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Em busca da felicidade

Somos o país do queixume

Se vivermos num monte de pedras, é porque isto é só betão. Se vivermos com jardins, é porque há muita bicharada e ninguém apara a relva vezes que cheguem. Se há ciclovias é porque devia haver espaço para mais uma faixa para os carros. Se não há ciclovia é porque somos de terceiro mundo e é “lá fora” que as coisas estão bem feitas, que isto aqui é só meter dinheiro ao bolso.

Mas afinal o que raio é que as pessoas querem? Será possível que tenham alguma PA-CI-ÊN-CIA! Porque as coisas para acontecerem, para existirem – surpreendam-se – têm de ser feitas, caramba!

Hoje de manhã ouvia a reportagem que estavam a fazer por causa das obras na 2ª circular para haver mais espaços verde e ciclovias. Toda a gente dentro dos carros a barafustar, que não há necessidade de mais ciclovias, que há espaços verdes que cheguem, que é preciso é escoar transito, que isto, que aquilo.

Aposto que as mesmas pessoas, há dois meses atrás, em amena cavaqueira, eram capazes de dizer que este pais é retrogrado, que é lá fora que as coisas estão arranjadas. Que em Londres há jardins e que em Amesterdão se consegue andar de bicicleta sem ser abalroado por um smart.

Entristece-me esta forma de estar do português, em permanente queixume com a vida. Com tudo. Nunca nada está bem. Será que não entendem que para os espaços existirem como existem noutros países se tiveram de fazer obras. Os melhoramentos não acontecem por milagres. É o permanente olhar para trás “ah já deviam era ter feito” que se o criador tem posto isto tudo já com prédios e jardins e estradas e ciclovias, num maravilhosamente engendrado projeto arquitetónico, antes mesmo de criar o Adão, uma pessoa andava mais descansada. Assim, agora, depois de uma pessoa existir e a ter de levar os putos à escola, só trás constrangimentos.

Já não pachorra nem é para as obras, é para as pessoas.

Não me entendam mal, as obras são chatas, são um constrangimento até estar concluídas. Mas também são um mal necessário para que a nossa cidade fique mais bonita. E aqui digo nossa, porque sou portuguesa, que eu sou lá da outra banda do Tejo e não vou tirar partido nenhum dos jardins e ciclovias que se vão construir. Mas tudo o que é para fazer do meu país um sitio mais lindo, contem comigo para apoiar.

Se há direito às alhos e aos dasses?! Há sim senhor. Tenho a certeza que, a levar com as filas todos os dias (que levo, não necessariamente com as das obras, mas as que resultam do esbardalhamento ocasional de malta que se esquece que quando chove o piso fica molhado, entre outras cenas) mandava umas alhadas e rezava a todos os santos para aquilo acabar depressa. Agora, se me questionarem consigo ter a clareza de mente para perceber que é chato, mas que é um mal necessário. Para que se criem os espaços melhores.

Não é isto que se ouve. O que se ouve é que há jardins que cheguem. Que há ciclovias que cheguem. Que é preciso é mais uma faixa.

 

Tenham juízo! Ou então da próxima vez que abrirem a boca para dizer que lá fora é que é bonito. Fiquem mas’é em silêncio. Que é como quem diz calados!

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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