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Em busca da felicidade

Sou uma consumista com remorsos

 

Não vou dizer que gosto de gastar dinheiro. Gosto acima de tudo de comprar coisas. Gosto de demasiadas coisas. De tantas que depois não há tostão para tanta coisa que gosto. 

Quer dizer...

Eu até gostava de gastar dinheiro...caso o tivesse a rodos. Qualquer coisa que se assemelhasse a não precisar de consultar o saldo quando me apetece comprar uma coisa de três dígitos. (momentos solenes que no ultima década têm estado confinados maioritária, se não mesmo exclusivamente, à compra de eletrodomésticos para o lar ou para o carrinho de senhor doutor meu filho).

Gosto de adquirir coisas. Fico feliz com um trapinho novo. Umas chanatas novas. Uma mala a condizer com o chanato. Um anelito ou um par de brincos.Uma agenda. Uma caneta. 

Sou pessoa que gosta de ter coisas novas e fica contente. É verdade. Assumo. Quando ando muito tempo pelo Centro Comercial quase fico em ansiedades, que se me encontro na posse de um cartão daqueles que dão nos programas da tarde o deixava assado em menos de nada.

Mas depois as pessoas podem espreitar o meu guarda fatos e até sou pessoa comedida. Sou porque minha conta coloca fortes pressões sobre minha pessoa. Bem como meu esposo. Que me relembra que a luz, o gás e a água também se pagam. Já lhe tentei explicar que podíamos fazer uma puxada da casa dos vizinhos e assim aplicávamos melhor esse dinheiro, mas como tem pouco jeito para a bricolage...ficamos assim.

De quando em vez lá compro então mais uma coisita. Uma blusa, umas botas, uma malita. Enfim coisas essenciais ao bem estar. Como dizia há umas semanas a senhor meu esposo "as compras são uma forma de terapia, em vez de ir para uma sala falar da minha tristeza com uma pessoa, compro uma mala nova e afogo a tristeza lá dentro". São métodos. Cada um com o seu.

Aqui há vários anos dizia a minha prima "ando triste, preciso mesmo que chegue o fim do mês para comprar uma coisinha para mim. fico logo contente outra vez". E eu vou pelo mesmo caminho.

Mas depois vem a culpa. Os remorsos pelas coisas que compro. Muitas vezes acompanhado do pensamento que se calhar devia era ter comprado a outra peça que vi. Ou em vez de 10 da loja mais barata tinha era comprado 1 da loja mais cara.

Ou se calhar nem vi bem o que tinha em casa. E assim gastei o dinheiro desnecessariamente.

Não é preciso esperar pelo dia seguinte. A culpa assenta-se-me no lombo mal chego ao carro.

Sempre fui assim. Ando para comprar as coisas. Compro. Depois fico com remorsos do dinheiro gasto. Vale-me o momento de êxtase em que pago e sinto que comprei algo que gostava.

Por isso optei por fazer um treino comigo. Comigo e com meu esposo. Há vários anos ouvi uma personagem de uma novela dizer qualquer coisa como "meu pai me ensinou que quando recebemos o nosso ordenado devemos em primeiro lugar comprar um pequeno agrado para nós, pode ser uma coisa pequena, mas uma recompensa por nos termos portado bem, por termos cumprido com as nossas responsabilidades, um agrado para nós para sentirmos que ganhamos o nosso dinheiro, depois as responsabilidades".

Faz-me sentido. Todo o sentido. Claro que não posso comprar um iphone todos os meses, nem botas de 200 €. Mas um agrado para mim pode ser um verniz, uma blusa de 50 € ou uma camisola de 10 € na Primark. Qualquer coisa de novo, que celebre esse novo mês, que me faça sentir que não trabalho só para as responsabilidades.

Que tire estes remorsos de quem gosta de comprar coisas para si, mas que depois fica 1 mês a pensar no dinheiro que gastou.

Parece-me que pode ser uma boa ideia.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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