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Em busca da felicidade

Restos

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No tempo dos meus avós não haviam restos. A fome era muita para sobrar comida quando havia. Não havia nada que não se gostasse e a mãe ficava sempre com a cabeça do peixe "porque era a mais saborosa".

No tempo dos meus pais não se deitava comida fora. As sobras ficavam para o almoço ou para o jantar. Quem sabe para fazer outro prato diferente. Mas para o lixo não. A memória das dificuldades dos pais ainda estavam presentes demais. O valor da comida maior do que lhe é dado hoje. "Tanta gente a passar fome e nós a deixar comida no prato...".

Algures entre a geração dos meus pais e a "fornada" de que fazem parte os meus irmãos mais velhos, hoje na casa dos 40, deixaram de se aproveitar restos. As sobras iam para o lixo que havia como comprar mais. Uma geração agraciada com um maior apoio dos pais que agora os deixavam ser letrados e garantiam que pelo menos acabavam o secundário. Um luxo a que não tiveram direito. As casas compravam-se com mais facilidade e até se trocava de T2 para T3 com relativa ligeireza. Os spreds baixos, as comissões pequenas e aquele credito complementar, diluído em 30 ou 40 anos permitiam comprar uma casa melhor.

Algures nestes tempos perdeu-se o habito de falar em sobras.

Veio a crise. Chegou a fome a muita casa. E até as celebridades com ordenados de 20 e 30 mil euros começam a falar nas revistas e a dar entrevistas que em casa delas não há sobras. Que não se deita comida fora. Que fazem uma quiche ou aquecem o que sobrou.

A marmita tornasse moda e até se criam marcas (que hoje estão presentes em todos os shoppings) só com caixinhas de almoço, daquelas com talheres a condizer e malinhas janotas, com bonecada ou padrões de todos os tipos. Das que custam quase 40 €, desvirtuando - nesta minha mente provavelmente tacanha e fechada - a noção de poupança (40 € por uma mala para levar o almoço?!?!?!?). Mas até a marmita é moda.

Hoje, aproveitar o que sobrou é moda. Porque não são bem restos. São leftovers. Em inglês tem todo um outro carisma! (ou então não - o que me irrita esta coisa de as pessoas meterem inglês pelo meio da conversa como se nesta língua tão complexa que é o português não houvesse uma palavra para categorizar algo).

Hoje vivemos conscientes de que deitar comida fora roça o conceito de crime.

A marmita para mim sempre existiu e não tenho uma mala de 40 €. As sobras sempre se comeram - tirando aquele momento da parvoíce na adolescente que sabia tudo (ou achava que sabia) em que só comia o que me apetecia (maioritariamente bolachas).

Ontem o jantar foi frango assado com salada. Sobrou. Hoje o almoço era para ser um risotto de frango, mas infelizmente, o risotto que tinha em casa já tinha passado da validade em Novembro de 2015. Fiz um penne com tomate, espinafres e frango. Uma delicia.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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