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Em busca da felicidade

Estas coisas dos livros que ajudam as mulheres a ultrapassar a vida e cenas

Dei com um livro em escaparate que promete 50 truques para mulheres sem tempo. Presumo que pretende que as gajas ganham ferramentas para passar a ter uma vida mais desafogada.

Eu cá prefiro dicas e truques para pessoas, a menos que estejamos a falar de mamas, ovários, partos e menstruações. Parece-me que tempo é coisa que interessa a pessoas.

Na eventualidade de se tornarem necessárias estas dicas direcionadas por conta daquela coisa de que as mulheres são esposas e mães e têm carreiras e o camandro, então prefiro usar o meu único truque, o qual desde já disponibilizo free from fees: delegar no marido metade das tarefas.

Dessa forma das suas uma: ou se arranja tempo para todos, ou ficam os dois sem ele.

Livro: "O Deus das Pequenas Coisas" de Arundhati Roy

 

Há livros, livros e depois há livros. 

Há histórias de encantar. Romances. Policiais. Ficção Cientifica. Mundo encantado. Histórias de vida e baseados em factos reais.

Depois há histórias contadas numa espécie de relato encantado, que nos transporta por toda a história como se fossemos assistentes de toda aquela trama. Há narradores que nos permitem parar para absorver os mais pequenos fragmentos do momento. Não só para que passe a ser nosso também. Mas para que o pensemos. Para que lhe possamos dedicar o tempo que merece.

O livro «O Deus das Pequenas Coisas» foi escrito há 20 anos pela Arundhati Roy. Foi o seu primeiro romance e foi vencedor do Booker Prize em 1997. 

A autora só voltou a publicar ficção 20 anos mais tarde. Este ano.

 

Ao ler a contracapa do livro, verão na descrição que «O Deus das Pequenas Coisas» nos conta a história de três gerações de uma família do Sul de Kerala.

O que é verdade.

Mas tal como acontece com as musicas, que depois de ouvirmos passam a fazer parte de nós; o arranjo diz-nos algo de especial, a letra faz sentido para determinado momento da nossa vida. Também as histórias são por nós percecionadas de formas independentes.

Para mim conta a história de três gerações de uma família do sul da Índia. Conta uma história de preconceito entre pessoas da mesma cor e da mesma nacionalidade. Conta uma história de desrespeito e preconceito baseado na condição social. Conta a história da hipocrisia vivida por quem se alimenta das aparências. Conta a história da maldade humana. Da crueldade. Da frustração direcionada ao animal humano mais próximo. Mais frágil. Conta, como na vida real, o facínora fica tantas vezes impune. 

Conta uma história de amor. De como o amor pode acontecer. De uma forma tão diferente daquela que os filmes nos transmitem.

Não gosto de marcar passagens de livros. Guardo comigo a viagem de o ter lido e a mensagem que me transmitiu. Mas neste caso tive de guardar algumas passagens, porque há palavras que colocadas em conjunto criam uma harmonia perfeita e dizem mais do que a frase que compõem. Neste livro são tantas, mas tantas, que tive mesmo de marcar.

Estas foram as passagens que marquei (havia 1000 outras):

«Que besta em particular, o Camarada Pillai não disse. À procura do homem que vive nele, talvez fosse o que queria dizer, já que decerto besta alguma jamais experimentou a ilimitada e infinitamente inventiva arte do ódio humano. Besta alguma o consegue igualar em alcance e poder.»

«Não foi inteiramente culpa sua viver numa sociedade onde a morte de um homem pode ser mais lucrativa do que a vida alguma vez foi.»

«O impulso subliminal do homem para destruir tudo aquilo que não consegue subjugar ou deificar.»

 

Ficou ainda para mim a história cómica do homem que tinha dois gémeos. Mas essa meus caros, se a querem saber, têm de ler o livro.

 

Pessoas que admiro: Elena Ferrante

Gostaria de ter uma foto para ilustrar esta pessoa cuja forma de escrita tanto admiro. Gostaria. Mas tal não existe. E não existe porque o nome «Elena Ferrante» é um pseudónimo de alguém que, sabiamente, decidiu escrever sem se identificar.

Este é mais um dos motivos pelos quais admiro esta pessoa.

Nos tempos que correm, em que se fazem juízos de valor e julgamentos sumários a troco de nada, a verdade é que escrever de forma livre se torna cada vez mais numa espécie em vias de extinção no mundo das palavras.

O peso da opinião publica censura a liberdade criativa e, embora muitos clamem para que se mantenham livres os que criam, a realidade a que assistimos é que toda e qualquer pessoa pode hoje trazer consigo um lápis azul, e, sem como nem porquê, começar a riscar. A riscar. A riscar. Até que aquele que escreve se sente na obrigação, para se preservar a si e aos que ama, de se censurar antes da censura chegar.

«Elena Ferrante» deu algumas - poucas - entrevistas, tendo respondido apenas por escrito. O contacto é sempre feito através da sua editora e as respostas podem ser pensadas e ponderadas.

Já houve várias tentativas para descobrir quem é a pessoa que está por detrás deste pseudónimo. Há quem acredite que seja um autor italiano (homem) que adotou este pseudónimo enquanto escritora mulher; mas a grande aposta está em que «Elena Ferrante» seja o pseudónimo de uma italiana com origens germânicas que trabalhou durante muitos anos enquanto tradutora.

Eu digo que pouco importa. O que me interessa a mim é a arte.

Nas poucas entrevistas dadas pela autora esta esclarece que (e estou a parafrasear): a imagem tolda a forma como as pessoas percecionam o outro. O que é totalmente verdade.

Existe uma imagem do que é um escritor e se essa imagem não for «entregue» é como se se perdesse a credibilidade da obra. A outra razão que a mesma esclarece tem que ver com a sua liberdade criativa. Por regra, e não poucas vezes, é feita a tentativa de escarafunchar na vida de quem escreve, com o objetivo único de encontrar histórias tristes que preenchem programas da tarde para entreter comadres. Existe esta necessidade impiedosa de comparar a vida de quem escreve com a dos personagens, sempre que o que se relata traduz sentimentos e momentos de vida triviais e comuns.

Assim é-lhe possível manter a sua vida tranquila nos termos que pretende (no anonimato), podendo criar livremente sem ter o peso do julgamento e da censura.

Descobri esta autora este ano, li o livro que abarca a compilação das suas primeiras 3 histórias e o primeiro volume da tetralogia da «Amiga Genial». Adorei e falarei de cada um dos livros muito em breve.

 

Um filme e um Livro: A rapariga no comboio

O livro estava em todos os escaparates, assim como quem nos obriga a olhar para ele. Tinha vendido mais de um milhão de cópias. Mas eu normalmente não me deixo levar pelo que as outras pessoas compram. Por isso fui adiando a compra, sempre a pensar que «lá porque toda a gente gosta não quer dizer que seja bom». As criticas eram fantásticas em qualquer quadrante. E eu, depois de ver o trailer do filme decidi comprar o livro.

Gosto sempre de ler o livro antes. Normalmente é melhor. Gosto que me contem a história.

Quando peguei no livro para ler as primeiras páginas, mesmo antes de comprar, fiquei com a nítida sensação de que ia gostar. Adoro livros em que os capítulos «são» a visão das personagens. Livros em que várias personagens nos contam a história vista da sua perspetiva.

É assim o livro.

Pelo caminho achei que sabia quem era o responsável pelo menos 5 vezes. Não acertei em nenhuma. Ou melhor, ainda tive uma leve sensação mas a escritora conseguiu sempre mandar-me «olhar para o lado».

A história é envolvente e estamos mesmo à espera de chegar ao fim para saber como tudo aconteceu.

Muito bem escrito e de uma criatividade incrível.

 

Esta semana saiu para os TV Cines o filme. Vimos.

O livro é sempre melhor, mas neste caso o filme está muito bem conseguido. É complicado colocar a perspetiva de vários personagens em pouco mais de 90 minutos, mas o argumento e a realização conseguiram fazer isso mesmo.

Adorei. Só uma das personagens não foi ao encontro do que eu tinha imaginado. De resto bateu tudo certo.

A Emily Blunt faz um papel extraordinário, incorpora perfeitamente a personagem.

Um filme que vale a pena ver, sem margem para dúvida.

 

 

 

 

Clube de leitura Cocó

(o livro de que fui falar)

 

Já tinha visto no blog a menção a este clube de leitura. Nunca tinha ido a um clube de leitura, de maneira que, quando percebi que esta ultima sessão ia ser na FNAC do Colombo decidi inscrever-me. Afinal de contas já há algum tempo que faço isto de tentar ler o mínimo e um livro por mês, por isso estava apta para participar.

Inscrevi-me. Inscrevi o Nuno.

Ontem lá fomos os dois. Fomos os primeiros a chegar, mas nós não contamos porque a trabalhar ao lado do Colombo não é uma corrida justa.

Ora pois que se juntou um grupo de 18 pessoas, umas munidas com um livro (como eu) outras com 3. 

Um grupo maioritáriamente de mulheres, onde os dois homens presentes (O Nuno e o Francisco) estiveram à altura com as suas leituras.

Não sabia o que estar à espera e adorei. Nunca acho grande graça a ler as criticas dos entendidos, mas gosto de ouvir pessoas que são simples leitores a dizer o que acharam de determinado livro. Parece-me sempre mais natural e fiável. Não sei, se calhar coisas da minha cabeça.

Desta sessão do clube de leitura trouxe alguns livros que tenho mesmo de ler, "O meu irmão" que já tive para comprar diversas vezes mas foi ficando, ficando. "A verdade sobre o estranho caso de Harry Quebert", que fiquei com curiosidade de ler, mas até acho que o Nuno vai gostar mais do que eu. O "Soldados de Salamina", outro livro de que nunca tinha ouvido falar, mas que me pareceu fantástico. E "A máquina de fazer espanhóis" que fiquei a saber ser uma leitura "pesada" e densa, mas que compensa ler. Fiquei ainda com vontade de ler "A Sibila" e de voltar a ler o "Aparição" que li há muitos anos quando andava na escola e agora mal me lembro da história.

Em resumo, juntou-se um grupo engraçado de pessoas que gostam genuinamente de ler, para falar de uma coisa que gostam, livros. Rimo-nos bastante, especialmente com a Diana, que era um prato e tem uma demanda de ler mais de 500 livros de uma lista de livros para ler antes de morrer. Vai em 70, o que significa que está bem lançada.

O Francisco, um menino de 8 anos que foi com a mãe e que, também ele nos falou do livro que tinha lido, é um doce e espero que leia mais pelo menos um livro para nos falar dele na próxima sessão.

Venham mais sessões, eu espero poder ir às próximas porque gostei muito.

 

Diário da nossa paixão / Notebook

Há 12 anos vi o trailer do filme. Adorei, mas não tive oportunidade de ir ao cinema ver. Assim que o encontrei no videoclube (sim quando ainda se alugavam DVD's fisicos) aluguei e sabia que is gostar. Não gostei. Adorei. A historia de amor. Daqueles que ultrapassam o tempo, as maleitas da vida e todos os percalços. Aquela que sempe quis para mim. )

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Sabia que o filme era inspirado nim livro. Mas nunca o li. Mais tarde comprei vários livros do Nicholas Sparks que adorei, mas este...este estava no filme que eu adoro. Achei que estava na altura de perceber como se escreve uma história tão bonita. Surpreendi-me quando vi que o livro era pequeno. Pensei "devem ter melhorado a história para ecrã. Nada disso. O livro está brilhante. O meu preferido do Nicholas Sparks. Prova que não são precisas 500 páginas para contar uma história. E conta-la bem. Para quem ainda não leu aconselho.

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Só tem um defeito

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Sabe a pouco e, tal como disse o Miguel Esteves Cardoso aqui, espero que venham mais.

É verdade que tem pouco mais de 100 páginas.

É também verdade que, de acordo com o Pacheco Pereira - que às vezes era pessoa para estar melhor era como as freiras, em voto de silêncio - não conta como um livro lido porque tem menos de 250 páginas (saliento que é a opinião do Pacheco e não a minha, que já li coisas com 5 centenas de páginas com menos conteúdo e interesse).

É ainda verdade que não consegui ler todo de uma empreitada só, mas isso é derivado da meu estado permanente de sonolência.

Dito isto.

Está muito bem escrito. Sem palha. Sem inventar e arranjar frases para dizer em páginas sem fim o que claramente pode ser dito em poucas linhas.

Posso dizer que aprendi alguma coisa útil e que acabei o livro uma pessoa mais culta do que quando o comecei. Quantas vezes podemos dizer isto de um livro.

Não sou ninguém para recomendar coisas, mas, tenho a dizer...

...meus tucanos roxos com pintas peludas acinzentadas que correm pelas pastagens densas, ide comprar o livro do RAP, só tendes ganhar com isso.

E depois não digam que não sou vossa miguinha...

 

Bloco de notas - a ter em mente se tiver mais um filho

 

1. Não ter pressa com o quarto. É inútil. O Ricardo tem quase ano e meio, ainda dorme no nosso e não há perspectivas de mudança. O dele, que estava lindo e imaculado, é agora quase um quarto de arrumações. Valeu bem a pena!

2. Reler alguns livros mas não todos. Saber de algumas coisas, mas não de todas. Tentar ser mais relaxada e não pensar que é preciso chamar o INEM porque a criança de engasgou com o leite.

3. Não comprar coisas inúteis como...carrinho. Acaba por ficar sempre na bagageira a ganhar ácaros. E quando não fica parece mais um elemento da família que está a ser passeado. O puto não lá quer pôr o befe.

4. Não comprar coisas inúteis como...um parque. A criança não quer ficar confinada ao rectângulo e depois só serve como cesto de brinquedos. E para esse serviço há coisas mais pequenas, mais fofas e que ocupam menos espaço no IKEA (e mais baratas claro!).

5. Comprar coisas úteis como...uma aranha. Dizem que á o inferno na terra mas isso vem certamente de alguém que tem sempre alguém em casa para tomar conta da criança, que come sempre fora e que não tem nada para fazer. Se estivesse sozinha a tempo inteiro com o terrorista cá de casa não sei como é que fazia. Não fica no parque, ainda não é de confiança para andar sozinho e não fica sossegado em sitio nenhum (como seja num tapete de brincar. Ora como é que uma pessoa, se estiver sozinha vai à casa de banho? Faz xixi com a criança ao colo. Como é que lhe prepara o almoço? Como é que arranja uma sandes? Ah pois é!

Para já é isto. Se me lembrar de mais aviso.

O Nuno e a feira do livro

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O Nuno é um tipo sem vícios. Não fuma, não bebe, não joga. Tá bem, lá compra uma raspadinha ocasionalmente, mas é mais para me calar o queixume de que nunca ganho a sorte grande. A única coisa que se pode assemelhar a um vicio são os livros. O homem tem uma compulsão por comprar livros. Está com neura é leva-lo à FNAC e dizer-lhe, vá escolhe lá um para levar.

Não é dado aos romances, ainda que já tenha lido alguns. Mais por insistência minha que por vontade própria. Que se puder é só politica e espionagem para a tola.

O homem vibra com a feira do livro. Fica pior que uma gaja em centro comercial na época de saldos.

O ano passado estava com a expectativa em alta, ia com o filho pela primeira vez à feira do livro. Assim que descemos o Parque Eduardo VII e chegámos à primeira banca a criança desata num pranto que ninguém conseguia acalmar. Tentámos, tentámos mas não fomos capazes de estar ali às voltas com ele aos gritos. Não passámos da primeira banca e nem me lembro se comemos a fartura da praxe.

Este ano, com o tipo mais gingão e um reconhecido vadio que quer é laréu, as expectativas estavam ainda mais altas.

Foram superadas.

Fomos à feira do livro no sábado. Estava “carregada” de gente. O que me deu um imenso gosto. Ver pessoas às compras de livros, deve ser, penso eu de que, um bom sinal. O campeão estava para lá de feliz e até tirou fotografias com um pássaro. Todo contente. Eu, aliás como sempre, comprei mais livros do que ia comprar. Ai vou só levar 1 ou 2, se tanto. Acabei com quatro.

O Nuno levou o que queria e viemos embora porque havia mesmo muita gente e nós somos um bocado bichos do mato. Não somos dados a grandes confusões.

O pequeno? Podia lá ter ficado até fechar.

Este ano fomos à feira do livro e foi bom. Foi bom passear entre as bancas, ver gente a folhear páginas, rir com as gargalhadas do pequenos quando via os livros dos bonecos. Passear no parque, correr na relva e comer uma fartura.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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