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Em busca da felicidade

2 Anos e as Férias para esquecer (ou então não)

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Quem aqui vem com alguma regularidade sabe que, com exceção do fim de semana, sou pessoa para aqui escrever umas coisas numa base diária. Mas depois há momentos da vida em que as coisas não correm de feição e então não há nada como parar para pensar na vida e fazer um pause nas rotinas que pautam os nossos dias de sempre.

 

Ansiávamos por uma semana de férias como quem anseia por um copo de água no meio do deserto. Cansados e desgastados das obrigações e tarefas de todos os dias. Com horas de sono em divida e olheiras até aos joelhos.

Quando temos 18 anos e atingimos a dita liberdade que a maioridade comporta ninguém nos explica com detalhe que a liberdade se aproxima mais de uma espécie de conceito utópico do que da pura realidade. Deixamos de estar presos às regras impostas pelos pais para passamos a responder às responsabilidades. É a elas que temos sempre de perguntar se pudemos fazer o que nos apetece. O nosso maior ditador é o Tem-que-ser.

A sexta feira chegou com um suspiro de alivio que tremeu quando o Nuno se começou a sentir mal ao final do dia. No sábado acordou pior e no Domingo estava o pequeno doente também. Eu, que normalmente sou pior que uma flor de estufa, estava a passar pelos pingos da chuva. Até ter quase desmaiado no consultório veterinário a meio da consulta da Tulipa, pensei mesmo que ia cuidar do marido e filho e que as férias iriam passar numa brisa. Afinal de contas ainda era segunda feira.

Segunda mal me aguentava de pé. Terça estava mais ou menos. Quarta o pequeno mal se segurava nas pernas e à hora de almoço já andávamos os 2 a sumos de probioticos para reestabelecer a flora intestinal.

As férias pareciam cada vez menos férias e evitava-se a consulta médica porque aquilo ia passar a tempo de festejar o aniversário do pequeno na sexta feira e fazer a festinha no domingo.

Na quinta arriscámos sair de casa para comprar a prenda do pequeno. Não tínhamos ainda comprado nada. Afinal de contas tínhamos uma semana inteira de férias para tratar de tudo.

Voltámos para casa com um Panda que dança e um par de ténis.

Na sexta feira chegou o dia mais importante da minha vida. O meu pequeno fez 2 anos e eu continuava doente, ele também e o pai ainda não estava melhor.

- Amanhã chamo um médico cá a casa.

- Porquê amanhã?

- Porque não queria chamar um médico no dia de anos dele.

- Tem de ser, Cátia.

 

Chamámos um médico. E resumindo, porque confesso não me apetecer contar detalhes e pormenores, eu e o pai apanhámos uma bactéria na garganta, causando uma amigdalite que já se arrastava com a tosse. O pequeno terá apanhado uma gastroenterite que passou para nós.

Ou seja, ainda não disse mas esclareço agora, para além de passarmos as férias fechados em casa, doentes, de pijama, mal conseguimos comer e as tags mais usadas foram frango, canja e chá.

Ligámos à família e amigos para desconvidar para a festa de aniversário. Uns já não podiam ir, os que tinham crianças achamos melhor não irem. Especialmente a grávida.

 

Se chorei nesse dia? Chorei. Porque de todos os dias do ano, tínhamos de estar doentes neste.

 

Depois limpei as lágrimas e lembrei-me que estávamos todos juntos. Que o miúdo, apesar de andar a sumos probioticos e saquetas, estava contente. Que passámos 7 dias alapados uns aos outros sem pensar em tarefas e afazeres. Sem nos lembrarmos de compromissos. Sem nos deixarmos stressar com o que quer que fosse.

É que o estar doente tem isso mesmo. Impõe-nos o descanso que muitas vezes nos subtraímos.

Serviu para pensar que se calhar preciso levar a vida com outra calma. Com outra leveza. Que o stress pode mesmo dar conta de nós. Que é preciso passar mais tempo a viver e a saborear os momentos.

 

Não tive vontade de escrever. Não me apeteceu partilhar. Não me apeteceu sentar-me para contar um aniversário que devia ter sido diferente.

Mas foi o possível.

Aprendi com este ser que amo acima de tudo que a vida pode ser perfeita com as mais pequenas coisas. Decidimos que, apesar de doentes, não íamos ficar fechados em casa todo o dia de aniversário dele. Decidimos que íamos dar uma voltinha. Fomos ao shopping. Deixámo-lo correr pelos corredores e entrar nas lojas de telecomunicações para trazer panfletos. Ir às sapatarias correr e mexer em todos os ténis que lhe apetecesse.

As senhoras das lojas deviam pensar que éramos loucos.

Ele sorria e gargalhava. Nós esquecemo-nos que estávamos doentes.

 

No Domingo tirámos os pijamas, vestimos uma roupa composta, colocámos a mesa com a toalha do panda e recebemos os avós, os tios e a prima (que é quase uma adulta, mal acredito) para cantar os parabéns! O bolo com o panda, que tinha sido encomendado um mês antes e que tinha tamanho para quase 20 pessoas, estava ali, para ser comido pelos que restavam.

Passámos um bom bocado, o pequeno estava contente. E isso, é mais importante que qualquer outra coisa.

 

Acredito piamente que as coisas acontecem por um motivo. E nós temos apenas de prestar atenção para perceber o que está bem e o que tem de mudar.

 

Pensei bastante se escreveria este post, depois lembrei-me que, fossem dois leitores ou dois mil, seria apenas justo contar o que me leva a estar mais distante. Uma necessidade de pensar na vida, no que quero dela e dos meus dias. Na necessidade de saborear o tempo com os que mais amo. Com o resguardar dos detalhes que são apenas nossos.

 

Ah e ficam aqui os parabéns atrasados para aquele que mais amo. Puto, digo-te todos os dias e acho que entende melhor que ninguém, és a minha vida. E só contigo tudo vale a pena.

 

2 Anos

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(à porta do cartório, antes de assinar o nosso contrato muito especial) 

 

Estes somos nós há 2 anos e 1 dia atrás. Dia 23 de Julho de 2014. Altura em que não éramos já só nós 2. Mas que ainda éramos nós que fazíamos a cabeça um do outro em água. Ao dia de hoje é como se tivéssemos esse serviço externalizado, um ser de pouco mais de 70 cm, cabelo totalmente alvoraçado e que não fala qualquer língua reconhecida até à data, trata de nos dar cabo da tola antes das 8 e meia da manhã. Serviço diário.

Estes somos nós há 2 anos e 1 dia atrás, só nós e um pequeno ser que crescia em mim. Um ser desejado, mas que não estava planeado para esta data. 

Perguntam-nos se a vida mudou depois de casarmos. A vida não mudou em nada. Passamos a usar os dois alguma joalharia, mas tirando isso, nada ficou diferente. A vida de todos os dias manteve-se a mesma. E assim ficou depois do contrato. Aquele que aprendemos nesse dia ser, muito especial.

Não tivemos festa, nem tão pouco convidados. Na sala do notário estávamos nós, o notário e uma aranha. Mais ninguém. É que a vida, a nossa, a que tínhamos e mantivemos, essa passou-se um com o outro, como se lê antes de assinar, na saúde e na doença. Acresce na dificuldade e na bonança. Nos momentos difíceis e nos fáceis.

Já tínhamos dias felizes e continuamos a ter. Já tínhamos dias em que mal queremos olhar para a tromba um do outro e, acreditem, continuamos a ter. Não há contos de fadas. Afinal de contas eu não estou numa torre e não imagino o meu esposo a cavalo. Provavelmente ambos os cenários seriam incrivelmente deprimentes.

E assim nesse dia, uma quarta feita quente de Julho, rumámos a Sesimbra, esse sitio que eu amo. Esse sitio onde guardo as memórias mais felizes da minha infância, esse sitio onde gostava de passar a minha velhice numa casita ali com vista para aquele mar. E casámos. Passámos a nossa noite de núpcias com vista para o mar, exactamente como eu sempre quis.

Mas não fizeram uma festa porquê? Porque quando casamos queremos convidar todos os que amamos, e eu, jamais podia ter presente uma convidada muito especial. Aquela que há 20 anos é o meu anjo da guarda. Aquela que garante que mesmo que eu mande a tola contra a parece, nunca me aleijo muito.

Como não podiam estar todos, não esteve nenhum. Não creio que aguentasse passar pelo dia do meu casamento com um mar de convidados sem que ela lá estivesse.

Depois há a questão do dinheiro. Diz que casar custa uma pipa de massa e eu ou era "à grande" ou então "tá quieta".

E e isto. Podia dizer muito mais, mas creio que já disse aqui, e agora tenho de ir dar banho ao puto.

Podia ter posto um post ontem? Podia. Mas há dias que servem para ser vividos, não descritos.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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