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Em busca da felicidade

Sôtor inicia-se na vida do engate

No outro dia quando o fui buscar, contou-me o avó que, de manhã, quando foram ao jardim, Sôtor terá visto uma menina com quem entendeu confraternizar. Para tal abordou-a corretamente e apresentou-se da seguinte forma:

- Sou o Guicádo e tenho um péu lindo!

(Eu sou o Ricardo e tenho um chapéu lindo!)

 

Não há cá confusões. É para saber com quem vai falar e que não se trata de um qualquer mitra com um chapéu rafeiro. Nada disso, sôtor tem um chapéu lindo.

É logo para elas saberem com o que é que contam.

Tá certo meu rico filho. A mãe não te cria para menos.

 

Sôtor e as miúdas e a mãe a arrepiar-se com o futuro

Quis ir andar de escorrega no parque do mercado.

Fomos.

Apareceu uma menina mais velha que insistiu em subir em subir para o escorrega com o seu carrinho de bonecas. O pai diz-lhe:

- Ó coisa-e-tal não subas para aí com o carrinho filha.

Sôtor, rapaz que gosta de manter as coisas com um rigor replica para a menina:

- Ó coisa-e-tal não podes subir para aí com o carrinho.

Expliquei-lhe que ele não era o Presidente da Junta do parte do mercado, pelo que, cada um deve saber de si, a menos que alguém se meta connosco ou na nossa vida.

Meteu-se em sua vida.

A menina aninhou-se na parte de cima do escorrega. Ela e o seu carrinho. Sôtor passou por ela, curioso e circunspecto - tudo ao mesmo tempo - pelo menos duas vezes até que, à terceira, achou que era melhor conversar um pouco com ela.

Agachou-se e começou a tirar medidas aos brinquedos que ela trazia.

Eu digo-lhe:

- Não mexas nas coisas da menina sem antes pedires. E já agora porque não dizes à menina como te chamas.

Ele, do alto do seu palavreado diz:

- Olá, eu sou o Guicado... (levantou-se a apontou para mim e para o pai)...este é o meu pai e esta é a minha mãe.

Feitas as apresentações continuou a brincadeira.

E eu só pensei: «pronto, já fui apresentada à primeira».

 

 

Comunicado

 

Queridas pessoas cujos contactos eu possuo, com particular atenção para aqueles com os quais partilho amizade nesse antro de inflamação social designado facebook.

 

Venho por este meio informar-vos que não assumo quaisquer responsabilidades por contactos, mensagens ou outras vias de contacto que possam vir a receber da minha parte.

 

Acontece que, numa base ocasionalmente frequente, permito que meu filho (doravante "sotor") faça uso do meu dispositivo de comunicação, vulgo telemóvel. Na sequencia das suas utilizações deste equipamento, ocorrem iniciativas no âmbito da descoberta que colocam sua mãe em situações constrangedoras.

Após perceber a realidade em que me encontrava procedi à eliminação de quaisquer imagens reveladoras de nudez por parte da proprietária do dispositivo, considerando que, poderia ter como desfecho final algo profundamente desagradável. Por exemplo: pessoas queridas que consideram que vestida sou um excelente exemplar e, após verificação do conteúdo do pacote confirmam a degradação da matéria.

Como exemplo do supra disposto posso arremessar um acontecimento recente, decorrido na tarde passada em sede de minha viatura e após descompostura com respeito a uma birra. Ora pois que, seguido a gritos e choros foi possível alcançar tréguas por via da negociação e do empréstimo do equipamento de telemóvel de mãe de sôtor, moimeme. Com a arma em punho, o sacripanta excelentíssimo senhor meu filho, procedeu ao envio de mais de 25 mensagens privadas com a fotografia da mãe do Ruca, fazendo esta que vos escreve passar por uma pessoa cruel e amenamente descompensada, por estar a enviar informação desta natureza a pessoas com as quais não contacta desde o ultimo exame nacional de acesso ao ensino superior (corria o ano de 2002).

Não sei quantas pessoas foram alvo do envio massivo de fotos da mãe do Ruca. Contudo, quero apenas tornar claro que tinha imagens da senhora no meu telemóvel por razoes humorísticas e de partilha social numa rede com melhor fama: o instagram.

Grata pela compreensão de todos.

Votos de uma maravilhosa semana.

Estou a transformar-me na minha sogra

Eu - Filho, queres que a mãe descasque uma pêra?

Filho - Não.

Eu - E uma maçã.

Filho - Não.

Eu - E um pêssego?

Filho - Não.

Pondero 30 segundos.

Eu - A mãe vai descascar uma pêra.

 

Se tudo correr bem sou a próxima dona Dolhores

Íamos sair.
Apanhei-o a mexer na minha carteira:
- O que estás a fazer, pá?
- Pixijo de um catão.
- Queres um cartão para quê?
- Hoje pago eu.

Meu rico menino, que mantenhas esse pensamento e não arranjes uma jagunça a quem pagar coisas. Sempre à mãezinha primeiro.

 

Mãe peçonhenta!

Estávamos a brincar a fazer bolas de sabão. A certa altura dei-lhe um abraço e um beijo. Diz-me:

- Mãe larga o Ricardo.

 

É o principio do fim. 

Saber brincar tem ciência

Decidiu trepar o móvel da sala onde está a TV. O pai tirou-o de lá e ralhou com ele por dois motivos: tinha subido para o móvel; não estava a querer ouvir o pai.

No fim veio ter comigo:

- Mãe, o pai nã sabi bincar!

 

Este pai é de facto uma besta.

Ser avaliado por um puto de 2 anos...

gif.gif

 

Sôtor meu rico filho está a demonstrar-se um extraordinário CEO. Gere os elementos desta equipa, seus subordinados com um punho de ferro numa mão e um chicote na outra.

Juro que há momentos em que o meu nome é Isaura e a minha profissão escrava, mas depois lembro-me que eu mando mais do que ele e tento impor a minha vontade.

Dá-se aquele momento a que conhecemos por: birra.

Nesta semana que passou, e após conviver mais horas com as nossas competências sôtor concluiu:

1. A mãe não sabe lavar o cabelo. É uma função de seu pai. Único elemento competente nesse campo.

2. O pai é incapaz no que respeita à secagem pós-banho. Esse é um trabalho onde a mãe brilha.

3. Sua mãe é incompetente no que concerne à preparação de biberão. Devendo ser o pai - independentemente do que está a fazer - que lhe prepare o petisco lácteo. Caso tal não seja possível aceita com enfado a preparação pela mãe, manifestando um «já contava», caso a temperatura não esteja do agrado.

4. O pai deverá ter as mãe tortas, porque a administração do leite é feita pela mãe. Sim, pela mãe. O próprio sabe manusear o equipamento, mas fingir ter perdido a mobilidade nos membros superiores sempre que isso obriga carregar o biberão cheio.

5. O pai não sabe dar a sopa. A mãe é a pessoa mais competente.

6. Nos últimos dias descobrimos que o pai também «na sabi bincar».

 

É assim que se constrói um gestor. Pena que eu tenha de ser uma das cobaias.

Anda uma mãe a criar um filho #

Tinha acabado de tomar banho e andava aos saltos na cama:

 

Sôtor: Tulica, Gâdi, vénham cá!

Eu: Queres que a Tulipa e o Ghandi venham para o pé de ti?! O que queres tu ao Ghandi e à Tulipa?

Sôtor: Béjinhos e abaços!

Eu: Aummmm! Meu rico menino! Também dás beijinhos e abraços à mãe?

Sôtor: Não!

(assim, secamente!)

 

Já definida a ordem de importâncias cá em casa:

1º Tulipa e Ghandi

2º Mãe

3º Pai

 

(dá-me a ideia que ele ainda não percebeu bem quem é que paga a net e os dados móveis que ele gasta!)

Os ídolos de sôtor

papa chico.png

 

homem-aranha-a-disparar-teias.jpg

 

 

Sôtor meu filho é fã do Papa Francisco. É verdade. Cá em casa não é crentes, a avó é católica mas já não vai à missa há anos. O avô não nem fala nisso e o Augustinho (o outro avô) foge de igrejas como o diabo da cruz. De maneira que uma pessoa não percebe bem de onde vem esta afeição.

 

Sempre que passa um avião diz-me: «mãe, papa!». Desde que o Papa Francisco veio a Fátima que acha que o Papa está em todos os aviões. Ao que parece, e segundo a avó, terá estado com ela a ver a chegada do Papa ao Aeroporto nesse dia.

 

Desde então, se passa um avião no céu, é porque o papa vai lá dentro.

 

O outro ídolo é o homem aranha. Porquê? Porque nos videos que vê no Youtubr o homem-aranha está sempre a conduzir os carros fixes. Logo é um tipo «cool».

  

Ontem estava a ir para a cama e perguntava-me: «Mãe, Papa, ó-ó?»

 

E eu: «Sim filho, o Papa também vai fazer ó-ó.»

 

Passou um avião e prosseguiu: «Mãe, Papa, casa, ó-ó?»

 

E eu: «Sim filho, o Papa está agora a ir para casa para fazer ó-ó!»

 

E ele: «Homê-anhanha taméin?»

 

Eu: «Sim, o homem-aranha também!»

 

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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