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Em busca da felicidade

Reclamações parvas

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- Olhe desculpe, trabalha aqui no resort?

- Trabalho, sim. Posso ajudar?

- Pode, pode. Agora que estava aqui, à beira da piscina, banhada por estes simpáticos raios de sol, dei conta que a terra é redonda. O senhor consegue ter a amabilidade de me explicar porquê?

- Pois, acho que sempre foi assim.

- Ah, foi?! A sério?! Olhe que engraçado. Não calha a saber porquê, não?

- Pois não sei explicar.

- Mas sabe já há muito tempo que é?

- Sim, desde a escola primária.

- Então e nunca procurou saber mais?

- Pois…

- Inadmissível.

Pego em mim. Abalada. Consternada com esta realidade. Vou direita à receção e digo:

- Livro de reclamações ou desconto.

 

E perguntam vocês que raio andei eu a fumar com esta conversa? Pois que não andei a fumar nada. Limitei-me a ver as noticias este fim de semana enquanto dava a sopa a senhor meu filho e dei com uma reportagem, ou lá como se chamam  os vários temas falados no telejornal, sobre as reclamações de difícil resolução nas instâncias de férias no Algarve.

Uma pessoa, dotada de imaginação fértil tende a pensar que, para terem resolução difícil é porque aparecem animais de estranha composição, alguém agride o hospede, os lençóis têm esperma e outras coisas manhosas por serem mal lavados, a comida está fora do prazo. Coisas desta natureza. Depois depara-se com a reportagem e pensa que apesar de já ter visto um porco a andar de bicicleta o mundo tem todo um sem numero de acrobacias estúpidas para mostrar. Por isso decidi pegar neste pedacinho de tempo que aqui tenho à mão para analisar com maior detalhe estas reclamações e tentar encontrar uma forma de as resolver. Que eu sou toda resoluções. Foco na solução.

 

Reclamação 1

Pessoas que reclamam porque não há manteiga magra sem sal. Isto é malta que tem quilos a mais e que decidiu usar o tempo de férias para fazer dieta. Está na cara. Malta que está relaxada, de papo para o ar, de pulseira no braço com gente a servir tudo só pode reclamar porque anda a passar fome há três dias e isso está a causar-lhe dificuldades nas transmissões dos neurónios.

É agarrar, ir à cozinha, pôr um pedaço de manteiga numa caixa de fósforos, dizer que aquilo é o ultimo grito da manteiga biológica. Que alguém acabou de ordenhar a vaca e fazer a manteiga à mão.

 

Reclamação 2

Pessoas que reclamam porque estão no Algarve e o sumo de laranja não está doce. Ao que parece no Algarve as laranjas têm a obrigação de ser doces. Porque moram no Algarve. Por isso o sumo tem de ser suave também. É juntar meia dose de sunquick ao sumo e se questionados dizer que fizeram um alisamento japonês às grainhas das laranjas do Algarve e que em resultado disso não só o sumo fica mais doce como ainda por cima fica mais liso e suave.

 

Reclamação 3

Diz então que há seres vivos que se dirigem ao Algarve com o objetivo de vislumbrar as cegonhas nos seus ninhos e como tal, vai de questionar os funcionários dos resorts a que horas lá estarão as bichas. Esta para mim foi a melhor até aparecer a seguinte. Mas já lá vamos. Para estes bivalves humanos faz sentido que um tipo que faz check in de clientes saiba não só os ciclos migratórios das várias aves neste planeta, mas em concreto saiba quais os hábitos dos seus vizinhos que habitam em casas que são ninhos. Eu cá sou pessoa para sugerir que se entre em contacto com as cegonhas e se estabeleça um contrato. Qualquer coisa como, se apareceres todos os dias pelas 16:30 em casa não prego umas porradas lá naquele pardieiro a que chamas casa. Nem pensarei em estrelar os ovos que lá deixaste. A cegonha que é bicho para levar a sério uma pessoa, e bicho para falar português também, é bem capaz de compreender o que é que tem de fazer.

Eu não sei o que é que esta gente anda à procura, encomendar bebés ou o raio. Só sei que isto é gente que não bate bem da mola.

 

Reclamação 4

Esta acabou comigo. Ora pois que existe quem queira saber quanto tempo demora a areia a secar depois da maré cheia.

Não sei o que dizer a isto. Mas acho que lhes dava uma limpeza a dizer que já íamos ligar a chão radiante e que num estante a areia estava seca, solta e a escaldar. Coisa para demorar não mais que hora e meia a tratar.

 

A somar a estas anémonas falantes há ainda quem, a todo o custo queira descontos. “Tropecei naquele degrau, não havia uma placa a avisar, vai dar-me um desconto”. “O meu cartão desmagnetizou por estar ao pé do telemóvel, quero desconto”. Entre outras coisas parvas.

Cada vez mais me convenço de que já vi muito mas ainda não aprendi nada, que isto há gente marada pa tudo.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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