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Em busca da felicidade

Ansiedades e medos

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Às vezes assola-me o medo súbito de perder a capacidade de escrever. Não sei porquê mas acontece. A escrita é para mim um processo catártico. Uma forma de expressar as minhas opiniões mais estapafúrdias, aquelas que estariam completamente descontextualizadas se, de repente, no meio de um almoço desata-se a falar delas.

Escrever as minhas histórias é uma forma de pôr no papel o que a minha imaginação cria. Que fazendo ou não sentido, quando surge na minha mente parece tão bem.

Às vezes assola-me o medo que não saiba de facto escrever. De que junte apenas palavras e quando as releio a minha mente acredita que fez alguma coisa que se assemelhe e não insulte o verbo escrever.

Tenho dias em que a minha mente é assaltada com ideias para textos. Posts para o blog. Cómicos, sentimentais, frases tolas. Histórias que corro para apontar os traços gerais que me parecem tão bem. Quase as vejo como se de um filme se tratasse.

Depois tenho dias em que não me apetece. Ou dias em que pareço ter dificuldade em juntar as palavras com a harmonia que gosto de ler. Como se a expressão estivesse emperrada, engasgada, presa.

Às vezes assola-me este medo de perder a criatividade para escrever. As ideias. As histórias. As parvoeiras que fazem os outros rir e a mim também.

Às vezes assola-me este medo e corro para escrever. Componho algumas palavras para provar que não me esqueci como se faz. Até me podem dizer que é como andar de bicicleta, depois de sabermos não esquecermos. Mas lá está, não sei andar de bicicleta. Pouco percebo do comparativo.

Às vezes queria ter mais tempo para escrever. Para garantir que não me esqueço como se faz.

Às vezes assalta-me este medo subido. Eu escrevo duas linhas. Acredito que não estão piores. E sigo com o meu dia.

Afinal não me esqueci como se faz.

 

O dia em que aventurei na escrita criativa

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Já aqui disse muitas vezes que gosto de escrever. Escrever é a minha cena. Gosto de escrever de tudo um pouco. Desde estes posts para o blog. A histórias curtas para a rubrica que inventei. A histórias mais longas, tudo ficção. Gosto de escrever textos soltos que não têm explicação. Gosto de perceber o que consigo fazer com as palavras.

Até gosto de histórias infantis. Já escrevi algumas. Nunca editei nenhuma. Estão na gaveta. Talvez um dia lhes pegue.

Este ano fiz um like na página de Facebook do Pedro Chagas Freitas. Comecei a ler alguns textos que lá publica, excertos dos seus livros. Confesso que não tenho nenhum. Gosto do que escreve, ainda que nem sempre seja o que me apetece ler. Nem sempre me apetecem ler sentimentos e pensamentos. Às vezes só quero mesmo uma história romântica que acaba com duas pessoas apaixonadas. Tudo assim bem cor de rosa.

Acho que é o meu lado mais feminino. Esta minha coisa com as histórias românticas e os finais felizes. E o príncipe a salvar a princesa. Mesmo que não seja a cavalo.

Na página de facebook do Pedro Chagas Freitas anunciava um campeonato de escrita criativa. Dez semanas, dez textos, o tema indicado pelo júri. O vencedor ganhava a edição de um livro pela Editora Chiado.

Candidatei-me. Tenho histórias que quero escrever. Mas não tenho nenhuma concluída. De qualquer forma, ganhar a edição de um livro dar-me-ia aquela forcinha necessária para me sentar todos os dias e escrever uma história. Ou acabar uma das que tenho penduradas.

Paguei 35 € e recebi as instruções.

Todas as semanas um tema novo. Em torno de uma palavra, em torno de um poema, em torno de uma situação. Completar uma história depois de nos darem uma frase.

Incritos 125 candidatos. Cheguei ao 2º lugar. Estávamos a 2 semanas de terminar. Eu sempre nos calcanhares da outra participante.

Acabei no 4º lugar e fiquei contente.

Inscrevi-me acima de tudo porque gostava de saber qual a avaliação feita às coisas que escrevo. Queria perceber a minha capacidade de adaptação face ao escrever de forma criativa, livre, mas a pedido. A minha capacidade de criar algo com o que me estavam a dar e não com o que a minha cabeça queria (e sim aqui quero mesmo dizer queria, com o querer da minha cabeça).

Nas primeiras semanas nem me queria acreditar que não estava em último. E quando passei a estar 2 ou 3 semanas ali nos calcanhares do primeiro lugar, pensei tu queres ver Cátia Maria que ainda limpas isto?!

Não limpei, mas fiquei mais confiante na minha escrita.

Foi uma excelente experiência. E fiquei com mais uma catrefada de textos na gaveta, que por cada um que enviava escrevia uns três.

 

Blogs há muitos!

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Aqui há tempos ouvia “hoje em dia qualquer pessoa tem um blog”. Quem o disse não sabia que eu tinha um e falou de forma depreciativa. De que, quando alguém não sabe fazer nada cria um blog e começa a ganhar dinheiro. Como se fosse assim...enfim!

Mas até pode ser verdade. Se quiser, qualquer pessoa pode ter um blog. (mas nem toda a gente ganha dinheiro...a maioria aliás).

Qualquer pessoa, pode – tal como eu fiz – entrar na sapo blogs e em minutos ter um bog pronto para começar a escrever.

Essa parte é fácil. Aliás, com as ferramentas que existem hoje, é super fácil.

Ter um blog qualquer pessoa pode ter. Claro que sim. Não é preciso ter licença. Não é preciso contratar uma empresa para o criar (como antigamente se fazia com os sites). Não é preciso gastar um tostão.

É fácil, simples e rápido.

Podemos pôr fotografias. Escrever frases. Escrever histórias. Contar peripécias. Avaliar roupas. Dizer mal. Enfim, podemos fazer o que quiseremos.

Agora, aquilo que muitas vezes não é entendido por quem diz “hoje em dia qualquer pessoa tem um blog” é que ter um espaço destes não é algo desprovido de trabalho e dedicação. É obvio que eu posso criar um espaço para ir colocar duas ou três algarviadas sempre que esteja danada com alguém. Eu até posso não dar a cara e estar a falar mal de alguém que está mesmo ao meu lado sem essa pessoa saber.

Mas a verdade é que manter um blog dá trabalhinho. É preciso pensar em temas. Construir textos. Ajeitar as coisas para ficarem minimamente organizadinhas. Essas coisas todas.

Requer organização para que, se quero dinamizar o espaço, então garantir que lá escrevo qualquer coisa com uma periodicidade razoável e um minimo de qualidade (pelo menos para o meu proprio gosto).

Hoje lia este texto sobre a qualidade dos blogs. E é verdade. Com a “aparição” de algumas pessoas na esfera publica muito em resultado dos blogs que mantém há anos, existem cada vez mais pessoas (umas que até têm prazer, outras em busca de dinheiro, fama, reconhecimento, oportunidades – tudo válido, atenção) a criar blogs. A questão é que estes espaços foram criados alguns deles há mais de 10 anos. Muitos foram anónimos e depois acabaram por ganhar cara com ofertas de publicação de livros e hoje, são blogs que quase funcionam como revistas digitais, que, atendendo à procura têm direito a patrocínios e publicidade paga. O que me parece perfeitamente natural, uma vez que têm uma plataforma que lhes deu trabalho a construir, que lhe tirou horas e dias sem ganhar um tostão e que acabaram por render.

A verdade é que os blogs são uma forma inteligente de as marcas fazerem publicidade.

É pelo trabalho que sei que dá. Pelo investimento que é feito. Que confesso que me aborrece um bocado que digam "ah e tal isso é fácil, qualquer pessoa tem". Depois até há pessoas capazes de abrir um espaço só para provar o seu ponto de vista, põem lá duas ou três coisas e quando percebem que dá algum trabalho nunca mais falam no assunto.

Questão chave: tás aí com lérias, mas, querias ganhar alguma coisa com isto?

Posso ter muitos defeitos, mas uma das minhas qualidades é ser honesta. Por isso sim. Gostava que um dia este espaço me rendesse alguma coisa. Se me oferecessem um patrocinio aceitava. Se me oferecessem publicidade, aceitaria num piscar de olhos. Agora, se a questão é que ando nisto apenas à procura disso, a resposta é não.

Tenho prazer em escrever. Para mim tem um efeito catártico e permite-me muitas vezes expressar coisas que verbalmente não consigo.

Tem sido um diário dos meus dias (do que quero registar é claro, que às vezes há episódios que uma pessoa só quer esquecer) e um dia vai ser giro ler o que escrevi. Ver o meu filho ler o que escrevo a pensar nele.

Gosto que as pessoas leiam o que escrevo. Que me deem feedback. Gosto de perceber que recebeu cliques e que mais pessoas cá estiveram a ler.

Gosto mesmo. Não adapto o que escrevo para que mais pessoas gostem. Falo do que me dá na real gana. Mas gosto que gostem. Que leiam.

Hoje procuro outros espaços para ver o que outras pessoas têm para contar e gosto desses espaços.

Acredito que alguns de nós possamos alcançar mais alguma coisa, outros talvez não. Mas acredito que os que aqui andam dia sim, dia sim, vão continuar. Vão continuar a escrever, a contar as suas histórias. Afinal de contas, se calhar são como eu, não gostam de crochet e têm nas letras um hobbie que lhes dá prazer e lhes ocupa a cabeça.

Que venham mais blogs. Que sejam criados por pessoas que gostem disto de apontar cenas. O resto logo se vê.

 

(gostei muito de ler este texto, fala de forma objetiva sobre as expetativas e as formas que hoje servem para avaliar a qualidade de cada espaço, convido-vos a ler, está muito bom)

16 Meses

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 (a foto possivel dos 11 meses)

 

Não abras as gavetas! Não mexas no lixo! Não dês com esse cabide no cão! Cuidado com a cabeça! Esse armário é proibido! As festas são mais devagar! Não faças birra! Não leves is...ok, não grites...pronto, leva!

Os nossos dias são assim. Tu a quereres fazer tudo o que não podes e nós atrás de ti, a ver se estás intacto ao final do dia.

Chegámos aos 16 meses. Que posso eu dizer de termos chegado aos 16 meses?! Que vamos à loja comprar roupa para ti e achamos que tudo fica grande. Que depois chegamos a casa e afinal está curto. Está apertado. Enfim, está pequeno. Percebemos que já não és o bebé que saiu da minha barriga no dia 10 de Fevereiro de 2015. Que és um rapazola gingão e crescido.

Gostava de escrever para ti todos os meses. Foi isso que planeei. Mas como tudo o que planeio, não o faço exactamente como tinha pensado. 

Tinha pensado que todos os meses te escrevia um texto. Não escrevo. Às vezes escrevo mais que um. Outras não escrevo nenhum. Mas mesmo quando não escrevo de ti, escrevo para ti. Sobre ti. Afinal de contas és o meu mundo. Se não todo, todo. A maior parte dele.

Tinha planeado escrever um texto por cada mês da tua vida. Não o faço. Percebi depois de nasceres que é melhor viver os momentos contigo do que escreve-los para ti.

Mas aponto. Aponto para não esquecer. Que quando fores mais velho quero-te lembrar que no dia que fizeste 16 meses dormiste uma parte da noite na cama dos pais. Que a mãe adormeceu em menos de 30 cm da cama, que acordou com o braço dormente e esqueceu as preocupações quando sorriste. Quero dizer-te que fomos tomar o pequeno almoço fora e que já não quiseste o iogurte quando viste o bolo em cima da mesa. Que fomos ao jardim a seguir. Que andaste de um lado para o outro na relva e que testaste todos os pisos a sentares o teu rabo de fralda. Feliz e admirado porque não te doía na queda.

Quero que saibas tudo o que tens aprendido. Que me lembras que quando o jantar já está acabado "já está!" e que gostas de ajudar a tirar a roupa da máquina. Mesmo que seja para o chão e não para o cesto.

Sei hoje que metade das coisas que comprei são inúteis, como o parque onde ias brincar. Que não ficas lá confinado porque a casa é grande demais para ficar num rectângulo tão pequeno. Que por mais espaço que haja estás sempre bem com toda a gente junta. Mesmo que isso implique estarmos os 3 encostados à maquina de lavar loiça. O pai a trabalhar, pondo a loiça lá dentro. Tu a comentar o trabalho feito e eu a garantir que não lanças as mãos aos talheres sujos.

Reconheço a minha persistência em ti. Que um não pode vir a ser um talvez se a coisa for pedida com jeitinho. Se não agora talvez mais logo. Mas nunca esquecendo o que se tem em mente.

Que a sopa é melhor se intercalada com uma colher de fruta e que os vegetais são mais saborosos que a chicha.

Que pedes uma bolacha para ti mas divides com os cães. Afinal de contas são os teus melhores amigos. Os que ficam contentes com a tua chegada. Os que fogem do caminho. Os que ganham com os teus pedidos. Os que toleram às vezes as festas que ainda não sabes dar.

Percebes mais coisas do que aquelas que queremos acreditar e cada vez mais o pai e a mãe têm de conversar por sinais.

Os morangos são a fruta de eleição. Açucarados, claro está! E o tomate que às vezes gera o engano.

Terminaste com os meus receios de não nos quereres porque passamos muito tempo fora. Quando chegamos és só para nós, dizes adeus aos avós. Beijinho e até amanhã.

A cada dia que passa és mais e mais o filho dos meus sonhos. Ou melhor, o que supera os meus sonhos. Que nunca imaginei ter um filho tão lindo e tu foste buscar o que nem eu nem o pai encontramos no espelho.

A música é uma constante e tu és um bailarino de primeira. Pões a musica a tocar e danças a cada publicidade divertida.

Sais a mim, não ao pai.

Danço contigo em qualquer lado e borrifo-me para quem esteja a olhar.

São 16 meses que agradeço a quem quer que seja por cada segundo contigo. São 16 meses que me fazer desejar mais 16 anos. Que me fazem querer estar cá depois de teres 61 anos. Para ver o homem que vais ser, o pai que te transformas e os netos que te vou estragar.

E agora uma das músicas do momento. Chucha, chucha, chucha, by Ursinho Gummy:

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----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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