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Em busca da felicidade

Sobre estes dias lentos, doridos, rezingões, sem gelados e tudo mais

 

 

Acorda em choro.

Colo.

Dou.

«Mãe, sala»

E vamos para a sala.

Adormece de novo.

Vejo programas sem intelecto.

Mesmo o que preciso.

Acordo-o.

Zanga-se.

Vê os bonecos.

Abençoada Patrulha Pata.

«Queres comer um iogurte?»

«Queres comer um igolito?»

«Queres comer um gelado?»

«Queres beber um leitinho?»

«Queres beber um batido?»

A resposta igual para todas: não.

Cansa-se da pergunta e aceita um «queijinho triângulo».

Come metade.

Chora que doí.

Come um iogurte.

Preparo medicamentos.

Toma contrariado.

Digo alguma coisa que não gosta.

Corre para o quarto.

«Não gosto da mãe!»

«Mas a mãe gosta de ti!»

«Não gosta não!»

«Anda cá dar-me um abraço.»

Não quer.

O abraço.

Nem que me vá embora...ainda que o diga.

Começo a arrumar a roupa que está ao pé dele.

Decide ajudar. 

Ajuda.

À sua madeira.

Mais uma brincadeira.

Mais uns bonecos na TV.

Mais um queijo.

Mais uma birra.

Sono.

Vai dormir.

Acorda mais bem disposto.

Quer atenção a 100 %.

Paro para responder a um e-mail do trabalho.

«Anda mãe!»

«Já vou.»

«Anda mãe!»

«Já vou.»

Espalha 15 livros no chão e mais de 30 separadores.

Nada lhe digo.

Sei que está frustrado.

Pisa os livros e apertasse-me o coração.

Nada digo.

Ameaça trepar a estante.

«Sai daí, podes magoar-te.»

Pousa um braço em cima do outro.

Faz beicinho.

Caminha para o quarto, sempre a olhar para trás.

Quer garantir que o sigo.

Se o sigo: chora.

Porque sou má.

Porque não gosta de mim.

Porque está zangado.

Porque não o deixei trepar a estante.

Se não o sigo: chora.

Não fui ter com o menino.

E eu vou.

Sento-me no chão e converso.

Ouço-o dizer:

«Não gosto da mãe.»

«Zangado com a mãe.»

«Mãe vai emboa, pá rua!»

Nem quando andava na escola me mandaram alguma vez para a rua.

Deixei-o zangar-se por 10 minutos.

Precisa libertar a frustração.

Eu sentada a vê-lo zangar-se.

Dei-lhe um abraço.

Passou tudo.

A mãe já era o «amorzinho» outra vez.

Mais duas birras destas até ao final da noite.

Sempre agarrado a mim.

Até quando vou à casa de banho.

É verdade!

Uma pessoa habitua-se!

Jantei com ele ao meu colo.

De garganta apertada porque tinha de lhe negar o que tinha no meu prato.

Sentamo-nos no sofá. Ele cansado com sono.

Adormeceu.

Levei-o para a cama.

Vesti-lhe o pijama.

Acordou e quis voltar para a sala.

Bebeu mais leite que nos últimos 3 dias.

Tomou os medicamentos quase sem reclamar.

Viu o resto do Ruca e pediu para ir para a cama ler uma história.

Assim fizemos.

Deitamo-nos. 

Eu, ele e o pai.

Nesta ordem na cama.

Disse ao pai:

«Apaga as luzes!»

O pai apagou.

E ele esteve até à meia noite e meia a dar voltas e a espaços cantava:

A, B, C, D, E, F, G...(tal como o Ruca canta no episódio).

 

Eu, a minha paranóia e o mundo que gira às vezes de forma estranha

Sôtor sempre teve uma respiração pesada. Bastante pesada. A coisa agravou-se há mais ou menos 10 meses. A respiração dele transformou-se em algo aterrador para nós. Mas como em tudo na vida, ganhámos alguma habituação ao barulho, aos roncos. Para mim só já fazia sentido dormir descansadamente com a melodia de roncs e rincs que vinha do quarto dele.

Agora respira de forma mais serena, está a mudar.

Então quando me apercebo que não há roncos no ar durante a sesta, corro para o quarto dele, ponho-lhe a mão no peito, percebo que está a respirar e nessa altura dou conta que entretanto o meu coração já está no dedo grande do pé.

 

Sôtor inicia-se na vida do engate

No outro dia quando o fui buscar, contou-me o avó que, de manhã, quando foram ao jardim, Sôtor terá visto uma menina com quem entendeu confraternizar. Para tal abordou-a corretamente e apresentou-se da seguinte forma:

- Sou o Guicádo e tenho um péu lindo!

(Eu sou o Ricardo e tenho um chapéu lindo!)

 

Não há cá confusões. É para saber com quem vai falar e que não se trata de um qualquer mitra com um chapéu rafeiro. Nada disso, sôtor tem um chapéu lindo.

É logo para elas saberem com o que é que contam.

Tá certo meu rico filho. A mãe não te cria para menos.

 

Sôtor e as miúdas e a mãe a arrepiar-se com o futuro

Quis ir andar de escorrega no parque do mercado.

Fomos.

Apareceu uma menina mais velha que insistiu em subir em subir para o escorrega com o seu carrinho de bonecas. O pai diz-lhe:

- Ó coisa-e-tal não subas para aí com o carrinho filha.

Sôtor, rapaz que gosta de manter as coisas com um rigor replica para a menina:

- Ó coisa-e-tal não podes subir para aí com o carrinho.

Expliquei-lhe que ele não era o Presidente da Junta do parte do mercado, pelo que, cada um deve saber de si, a menos que alguém se meta connosco ou na nossa vida.

Meteu-se em sua vida.

A menina aninhou-se na parte de cima do escorrega. Ela e o seu carrinho. Sôtor passou por ela, curioso e circunspecto - tudo ao mesmo tempo - pelo menos duas vezes até que, à terceira, achou que era melhor conversar um pouco com ela.

Agachou-se e começou a tirar medidas aos brinquedos que ela trazia.

Eu digo-lhe:

- Não mexas nas coisas da menina sem antes pedires. E já agora porque não dizes à menina como te chamas.

Ele, do alto do seu palavreado diz:

- Olá, eu sou o Guicado... (levantou-se a apontou para mim e para o pai)...este é o meu pai e esta é a minha mãe.

Feitas as apresentações continuou a brincadeira.

E eu só pensei: «pronto, já fui apresentada à primeira».

 

 

Estou a transformar-me na minha sogra

Eu - Filho, queres que a mãe descasque uma pêra?

Filho - Não.

Eu - E uma maçã.

Filho - Não.

Eu - E um pêssego?

Filho - Não.

Pondero 30 segundos.

Eu - A mãe vai descascar uma pêra.

 

O problema não é a mãe do Ruca, sou eu

 

 

Antes mesmo de ser mãe já ouvia falar da mãe do Ruca.

Quem a mencionava não lhe dava credibilidade e estava latente uma raiva capaz de fazer com que uma mulher composta perdesse as estribeiras e malhasse forte no lombo deste boneco animado que nem nome tem.

Confesso que quando os episódios começaram a fazer parte do pão-nosso-de-cada-dia cá em casa, me senti um tanto ou quanto inferiorizada com esta mãe tão capaz, tão tranquila, tão compreensiva ou, quem sabe, tão drogada.

Quando ouvimos um filho com pouco mais de 2 anos dizer que: «a mãe do Ruca é que é» compreendemos 2 coisas: 

a) ainda não tem idade para avaliar o que é uma gaja boa, de outra forma preferiria a mãe jeitosa do Cláudio do 9º C;

b) é apenas uma criança de 2 anos a mangar connosco.

Depois de ultrapassada a indignação e a vontade que a dita senhora se transforme em alguém «agredivel», passamos à segunda fase deste programa de desgaste mental e fortaleza materna: compreender o que é que esta pessoa animada faz da vida e porque raio tudo parece ser tão mais facilitado.

Foi nesta fase do processo que percebi uma coisa fundamental, algo que me permitiu fazer as pazes com a minha raiva latente e ser amiguinha da mãe do Ruca: o problema não é a mãe do Ruca, sou eu.

A mãe do Ruca não tem culpa que eu viva num pais onde as mães - se querem ter dinheiro para comer - têm de voltar ao trabalho ao fim de 6 meses (no máximo). A mãe do Ruca não tem culpa que eu tenha de estar longe do meu filho 11 horas por dia.

Isso, 11 horas.

Não, ninguém me explora. Graças a Deus! E Graças a mim que cumpro os meus horários que é uma beleza.

Mas tenho de estar no trabalho pelo menos 9 horas. Dessas 9, temos 8 que são o que está em contrato e aquilo que a lei estipula: 40 horas de trabalho semanal (a não ser que a vida nos tenha bafejado com um emprego no Estado ou na Banca de Retalho). Para além dessas 8 horas ainda papo com 1 hora de almoço. Para fazer isso mesmo: papar. Podia comer uma sandes e continuar com a minha vida. Eu podia. Mas a lei obriga a que os colaboradores que trabalham 40 horas tenham, no mínimo, 1 hora de almoço. Por isso vamos em 9 horas.

Como não ganho que chegue para ter casa em Lisboa e comer, tive de ir viver para a Margem Sul da Ponte 25 de Abril. Mas como ganho ainda menos do que seria de esperar e, considerando que tenho esta vontade de não viver para pagar a renda de casa e comer sopa 7 dias da semana, vim viver para os subúrbios dos subúrbios dos subúrbios, que é como quem diz para o Cú de Judas ou para os mais sensíveis: para onde Judas perdeu as botas.

Assim, num dia bom, demoro 1 hora a chegar ao trabalho e mais 1 para voltar.

À hora que chego mal tenho tempo para respirar; entre fazer refeições, dar banhos, arrumar a casa do avesso, passear cães.

A mãe do Ruca não tem culpa nenhuma disso. Teve apenas uma sorte diferente da minha. Começando pelo facto de a gaja viver no Canadá e lá o poder de compra ser manifestamente melhor que o nosso.

Ela não tem culpa de só precisar de ir ao emprego de quando em vez. Não tem culpa de ter um gabinete só para ela sem que lhe deem vista para o estádio do Benfica. Ela não tem culpa de ter comprado uma casa com um belo quintal, para onde pode mandar o Ruca dar banho ao cão (com delicadeza), sempre que lhe esteja a mamar os neurónios e ela precisa de mandar abaixo dois copos de tinto bem cheios.

A mãe do Ruca não tem culpa da minha sorte. Eu é que sou uma mitra da pior espécie, a invejar um boneco animado porque tem uma vida melhor que a minha.

Depois há a questão da roupa. Aquilo é gente poupada. Anda sempre tudo com a mesma roupa, os mesmos sapatos, a mesma bandolete.

Fica-lhe bem. A bandolete. Eu até usava. Não fosse fazer-me dores de cabeça porque me aperta o crânio. Não gosto de coisas que me apertam o crânio.

Mas a roupa. Aquelas camisolas que já hão de estar carregadas de borbotos. Pergunto-me se o pai do Ruca a achará sensual.

Ocorre-me que nem sim, nem não. É possível que estejam ambos medicados para lidar com os putos à bulha, mais os filhos dos vizinhos enfiados lá em casa, mais os pais dele e a voz irritante da mãe, mais o sinhor Cintra ou Sintra que aparece por detrás dos arbustos. Parece-me um cusco de primeira, mas eles acham normal.

Eu já tinha arreado umas porradas no velho, sempre a meter do bedelho no quintal dos outros.

A vida sexual dos pais do Ruca é um mistério em que só pensa uma mãe que se vê obrigada a assistir a uma média de 5 episódios por dia. Uma mãe que precisa deixar que a sua mente viaje para que não comente em voz alta o que pensa dos personagens.

Será que no meio de toda aquela ponderação a senhora mãe do Ruca se veste de colegial para o marido? Ou será que têm um dia marcado na agenda? A mim parece-me que têm um dia marcado na agenda. A senhora está presente como quem vai fazer um recado à loja. Tudo termina com um: «pois então boa noite, meu fufinho». E cada um vai para seu lado. Ela ainda com a bandolete na cabeça.

Mas a mãe do Ruca não tem nenhum problema. Eu é que tenho um problema na minha cabeça. E a falta de um na box, que, sem como nem porquê, me apague os episódios gravados.

Indago-me se no dia marcado na agenda a mãe do Ruca ela tem dores de cabeça, ou de costas, ou se os rins lhe parecem falhar? Estou certa que não. A pessoa parece ter tudo sobre rodas.

Deixemos-lhe a vida marota em paz porque...

Nem tudo é bom nesta vida de mãe do Ruca. A tipa cozinha mal que doí. Ainda ontem dizia que estava a fazer um suflê de queijo que a mim me pareceu uma bosta de queijo. Já vi vacas fazerem coisas com o ânus que apresentavam muito melhor aspeto. Aquilo é gente que vive de sandes a todas as refeições e a gaja está em casa a maior parte do dia. Para não falar que muitas das vezes despacha os putos para a casa das vizinhas.

Cheira-me que se mete na pinga e depois baralha os ingredientes.

Naquele lar não há celíacos nem intolerantes à lactose.

Se a malta do Paleo calha a dar-se conta da quantidade de vezes que a gaja dá bolachas aos putos são bem capazes de pedir a proibição dos episódios no Panda.

Em resumo: fornicam-me a vida porque o meu miúdo janta melhor a ver aquilo.

O problema não é a mãe do Ruca, sou eu. Que sou um mamífero ruminante da família dos bovídeos, vulgo cabra, mesquinha, que tem inveja de um desenho animado a quem nem se deram ao trabalho de dar nome.

Não é pela sensualidade da senhora. Tenho a mesma.

Não é pela calma. Isso vem em embalagens de 100 unidades ou em garrafas de 75 ml.

É por causa do emprego com poucas horas.

É por causa do gabinete só para si.

É por causa da vivenda com espaço.

É por causa da viagem curta para o emprego.

É por causa das mães dos amigos dos filhos, sempre tão disponíveis.

É porque a mulher consegue fazer aquilo tudo sem mandar ninguém à merda.

E eu aqui ando, muito mais humana que ela, como seria de esperar.

 

 

Ó narradora do Ruca, crayon em tuga é lápis de cera, pá!

Quão difícil é traduzir crayon para lápis de cera?

Diria que mínima. Ate eu sei caramba!

Sempre que vejo este episódio...que é para aí dia sim, dia sim, numa razão de 2 vezes/dia...dão-se-me os nerves com esta parte.

Se os miúdos estão a pintar com lápis de cera, porque carga de água dizem crayons?

Depois o miúdo pergunta:

- Mamã, o que são crrraíons (porque é assim que a narradora diz)?

E eu fico tentada a responder:

- São lápis de cera filho, mas a senhora do Ruca é Tecla 3 com a mania que é bilingue.

Mas na verdade digo:

- São lápis de cera, filho. São lápis de cera.

Olá pai. A mãe tá furiosa!

As férias estão a acabar e é preciso organizar a casa. Detesto fazer limpezas. Detesto arrumações. Tenho alergia à lida da casa. Mas como tenho amor ao dinheiro, cá em casa, tratamos nós das limpezas e arrumações.

Sôtor meu rico filho ia passar o dia com os avós. Os velhotes estão cheios de saudades do neto e nós precisávamos de tempo e descanso para arrumar. Sim, alguns dias parece que arrumar seria um descanso.

Tomámos o pequeno almoço, eu fiquei em casa para começar a aspirar camas de cães e o pai saiu com ele.

Tudo estada a correr pelo melhor, estava embalada, já tinha quase uma assoalhada tratada e até tinha arrumado a minha «ala dos sapatos», quando vejo sôtor a entrar pela porta do quarto.

Hipocondríaca como sou a primeira coisa que me ocorreu foi: estava a ter visões. Que o miúdo não estava ali, a minha cabeça estava a vê-lo. A culpa estava a trazer a imagem da coitada da criança que estava a ser entregue aos avós por meio dia para eu limpar sem afazeres extra.

A minha mãe sempre arrumou tudo com os pirralhos em casa.

A minha mãe era uma mulher feita de uma fibra diferente da minha.

Vejo o Nuno entrar e só quando este encolheu os ombros me consciencializei que eram mesmo eles e não o principio de demência.

Eu - Então?

Nuno - Não quis ficar.

Eu - Então?

Nuno - Disse que «papá e mamã em casa, 'Cado casa. Pá chemana mamã e papá tabalhari, 'Cado vô e boís e vó!»

Em resumo: se os pais estão em casa, ele quer estar em casa. Quando forem trabalhar e ganhar tostões aí sim senhor, podem deixar a criatura com os velhotes de sempre e o cão Boris. Afinal de contas alguém tem de dar o lombo para pagar isto tudo.

Eu - Certo.

Nuno - Não ia deixá-lo a chorar.

Eu - Certo. Vamos demorar 10 vezes mais tempo a limpar isto.

Nuno - Eu sei.

Eu - Vou acabar de limpar o quarto e tu ficas a dar conta dele. Senhor Ricardo, você vai portar-se como deve de ser senão vamos ter problemas sérios. Hoje é dia de limpezas, tens de ajudar. Ou então vais para os avós que querem muito brincar contigo.

Sôtor - Tá bem mãezinha!

Sempre que está a ganhar a batalha eu sou a «mãezinha». Também já aprendeu que dizer que se vai comportar compensa, por isso vai sempre portar-se bem.

Ligo o aspirador.

Eu - Sai dai. Não pises isso. Desvia-te do aspirador. Sai que a mãe tem de arrojar a cama. Vai para o teu quarto. Vai para o teu quarto. VAI para o teu quarto. Vai brincar filho. Não puxes o fio. NUUUUUUNO! Leva o menino daqui. Se. Faz. Favor. Grata!

O pai levou-o para o quarto dele para brincar.

Acabei de arrumar o quarto. Passei a «pasta» ao pai. O pai saiu para ir despejar lixo e ir buscar almoço.

Eu - Lembras-te que hoje é para arrumarmos coisas, certo?

Sôtor - Certo.

Eu - A mãe tem de estender a roupa. Tu ficas a brincar no teu quarto.

Sôtor - Anda bincar com o 'Cado.

Eu - A mãe vai estender a roupa. Podes vir para o pé de mim. Mas eu acho melhor que brinques no teu quarto.

Sôtor - Tá bem mãe....

Começo a estender a roupa na varanda e vejo-o chegar com os bonecos. Está a transportar tudo do quarto para o escritório.

Eu - Filho, chega de bonecos. Caso contrário depois temos de voltar a pôr tudo no quarto.

Sôtor - Tá bem mãe...

Decide ir brincar mesmo para a porta que dá acesso à varanda. Impedindo a minha passagem.

Eu - Ricardo sai daí filho, a mãe tem de passar. Ricardo desvia-te. Não te pendures no móvel. Não. Não Não. NÃO. Não te pendures no móvel. Vou contar até 3, desce dai. Obrigada. Larga a bola. Larga. A bola. Não atires isso ao cão. Essa bola é muito pesada filho, não dá para jogar com o Ghandi. Saí dai. Sai. Sai. Sai. Aíiiiiiiiiiii! Não. Não te metas dentro da cama dos cães. Sai. Saí. Não. Sai. Ai. Ai. Aiiiiiiiiii! A mãe vai zangar-se contigo. Ricardo devias ter ficado nos avós, eles tinham tempo para brincar filho. Sai do móvel. Não te pendures aí. Sai. Desvia-te. Desvia....te. Estou a ficar zangada contigo, daqui a nada vais para o teu quarto pensar na vida. Queres?

Pegou no telefone fixo de casa, saiu e pondo o auscultador no ouvido disse:

- Olá pai. A mãe está furiosa!

Só me deu para rir.

Estava a acabar de estender a roupa e ouço:

- Está pesa! Está pesa! Está....pe...sa!

ZABUM!

- Ah, já tá!

Tinha acabado de conseguir tirar uma gaveta inteira do móvel e espalhado os brinquedos todos. Estava satisfeito.

Acabei de estender a roupa.

Suava.

Ele arrancou para a cozinha. Quando lá chego estavam todos os pacotes de natas em cima da mesa da cozinha.

Eu - Que estás a fazer?

Sôtor (com um sorriso vitorioso) - Uma toggi!

Estava a fazer uma torre.

Para isso usava todos os pacotes e latas que estavam à mão na primeira prateleira da dispensa.

Eu - O frasco de polpa de tomate não. Não, o grão não. Não, os tremoços não. Não, o feijão não. Se é vidro é não.

Quando o pai chegou estava Sôtor sentado para comer a sopa. Eu estava a precisar de medicação e a ver o 5º episódio do Ruca.

Só acalmou quando foi dormir a sesta e depois...

...depois, quando acordou, we did all over again...

 

 

 

Estou a criar um mafioso

Descasquei fruta pata todos. 

Ele a ver o Ruca. Tinha pedido companhia para ver os bonecos. Fomos. Uma pausa nas limpezas.

O pai avisou mil vezes para não estar a ver TV em cima do ecrã.

Eu avisei mil vezes para não estar a ver TV em cima do ecrã.

- Vou contar até 3, depois sais daí ou desligo o Ruca. 1, 2, 3. 

O pai desligou.

Foi até à taça com a fruta. Pegou em todos os pedaços e disse ao pai:

- Liga o Ruca.

O pai disse:

- Hei...a fruta é para dividir.

Sôtor a segurar na fruta com toda a força, semicerra os olhos e diz:

- Liga. O. Ruca.

 

Watafaque!

 

Se tudo correr bem sou a próxima dona Dolhores

Íamos sair.
Apanhei-o a mexer na minha carteira:
- O que estás a fazer, pá?
- Pixijo de um catão.
- Queres um cartão para quê?
- Hoje pago eu.

Meu rico menino, que mantenhas esse pensamento e não arranjes uma jagunça a quem pagar coisas. Sempre à mãezinha primeiro.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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