ti, agora podes ir e vemos-nos mais logo. Lembro-me das gargalhadas à hora de almoço e da palhaçada ao chegar a casa. Lembro-me que estamos todos aqui, bem, com muito amor para dar uns aos outros. Lembro-me que tenho uma família que ajudei a construir.

Depois olho para o relógio e vejo que estou a roubar ao corpo o tempo de sono que ele precisa. 

Reflexão feita, confirmo que ainda aqui ando para mim. Vou-me deitar, que amanhã é dia outra vez.

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----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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