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Em busca da felicidade

Sôtor "o céptico decidido"

 

Andamos a tentar usar o Pai Natal como forma de o convencer a portar-se melhor. Por isso, quando se lembra de começar a pedir coisas tentamos direcionar a conversa. Estas duas que relato abaixo são recorrentes.

 

Pede um brinquedo e eu digo-lhe:

- Sabes que para receberes presentes tens de te portar bem?

- Então não quero receber presente nenhum.

Ou seja, prefere não receber nada a que lhe comprem as opções. Não se vende por nada!

 

Pede um brinquedo e eu aproveito a época para recorrer ao senhor das barbas:

- Sabes que para receberes presentes temos de escrever uma carta ao Pai Natal. Queres escrever a carta hoje?

- Não. Já não quero presente nenhum.

Ou seja, quando pede sabe que quem orienta as prendas são os dois mouros que dão conta de tudo o resto. Os mesmos que ele considera dominar. Porque raio havia de meter ao barulho um velho de barbas que não é tido nem achado para esta conversa. 

 

Em resumo: É mesmo muito, muuuuuito meu filho.

Ser mãe é ser indecisa ao quadrado

cansada.png

 

Nós mulheres transparecemos uma permanente indecisão sobre as coisas do quotidiano. Parece aos homens dessa forma porque na verdade queremos tudo, e quando nos pedem para escolher ficamos sempre na dúvida sobre qual será a melhor opção. Isso e porque somos mestres a lidar com grandes temas e coise.

Para os homens é mais fácil. Em qualquer circunstância da vida, na duvida, futebol. «Ah mas em que situações?», podem perguntar em desespero. Eu respondo: todas!

Um exemplo: um tipo decide pedir a namorada em casamento, não sabe bem se é isso que ela quer, mas vai arriscar, então está na loja para comprar o anel. Está numa indecisão tal que até o esfincter se lhe aperta forte. Não nos esqueçamos que o matrimonio é algo que se contraí, como uma doença má, pegajosa. Mesmo que uma pessoa faça a cura ficam sempre marcas. Neste caso jamais regride para a sua condição de solteiro. Será sempre um divorciado. No meio deste clima aparece um amigo, pergunta-lhe o que faz ali e coise e tal e no espaço de minuto e meio já estão a falar das contratações do Benfica e da época do Porto e do Bruno de Carvalho e cenas.

A gaja é pessoa para encontrar uma miga no shopping - espaço onde anda a cirandar porque gaja que é gaja resolve problemas forte e feio enquanto contempla montras - elogiar os sapatos vermelhos da nova coleção, e depois desatar a falar «nonstop» da sua aporrinhação.

Desta feita e fazendo aqui uma ponte mestra entre o ponto principal deste post e o que acabei de bleu-bleu-bar passo a acrescentar que, quando a gaja passa a «gaja-mãe» a coisa tende a escalar.

Neste cenário a gaja começa a ter de conviver com as suas próprias indecisões. Demanda que até aí cabia ao esposo conforme acordado em contrato deveras especial. Nesta convivência consigo mesma depara-se amiúde com coisas que têm tendência a transtornar qualquer elemento normal.

Uma demonstração prática foi o que aconteceu a este ser que vos escreve no ultimo feriado.

Criança acorda e diz que quer ir para casa dos avós. Pessoa que escreve sente um certo abespinhamento interior e não expressado porque a cria deveria ficar sem choro nos avós quando os pais vão ganhar tostões, mas no fundo desejando com todas as forças do ser estar sempre com os pais queridos.

Mais tarde, quando já se vê a braços com brinquedos espalhados no chão, birras e panquecas para fazer, pessoa que escreve percebe que o corpo queria muito estar espraiado no sofá em fazer nada.

Então entrega-se à culpa da boa mãe que não pode desejar uma tarde de descanso com o filho lindo nos avós, com vista a dar uma pausa às células que estão por um fio no âmbito do esgotamento nervoso.

Em resumo: indecisões de gaja mãe. O gajo pai parece sempre mais prático, nem que seja porque almeja por 90 minutos sem intervalo.

 

Reflexo de uma mãe muuuuuuuuuito cansada

Acorda às 7:30

- Já não tenho sono. Nenhum. Nenhum.

(Pensamento após 5 minutos)

Faltam 6 horas para a sesta.

(Pensamento depois do quarto virado do avesso)

Faltam 5 horas para a sesta.

(Pensamento depois dos 10 primeiros "mãe, queo")

Faltam 4 horas para a sesta.

Sobre estes dias lentos, doridos, rezingões, sem gelados e tudo mais

 

 

Acorda em choro.

Colo.

Dou.

«Mãe, sala»

E vamos para a sala.

Adormece de novo.

Vejo programas sem intelecto.

Mesmo o que preciso.

Acordo-o.

Zanga-se.

Vê os bonecos.

Abençoada Patrulha Pata.

«Queres comer um iogurte?»

«Queres comer um igolito?»

«Queres comer um gelado?»

«Queres beber um leitinho?»

«Queres beber um batido?»

A resposta igual para todas: não.

Cansa-se da pergunta e aceita um «queijinho triângulo».

Come metade.

Chora que doí.

Come um iogurte.

Preparo medicamentos.

Toma contrariado.

Digo alguma coisa que não gosta.

Corre para o quarto.

«Não gosto da mãe!»

«Mas a mãe gosta de ti!»

«Não gosta não!»

«Anda cá dar-me um abraço.»

Não quer.

O abraço.

Nem que me vá embora...ainda que o diga.

Começo a arrumar a roupa que está ao pé dele.

Decide ajudar. 

Ajuda.

À sua madeira.

Mais uma brincadeira.

Mais uns bonecos na TV.

Mais um queijo.

Mais uma birra.

Sono.

Vai dormir.

Acorda mais bem disposto.

Quer atenção a 100 %.

Paro para responder a um e-mail do trabalho.

«Anda mãe!»

«Já vou.»

«Anda mãe!»

«Já vou.»

Espalha 15 livros no chão e mais de 30 separadores.

Nada lhe digo.

Sei que está frustrado.

Pisa os livros e apertasse-me o coração.

Nada digo.

Ameaça trepar a estante.

«Sai daí, podes magoar-te.»

Pousa um braço em cima do outro.

Faz beicinho.

Caminha para o quarto, sempre a olhar para trás.

Quer garantir que o sigo.

Se o sigo: chora.

Porque sou má.

Porque não gosta de mim.

Porque está zangado.

Porque não o deixei trepar a estante.

Se não o sigo: chora.

Não fui ter com o menino.

E eu vou.

Sento-me no chão e converso.

Ouço-o dizer:

«Não gosto da mãe.»

«Zangado com a mãe.»

«Mãe vai emboa, pá rua!»

Nem quando andava na escola me mandaram alguma vez para a rua.

Deixei-o zangar-se por 10 minutos.

Precisa libertar a frustração.

Eu sentada a vê-lo zangar-se.

Dei-lhe um abraço.

Passou tudo.

A mãe já era o «amorzinho» outra vez.

Mais duas birras destas até ao final da noite.

Sempre agarrado a mim.

Até quando vou à casa de banho.

É verdade!

Uma pessoa habitua-se!

Jantei com ele ao meu colo.

De garganta apertada porque tinha de lhe negar o que tinha no meu prato.

Sentamo-nos no sofá. Ele cansado com sono.

Adormeceu.

Levei-o para a cama.

Vesti-lhe o pijama.

Acordou e quis voltar para a sala.

Bebeu mais leite que nos últimos 3 dias.

Tomou os medicamentos quase sem reclamar.

Viu o resto do Ruca e pediu para ir para a cama ler uma história.

Assim fizemos.

Deitamo-nos. 

Eu, ele e o pai.

Nesta ordem na cama.

Disse ao pai:

«Apaga as luzes!»

O pai apagou.

E ele esteve até à meia noite e meia a dar voltas e a espaços cantava:

A, B, C, D, E, F, G...(tal como o Ruca canta no episódio).

 

Eu, a minha paranóia e o mundo que gira às vezes de forma estranha

Sôtor sempre teve uma respiração pesada. Bastante pesada. A coisa agravou-se há mais ou menos 10 meses. A respiração dele transformou-se em algo aterrador para nós. Mas como em tudo na vida, ganhámos alguma habituação ao barulho, aos roncos. Para mim só já fazia sentido dormir descansadamente com a melodia de roncs e rincs que vinha do quarto dele.

Agora respira de forma mais serena, está a mudar.

Então quando me apercebo que não há roncos no ar durante a sesta, corro para o quarto dele, ponho-lhe a mão no peito, percebo que está a respirar e nessa altura dou conta que entretanto o meu coração já está no dedo grande do pé.

 

Sôtor inicia-se na vida do engate

No outro dia quando o fui buscar, contou-me o avó que, de manhã, quando foram ao jardim, Sôtor terá visto uma menina com quem entendeu confraternizar. Para tal abordou-a corretamente e apresentou-se da seguinte forma:

- Sou o Guicádo e tenho um péu lindo!

(Eu sou o Ricardo e tenho um chapéu lindo!)

 

Não há cá confusões. É para saber com quem vai falar e que não se trata de um qualquer mitra com um chapéu rafeiro. Nada disso, sôtor tem um chapéu lindo.

É logo para elas saberem com o que é que contam.

Tá certo meu rico filho. A mãe não te cria para menos.

 

Sôtor e as miúdas e a mãe a arrepiar-se com o futuro

Quis ir andar de escorrega no parque do mercado.

Fomos.

Apareceu uma menina mais velha que insistiu em subir em subir para o escorrega com o seu carrinho de bonecas. O pai diz-lhe:

- Ó coisa-e-tal não subas para aí com o carrinho filha.

Sôtor, rapaz que gosta de manter as coisas com um rigor replica para a menina:

- Ó coisa-e-tal não podes subir para aí com o carrinho.

Expliquei-lhe que ele não era o Presidente da Junta do parte do mercado, pelo que, cada um deve saber de si, a menos que alguém se meta connosco ou na nossa vida.

Meteu-se em sua vida.

A menina aninhou-se na parte de cima do escorrega. Ela e o seu carrinho. Sôtor passou por ela, curioso e circunspecto - tudo ao mesmo tempo - pelo menos duas vezes até que, à terceira, achou que era melhor conversar um pouco com ela.

Agachou-se e começou a tirar medidas aos brinquedos que ela trazia.

Eu digo-lhe:

- Não mexas nas coisas da menina sem antes pedires. E já agora porque não dizes à menina como te chamas.

Ele, do alto do seu palavreado diz:

- Olá, eu sou o Guicado... (levantou-se a apontou para mim e para o pai)...este é o meu pai e esta é a minha mãe.

Feitas as apresentações continuou a brincadeira.

E eu só pensei: «pronto, já fui apresentada à primeira».

 

 

Estou a transformar-me na minha sogra

Eu - Filho, queres que a mãe descasque uma pêra?

Filho - Não.

Eu - E uma maçã.

Filho - Não.

Eu - E um pêssego?

Filho - Não.

Pondero 30 segundos.

Eu - A mãe vai descascar uma pêra.

 

O problema não é a mãe do Ruca, sou eu

 

 

Antes mesmo de ser mãe já ouvia falar da mãe do Ruca.

Quem a mencionava não lhe dava credibilidade e estava latente uma raiva capaz de fazer com que uma mulher composta perdesse as estribeiras e malhasse forte no lombo deste boneco animado que nem nome tem.

Confesso que quando os episódios começaram a fazer parte do pão-nosso-de-cada-dia cá em casa, me senti um tanto ou quanto inferiorizada com esta mãe tão capaz, tão tranquila, tão compreensiva ou, quem sabe, tão drogada.

Quando ouvimos um filho com pouco mais de 2 anos dizer que: «a mãe do Ruca é que é» compreendemos 2 coisas: 

a) ainda não tem idade para avaliar o que é uma gaja boa, de outra forma preferiria a mãe jeitosa do Cláudio do 9º C;

b) é apenas uma criança de 2 anos a mangar connosco.

Depois de ultrapassada a indignação e a vontade que a dita senhora se transforme em alguém «agredivel», passamos à segunda fase deste programa de desgaste mental e fortaleza materna: compreender o que é que esta pessoa animada faz da vida e porque raio tudo parece ser tão mais facilitado.

Foi nesta fase do processo que percebi uma coisa fundamental, algo que me permitiu fazer as pazes com a minha raiva latente e ser amiguinha da mãe do Ruca: o problema não é a mãe do Ruca, sou eu.

A mãe do Ruca não tem culpa que eu viva num pais onde as mães - se querem ter dinheiro para comer - têm de voltar ao trabalho ao fim de 6 meses (no máximo). A mãe do Ruca não tem culpa que eu tenha de estar longe do meu filho 11 horas por dia.

Isso, 11 horas.

Não, ninguém me explora. Graças a Deus! E Graças a mim que cumpro os meus horários que é uma beleza.

Mas tenho de estar no trabalho pelo menos 9 horas. Dessas 9, temos 8 que são o que está em contrato e aquilo que a lei estipula: 40 horas de trabalho semanal (a não ser que a vida nos tenha bafejado com um emprego no Estado ou na Banca de Retalho). Para além dessas 8 horas ainda papo com 1 hora de almoço. Para fazer isso mesmo: papar. Podia comer uma sandes e continuar com a minha vida. Eu podia. Mas a lei obriga a que os colaboradores que trabalham 40 horas tenham, no mínimo, 1 hora de almoço. Por isso vamos em 9 horas.

Como não ganho que chegue para ter casa em Lisboa e comer, tive de ir viver para a Margem Sul da Ponte 25 de Abril. Mas como ganho ainda menos do que seria de esperar e, considerando que tenho esta vontade de não viver para pagar a renda de casa e comer sopa 7 dias da semana, vim viver para os subúrbios dos subúrbios dos subúrbios, que é como quem diz para o Cú de Judas ou para os mais sensíveis: para onde Judas perdeu as botas.

Assim, num dia bom, demoro 1 hora a chegar ao trabalho e mais 1 para voltar.

À hora que chego mal tenho tempo para respirar; entre fazer refeições, dar banhos, arrumar a casa do avesso, passear cães.

A mãe do Ruca não tem culpa nenhuma disso. Teve apenas uma sorte diferente da minha. Começando pelo facto de a gaja viver no Canadá e lá o poder de compra ser manifestamente melhor que o nosso.

Ela não tem culpa de só precisar de ir ao emprego de quando em vez. Não tem culpa de ter um gabinete só para ela sem que lhe deem vista para o estádio do Benfica. Ela não tem culpa de ter comprado uma casa com um belo quintal, para onde pode mandar o Ruca dar banho ao cão (com delicadeza), sempre que lhe esteja a mamar os neurónios e ela precisa de mandar abaixo dois copos de tinto bem cheios.

A mãe do Ruca não tem culpa da minha sorte. Eu é que sou uma mitra da pior espécie, a invejar um boneco animado porque tem uma vida melhor que a minha.

Depois há a questão da roupa. Aquilo é gente poupada. Anda sempre tudo com a mesma roupa, os mesmos sapatos, a mesma bandolete.

Fica-lhe bem. A bandolete. Eu até usava. Não fosse fazer-me dores de cabeça porque me aperta o crânio. Não gosto de coisas que me apertam o crânio.

Mas a roupa. Aquelas camisolas que já hão de estar carregadas de borbotos. Pergunto-me se o pai do Ruca a achará sensual.

Ocorre-me que nem sim, nem não. É possível que estejam ambos medicados para lidar com os putos à bulha, mais os filhos dos vizinhos enfiados lá em casa, mais os pais dele e a voz irritante da mãe, mais o sinhor Cintra ou Sintra que aparece por detrás dos arbustos. Parece-me um cusco de primeira, mas eles acham normal.

Eu já tinha arreado umas porradas no velho, sempre a meter do bedelho no quintal dos outros.

A vida sexual dos pais do Ruca é um mistério em que só pensa uma mãe que se vê obrigada a assistir a uma média de 5 episódios por dia. Uma mãe que precisa deixar que a sua mente viaje para que não comente em voz alta o que pensa dos personagens.

Será que no meio de toda aquela ponderação a senhora mãe do Ruca se veste de colegial para o marido? Ou será que têm um dia marcado na agenda? A mim parece-me que têm um dia marcado na agenda. A senhora está presente como quem vai fazer um recado à loja. Tudo termina com um: «pois então boa noite, meu fufinho». E cada um vai para seu lado. Ela ainda com a bandolete na cabeça.

Mas a mãe do Ruca não tem nenhum problema. Eu é que tenho um problema na minha cabeça. E a falta de um na box, que, sem como nem porquê, me apague os episódios gravados.

Indago-me se no dia marcado na agenda a mãe do Ruca ela tem dores de cabeça, ou de costas, ou se os rins lhe parecem falhar? Estou certa que não. A pessoa parece ter tudo sobre rodas.

Deixemos-lhe a vida marota em paz porque...

Nem tudo é bom nesta vida de mãe do Ruca. A tipa cozinha mal que doí. Ainda ontem dizia que estava a fazer um suflê de queijo que a mim me pareceu uma bosta de queijo. Já vi vacas fazerem coisas com o ânus que apresentavam muito melhor aspeto. Aquilo é gente que vive de sandes a todas as refeições e a gaja está em casa a maior parte do dia. Para não falar que muitas das vezes despacha os putos para a casa das vizinhas.

Cheira-me que se mete na pinga e depois baralha os ingredientes.

Naquele lar não há celíacos nem intolerantes à lactose.

Se a malta do Paleo calha a dar-se conta da quantidade de vezes que a gaja dá bolachas aos putos são bem capazes de pedir a proibição dos episódios no Panda.

Em resumo: fornicam-me a vida porque o meu miúdo janta melhor a ver aquilo.

O problema não é a mãe do Ruca, sou eu. Que sou um mamífero ruminante da família dos bovídeos, vulgo cabra, mesquinha, que tem inveja de um desenho animado a quem nem se deram ao trabalho de dar nome.

Não é pela sensualidade da senhora. Tenho a mesma.

Não é pela calma. Isso vem em embalagens de 100 unidades ou em garrafas de 75 ml.

É por causa do emprego com poucas horas.

É por causa do gabinete só para si.

É por causa da vivenda com espaço.

É por causa da viagem curta para o emprego.

É por causa das mães dos amigos dos filhos, sempre tão disponíveis.

É porque a mulher consegue fazer aquilo tudo sem mandar ninguém à merda.

E eu aqui ando, muito mais humana que ela, como seria de esperar.

 

 

Ó narradora do Ruca, crayon em tuga é lápis de cera, pá!

Quão difícil é traduzir crayon para lápis de cera?

Diria que mínima. Ate eu sei caramba!

Sempre que vejo este episódio...que é para aí dia sim, dia sim, numa razão de 2 vezes/dia...dão-se-me os nerves com esta parte.

Se os miúdos estão a pintar com lápis de cera, porque carga de água dizem crayons?

Depois o miúdo pergunta:

- Mamã, o que são crrraíons (porque é assim que a narradora diz)?

E eu fico tentada a responder:

- São lápis de cera filho, mas a senhora do Ruca é Tecla 3 com a mania que é bilingue.

Mas na verdade digo:

- São lápis de cera, filho. São lápis de cera.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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