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Em busca da felicidade

Divagações amplexas-ó-desconexas-ó-parvas sobre a felicidade que o dinheiro compra

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Quando era pequena sempre ouvi os adultos à minha volta dizer que «o dinheiro não compra felicidade», certamente uma forma de, enquanto pobres, garantir que tinham tanto direito à felicidade quanto os que podiam comprar o que lhes apetecia. Os que tinham bons carros, boas roupas, iam de férias e até faziam viagens.

Para o pobre a saudinha é a maior da riquezas. A saudinha e a família. Há saudinha e tudo de resolve.

Sou assim, pobre até ao tutano de cada osso. Haja saudinha para mim e para os que gosto que a malta há de arranjar maneira de andar a rir.

Mas depois penso nas coisas que gostava de ter, nos sapatos que me apetece comprar, nas viagens que gostava de fazer, na casa em que gostava de viver, na área de residência que persiste em fugir da minha carteira, nos tratamentos de pele e de cabelo que estão ali mesmo à mão de semear, se eu tivesse carteira para eles....

E dano-me por ser pobre.

Afinal o dinheiro compra felicidade.

Aprendi quando andava na faculdade que há uma coisa a que se chama de pirâmide de Maslow, numa descrição muito precária e ignorante: demonstra que as necessidades do individuo se alteram consoante aquelas que tem por colmatar. Por exemplo, nas linhas de base estão as dependências primárias, como a alimentação e a segurança, no topo estão os desafios intelectuais. De acordo com a pirâmide deste senhor, o ser humano precisa garantir as necessidades primárias para ter disposição para as seguintes.

Não sei se é porque tenho papinha na mesa, se é porque o médico me vai anunciando saudinha boa (apesar de eu pedir sistematicamente exames para garantir que não há poeira nos cantos), se o que será. Mas tenho a certeza que o dinheiro compra felicidade. Quando quero comprar um par de sapatos e o posso fazer sem remorsos fico feliz. Aliás, mesmo quando compro com remorsos fico feliz, porque na verdade não tenho remorsos, tenho é necessidade de uma certa preparação mental para ouvir o Nazi financeiro lá de casa.

Depois podemos sempre entrar no campo da saudinha, uma pessoa que tenha algum não precisa de estar à mercê do parecer médico e da sua potencial incompetência, sujeitando-se ao que calha. Havendo dinheiro pode sempre ir a outro especialista, pagar pelo exame, etc. E, em caso de resultado menos favorável tem acesso a um conjunto de factores que providenciam conforto que, para quem não tenha verba financeira, ficam apenas no horizonte.

Tenho uma prima que me dizia quando éramos mais novas: ando triste, estou mesmo a precisar de ir comprar alguma coisa para mim, fico logo melhorzinha.

E é verdade, uma pessoa compra um mimo e fica logo com outra cara.

 

Sei que parece tudo muito vago, a minha cabeça não tem dado para mais, mas lembrei-me disto, se calhar porque queria rechear o meu guarda fatos de coisas novas, porque isso me fatia muito feliz, se calhar porque não posso fazer de Pretty Woman e ir a Rodeo Drive e sair daquilo uma mulher nova, mais gira à conta de um belo banho de loja. Essa lavagem que faz milagres.

 

Os brutos também procuram a felicidade

Existe uma ideia fantasiosa, mas muito atual, de que as pessoas que procuram a felicidade têm todas um determinado perfil. Não se apoquentam, não gritam, não têm maus dias; até porque para esses arranjam sempre uma frase inspiradora que tudo resolve.

As pessoas felizes têm sempre fotografias coloridas no Instagram, têm textos sobre o interior de si mesmos no facebook, comem sempre muitas bagas de coisas várias e nunca se fartam das suas opções. Aparentemente as pessoas felizes nunca se arrependem de nada. Não se passam dos carretos e sabem que as decisões tomadas foram sempre «a melhor com a informação que tinham à data».

As pessoas felizes têm roupas de cores leves e têm fotos tiradas por pessoas sorrateiras que as apanham a pensar no jantar quando estão à beira mar pontapeando as ondas com o biquinho do pé por forma a tapar a parte menos jeitosa da perna pousada.

As pessoas felizes têm tralha de praia a condizer e acham que os cocós dos filhos cheiram melhor que o perfume francês mais caro (estava a tentar lembrar-me de um nome mas não me ocorre nenhum porque sou pobre, e o ultimo perfume que comprei era do Boticário).

Estas pessoas felizes amam-se sempre buedesde e nunca dizem «fodasse ou foda-se lá mais esta merda!», as pessoas felizes de alma dizem «ora bolas!» e seguem à sua vida.

As pessoas felizes, aparentemente, não sabem o bem que faz à alma mandar uma valente caralhada quando as coisas correm menos bem. Para não dizer: quando correm mal como a porra! Não sabem o prazer de mandar o windows para a puta que o pariu quando o cabrão insiste em não abrir o Excel que precisamos. Não sabem o que é chamar de cabra à gaja boa que aparece no Instagram, porque desejamos profundamente ter umas nalgas iguais às dela. As pessoas felizes, sempre felizes, não sabem como sabe bem ser bruto com a vida.

Gosto de frases bonitas e de fotografias bem tiradas. As ultimas até as invejo, para dizer a verdade. Gostava de ter talento com a máquina, mas o talento não quer nada comigo em vertente alguma. O mal das frases é que se parecem tanto a lugares comuns. O enfado é que muitas vezes (e digo muitas, não todas) parecem saídas de vidas que não sabem lá muito bem o que a vida custa. Mas lá está, também não têm de saber.

«Sabemos lá nós da vida dos outros!», foi uma frase que me ficou. Porque é verdade; sabemos sempre bem como gerir a vida dos outros, como achar que podem fazer o que nós fazemos, mas sabemos lá nós dos contornos da vida alheia.

«Ser feliz é uma escolha!", já li, já ouvi, já contestei. Ser feliz não é uma opção como a cor da camisola que se veste. Aliás, se pensarmos bem nem essa, até a camisola que vestimos está disponível num numero limitado de cores. É como a felicidade. Está limitada a um numero de momentos. Alguns de nós são agraciados com mais, outros com menos. Alguns têm a capacidade de perceber quando a felicidade lhes bate à porta, outros só dão por ela quando estão novamente na fossa.

Ser feliz não é uma escolha (na minha modesta opinião), nem tão pouco é uma condição (outra vez na minha modesta opinião). Ser feliz é um momento, que se segue por outro menos feliz, que se segue por outro raivoso, que se segue por outro indiferente, que se segue por outro feliz, que se segue por outro infeliz e por aí em diante.

Cada um encara a sua felicidade de maneira diferente.

O brutos fazem-no à sua. Sem frases feitas. Sem o nascer nem o pôr do sol atrás; muito provavelmente porque no primeiro estão a caminho do trabalho e no segundo ainda estão por passar a 25 de Abril.

Eu vivo na categoria dos brutos.

Ainda assim gosto dos Instragrams coloridos. Aliás é um ponto de melhoria para o barraco: criar uma conta como deve de ser no Intagram, uma coisa que valha a pena ver. Mas também gosto de coisas divertidas, que me tirem uma gargalhada de quando em vez. Aquela coisa do: «acredita em ti!» de segunda à sexta é um pouco de amor próprio a mais para mim.

Não gosto que me digam que: «não se dizem essas coisas», como se existissem frases da felicidade e frases do diabo; como se mandar alguém à merda fosse sinonimo de falta de amor próprio. Muito pelo contrário.

Que se dê um desconto aos brutos, eles também procuram a felicidade.

 

#afinfanamotivação

#tambémseiinspirar

#senãosoubesseinspirarjátinhafalecido

 

Aí que as pessoas caem aqui por engano

Ora pois que há 2 almas neste planeta que bateram com os costados por aqui à conta de andarem à procura de tarefas que causam a felicidade.

Eu, pessoalmente, acho que a palavra "tarefas" e a palavra "felicidade" não jogam bem juntas. Ou uma pessoa está a fazer tarefas, ou a pessoa está a ser feliz.

Este é o meu maior conselho para quem procura tarefas para andar mai contenti.

Ou seja borrefe-se nas tarefas. Deixe o chão sujo, liberte-se da loiça para lavar, dispense o banho porque o cheiro natural é uma coisa mais selvagem. Liberte-se destas coisas de tem-de-ser e sente-se a abocanhar uma tarte Dancake de morango enquanto lê um livro um livro a gosto ou um filme xuxu.

 

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Escolher ser feliz

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Lia há uns meses atrás que ser feliz é uma opção e fiquei a pensar sobre o assunto.

Ainda hoje penso e não tenho uma opinião sobre esta opinião.

É verdade que podemos, por vezes fazer opções. Que podemos escolher se nos queremos entristecer com o que a vida nos oferece ou se nos queremos agarrar ao que de bom ela tem e estar felizes por isso.

Aquela história do copo meio vazio e meio cheio. Há quem tenha a capacidade de ver sempre o copo meio cheio. E também os há que tenham a capacidade de nunca olhar para a parte preenchida.

Tenho dias.

Tenho dias em que não me largam as tristezas e em que me questiono, quase de forma permanente, sobre todos os porquês que resultam nas coisas menos boas da minha vida.

Tenho dias em que escolho não pensar nas coisas menos boas e, em vez disso, me concentro em tudo o que de bom tenho. Agradeço e sigo em frente. E o que é mau? Não desaparece, está lá, faço pouco dele. Ou outras vezes nem o cotoco, não vá acordar e vir para me aborrecer.

Mas lá está, será que ser feliz é uma opção? Talvez. Depende da cabeça de cada um de nós. Há quem, contra tudo e contra todos escolha sorrir. Nunca vergar à tristeza. Falta-lhes o pão. O tecto. Às vezes o pior mal, a saúde. Sorriem na mesma.

Talvez para esses seja uma opção. Há quem o chame de inteligência emocional. Talvez seja. Mas e então as condicionantes da vida. A liberdade, o direito a ser criança, o respeito pelo corpo e pelo ser? Quem não tem estes pequenos detalhes tantas vezes esquecidos nas nossas comiserações à vida?

A verdade é que para alguns não há escolha, os infortúnios da vida são profundos demais para poder escolher.

Mas para a maioria de nós pode ser. Para os que têm uma vida trivial, mesmo que sempre igual, os que reclamam da chuva e do sol, da roupa larga e da roupa justa, do tempo que não têm para os filhos e depois do que passam com eles.

Será que aqui não há uma opção?

Mas e os estados de espirito? E se acordo de mau humor? E se a vida me arrasta?

Mas não arrasta todos os dias.

Ser feliz pode ser uma opção. Não a de me sentir feliz todos os dias. Mas a de procurar ser feliz todos os momentos.

 

Felicidade é...

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...correr atrás de ti enquanto finjo não te conseguir apanhar. É ouvir as tuas gargalhadas na mais simples das brincadeiras. É perguntar-te se queres o meu colo enquanto te aninhas nos meus braços e sorris como quem diz que sim.

Felicidade é roubar cinco minutos ao sono para escrever estas palavras e registar as memórias que não quero esquecer.

 

O que eu gosto de histórias de amor....e de quem as partilha...

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Os meus dias são cheios, muito cheios. Entre a vida exigente de trabalho, a dedicação em ser a mãe mais presente que consigo para um filho que não vejo mais de 10 horas no dia, o meu esforço em meter este corpo no ginásio pelo menos 3 vezes por semana, ser filha de um pai que não vejo há três semanas mas com quem falo todos os dias, ser amiga de amigos a quem não ligo tantas vezes quantas gostaria, prima e irmã de gente boa para quem encontro um dia aqui e ali para trocar dois dedos de conversa e matar saudades. Entre todas estas coisas enfio nos meus dias alguns minutos para mim. Preciso do escape, da pausa no meu cérebro. Guardo uns preciosos minutos para escrever umas coisas, umas que ponho aqui, outras que ficam perdidas num word, que hoje não há textos em gavetas, há pastas perdidas num qualquer desktop, numa pen ou numa cloud.

Dentro dos parcos minutos que guardo para mim gosto de ler. Livros, blogs, reportagens. Os jornais infelizmente evito, a cada dia mais e mais. A desgraça que temos em torno entristece-me, deixa-me cheia de medo do dia de amanhã.

Dos espaços digitais tenho alguns de coração. Uns que visito todos os dias (ou quase) outros que a espaços vou tendo saudades, mas volto sempre. Outros que hoje procuro por conhecer. Depois aqueles que não procurei, que apareceram por acaso e que tenho pena de ter gasto tempo a pôr os olhos em cima.

Gosto de me rir. Gosto de sorrir. Gosto de peripécias e de histórias de amor. Aí as histórias de amor! (suspiro) Entre um homem e uma mulher. Entre uma mãe e os seus filhos. De uma pessoa pela vida. Histórias de amor que me encantam, tanto que me seduzem a voltar todos os dias.

O meu blog de eleição é sem duvida o “Dias de uma Princesa”. Já há alguns anos atrás, nem sonhava eu em criar um espaço para escrever. - Já escrevia mas tinha vergonha de assumir que gostava de o fazer, por isso escrevia no word as minhas histórias e guardava. Tenho muitas guardadas. Muitas inacabadas. – dei comigo num ranking de blogs. Queria saber afinal de contas o que é que havia de tão interessante. De repente - esta minha perdição pelas histórias encantadas – aparece uma “princesa”, eu entro e desde então acompanho sempre.

Quando estive em casa de licença, aproveitava o tempo livre que tinha para ler mais para trás as palavra escritas por esta princesa Catarina. Entretanto já li os livros, já fiz o like no facebook, já sigo no Instagram e até já subscrevi o canal do Youtube. Via o “Não faz sentido”, mas entretanto o meu filho cresceu o suficiente para me dizer “da, da” tirar o comando e pôr a televisão em vários canais ao mesmo tempo (eu quando gosto, gosto mesmo, e este não é o único caso, é apenas o que motiva este post).

Para mim, o que faz, o que tem conseguido é fantástico, tem qualidade, tem bom gosto.

 

Pois e este post tem o quê que ver com o titulo?

Tudo, porque estou a fazer caminho para aqui chegar.

 

Ontem deparei-me com um post de critica, mais não sei quantos comentários de pessoas anónimas que, na minha perspectiva, mais nada são do que pessoas frustradas que vivem escondidas atrás de um ecrã, não vivem e tem inveja de quem vive. Porque para contar alguma coisa é preciso viver. É preciso arriscar, para ter vida para contar.

Não concordam com a partilha das fotos. Com os vídeos. Mas quem são estas pessoas para concordar ou não? Foram partilhadas fotos suas? Porventura dos seus filhos? Foram comentadas ou chamadas a participar? Não?! Então é favor usar a cruzinha no canto superior direito e seguir em frente.

Todos gostamos de falar dos nossos filhos. Contar as suas peripécias. Pegar no telefone e mostrar a toda a gente como são lindos. Todos gostamos de mostrar as nossas fotografias de dias felizes esparramados na praia. Agora se só queremos fazer isso para meia dúzia de pessoas é um problema nosso. Façamos o que nos faz a nós felizes e preocupemo-nos menos com as decisões dos outros.

Estas criticas dão-me sempre a ideia de que por detrás de cada palavra está um mar de inveja, associada à falta de coragem de tentar fazer alguma coisa por si. E, por ser manifestamente faz fácil (e até ajudar a descarregar frustrações) lá se pisa em quem está feliz. Essa gente nojenta que se sente bem na sua pele e que está sempre de sorriso na boca.

É o que esta minha querida Catarina faz. Vive. Mostra o que, para ela, é preciso para ser feliz. E conta-nos. Conta de coração aberto. Abre as portas da sua casa e diz “moramos aqui, somos felizes assim”. Como uma amiga a quem nunca demos dois beijos, mas que parece já ser lá de casa.

Diz a Catarina que “a vida resolve-se sozinha” e a prova disso é a família que construiu. Seguiu, acreditou, e sem esperar encontrou em pleno o que nem sabia procurar.

Dá-me gosto visitar aquele espaço todos os dias. Dá-me gosto ver coisas bonitas. Que a vida tem coisas feias que cheguem para perdermos tempo com elas.

Por isso minha querida Catarina, continua como estás que estás muito bem. No que me toca a mim, cá estarei para ler, ver, comentar, rir e desejar-te de quando em vez “muitas felicidades”.

 

 

E aconteceu uma coisa chamada vida

A minha vida tem sido tudo menos um mar de rosas. Altos e baixos. Dias melhores e piores. Semanas melhores e piores. Anos malvados e anos de graça.

Insisto em rir. E hoje insisto em não me esconder.

A vida às vezes parece perfeita, imaculada, vibrante, olhamos em torno e sentimos que tudo está exactamente como queríamos que estivesse, até o que não nos parecia ideal de inicio parece agora bem encaixado. O pináculo desta coisa chamada felicidade.

Depois acontece uma coisa chamada vida. Um dia corre pior. Às vezes uma sucessão deles. Um pneu que se fura. Uma discussão em que se diz o que não se queria dizer. Uma maleita qualquer. Um problema no trabalho. E não percebemos porque raio conseguimos escalar até essa montanha tão alta onde está o cálice da felicidade e depois, sem que tenhamos feito nada para a fazer estremecer a tipa começa a querer escorregar-nos por entre os dedos.

A felicidade pode ser como uma droga. Como extasy. Deixa-nos loucos, drogados. Vemos tudo de forma perfeita. A casa que não gostávamos passa a ser aquela que se encaixa perfeitamente na nossa vida. Amamos e somos amados.

Mas a felicidade também tem ressaca, porque nem sempre é possível manter a vida numa nuvem alta, afastada de todas as chatices. 

Se nos tivéssemos resguardado mais. Se não tivéssemos embandeirado em arco.

Se nos tivéssemos resguardado mais não tínhamos partilhado com quem queremos a nossa felicidade, não os teríamos contagiado, porventura num momento difícil da vida, quem sabe a servir como alento. Se não tivéssemos embandeirado em arco, mas quem falou em embandeirar em arco? A felicidade serve para ser vivida de forma aberta, sem pensar no que os outros pensam, no que acham, se nos querem bem ou mal. Vão sempre aparecer os idiotas que invejam o bem estar dos outros. Mas essa gente não conta. Não pode contar.

Não acredito que a felicidade seja uma opção. Não porque às vezes a puta da vida é puta demais para conseguirmos sorrir. Mas acredito com todas as forças do meu ser que temos todos os dias a oportunidade de fazer aquele dia melhor. De nos esforçarmos para ser felizes. De buscar essa felicidade.

É por isso que para mim o nome deste blog faz sentido. Nem sempre sou feliz. Há dias, semanas, em que a única coisa que me apetece é enfiar-me dentro da cama, ter os cornos tapados com o edredom e esperar que a vida passe, como um barco que passa a velocidade de cruzeiro em alto mar.

Quando a minha mãe faleceu fiquei uma semana em casa. Tinha 12 anos e não decidia nada. O meu pai achou que devia ter tempo para fazer o luto. Como se alguma vez fosse possível fazer o luto do amor da nossa vida. Não é.

Fiquei essa semana em casa e regressei às aulas. A caminho da escola vínhamos sempre à conversa. Continuei a ser eu, a palhaça de serviço que diz baboseiras de manhã à noite. De gargalhada fácil. A tentar entreter e ser entretida.

Um dia uma amiga disse-me: "fico feliz que estejas a conseguir ultrapassar a morte da tua mãe."

Quem falou em ultrapassar? O que ela via era uma miúda bem disposta que não falava da morte da mãe da mesma forma que nos últimos 4 anos não falava da doença. O que ela não sabia era que essa mesma miuda chorava todos os dias antes de dormir. E que se adormeceu assim quase todos os dias durante anos.

Mas a vida é assim. Cheia de bolas curvas. E eu recuso-me, recuso-me a deixar que seja a vida a decidir quando me rio. Quando dou uma gargalhada. Que sejam os outros a decidir quando a partilho. Rio quando eu quiser. Partilho com quem bem entender.

No ano passado conheci o grande amor da minha vida. Cresceu no meu ventre. Conheci-o mesmo antes de o ver. E a minha vida ganhou novo sentido. Ou ganhou sentido pela primeira vez. Num ápice escalei aquela montanha e agarrei com todas as forças o cálice da felicidade.

Vivi meses em que parecia estar num orgasmo de felicidade 24 horas por dia. Qual cansaço qual quê?!

Depois aconteceu a vida outra vez. Ou voltei à vida que tenho de ter. E a minha cabeça não se quis adaptar.

Dei-lhe duas chapadas e disse-lhe mas quem manda aqui afinal?

Mando eu.

Por isso busco a minha felicidade todos os dias. Uns dias encontro-a. Outros não. Uns dias sorrio, outros não tenho vontade e visto as minhas trombas. Nem que seja para lhe dizer quem manda aqui afinal?! Vamos lá a ver se não sou eu.

Porque raio deste um nome tão choninhas a isto?!

 

OK, admito. O nome do blogue é choninhas. E o motivo também. O que é coisa que pode causar alguma estranheza a quem me conhece, porque sabe que sou uma pessoa assim mais a atirar para o bruto, com trombas vincadas e uma faceta muito marcada de camionista quando conduzo. Não, não tenho a marca da t-shirt pelo meio do braço, mas digo muitas coisas que rimam com alho e ofendo de várias formas os demais condutores. Se tenho razão ou não pouco importa, o que interessa é que os outros estão a obstruir o meu caminho. Ponto.

Mas adiante. O nome do blogue.

Pode dizer-se que resultou de um profundo momento choninhas da minha parte. Que as hormonas ainda estavam a ajustar-se. Que isto de ter filhos mexe com a tola de uma pessoa e começamos a ficar muito mais melosas para tudo na vida.

Confesso que me apetecia escrever. Apetecia-me muito escrever. Tinha tido outro blogue, mas com aquilo tudo de querer ser a super mãe que voa e trepa paredes e mais não sei o quê, acabei por ter a certeza que não tinha tempo para isto e apaguei-o. Depois comecei a convencer-me que devia continuar a ser gente e começou a fazer falta ter onde apontar as minhas balelas.

Há milhares de blogues na blogosfera. Nos mais diferentes domínios e eu também não queria criar uma coisa que não fosse verdade. Pelo menos no momento em que o criei.

Passei por uns momentos bem complicados e percebi que o que me estava a fazer voltar à mó de cima é esta minha permanente necessidade de encontrar uma forma de me sentir feliz, mesmo quando a vida não me sorri. E olhem que já passei por um bocado. Mas não me fazia sentido, nunca fez e continua a não fazer. Andar por aqui para dizer mal da vida, para não ter prazer com nada, para não amar e ser amado.

Então lembrei-me, lembrei-me do filme "Em busca da felicidade”. Do tipo que bateu no fundo e que fez tudo, literalmente tudo, para encontrar a felicidade, a dele e a do filho, para o filho. Fazia sentido. Ainda faz. Quando me falta a vontade de me esforçar olho para ele, para o meu campeão e lembro-me que, se não tenho a coragem de o fazer por mim, tenho de o fazer por ele. Para que ele aprenda que ser feliz não é uma opção, mas procurar ser é. E somos nós que temos de buscar essa felicidade. Há quem tenha a sorte da tipa estar sempre a esbater consigo. Não é o meu caso e não sei se será o dele, por isso, quero que aprenda, que se há coisa importante nesta vida é nunca desistir de viver e viver é ser feliz.

 

Choninhas?! Definitivamente! Mas às vezes é tão bom ser lamechas….

Hoje sou Nice. Hoje sou França

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Ontem deitei-me na tranquilidade de um país sem confusões. Na azafama de uma vida cheia de tarefas. Com a chatice de quem teve de ir ao médico outra vez porque a inflamação pulmonar não a deixa em paz.

Ontem deitei-me depois da reclamação de quem pode dizer o que pensa quando a vida não lhe vai de feição.

Ontem deitei-me depois de escrever, como gosto. Deitei-me depois de ler um capitulo do meu livro de mesa de cabeceira. Dormi depois de beijar o meu filho e de lhe agradecer, a ele e a Deus, por mais um dia que tivemos juntos. Ele, eu, o pai. Os 3. A pequena família que somos.

Não vi noticias. Não sabia nada do mundo. Às vezes é o que me basta. Só quero saber do meu mundo. Não quero saber do que se passa fora da minha porta. Preocupa-me. Deixa-me ansiedade. Faz-me pensar no que pode acontecer amanhã. E eu tenho de pensar em fazer o melhor que posso com o hoje.

Cheguei ao trabalho e falavam de Nice.

Mas porque raio Nice.

Não sabes do camião que varreu uma multidão em Nice.

Não.

Não sabia. Fiquei a saber.

Fiquei a saber que um ser sem alma, sem vida, sem nada. Um tipo entrou num camião e o dirigiu a uma multidão de pessoas que festejavam um dia importante do seu país. Adultos, jovens, crianças. Pais, filhos, avós, irmãos, namorados e amantes. Pessoas que estavam apenas a viver o seu dia. Pessoas que estavam apenas a viver.

Deixaram de estar. Porque alguém decidiu entrar num camião e percorrer mais de 2 km levando consigo dezenas de pessoas.

Não devemos ter medo porque assim lhes fazemos a vontade. Dizem. Será? Pergunto? Será que se satisfazem de nos ver apenas com medo. Começo a achar difícil. Começa a parecer-me terrível demais para quererem apenas medo. Querem terror. Querem sofrimento. Querem eliminar quem vive. Porque ver viver lhes faz confusão.

Mas quem são? Não sabemos. Muitos passam ao nosso lado todos os dias. Podem passar. Como combater?

Como viver? Ultrapassando o medo. Como não olhar por cima do ombro?

Ontem deitei-me na azafama dos meus dias simples. Pequenos. No meu próprio mundo.

Hoje sou lançada a pensar que o meu mundo pode mudar porque alguém assim o entendeu. Só porque sim.

Para quando um fim? Para quando aprender a viver com a diferença?

Mas será que tem que ver com saber viver com a diferença? Será que tem que ver com a crença?

De certeza que não é apenas a explosão da frustração de gente marada da mona que, como não sabe viver, goza o sofrimento dos outros?

Parece-me ser mais isso.

E agora regressar à normalidade do meu dia. Ou tentar. Depois de saber que a vontade perversa de alguém a pode roubar só porque sim.

E logo à noite antes de me deitar vou agradecer outra vez. Ao meu filho por existir. A Deus por me guardar mais um dia. A mim e mais importante, aos meus. Para que os veja todos os dias. Para que os nossos dias se mantenham assim. Na sua aborrecida normalidade.

 

Hoje sou NICE. Hoje sou França. Hoje sou Foie Gras e Cammenbert. Hoje sou pelos seres humanos que só querem, como eu, a normalidade dos seus dias.

Marginal à noite

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Não me ia inscrever. A maior distância que corri desde a gravidez foram 5 km e sentia-me pouco confiante para me inscrever para 8 km. Já tinha tirado isso da ideia. Mas apareceu um post no blog Dias de uma Princesa a oferecer inscrições para um número de participantes. Era apenas preciso dar o nome e o e-mail.

Nunca ganhei nada destas coisas na vida, e, com a sorte que tenho estava certa que não me calhava nada. Mas, tal como com o Euromilhões tentei a minha sorte.

Ganhei.

Dia e meio depois de participar recebo um e-mail da Catarina Beato a dizer que tinha ganho uma das inscrições.

Nem me queria a creditar e o medinho começou a instalar-se.

Faltava agora o Nuno inscrever-se. É o homem das corridas e o meu "amuleto da sorte". Azar. Já não havia vagas. Tudo esgotado.

Ora se já estava borrada de ir fazer os 8 km com companhia, mais fiquei quando percebi que ia sozinha. Tive para desistir, mandar um e-mail a dizer que se calhar era melhor dar a inscrição a outra pessoa mais capaz, mas depois...depois pensei que se tinha ganho tinha de dar o corpo ao manifesto e tentar fazer o melhor que conseguisse.

Ontem lá estava, calada que nem um rato. Ansiosa como sempre. Porque tenho receio de não conseguir. Porque receio de me dar um treco. Porque não sou a melhor pessoa para andar no meio da multidão.

Faltavam 10 minutos para começar e caminhei para o mais próximo possível da linha de partida. Com ship, ainda por cima vai ficar gravada a minha desgraça de tempo.

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 (à espera que dessem sinal de partida) 

 

Quando passei a partida já a prova ia com 4 minutos. Andei para me desviar do maranhal de gente e aproveitei para ligar o youtube, é que sem musica as pernas não funcionam. 

Aprendi uma coisa. Se vou correr o melhor é levar musicas no telemóvel ou no MP3. É que a confiança que às vezes não tenho em mim deposito em grande escala na net. Neste caso no youtube, e esse, deixou-me agarrada. Aquela porra não havia meio de funcionar e eu sem musica não corro. Ponto final!

Pelo caminho encontro o meu salvador. Não conseguiu inscrever-se, não podia acompanhar-me na partida nem chegar à meta comigo, mas podia correr a meu lado ao longo da Marginal.

Foi isso que fez. Até a net começou a funcionar.

Confesso que tive mesmo para desistir, sem net e cheia de medo, era uma desgraça. A neura minha gente!

Não sabia se ia conseguir correr tudo, mas consegui. A cada km que passava só pensava, só mais um, só mais um.

Cheguei à meta com 1 hora e 7 minutos. Não achei para aí pior, considerando que passei a partida já contavam 4 minutos e que só consegui começar a correr depois de 800 metros.

É claro que quando ouvi que a pessoa que acabou em primeiro lugar fez a prova em 24 minutos fiquei com a sensação que das duas uma, ou a pessoa foi de mota ou eu fiz aquilo de gatas.

Isto só pode ser malta que treinou no Quénia a correr è frente de leões. 24 Minutos!!! É de loucos!

Quanto à prova em si. Merece ser feita. Correr a Marginal à noite é algo de maravilhoso. Para quem não possa, não queira ou não goste de correr, pode sempre caminhar. Vale bem a pena. Começa com um fogo de artificio bem giro, mesmo em cima do mar, e depois, correr à beira mar. Ah! Que maravilha!

Isto para não falar na organização. Excelente!

Se vou para o ano? Não sei. Vamos ver qual é o espírito. Se estiver menos receosa da distância, mais alegre com a minha participação e com ansiedade de correr e não com a receio do resultado. Aí sim! Sem dúvida que vou.

Pelo menos é esse o acordo que tenho. Comigo e com o senhor que mora cá em casa. Participar sim, mas para criar felicidade e não anseio. Que de coisas más a vida já está cheia, o que nos faz falta são momentos que nos façam rir e sorrir.

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 (depois de a corrida ter acabado e com praticamente 8 km feitos)

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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