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Em busca da felicidade

Os pais às vezes são um bocado pategos

No sábado decidimos ir dar uma volta à Toy's ur Us de manhã. Já andamos há várias semanas para lhe comprar um triciclo e era importante saber se ele se interessava por um ou não; porque o que é certo é que nem sempre o tipo acha graça ao queremos que ache graça.

Estávamos preparados psicologicamente para o caos, que ele se larga-se que nem um louco a varrer prateleiras e a dizer: «qué isto. quê isto. Cado quê isto!», nós doidos, com sorrisos amarelos para os outros pais enquanto voltávamos a colocar tudo no devido lugar.

Mas nada disto acontecer.

Sôtor entrou na loja com olhar circunspeto, parecia matutar: «isto deve ser uma brincadeira de rasteira, só pode!». Cirandava pelo espaço, primeiro suspeito, depois encantado. Afinal de contas aquilo pode de facto parecer a Disney para um tipo com dois anos e meio.

«Anda com o pai ver os popós!», correu para o pai.

Não compreendo a loucura que esta criança tem com carros. Mas só vê carros, carros e carros à frente.

Devia estar à espera de algo completamente diferente, porque quando viu os carros de tamanho mini em que dava para ele, de facto, andar la dentro, ficou possuído pelo demónio.

Perdi a conta às vezes que ele entrou e saiu dos dois Jeep's que estavam em exposição. Depois, acrescentando à nossa boa ideia, decidimos pô-lo a experimentar um Audi que tinha bateria. Não demorou minuto e meio a perceber como se punha para fora da loja. Qual Velocidade Furiosa 10.

Nós de mãos à cabeça.

«Pronto filho, já chega. Agora temos de ir ver outra coisa.», disse-lhe eu arrastando-o em direção ao triciclo. Quando lá chegámos o que aconteceu foi mais ou menos o que passo a relatar.

 

O miúdo parou ao lado do triciclo, olhou para mim, depois para o pai, depois para o triciclo e fez cara de quem pensou: «Vocês drogam-se?! Ou isso ou bebem. Então primeiro falamos de carros de primeira linha, e depois querem que me monte neste engenhoca com três rodas e dois pedais. MAIS! Querem que dê à perna, quando os outros andam sem esforço. Tenham juízo!». Verbalizou apenas o «Não!» e pôs-se a andar para os Jeep's.

 

Reconheci a minha pateguice. A verdade é que lhe mostrámos isto...

 

...depois isto...

 ...e no fim queríamos que ele levasse para casa....isto....

 

Eu no lugar dele dizia: «Vão ser burros lá pra vossa terra...atão! Devem estar a fazer pouco de um gajo!»

 

 

As crianças, os brinquedos, o emprestar e o já chega

Mal acabei de pousar os sacos na areia da praia aparece uma miúda, com os seus 7 ou 8 anos, e pergunta se pode levar emprestado o balde de brincar de sôtor.

“Se for por um bocadinho…pode ser!” disse-lhe.

Gosto de o ensinar a emprestar e não há razão nenhuma para que não possa disponibilizar um brinquedo ou outro a outra criança. Esperando-se, claro, que a atitude seja reciproca. Afinal de contas são crianças e o melhor brinquedo é sempre aquele que ainda não têm. Chama-se curiosidade e, quando é saudável, só faz bem.

Lá levaram o balde. (Havia outra que estava à espera ao pé de uma piscina que construíam com a ajuda de um adulto) Estavam a fazer uma piscina na areia e precisavam de carregar água do mar até lá.

Retirámos o resto dos brinquedos da sacola, estendemos as toalhas e sôtor começou a brincar. Só tem um balde, o que leva sempre com ele, o que uso para lhe ir buscar água ao mar.

Ao fim de pouco tempo começou a pedir para ir buscar água. Tinha visto as miúdas a levar o balde mas não disse nada, está habituado a que as coisas possam ser para emprestar…desde que, como é obvio, ele fique com brinquedos para ele. Não há cá Madres Teresas lá em casa. Nem quero!

As miúdas voltam para devolver o balde. Não agradecem, mas tinham sido educadas a pedir, pelo que dei o desconto.

Não passaram 5 minutos e estava de volta. E eu que sim, que podia ser mais um bocadinho porque o pequeno não estava agora a brincar com o balde.

O tempo passou, passou e quando olho estavam todos no mar a brincar com o balde e o meu filho a pedir pela terceira vez para eu lhe ir buscar água ao mar. Duas dessas pedi que aguardasse, a terceira levantei-me e fui buscar de volta o que é dele.

Estavam acompanhadas por adultos, sendo que um destes brincava com elas. E não, não estamos a falar de crianças com dificuldades, de uma pobreza tal que nem uma pazinha tinham para se entreter. Falamos de duas crianças com 7 ou 8 anos que traziam cada uma um biquíni vestido de valor superior aos meus 3 fatos de banho.

 

Quando estivemos de férias no Algarve insistia sempre que sôtor partilhasse os seus brinquedos com as outras crianças, apenas duas condicionantes, que não lhe tirassem das mãos aquilo com que brincava (quero que seja altruísta, não xoninhas) e que a atitude fosse reciproca. Como é obvio isto não é “cobrado” a crianças com 2 e 3 anos. Mas espera-se que os pais, que estão a tomar conta dos filhos sejam educados ao ponto de alertar os seus querubins que, se brincam com os brinquedos de outras crianças, devem ser uma atitude similar.

Posso dizer que nem sempre acontece. Nesses casos, temos pena, e por mais besta que me possam achar, se sôtor não se importar, deixo que empreste, se se queixar não deixo quem não partilha brincar com as coisas dele. Ponto.

 

Este tema é para mim um tema sensível porque, apesar de parecer conversa sobre nada é um tema fundamental na construção da pequena pessoa que ele é. Não quero que seja egoísta, mas também não quero que seja o totó de quem todos se aproveitam e que nada fazem por ele.

Não me importo nada de emprestar os brinquedos do meu filho, mas não gosto que as pessoas se esqueçam da pessoa a quem eles pertencem e que, como este fim de semana, mal deixaram uma criança de 2 anos brincar com o seu baldinho, porque estavam a divertir-se à beira mar.

É uma linha ténue, entre o à vontade de pedir alguma coisa emprestado e o à vontadinha de achar que se não está a berrar é porque não lhe faz falta.

Lá está, são as crianças que devem ser educadas a pensar nos outros e não apenas nelas próprias e nos seus desejos, são os brinquedos que servem para o divertimento dos seus proprietários e não só, é o emprestar, o saber partilhar, um bom valor a passar na formação de pequenos seres, mas é também o saber dizer já chega para que lhes ensinemos a não deixar que abusem da sua boa vontade.

 

Os brinquedos, as crianças, os pais e a noite de Natal

 

20161225_210247.jpg

 

Ainda não percebi se as escolhas feitas pelas marcas para segurar os brinquedos nas caixas têm por objetivo segurar os ditos no sitio, garantir que as crianças não se magoam ou pretendem apenas fazer os pais suar que nem porquinhos na noite de natal com as crias a guinchar e a gritar numa pressão que nem o pior dos patrões consegue imprimir.

Já não basta os desgraçados dos pais trabalharem que nem mouros para comprar às crias os tão desejados objetos, que depois, em muitos casos se fingem ser entregues por um velhote gordo de barbas brancas que desce sempre pela chaminé mesmo que a casa não tenha, granjeando sempre os louros dos presentes que os putos recebem à laia de bons comportamentos que aconteceram de quando em vez. Nos intervalos das birras e das vontades, vá. A somar a isto ainda os coitados têm de estar ali, munidos da caixa de ferramentas, chave de fendas, busca poles e alicate. Tudo para garantir e extração dos bonecos de dentro da caixa.

Tudo para culminar na potencial choradeira quando, depois de feita a extração, se percebe que a porra do boneco não trás pilha. Quando se corre a casa toda e se esventram todas as gavetas para perceber que não há aquele tamanho em casa.

"Até pensava que já não se faziam".

O que vale é que este ano no AKI já há uma caixa por 12 euros e tal com pilhas de todas as qualidades imagináveis. Pode ser que tenham salvo alguns pais este natal.

É que uma pessoa pelo preço que cado boneco custa pensa sempre que trás pilha. É o minimo.

Senhores das marcas. Menos. Qualquer dia vemos o J.I. Jo colado com silicone do bom. Não vá o gajo tentar sair da caixa. Que o tipo é manhoso e cheio de truques.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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