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Em busca da felicidade

Então e esse dia de aniversário?

Como diria a tia Clotilde lá às amigas do lar. Passou-se.

Um dia de trabalho como os outros, com saída mais cedo para ir buscar o sôtor Agostinho (meu pai) para jantar. Afinal de contas ele também faz anos.

Quando chegamos a um determinado nível de maturidade (ou idade) percebemos que as prendas mais importantes são as pessoas que se lembram de nós nestes dias. Afinal de contas a vida é tão caótica que ainda terem cabeça para saber que há mais de 30 anos, em dias tal, uma pessoa nasceu, já é alguma coisa.

Ou isso, ou é o raciocínio mais positivo possível quando uma pessoa não é inundada de prendas. Massagens, SPA, malas, sapatos e fins de semana de luxo. Que, em bom rigor, também são coisas que se apreciam com a maturidade.

Assim no final do dia lá fomos buscar o Agostinho para ir comer uma bucha, que é como quem diz, jantar.

Do jantar ficam as tiradas do avô em parceria com o neto. Se um sozinho dá mais pérolas que uma ostra, imaginem-se os dois juntos.

 

Pérola 1

Chegamos de carro e não o vemos em parte nenhuma. Aparece passados 5 minutos, tinha ido à loja da minha prima que fica do outro lado da rua.

- Fui ali para dar um beijinho à tua prima mas estava lá outra moça a esfolar um cãozito.

(a minha prima tem uma loja de animais, onde dão banho e tosquias. a tosquiadora estava a tosquiar um caniche...só para esclarecer)

 

Pérola 2

Chegamos ao Fórum Almada (sim, foi o melhor que se arranjou à pressa e a uma segunda feira) e enquanto eu e o Nuno decidimos onde vamos comprar a sopa do pequeno.

- Ricardinho, vamos comer bife com batatas fritas?

Abrimos-lhe muito os olhos e dizemos entre dentes olha que ele assim não como e a sopa.

 

Pérola 3

Estávamos a tentar convencer o pequeno a comer um pedaço de bife. Já se tinha borrifado na sopa e estava farto de comer batatas fritas.

- Experimenta com molho filho, molha lá as batatas! Muita bom.

 

Pérola 4

Conversas sobre carros:

- Este carro que está aqui é um Opel.

- Volvo.

- Não é nada um Volvo. É um Opel, filho!

- Vooooolllllvvvvoooo!

- Não me lixes, então eu não 'tou a ver que é um Opel!

 

De fazer notar que 67 são os anos que os separam. O pequeno adora-o, especialmente porque eu acho que ele pensa, este tipo que é quase da minha idade é um fixe!

 

34

34.png

 

No dia 5 de Junho de 1983, às 5 da tarde, nascia eu. A maior bebé que conheci até hoje com 5 quilos de peso.

Hoje faço 34 anos. Não faço jus ao peso e tamanho com que nasci. Muito pelo contrário.

Acordei hoje mais cansada. Porventura por ser segunda feira, quem sabe um pouco mais por fazer anos e desejar ficar deitada depois das 6.

Acordei sem a sensação especial que temos quando fazemos 18 anos.

Acordei a pensar que continuo a estranhar a minha idade. Qualquer coisa em mim manteve a miúda de 15 anos que achava que tudo no mundo era possível.

Estranho a mulher com 34 anos que me olha no espelho, é que quando não vejo o meu reflexo imagino ainda a miúda de bochechas fartas e cabelos encaracolados que ia fazer coisas na vida.

Mas não, não me sinto saudosista. Claro que passa mais depressa do que esperamos. Mas a minha vida é hoje infinitamente melhor do que era a vida daquela miúda de 15 anos. Só tenho saudades da inocência dela. Hoje já sei que nunca vou saber tudo, apesar de haver dias em acho que sei coisas a mais.

O tempo passa a correr e não me é possível outra coisa que não o cliché de perceber que se não aproveitamos a vida ela passa num sopro.

Porque passa mesmo.

E balanços?

Não gosto de balanços. É uma confiança que ganhamos com a idade, a de dizer o que gostamos e não gostamos sem nos preocuparmos com o que os outros pensam. Há sempre coisas boas na vida. Tenhamos nós a capacidade de as ver. Há sempre problemas e chatices. Tenhamos nós a força e resiliência para os aceitar e resolver.

Não sou muito dada a esta coisa de aniversários. E não gosto assim nada de especial do meu. Cá coisas minhas.

Mas afinal de contas faço 34 anos. Ou há 34 anos que o mundo me atura.

Que venham mais 80 e tal, com saúde e com todos os que amo. É a melhor prenda que podemos receber. Acordar e sabermos que por cá andamos com todos os que amamos.

O resto logo se arranja.

 

2 Anos e as Férias para esquecer (ou então não)

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Quem aqui vem com alguma regularidade sabe que, com exceção do fim de semana, sou pessoa para aqui escrever umas coisas numa base diária. Mas depois há momentos da vida em que as coisas não correm de feição e então não há nada como parar para pensar na vida e fazer um pause nas rotinas que pautam os nossos dias de sempre.

 

Ansiávamos por uma semana de férias como quem anseia por um copo de água no meio do deserto. Cansados e desgastados das obrigações e tarefas de todos os dias. Com horas de sono em divida e olheiras até aos joelhos.

Quando temos 18 anos e atingimos a dita liberdade que a maioridade comporta ninguém nos explica com detalhe que a liberdade se aproxima mais de uma espécie de conceito utópico do que da pura realidade. Deixamos de estar presos às regras impostas pelos pais para passamos a responder às responsabilidades. É a elas que temos sempre de perguntar se pudemos fazer o que nos apetece. O nosso maior ditador é o Tem-que-ser.

A sexta feira chegou com um suspiro de alivio que tremeu quando o Nuno se começou a sentir mal ao final do dia. No sábado acordou pior e no Domingo estava o pequeno doente também. Eu, que normalmente sou pior que uma flor de estufa, estava a passar pelos pingos da chuva. Até ter quase desmaiado no consultório veterinário a meio da consulta da Tulipa, pensei mesmo que ia cuidar do marido e filho e que as férias iriam passar numa brisa. Afinal de contas ainda era segunda feira.

Segunda mal me aguentava de pé. Terça estava mais ou menos. Quarta o pequeno mal se segurava nas pernas e à hora de almoço já andávamos os 2 a sumos de probioticos para reestabelecer a flora intestinal.

As férias pareciam cada vez menos férias e evitava-se a consulta médica porque aquilo ia passar a tempo de festejar o aniversário do pequeno na sexta feira e fazer a festinha no domingo.

Na quinta arriscámos sair de casa para comprar a prenda do pequeno. Não tínhamos ainda comprado nada. Afinal de contas tínhamos uma semana inteira de férias para tratar de tudo.

Voltámos para casa com um Panda que dança e um par de ténis.

Na sexta feira chegou o dia mais importante da minha vida. O meu pequeno fez 2 anos e eu continuava doente, ele também e o pai ainda não estava melhor.

- Amanhã chamo um médico cá a casa.

- Porquê amanhã?

- Porque não queria chamar um médico no dia de anos dele.

- Tem de ser, Cátia.

 

Chamámos um médico. E resumindo, porque confesso não me apetecer contar detalhes e pormenores, eu e o pai apanhámos uma bactéria na garganta, causando uma amigdalite que já se arrastava com a tosse. O pequeno terá apanhado uma gastroenterite que passou para nós.

Ou seja, ainda não disse mas esclareço agora, para além de passarmos as férias fechados em casa, doentes, de pijama, mal conseguimos comer e as tags mais usadas foram frango, canja e chá.

Ligámos à família e amigos para desconvidar para a festa de aniversário. Uns já não podiam ir, os que tinham crianças achamos melhor não irem. Especialmente a grávida.

 

Se chorei nesse dia? Chorei. Porque de todos os dias do ano, tínhamos de estar doentes neste.

 

Depois limpei as lágrimas e lembrei-me que estávamos todos juntos. Que o miúdo, apesar de andar a sumos probioticos e saquetas, estava contente. Que passámos 7 dias alapados uns aos outros sem pensar em tarefas e afazeres. Sem nos lembrarmos de compromissos. Sem nos deixarmos stressar com o que quer que fosse.

É que o estar doente tem isso mesmo. Impõe-nos o descanso que muitas vezes nos subtraímos.

Serviu para pensar que se calhar preciso levar a vida com outra calma. Com outra leveza. Que o stress pode mesmo dar conta de nós. Que é preciso passar mais tempo a viver e a saborear os momentos.

 

Não tive vontade de escrever. Não me apeteceu partilhar. Não me apeteceu sentar-me para contar um aniversário que devia ter sido diferente.

Mas foi o possível.

Aprendi com este ser que amo acima de tudo que a vida pode ser perfeita com as mais pequenas coisas. Decidimos que, apesar de doentes, não íamos ficar fechados em casa todo o dia de aniversário dele. Decidimos que íamos dar uma voltinha. Fomos ao shopping. Deixámo-lo correr pelos corredores e entrar nas lojas de telecomunicações para trazer panfletos. Ir às sapatarias correr e mexer em todos os ténis que lhe apetecesse.

As senhoras das lojas deviam pensar que éramos loucos.

Ele sorria e gargalhava. Nós esquecemo-nos que estávamos doentes.

 

No Domingo tirámos os pijamas, vestimos uma roupa composta, colocámos a mesa com a toalha do panda e recebemos os avós, os tios e a prima (que é quase uma adulta, mal acredito) para cantar os parabéns! O bolo com o panda, que tinha sido encomendado um mês antes e que tinha tamanho para quase 20 pessoas, estava ali, para ser comido pelos que restavam.

Passámos um bom bocado, o pequeno estava contente. E isso, é mais importante que qualquer outra coisa.

 

Acredito piamente que as coisas acontecem por um motivo. E nós temos apenas de prestar atenção para perceber o que está bem e o que tem de mudar.

 

Pensei bastante se escreveria este post, depois lembrei-me que, fossem dois leitores ou dois mil, seria apenas justo contar o que me leva a estar mais distante. Uma necessidade de pensar na vida, no que quero dela e dos meus dias. Na necessidade de saborear o tempo com os que mais amo. Com o resguardar dos detalhes que são apenas nossos.

 

Ah e ficam aqui os parabéns atrasados para aquele que mais amo. Puto, digo-te todos os dias e acho que entende melhor que ninguém, és a minha vida. E só contigo tudo vale a pena.

 

39 Primaveras

"Com a sua idade, tenho que lhe prescrever mais uns exames!"

Foi assim que, quando há dois meses foi ao médico com dores de estômago, o especialista concluiu a consulta. Diz que a partir de um determinado numero de anos há exames que não se podem dispensar em caso de alguma sintomatologia. Ainda que ligeira.

Até aqui tudo bem. Não fosse o homem ter ficado com a frase presa na ideia e agora, sempre que lhe falha alguma coisa "pois, com a minha idade...".

 

Era suposto ter conseguido ficar acordada até à meia noite para ser a primeira pessoa a dar-lhe os parabéns, mas adormeci a babar para o lado. Depois à meia noite e um quarto o pequeno queixou-se de qualquer coisa e ouviu-se um estrondo no quarto. Um de nós tinha deixado uma porcaria de um cabide em cima da cama, o desgraçado caiu ao chão e fez um estrondo do caraças.

"parabéns, amor!" disse-lhe a dormir.

Eram 5:15 da manhã e o pequeno acorda. Queria vir para a nossa cama e queria leite.

Passamos o resto do tempo entre uma e outra cambalhota de sôtor.

 

Em resumo, se a prenda esperada era uma noite de sono descansada...já não dá. Também não consegui ser a primeira a dar-lhe os parabéns, a Worten antecipou-se com uma mensagem à meia noite.

 

Senhor meu esposo completa hoje 39 primaveras e diz já estar preocupado que para o ano são 40. Aquela estrada que já não tem volta, a estrada dos entas.

Eu digo que a idade está na nossa cabeça, mesmo quando as artroses nos tentam desmentir.

 

Um grande dia para ti meu amor. Que venham pelo menos mais...deixa ver...mais 85 que é para chegarmos os dois aos 120 juntos.

Amo-te muito...mas isso já estás cansado de saber.

 

Nota: É verdade, não te comprei prenda. Só para ficares descansado que não gastei dinheiro.

 

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Então e afinal como é que correu esse dia?

 

Uma pessoa sabe que até não é assim tão má gente quando, no dia a seguir a fazer anos aparece malta para dar um beijinho e perguntar como correu o dia. Se fosse rica ainda podia pensar que era por causa do guito, se fosse famosa, para ver se arranjava bilhetes para entrar na discoteca da moda, mas como sou uma tesa que ninguém conhece, só pode ser porque até não sou assim tão má rés.

Por isso, e que tal correu esse dia?

Ora pois que correu bem! Momentos de sentimento à parte, lamechices que fazem falta porque afinal de contas fazem parte e uma pessoa não é de betão cá dentro.

Não desembrulhei um único presente. Não soprei velas. Mas foi um dos melhores aniversários que já passei.

O melhor presente do dia acordar para ver quem mais amo. O sorriso do meu filho que ilumina o meu dia. Um pequeno almoço fora e uma tentativa de passeio no parque, que acabou sabotado pelo sono.

Uma paragem por aqui, enquanto o mais pequeno dormia, para a reflexão sobre este 33 que o meu documento de identificação diz que eu tenho.

Como não sei o que é isso de ter o dia de aniversário só para mim – e espero que assim se mantenha por muitos e resmungões anos – lá fomos buscar o outro aniversariante, meu pai porque é, não há questões e a genética não engana, Augustinho para quem sabe o cromo que tem lá dentro, e o maior cromo do mundo para quem o conhece melhor.

Fomos em busca da caldeirada de cherne mas encontramos uma mariscada. Todos ficaram contentes com o repasto e até o pequeno colaborou, sendo que se estreou nestas andanças de almoçar a sopa dele fora de casa.

Ouvi mais de 50 vezes “tás lexada com este gajo!”. Expressão comum do maior de todos os cromos, quando o pequeno Ricardo faz das suas.

Conseguimos obriga-lo (ao maior dos cromos) a ir às compras e, com grande esforço, que experimentasse 2 pares de calças de ganga para descobrirmos o numero dele. Não acertámos com estes dois pares mas tu já viste mais ou menos que são 2 números acima, não vale a pena experimentar mais. Não experimentou.

Vestiu-as em casa e por sorte diz que estão mesmo à medida. Enfim!

Deixámos a criança de 68 anos em casa para a sesta da praxe e rumamos a Cascais. Fomos à Vendinha das Mães e percebemos mais uma vez que existem motivos para não viver em Cascais. Paguei 5,95 € por 3 laços de mel e um sumo de laranja natural. Com o mesmo valor, na minha terra, comprava a caixa dos laços e uma laranjeira carregada. Assim não, comi um lacito mais o esposo e bebemos um sumo de laranja que, até podia sonhar ter origem em laranjas do Algarve e que foram transportadas a pé até Cascais, mas não, o senhor abriu o saco do Pingo Doce à minha frente. Quando me pediu 5,95 € estive para perguntar se estava a juntar a conta com o outro casal.

Fica para aprender, da próxima vez que for passear para lá da Marginal é para levar a marmita do lanche.

A Vendinha estava muito gira e tinha coisas de babar. Problema, a maior parte do que encontrei era para menina e eu tenho em casa um rapazola. Mas digo o mesmo que disse ao Nuno 5 minutos depois de ter entrado. “Se calhas a ter uma filha, já tinhas gasto dinheiro, era limpinho!”.

O pequeno estava louco com a criançada e com tanta coisa para “tentar” mexer. Porque eu não o deixo subtrair coisas do sitio onde estavam.

Andou e andou para onde quis. Estava para lá de feliz. E eu, eu ganhei a minha prenda de anos. Aquela gargalhada.

De volta a casa ainda mais uma paragem, para comprar aqui à menina a prenda que estava indecisa. O seu computador colorido.

Não havia a cor desejada e por isso seguimos para casa. Esta semana tratamos disso.

O pequeno não quis dormir no carro mas acabou por se entregar 5 minutos antes de estacionarmos à porta de casa. Tanto se bateu que acabou por ferrar. Já passava das 21h quando o Nuno e os cães o conseguiram acordar. E não, não largamos os cães na cama de grades. Chamamo-los ao pé dele e começamos a segredar-lhe que os “meninos” estão ali. “Olha o Ghandi, olha a Tulipa!” E o tipo acorda. E feliz! É uma adoração que dá gosto ver.

Jantar e convencer o pequeno a adormecer.

Acabar a noite com os últimos parabéns no Facebook.

E foi assim. Sem festas de arromba. Sem prendas estonteantes. Sem almoços caros, nem viagens ao estrangeiro. Mas um dia cheio de carinho, com as chamadas dos mais próximas e os votos de um dia feliz daqueles que sei que não me desejam outra coisa que não seja o melhor deste mundo.

Para além do Euromilhões, que me punha neste momento numa praia paradisíaca, que mais é que uma pessoa pode pedir?!

 

(A ver se esta semana ou na próxima ofereço lá à maltinha do trabalho um bolo destes)

...e agora nós...

 

Durante 18 anos a primeira coisa de que me lembrava ao acordar neste dia, era que não estavas. Não estavas, nem ias estar.

O meu dia de anos, o teu dia de anos, o nosso dia de aniversário. Sempre partilhámos o dia. Eu, tu e o pai. Parecia Natal. Não havia um aniversariante, haviam três. Não se davam parabéns, trocavam-se parabéns. 

Chegaram a dizer-me que não era bem assim, que só fazias anos amanhã, que tinhas nascido depois da meia noite. Não quero saber. A mim sempre me disseste que nasceste no dia 5. Que fazias anos no dia 5. Que partilhávamos o dia.

Gostava disso. Orgulhava-me disso. Fazia de mim alguém diferente. Fazia anos no mesmo dia que o pai e que a mãe.

Há vinte anos percebi que não era assim tão especial. Há vinte anos percebi que partilhar o dia de aniversário com quem amamos pode fazer desse um dos dias mais tristes do ano. Porque sem esse amor presente, o dia não faz sentido.

Há vinte anos aprendi que as prendas não chegam em embrulhos. Que o que vale a pena na vida o dinheiro não pode comprar. Que o mundo pode desaparecer num abrir e fechar de olhos e temos que nos esforçar para que os dias que temos sejam os melhores que conseguimos.

Há vinte anos detestei o meu dia de aniversário. Em muitos chorei mais do que ri. Noutros preferi pensar que esse dia não existia.

Hoje celebro o meu aniversário. Aconchego todas as noites a maior razão para o fazer.

Este ano não foi da tua ausência que me lembrei quando acordei. Foi a cama do meu filho que procurei. O sorriso do teu neto a procurar o meu. E soube, mais uma vez, que as prendas não vêm em embrulhos. As maiores prendas que a vida nos pode dar estão connosco todos os dias da nossa vida, de mão dada ou no nosso coração. Como te trago a ti.

Hoje lembrei-me de ti mais vezes que nos outros dias. Que não passa um em que não estejas. Lembrei-me enquanto almoçávamos, de como terias gostado de ver o teu neto a correr pelo Centro Comercial. Como me dirias que já lhe devia ter cortado o cabelo e como era melhor ter um babete grande para não emporcalhar a roupa toda. 

Lembrei-me que ia gostar de te ver, de te dar um beijo, de te dizer "Parabéns mãe!". Deixar que o teu neto te entregasse o teu presente, certamente uma flor, mais uma para o jardim que tinhas lá em casa.

Não te dei uma flor. Mas dei-te os parabéns, só não posso desejar-te que contes muitos. 

Hoje posso dizer-te que passei um dia feliz, um em que lutei menos entre as lágrimas e o sorriso porque o teu neto mos arranca com a maior das facilidades. Que levei o velhote a almoçar, que nos divertimos e, sem palavras ditas, ambos nos lembramos de ti. E nesse breve instante sentaste-te à mesa connosco. Aquela que, se cá estivesses, teria um bolo com chantilly e morangos, feito por ti ou por mim, tanto faz que também os aprendi. Três conjuntos de velas, 68, 67 e 33. 

Estejas onde estiveres, muitos parabéns, que nos tenhas visto e que tenhas passado um dia feliz connosco. Nós fizemos por isso. E sei que não quererias de outra maneira.

 

 

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