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Em busca da felicidade

A vida de quem tem medo

A vida de quem tem medo é menor.

É mais cinzenta.

Quando a luz está acesa parece nunca iluminar o suficiente.

A vida de quem tem medo preenche-se de dias muito iguais.

Às vezes sempre iguais.

Demasiado iguais.

Tão gémeos uns dos outros que a menor variação aumenta o ritmo cardíaco.

O coração bate perto da boca.

Parece sufocar.

Parece que vai rebentar.

Parece que nada o pode acalmar.

A vida de quem tem medo nada sempre no rio conhecido.

Não se atreve em alto mar.

Os perigos que se sabem são muitos, os que se desconhecem ainda maiores.

A vida de quem tem medo redunda na morte.

Numa morte inesperada.

Não controlada.

Súbita.

Parva.

Num fim que se deseja tardio.

Na vida de quem tem medo a morte aparece mais vezes que no fim.

Morre-se um pouco de cada vez que pensamos que a maldita pode vir.

Na vida de quem tem medo há momentos que se vivem como se de um filme se tratasse.

O «até logo» reveste-se de um «adeus» que parece eterno.

«E se digo até logo mas já não volto?»

«E se o teu pedido para ficar, assim, só mais um pouco, assim, só hoje, for premonitório?»

Os ses que rodam e atormentam.

A racionalidade que se quer impor, mas que o animal não deixa.

O coração ainda bate forte demais.

Uma pontada debaixo do braço.

Alguma dificuldade em engolir.

As pernas parecem não querer responder. Ainda que continuemos a caminhar.

«Põe aquela musica.»

E a musica toca. Toca mais alto.

«Muda de musica. A outra...»

E o coração bate perto do pescoço.

«Sim, agora sinto-me confiante.»

Mas estava melhor sentada na minha cadeira de todos os dias.

A fazer as coisas de todos os dias.

Os dias sempre iguais.

Não sei em que momento o medo tomou conta da minha vida.

Antigamente não o sentia.

Diz que um coração que sofre é um coração que é amado.

Se calhar é isso.

O medo de perder o amor.

 

(não é um poema, não é um texto, nem sequer é uma lista. é uma coisa que escrevi em 3 horas de espera)

 

O facebook e a feira da minha terra

Quando eu era miúda vivia numa vila pequena da Margem Sul que dá pelo nome de Corroios. Hoje já nem sei se é vila, se o que será. Mas também não importa para o caso. O que importa é que em Agosto dava-se o acontecimento do ano: a feira de Corroios. As ruas eram fechadas ao trânsito e davam lugar às bancas dos feirantes: pipocas, algodão doce, cachorros quentes, mel, charcutaria diversa, chupas&rebuçados, mantas, rifas. Tudo acabava nos carroceis e nos carrinhos de choque. Os meus irmãos iam andar de carrinhos, atirando as viaturas uns contra os outros, eu, porque era pequena demais para essas andanças (e porque uma menina não anda à pancadaria em carros sujos), ia com os meus pais ao leilão dos cobertores. Era uma senhora gorda, que falava alto que chegasse para não precisar de um altifalante. Abria a porta da carrinha, repleta de mantas, cobertores, lençóis com folhos, toalhas de um turco nunca visto. Dava o mote para base de licitação e ali estávamos, a ver quem levava o cobertor com o desenho do leão para casa.

Até chegarmos à dita carrinha cirandávamos pelas outras bancas. Raras vezes íamos comprar alguma coisa, por isso o recado: «veem com os olhos, não se mexe no que não se vai comprar, não se chateia quem está a trabalhar». A minha mãe gostava pouco daquela gente que, aos seus olhos, fazia pouco de quem trabalhava. Porque eles andavam sempre por ali. Entravam nas bancas, mexiam em tudo, criticavam o produto, perguntavam o preço, criticavam o preço, que o bem «não vale isso nem que você se pele», pousavam o bem, criticavam o vendedor, não tinha jeito para atender os clientes, assim não havia de vender nada.

Estas pessoas nunca estiveram interessadas em comprar nada. Umas porque nem dinheiro tinham, outras porque achavam interessante fazer pouco de quem vendia na feira. Eles que trabalhavam em escritórios ou em lojas finas de perfumes eram muito melhores que «aquela gente».

Hoje acho que estas pessoas têm todas contas no Facebook, entram nas páginas públicas dos outros e, apesar de não gostarem do que são, ou apesar de os invejarem, ou seja lá pelo que for, entram. Para eles é o mesmo que entrar numa loja para implicar com o dono, implicar com a vendedora. Criticam o que a pessoa é, o que a pessoa disse, o que a pessoa não disse, o que a pessoa vai ser daí a 5 anos e ainda regateiam a profundidade da bosta que dizem.

É a feira de Corroios chutada para a estratosfera digital. A massa de gente que vai, gosta. Quer que a feira volte. Respeita. Depois há os nichos de gente que ciranda a terra como se estivessem a fazer um favor a Deus nosso Senhor. São uma espécie de bullys sociais, ou apenas os idiotas que antigamente se sentavam ao canto da taberna, mas agora têm um telemóvel com touch screen.

 

Tenho um profundo respeito pelo Nuno Markl, faz-me rir, e eu respeito pessoas que, sem me serem nada, me alegram o dia. Penso que de todos os humoristas é o mais inofensivo. Não que os demais sejam ofensivos, acho que não há nenhum de que não goste, e adoro os mais ácidos. Fazer rir não é fazer mal. Fazer mal é deixar um animal abandonado à sua mercê, preso num rail. Fazer mal é ver alguém cair e, em vez de lhe estender a mão, desviar-se para que não impacte 2 cagagésimos o seu dia. Fazer mal é sair do meu caminho para ofender alguém só porque essa pessoa disse o que pensava.

 

A maldade das pessoas resume-se à sua frustração, má formação, ignorância e maldade. Fazer rir é um trabalho difícil e pessoas como o Nuno trabalham todos os dias para alegrar alguém, para arrancar uma gargalhada num dia de merda. Essa é a vitoria do seu dia de trabalho. Vejam como é difícil.

Ser humorista não é ser médico, mas quando estamos na merda e nem os médicos conseguem ajudar só há uma coisa a fazer: rir. Rir muito disto tudo.

 

Hoje, quando vi a mensagem do Nuno Markl no Instagram lembrei-me da feira da minha terra. Lembrei-me das pessoas que entravam nas bancas de quem estava a trabalhar, não queriam comprar nada, só queriam estragar-lhe o dia.

 

Espero que o Nuno pense o mesmo que a senhora das toalhas de mesa e saiba que: «estes cabrões só para aqui vêm para me dar conta da mona». Que os mande pastar e nos continue a fazer rir, mas rir muito. Eu cá sei a falta que ele me faz todos os dias a caminho da 25 de Abril.

 

 

Um desafio em 10 perguntas...

O João - que foi desafiado pela Joana, que foi desafiada pela Carol - desafiou-me para responder a uma lista de 10 perguntas. 

Muito obrigada pelo desafio conterrâneo João, tentarei fazer o melhor, sendo certo que, como sabe, aqui no tasco a fasquia é sempre rasteira.

 

Ora cá vai alho, desviem-se:

 

1 - Oferecem-te uma viagem no tempo que não podes recusar. Que época escolhias?

Fico dividida. Há duas pessoas na história mundial que gostaria muito de ter conhecido. Uma delas é a Jane Austen, por isso gostava de dar um saltinho ali a 1800. Se possível apanha-la a escrever o «Orgulho e Preconceito». A outra pessoa que adoraria ter tido o privilegio de conhecer é Albert Einstein; por isso acho que gostaria de dar um saltinho a 1920, acho que seria uma altura interessante para o conhecer.

 

2 - Um filme que te arrependes de ter visto?

«A árvore da vida». Segundo li mais tarde, nem os atores entenderam o filme quando o viram. O tipo que filmava parecia estar sob o efeito de alguns alucinogénios poderosos e a meio do filme espetam com 15 minutos de imagens de screen savers que, alegadamente, representam o inicio de tudo. Para mim são screen savers.

 

3 - Fotografar ou ser fotografada?

O ideal era nenhuma. Fotografo mal e fotografada fico ainda pior. De qualquer forma, imaginemos que até faço um trabalho de fundo na minha auto-estima; preferia ser fotografada que fotografar.

 

4 - Se tivesses obrigatoriamente de apagar o blog amanhã, qual era o título do último post que irias escrever no blog?

«Lamento mas tenho de bazar porque estão a correr comigo do Sapo». Visto que era por obrigação. E depois metia a boca no trombone, dizia tudo o que sabia do Sapo, que anda metido com outra sapa que não é a mulher dele e coisas desse género.

 

5 - Tens [ou já tiveste] alguma celebridade que consideres como o teu ídolo?

Não gosto do conceito de ídolos. Acho que é uma forma de colocar alguém num patamar acima do patamar humano. Tenho muito presente que todos nascemos de um sitio muito parecido e que vamos para um muito igual, pelo que tudo depende do que fazemos no entretanto.

Dito isto, admiro mulheres inteligentes, com humor, com presença, com voz própria. Gosto muito da Tina Fey. Numa nota completamente diferente, gosto muito da Helena Sacadura Cabral. E assim de repente são os nomes que me ocorrem.

 

6 - Uma saída com amigos: discoteca até de madrugada ou jantar e ficam todos em casa a conversar?

Eu sou uma pessoa que já avança para uma certa idade; de maneiras que....para moimeme (mesmo assim: moimeme) seria jantar e vão todos fazer ó-ó. 

(Faço notar que é fazer o ó-ó mesmo e cada um, ou cada casal, para sua respetiva cubata).

 

7 - Qual foi a frase que alguém alguma vez te disse e que nunca esqueceste [não precisa de ser profunda, há frases que simplesmente nos ficam na cabeça]?

Há já alguns anos atrás visitávamos o antigo senhoria do Nuno, o senhor estava a passar por alguns problemas de saúde e, no seguimento da nossa conversa disse-nos uma coisa que nunca mais me esqueci: «viajem, passeiem, conheçam. porque um dia alguém pode vir e levar tudo o que temos. mas ninguém pode tirar o que os nossos olhos já viram». Achei bonito e verdadeiro.

 

8 - Quando estás no carro ouves rádio ou escolhes a música que queres ouvir?

Por acaso antigamente não era fidelizada a rádio nenhuma, andava sempre à pesca das musicas que me apetecia ouvir. Mas hoje em dia é sempre rádio. Por regra a Comercial.

 

9 - Se pudesses voltar atrás no tempo e dizer alguma coisa que ficou por dizer [porque só te lembraste depois, é o que acontece sempre], o que dirias?

Bom, eu sou aquele tipo de pessoa que, em 99% das situações diz coisas inusitadas e que depois, ali 5 minutos depois, se lhe escorrem as palavras certas. Por isso, se calho a voltar atrás tinha de reescrever a maior parte da minha vida. O que vale é que a memória também já está pela hora da morte e eu já não me safava a lembrar-me da porcaria que disse e do texto eloquente que a substituiria.

 

10 - Se pudesses conhecer mais alguém dos blogs, quem seria? 

Ora bem. Isto para mim o mundo dos blogs é uma coisa vasta. Ele há os meus blogs de referência, aqueles que eu já lia antes de me meter nisto. Esses são: o «Cocó na Fralda», cuja autora já conheci e contactei nos Clubes de Leitura organizados pela mesma. É uma pessoa super simpática, acessível, um prazer conhece-la. O outro é o: «Dias de uma Princesa», não conheço a Catarina Beato, contudo tenho uma colega de trabalho que é sua amiga desde a infância. Coincidências.

Há ainda uma terceira blogger que eu gostava de conhecer que é a Joana Ferreira Duarte do blog «Perna Fina», acho que é uma miúda com uma história muito gira; ela própria é muito gira, super confiante e um bom exemplo, porque é uma mulher como qualquer outra que encontrou uma forma excelente de se valorizar pelo que é. Gosto dela e gosto do espaço. Ela certamente detestaria o meu, não só porque não gosta, de todo, de erros ortográficos (e toda gente sabe que vai na volta e eu tropeço na gramática e baralho letras); e porque é professora primária.

Odespois...

Temos a malta aqui da Sapolândia.

O João eu já conheço. A Joana não quero conhecer. É pessoa para me deixar os cotovelos gretados com inveja, por isso, vai de retro!

Ficam-me assim duas almas (que ainda estão em seus corpos, quero acreditar) que eu gostava de conhecer. Uma delas é a Marta Elle, é sempre uma querida. A outra é uma figura nova aqui na Sapolância, mas gosto do nome do blog e gosto de malta que ralha consigo mesmo em frente ao espelho. Falo do Triptofano.

 

Dito isto, é para chutar a bola para outro, certo?

Então é assim, entre a Marta e o Triptofano vou passar ao Triptofano, unicamente porque o rapaz é novo nesta vila sapatória e é uma forma de saber que às vezes há estas coisas dos desafios.

 

Assim, Triptofano, não tenho alterações a fazer às questões, o palco é teu...

 

Aí a p%&ta da memória

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Fomos ao AKI comprar umas coisas que nos faziam falta. Seguimos para a caixa:

 

Senhor da caixa

Deseja pagar como?

 

Nuno

Multibanco

 

Começa à pesca do MB na carteira. Nada de encontrar o dito; parecia um daqueles velhotes que colocam a arrastadeira de lado e se enconstam ao balcão a contar os trocos enquanto dizem: «ora menina ajude-me lá a contar aqui as moedas.»

Eu armada em chica esperta saco do meu MB:

 

Eu

Deixe estar, está aqui o meu. Afinal de contas sai tudo do mesmo poço.

 

Lampeira marco o código. Dá erro. Só me estava a ocorrer o código de entrada da porta de casa.

 

Eu

Grande merda. Parecemos dois pategos. Porra que não me lembro do código.

 

Retirei o cartão e o Nuno pagou com o dele (entretanto encontrou).

 

#putadamemória

#jánãodápamais

#estoutodaqueimada

 

 

Quando a blogosfera se torna real

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Temos por hábito ir correr ao sábado de manhã. Quer dizer, dito desta maneira parece que há mais de 10 anos que vamos correr ao sábado de manhã. Desde que me meti nesta coisa de correr os 10 km que, ao sábado de manhã, depois de languidamente levantarmos o befe da cama, depois de comermos o pequeno almoço sem pressas, fazemos caminho para o Parque da Paz em Almada: vamos correr.

Umas vezes sôtor vai em seu carrinho, e quando é assim corre toda a gente ao mesmo tempo (o pai corre e faz workout aos braços também). Como lhe dizia noutro dia um senhor que passou por nós: «a ti ninguém te apanha, vais sempre 2 passos à frente deles!».

Mas dizia, ganhámos o habito, desde há uns meses a esta parte, de ir correr para o Parque da Paz ao sábado de manhã. É uma forma de cortar com as rotinas da semana, é uma maneira de garantir que se faz algum exercício no fim de semana e é ainda uma fonte de alimento dos patos do Parque, porque no final de cada corrida está prometido a Sôtor meu rico filho que vamos dar 3 carcaças aos patos.

 

Ora pois que isto é tudo muito bonito e fit, mas este sábado não estava para aí virada. Acordei sem grande vontade para o que quer que fosse, e acabou por se me ocorrer que era boa ideia ir ao shopping comprar o triciclo para sôtor. Afinal de contas andamos há semanas para comprar e nunca mais fechamos a compra porque: «devíamos trazê-lo para experimentar, se ele não gostar não vale a pena insistir.»

 

Então rumámos ao Fórum Almada. Como é da praxe passamos pela pastelaria francesa (ou lá o que é) para comprar uns chouquettes. O miúdo gosta e os pais aproveitam para dizer que compram porque o miúdo gosta. Não é porque são uns rabos gulosos, longe disso.

 

Eu fico na fila e o Nuno desaparece-me. Eu distraída. Quando volto a dar com ele está a falar com um homem que deve ter mais ou menos a mesma idade que ele. Olham os três para mim e eu penso: «mais um colega de faculdade.» É que o senhor meu marido vai encontrar os colegas de faculdade e colegas da secundária nos sítios mais inusitados. Lembro-me que quando fomos a Londres, no regresso, encontrámos um amigo de faculdade e viemos todos no mesmo avião.

«Bom dia!» digo, e quando ia mesmo para acrescentar: «sou a Cátia, a esposa do Nuno.», a outra pessoa diz-me: «Olá, sou o João Farinha!»

Era O João Farinha. Reconheceu-me pela foto que já tive aqui no blog e que tenho do facebook e, foi ter com o Nuno para o cumprimentar e depois esperou que comprasse as minhas guloseimas para me cumprimentar.

Que boa onda!

É um sentimento estranho e giro ao mesmo tempo. Quando a blogosfera, que é uma coisa não sei bem se palpável, se torna em algo tão real. Quando as pessoas com quem tantas vezes trocamos ideias nos aparecem em carne e osso, mesmo à frente dos nossos olhos.

Não estava nada à espera.

 

Gostei muito de te conhecer João! E tenho a dizer-te que quase levavas um raspanete, porque és muito parecido com o pediatra do meu filho e eu estou há 3 semanas à espera que o tipo me confirme a consulta do miúdo.

 

Um com glutén, um sem glúten e um francês

Na semana passada tive a visita de um colega francês no trabalho. Dizer que é colega é apenas uma força de expressão, até porque a pessoa em causa está num posto várias fasquias acima do meu.

No primeiro dia perguntou-me se almoçava por ali, disse-lhe que trazia marmita, mas que no dia seguinte lhe fazia companhia. Afinal de contas é sempre mais fácil conhecer um pouco da gastronomia nacional quando vamos com alguém que de facto é do pais.

O problema é que não tenho muito jeito para fazer sala. Aliás, não tenho jeito nenhum e já estava stressar um bocado por saber que ia ter de entreter a pessoa por uma hora, esmifrando o meu inglês com sotaque americano e esforçando o meu cérebro para entender inglês dele falado com sotaque francês. Foi por isso que se senti aliviada quando uma outra colega disse que também vinha connosco. Ufa, assim, deixo a maior parte do falatório para ela.

O colega francês, que está desterrado na Republica Checa estava encantado com a nossa comida. Só queria comer peixe e dizia uma vez e outra que tinha comido uma posta de «bacalau» que era magnifica. E foi num shopping, calhas a ir a um restaurante a sério...pensei eu.

Conversa de comida para a frente, conversa de comida para trás e já a minha colega lhe dizia que não comia carne e que o marido também não estava autorizado a comer chicha no domicilio. Como se não bastasse estava eu de fotos de instagram no telemóvel a mostrar imagens dos meus pequenos almoços.

O francês doido com aquilo. Devia estar a pensar que isto era gente toda marada da mona. Porquê tantos constrangimentos para comer. Dizia a cara dele. Da boca dele só saía: «Yeah, yeah. I see!». Mas deu-me a ideia que não via nada. Tava era a achar que era tudo marado. Pior foi quando lhes comecei a contar que tinha estado quase dois meses sem comer glúten, laticínios e açúcar. Percebi que ia perguntar porquê. Mas acendeu o cigarro e pareceu-me que depois de ponderar lhe dava a ideia que também não queria saber.

Eu, a determinada altura do almoço comecei a pensar que ele é que tinha razão. Os franceses é que a sabem toda, ele é fromage, ele é foie gras, ele é croissant e pão baguette quentinho. Não se queixam de intestinos porosos, não ficam gordos e têm aqueles pratos coloridos que uma pessoa até se baba.

Era isso, à tarde ia malhar uma fatia de bolo brigadeiro que até estalava.

De tarde vou ter com um outro colega do IT. Precisava mesmo de um favor e ofereci-me para lhe levar um bolo no dia seguinte como agradecimento. (Não temos o habito de subornar colegas com açúcar e farinhas com glúten...é uma forma de pedinchar, tá?!) O colega que não come glúten nem açúcar. Que tinha feito essas alterações no inicio do ano e que nunca antes tinha tido umas análises tão boas.

Ofereceu-se para me mandar receitas e tudo.

Eu, a matutar que se calhar devia voltar a esse regime. Será que ia ficar bem melhor?

O que sei é que já não comprei a fatia de brigadeiro. 

Isto hoje em dia é informação a mais. Uma pessoa já não sabe o que comer. Essa é que é essa. Vai na volta só lá vamos de fotossíntese. Ou isso ou os franceses é que a sabem toda!

 

As cuecas do estropiado

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Tenho este habito estúpido de estar sempre a dizer baboseiras. Tenho esta mania de querer ser engraçada, de entender que tudo pode ser alvo de uma piada, de que mais vale rir quando pouco mais há a fazer. O sarcasmo ajuda. Pelo menos a mim. Ridicularizar a vida quando ela nos pontapeia, dá-me uma certa leveza de espírito. Que mais não seja porque não lhe faço totalmente a vontade: «até pode ser como entendes, mas eu escolho se rio ou choro!»

O Nuno estava sentado na cadeira, cateter enfiado no braço, branco como a cal, aflito com dores. E eu, eu desesperada para que sorrisse. Tenho sempre para mim que se conseguir uma gargalhada ajudo ao medicamento. Que tenho o poder de fazer a cabeça esquecer da dor, nem que seja por uma fração de segundo.

 

«Não querias era que passasse o dia lá com o francês! Para a próxima diz, escusas de te meter numa destas!»

Recebi na segunda-feira um colega francês que veio a Portugal de propósito para ver o resultado de um projeto que pilotei. Deixei-o sentado e corri para ir com o Nuno ao hospital. (nada de preocupações, o colega tinha outras coisas para fazer).

 

«Deves ter bebido água demais nestes dias! Os teus rins não estão habituados a trabalhar!»

O Nuno raramente bebe água. Todos os dias leva uma garrafa para o trabalho. Todos os dias a garrafa volta como foi. Todos os dias lhe digo que «qualquer dia…qualquer dia…». Costumamos brincar que se vendêssemos um rim dele nos dariam bom dinheiro, afinal de contas tem alguns anos mas está como novo, quase não foi usado. Daí foi um saltinho, esta situação podia facilmente resultar de um excesso de água. Já se sabe que quando uma pessoa se habitua a fazer pouco depois reclama, pelo que era uma boa piada. Nada.

 

«Acho que estiveste demasiado tempo de costas para o vento este fim de semana! Bateu-te tanta areia da praia nos rins que criou um calhau por osmose!»

Puxadinha…mas o desespero é lixado.

 

«Estava aqui a pensar amor…que cuecas trazes tu? Tens umas cuecas em condições, certo? É que estava aqui a lembrar-me das cuecas do estropiado…tens de pensar em comprar uns pares da calvin klein, imagina tu que tens de tirar as calças….»

Ficou com mais dores ao pensar que eu lhe estava a impingir uma forma de gastar mais dinheiro.

 

Não é fácil estar casado comigo. De maneira nenhuma. Um gajo a sofrer as dores de parto que a gaja não imagina porque foi para uma cesariana marcada, e a tipa a fazer piadas de cuecas. Tenham dó!

 

Nota: Pelo menos agora um de nós sabe o que são as dores de parto…e não sou eu!

 

Sôtor quer é tasco

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Quando eu e o pai fizemos 3 anos de casamento fomos jantar fora. Levámo-lo. Aliás, como relatei aqui, passámos a referida data em família, acabámos a tarde na praia e aproveitámos para jantar num restaurante simples à beira mar.

Sôtor ficou encantado com aquilo.

Não é que nunca tenha ido a um restaurante. Aliás, farto disso está ele. Mas ir comer à beira mar depois de uma tarde bem passada a mandar os pais fazer castelos na areia, é outra coisa.

 

Por isso, desde esse dia, sempre que saímos da praia arrasta-me até aos cartazes para me dizer as coisas boas de comida que o espaço à beira mar tem. Invariavelmente são: «pão, tatas fitas e tonas.» Para quem não sabe «tonas» são azeitonas. Claro, dah!

No fim de semana passado disse-me:

«Mãe, pai, cado…fôa!», e apontava para a esplanada do restaurante em frente à praia.

«Queres comer fora?»

«Shim!»

Fizemos-lhe a vontade. Depois, não só comeu fora como cravou uma bugiganga da rua dos pescadores. Levou um avião, o qual usa para me atormentar. Todos os dias me pede folhas para que EU lhe desenhe o homem aranha, a pilotar o avião, onde vai o papa. Para sôtor meu filho o papa vai em todos os aviões. Ou seja, a ser verdade o papa é um vadio que passa a vida no laréu em vez de estar a fazer o trabalho dele lá no Vaticano.

 

Este fim de semana quando saímos da praia repetiu-se a conversa.

Disse-lhe:

«Olha lá, tu queres é tasco, pá!»

Ele respondeu satisfeito com a ideia e contente consigo mesmo:

«Cado, tasco!»

 

Já viram a minha vida?

 

Suicide Squad

suicide squad.png

 

Vi o filme este sábado. É marado. Bem marado. E eu gostei bastante. Não vou dizer que adorei porque achei a história em si um bocado, digamos que, blha-blha-blha. Não encontro uma palavra boa no dicionário. Portantos, de maneiras que vai disto (mescla de consoantes e vogais que não significam grande coisa). Enfim, achei a história insípida.

Agora os personagens são outra coisa.

Dá a ideia que o tipo que escreveu isto se dedicou tanto à criação dos personagens que se esqueceu um pedaço do resto.

 

O Will Smith é o Will Smith. Um senhor. Um grande ator. Tenho pena que ainda seja o "Prince of Bell Air", porque é um dos melhores atores de sempre, com performances brilhantes (como o filme que dá nome aqui ao tasco) e, infelizmente, não há meio de lhe darem um carequinha dourado.

 

Depois temos:

1º Lugar do pódio Em Busca da Felicidade

Harley Quinn - Margot Robbie

Adorei a performance. Espetacular. Já vi a Margot Robbie noutros filmes e adorei sempre. A tipa é gira que doí, tem graça e ainda é boa atriz. Rai's parta à mulher! Mais uma daquelas a quem uma pessoa deseja uma disenteria semanal à segunda só por conta de não ter defeitos.

 

harley (1).png

margot.jpg

 

2º Lugar do pódio Em Busca da Felicidade

Joker - Jared Leto

O papel está desempenhado de uma forma brilhante. Completamente alucinada e, se não soubesse quem era tinha-me sido completamente impossível adivinhar de quem se tratava. Segundo li o tipo estava tão em personagem que não convivia com o restante elenco e mandou um rato vivo à Margot Robbie.

Cu-Cu! Alerta marado!

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2º Lugar do pódio Em Busca da Felicidade

Boomerang - Jai Courtney

Um dos personagens mais cómicos. Bem interpretado. Fartei-me de rir.

 

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----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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