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Em busca da felicidade

Sobre os dias em que me arrependo de ter criado o blog

 

Há dias em que me sinto cansada.

Profundamente cansada.

Fatigada, aborrecida, aporrinhada, esbaforida com tudo isto.

Há dias em que se me levantam os cabelos dos braços por conta desta ideia estúpida de publicar as coisas que escrevo.

Sim, porque eu escrevo porque gosto de escrever. Mas publico porque gosto que esteja alguém a ler. Aquela conversa de que se escreve apenas por amor à escrita é conversa de café, porque se é só pelo exercício da coisa podia ficar na gaveta. Não era propriamente preciso perder horas de sono a: reler, rever, pontuar, corrigir, fazer sentido e depois programar para sair.

Gosto de escrever as minhas baboseiras e acreditar que há pelo menos uma pessoa que se vai rir com aquilo. Ou que se vai identificar e gostar de ter perdido aquele minuto e meio com o espaço.

 

Há uns meses mandei o blog às couves. Andava cansada da falta de chá de pessoas que escolheram ler o meu espaço sem terem primeiro limpo os pezinhos à porta de entrada e que me borraram o tapete da sala com as botas cheias de nhanhã.

Eu fiz aquilo que faria se alguém me irrompesse pela sala dessa forma: fechei portas por forma a não mais as deixar entrar. 

 

Depois voltou a vontade de escrever. E as pessoas que eu conheço e que gostam de ler tinham pena que eu tivesse parado de escrever. São poucas, mas são boas. E eu gosto dessas poucas.

São pessoas que se alinham com os meus astros. Apareceram aqui neste antro, gostaram do que viram e voltaram. Se calham a não ter gostado iriam à sua vida. My kind of people.

Os que assim entendem comentam (aqui ou no facebook) e gostam que eu brinque de volta perpetuando uma brincadeira que nos faz a todos rir.

É tão bom rir de coisas sérias. De outra forma era tudo tão cinzento. Afinal de contas a vida real vai-nos despindo da brincadeira. Não sejamos nós a encontra-la...

Só que depois há sempre alguém a querer castrar. Pessoas donas da razão, ditadores dos bons modos para o que lhes convém.

Atrás desses veem os engraçados que só entendem as próprias piadas. Voltemos a piada ao contrário e «aí Jesus que me afendestes», assim mesmo com «tes».

Eu fico abismada com a incapacidade humana de viver e deixar viver. 

Estes dias passam, porque os meus gatos pingados aparecem no meio da neblina, como uma espécie de equipa D. Sebastião do Século XXI e dizem-me aquilo que preciso ler: «pá, sua parvalhona de um raio, fizeste-me rir hoje», e eu dou-me por satisfeita.

Pobres daqueles que não sabem rir de si. Jamais sentirão o prazer de uma gargalhada verdadeira. Conhecem os sorrisos politicamente corretos, polidos e consensuais. Conhecem a gargalhada da maldade, quando alguém faz pouco de outro que lhes dá jeito. Uma espécie de escape à frustração, um desmascarar de sonsice encapotada.

Há dias em que me apetece fechar a porta. Mandar tudo as urtigas e começar de novo. Noutro sitio, com um nome inventado. Sem conhecer ninguém. Sem dar a cara.

Assim, como quem vai morar para um monte no meio do Alentejo e manda um telegrama de quando em vez.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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