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Em busca da felicidade

Sinto saudades de fumar

Só quem já fumou sabe o prazer que existe em estar sentado numa esplanada, pedir um café, sentir-lhe o aroma e acender um cigarro. A mistura do ar quente carregado de nicotina, misturado com o cheiro intenso do café. A mescla de sabores.

Fui fumadora durante 11 anos.

Cresci numa casa de fumadores. O meu pai fuma, todos os meus irmãos fumam, uma das minhas cunhadas fuma, a minha tia fuma, as minhas primas fumam. Enfim, é muita gente a fumar.

Sempre fui contra o tabaco e sempre azucrinei a cabeça do meu velhote para que deixasse de fumar.

Depois entreguei-me eu ao vicio.

Comecei a fumar com 19 anos. Tinha entrado para a faculdade (sim, a matemática lixou-me um ano) e, desafiada por uma colega, experimentei. Sim, já sei que já tinha idade para ter juízo e tudo e tudo, mas experimentei. A verdade é que gostei. Gostei de estar ali sentada, na explanada do café da faculdade, com o meu cigarro na mão e um cafezinho quente à minha frente.

Daí para me tornar fumadora foi um saltinho.

O tabaco sabia-me bem, retirava-me o stress, era um quebra gelo. Era a desculpa perfeita para sair de uma sala cheia de gente, ir apanhar ar e “fumar um cigarrinho”, ou “ir ao vicio”.

 

Em 2009 deixei de fumar. Um ano depois, em 2010, voltei. A verdade é que me ajudava com o trabalho stressante que tenho. A pausa era fundamental para descansar a cabeça e voltar para os afazeres.

 

Quando engravidei enjoei tudo. Incluindo o café e o tabaco. Desde aí nunca mais consegui fumar.

É verdade, não consigo mesmo. Acreditem, é estúpido, mas já tentei. Num momento de maior stress e ansiedade estava por tudo. Desci as escadas de casa e fui ao café comprar um maço de cigarros. Pensei: «sempre me acalmou, pode ser que funcione para me tranquilizar.», nada. Ainda tenho o maço dentro de uma gaveta da cozinha. Não tenho a menor vontade de lhes pegar.

 

Mas – e agora vai tudo chamar-me de otária – às vezes tenho saudades. Às vezes tenho pena de o tabaco já não me saber bem.

Porque eu gostava de fumar. Dava-me prazer. Gostava de me encostrar à janela da cozinha, mesmo a um cantinho para o fumo não entrar. Pousar a minha chávena de café em cima da máquina de secar. Fumar o meu cigarro e beber o meu cafezinho.

Nenhuma destas coisas me dá qualquer prazer hoje em dia. E há momentos em que tenho pena. Porquê? Porque quando estava mais em baixo sabia sempre que um cigarrinho e um café melhoravam logo as coisas. Nem que fosse milímetro e meio.

 

Com isto, e antes que me atropelem com um trator enferrujado, não tenho qualquer intenção de voltar a fumar. Se o meu anjo da guarda existir e for leitor da tabanca (o que é um mau indicio para o anjo porque significa que em vez de estar a trabalhar nas coisas que lhe peço anda na net) fica já avisado: «isto é um desabafo, não é, REPITO, não é um queixume, nem um pedido!».

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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