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Em busca da felicidade

A vida de quem tem medo

A vida de quem tem medo é menor.

É mais cinzenta.

Quando a luz está acesa parece nunca iluminar o suficiente.

A vida de quem tem medo preenche-se de dias muito iguais.

Às vezes sempre iguais.

Demasiado iguais.

Tão gémeos uns dos outros que a menor variação aumenta o ritmo cardíaco.

O coração bate perto da boca.

Parece sufocar.

Parece que vai rebentar.

Parece que nada o pode acalmar.

A vida de quem tem medo nada sempre no rio conhecido.

Não se atreve em alto mar.

Os perigos que se sabem são muitos, os que se desconhecem ainda maiores.

A vida de quem tem medo redunda na morte.

Numa morte inesperada.

Não controlada.

Súbita.

Parva.

Num fim que se deseja tardio.

Na vida de quem tem medo a morte aparece mais vezes que no fim.

Morre-se um pouco de cada vez que pensamos que a maldita pode vir.

Na vida de quem tem medo há momentos que se vivem como se de um filme se tratasse.

O «até logo» reveste-se de um «adeus» que parece eterno.

«E se digo até logo mas já não volto?»

«E se o teu pedido para ficar, assim, só mais um pouco, assim, só hoje, for premonitório?»

Os ses que rodam e atormentam.

A racionalidade que se quer impor, mas que o animal não deixa.

O coração ainda bate forte demais.

Uma pontada debaixo do braço.

Alguma dificuldade em engolir.

As pernas parecem não querer responder. Ainda que continuemos a caminhar.

«Põe aquela musica.»

E a musica toca. Toca mais alto.

«Muda de musica. A outra...»

E o coração bate perto do pescoço.

«Sim, agora sinto-me confiante.»

Mas estava melhor sentada na minha cadeira de todos os dias.

A fazer as coisas de todos os dias.

Os dias sempre iguais.

Não sei em que momento o medo tomou conta da minha vida.

Antigamente não o sentia.

Diz que um coração que sofre é um coração que é amado.

Se calhar é isso.

O medo de perder o amor.

 

(não é um poema, não é um texto, nem sequer é uma lista. é uma coisa que escrevi em 3 horas de espera)

 

O meu país em chamas

Passámos a semana entre as conquistas dos Jogos Olímpicos e as perdas neste mar de fogo. Detesto ver o meu lindo país a arder, e não entendo, não entendo porque raio todos os anos tem de ser assim.

Pessoas a correr deixando uma casa para trás, animais, amigos, um mar de memórias vividas nas quatro paredes que agora ardem em chamas fortes e altas que não mostram qualquer piedade.

Estava no segundo ano de faculdade quando fui de férias com umas amigas para o Gerês. Nunca tinha visto nada a arder. Vi a serra ao lado da que estava a arder. Uma chama gigante. E percebi o quão pequenos somos perante aquele monstro.

O valor que já dava aos bombeiros ganhou toda uma nova dimensão. São gigantes de vermelho e azul. São pessoas que só têm coração. São monstros da coragem.

Deviam ganhar duas vezes o que ganham os deputados. Em vez disso ganham menos de 2 € à hora.

É o valor que lhes é dado.

Hoje acordei para saber que a nossa Madeira está a arder. Mais de 1000 pessoas desalojadas. Um hotel ardido. Três mortos.

Penso que se vivêssemos num mundo com magia alguém podia pôr uma nuvem cheia de água mesmo em cima da ilha. Apagar aquele monstro indomável.

Fico com o coração apertado por aquelas pessoas. As que provavelmente nem seguro têm para as casas. As que para além das memórias que não se recuperam com dinheiro algum, só Deus sabe como vão ter um tecto outra vez.

Hoje acordei para saber o meu país em chamas e quero que se encontrem os culpados. Que sejam punidos. Quero que as chamas desapareçam por milagre. Que não se percam mais vidas. Que se possa dizer chega e comece um novo principio.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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