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Em busca da felicidade

Sôtor foi operado

  

Na passada sexta-feira o meu lindo menino teve teve de ser operado.

A quem nos é mais próximo, já tínhamos falado que ele foi sujeito a um exame chato, para perceber se o sono dele estava a ter impactos no seu bem estar e se ele fazia apneias que justificassem ser submetido a uma intervenção cirúrgica.

Quando fizemos o exame foi-nos dado a entender que havia bastantes apneias, ainda que, mesmo antes, já tivéssemos consciência disso porque era demasiado evidente a olho nu.

Falámos com o médico e era urgente e fundamental que fosse operado aos adenoides e às amígdalas. (sei que existem nomes próprios para o procedimento, até os podia ir ver nos relatórios que nos foram entregues, mas não me apetece, francamente).

Já tínhamos data marcada há mais de um mês, mas, como em tudo o que se refere à nossa esfera mais intima: guardámos para nós. Foram informados os avós uma semana antes, foram informados os responsáveis no trabalho com a mesma antecedência (afinal de contas há que acautelar ausências) e foram informados os colegas mais próximos menos de 24 horas antes.

Não o fizemos por mal ou para esconder alguma coisa rocambolesca, mas é natural ao ser humano ter alguma coisa para dizer, contar que tem um amigo de um amigo, amenizar a ansiedade do outro ou ser parvo e contar a história do senhor lá da terra cujo filho perdeu uma vista quando o operavam às amígdalas. Nunca ninguém soube como aconteceu, nem se sabe o nome do senhor, mas chega para contar alguma coisa e deixar os pais ainda mais preocupados do que já estavam. Há sempre quem ande em cima dos estudos mais recentes e saiba que há alternativas à cirurgia, ou ainda quem descobriu na alimentação uma forma de redefinir os adenoides e mirrar as amígdalas. Há, para os que são bons da mona, a necessidade de tentar gerar alivio, mesmo que esse só possa chegar depois de ultrapassado o problema.

Ou seja, as pessoas não fazem por mal, mas falam do que nos apoquenta e isso lembra-nos diariamente que o dia tem de chegar. E nós precisávamos de convencer a cabeça a esquecer.

 

A cirurgia correu muito bem, dentro do normal. 

O pessoal médico, do bloco, do pós operatório e as enfermeiras, no geral, foram impecáveis. Especialmente a enfermeira que nos deu acompanhamento logo após a cirurgia, uma «miúda nova» tão doce, tão terna, tão disponível, tão tudo-de-bom, que eu nem tenho mais palavras para descrever. Daquela gente que merecia ganhar mais do que ganha, que merecia mais condições do que são dadas aos enfermeiros.

Houve apenas um contratempo com uma enfermeira «ovelha-negra-familiar-dos-velhos-do-Restelo», mas que se resolveu. Coisas que acontecem porque as pessoas estagnam a mente, não procuram evoluir, recusam-se a aprender com a malta mais nova, acham que sabem tudo e vêm do tempo em que sofrer faz parte do processo de cura.

 

De resto...

Nós (pais) trememos, andámos em ansiedade e preocupação, o coração apertadinho e a respiração suspensa durante aquele pequeno período de tempo. (para não falar nas semanas anteriores com exames e consultas)

Sim, já sei que «xiiii e tal mas isso é aquela coisa que p'aí um terço do planeta já fez e é a operação-de-comer-gelados», mas quando se é pai ou mãe da criança que vai fazer a operação-de-comer-gelados é «xiii muita mais complicado», porque para os pais, quando toca aos filhos, tudo o que é simples fica complexo.

É como querer comparar o tamanho de um grão de areia e um aglomerado de rochedos. Não tem nada a ver.

Quando nos doí alguma coisa nós sabemos o que é, queixamo-nos, tomamos um medicamento. Quando doí a um filho o sitio que nos apoquenta nós não sabemos bem explicar onde fica, e a sensação é tão intensa e tão forte que nos arrebata. Mesmo quando é tudo simples e cenas e tal e coiso.

 

Acompanhei Sôtor no momento da anestesia. Decisão que, aos meus olhos, justifica ter bolinhas de ferro para levar avante. Chorei bastante em vários momentos e ri noutros. Tudo por conta dos nervos. Mas voltaria a tomar esta decisão porque para ele é importante saber que a mãe está ao seu lado e para mim é fundamental que ele saiba disso.

Estivemos presentes quando estava no recobro que é um momento difícil de encaixar, porque as crianças gerem mal o acordar da anestesia. Interessa agora que já passou (como diria a moça do Frozen).

De resto, tudo se complica porque ele tem apenas 2 anos e meio. Já sabíamos disso. Com esta idade ele já percebe muita coisa, mas ainda não consegue compreender conceitos mais abstratos, pelo que não entende o que lhe está a acontecer, porque lhe doí, porque não pode comer umas gomas, etc. Podemos tentar explicar, mas o mais provável é não entender uma boa parte. (Nós explicamos na mesma...)

É o que refiro neste ultimo ponto que marca a diferença entre a simplicidade deste procedimento cirúrgico numa criança de 6 anos (como aconteceu comigo) para uma com 2 anos e meio (como é o caso de Sôtor).

Agora é fazer por ultrapassar esta primeira semana com a maior tranquilidade possível, sendo que já fomos informados que não é fácil, exatamente pela idade que ele tem.

De qualquer forma, não vale a pena enterrar a cabeça na areia como a avestruz (ou neste caso no desconforto em mãos), há que olhar para as coisas de forma prática e procurar-lhe o ângulo mais leve. Diz que pesa menos no peito. O que significa que fica na mesma guardado numa caixinha dentro do arquivo geral da nossa cabeça, e damos uso à informação que mais nos aprouver.

(parece simples, mas não é)

 

Por isso, vou tentando:

Dizer que Sôtor é um rapaz avantajado a vários títulos e que neste caso as amígdalas e os adenoides eram um contratempo com necessidade de correção.

Que descobri novos grupos musculares em todo o corpo, por conta de alombar com um ser de 12 kg mais de 8 horas por dia.

(o menino pede colinho da mãe e a mãe dá até ficar cheia de hérnias discais e bicos de papagaio, não há conversa sobre isso)

Dizer que a anestesista fez p'ali uma manobra de Kong Fu para o segurar e PAU! adormeceu num instante.

Ter presente que estamos a desenvolver mais uma forma de jejum intermitente, neste caso o «jejum intermitente de gelados» e que pelo facto de comermos maioritariamente líquidos provavelmente permitirá perder algum peso.

(ele não pode comer sólidos e custa-nos estar a comer à frente dele coisas que lhe estão proibidas)

Que, ao contrário do resto da população mundial, o que mais custa a Sôtor é o facto de ter de comer gelados. Sôtor meu rico filho é criança que gosta de um cozido, que gosta de um prato de chouriços e queijos, que gosta de uma boa falca de pão alentejano, que se regozija com sopa de entulho com massas e feijão. Nunca tinha comido um gelado antes na vida. Provou, mas nunca queria mais. Na sexta-feira, por conta da fome comeu, pela primeira vez na vida, um gelado inteiro. Ficando assim o mesmo como comida-do-sitio-mau.

Posso dizer que confirmámos que a mãe da criança é um animal e que quando mexem com a cria dela fica cega. Por conta disso quase enfiou um iogurte pela orbita de uma enfermeira. Mas não se apoquentem os mais preocupados com a alimentação saudável porque era sem lactose.

Assim, em jeito de conclusão estranha, por cá vou andando com os nervos à flor da pele, com menos de 5 horas dormidas na soma de 2 noites, com o desejo que tudo passe depressa e que ele fique num primor.

Por aqui vou passando, para aproveitar o efeito catártico que para mim tem escrever, tentando falar de todos os assuntos menos deste a ver se a cabeça não dá o tilt.

Desta feita, venham daí essas boas energias e desejos de tudo a correr bem. Coisas boas nunca foram demais.

 

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