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Em busca da felicidade

Bora viver para a Suíça e sacar quase 60 mil euros

albinen.jpg

 

 A aldeia de Albinen na Suíça está a oferecer 21 mil Euros para quem queira ir para lá viver. Assim, 21 mil euros por adulto e quase 9 mil euros por criança, e isto apenas para que queiramos ir para lá viver.

Lendo as letras garrafais da noticia dá-se um certo calor interior, afinal de contas um total de quase 60 mil euros só para me mudar é coisa para ser uma quantia agradável e fofinha. Vai daí, já com as malas a meio caminho, com o sonho de correr pelos campos verdejantes e saldar por cima das ervas densas, o idealizar de momentos retirados de um qualquer contos de fadas com uma casa de madeira em formato de chalé e neve ali mesmo ao lado para fazer bonequinhos e anjinhos deitada no chão enquanto se me enregelam as cruzes. No meio de tudo isto aproveito a fila de transito para ler a noticia de fio a pavio.

Confirmo que os suíços, espertos como ratos, também não andam para aí a dar dinheiros à doida. A aldeia de Aldinem fica no interior, longe das cidades, tem menos de 300 habitantes e quase não há postos de emprego. As ultima escola que havia foi fechada porque não havia crianças. Ou seja, para quem se mude vai ter de andar a percorrer quilómetros de carro para arranjar emprego noutra cidade qualquer e ainda tem de andar com os filhos à escola pois naquela aldeia bonitinha perto dos Alpes nem sequer há quem lhes ensine o abecedário.

Mas não acaba aqui, quem queira ir viver para Albinem tem ainda de fazer um investimento mínimo de 200 mil euros na compra de uma propriedade e esta tem de ser, forçosamente, uma habitação própria permanente, ou seja não dá para investir e fazer daquilo uma espécie de airbnb, nada disso, é para ir e ficar.

Por quanto tempo?

Ora pois, nada menos do que 10 anos. Em caso de desistência anterior a pessoa tem de devolver o guito todo ao Estado Suiço.

Ou seja, para quem pense que vai para uma vida de sonho tire daí a ideia. Não só vai viver para o meio do nada, literalmente, como ainda por cima tem de gastar uma nota com uma casa no meio do nada. Para receber os dinheiros têm ainda de se comprometer a gastar uma década da sua vida com a sua morada fiscal numa localidade que fica longe da escola dos filhos e do emprego. Em resumo, é pior que ir viver para o Pinhal Novo e continuar a trabalhar no Tagus Park, porque aqui ainda leva com a neve uma e as extremidades enregeladas uma boa parte do ano.

Obrigada senhores da Suíça, vou passar.

 

Podem ler a noticia completa aqui.

 

Filme: "La la Land"

 

Sentei-me a ver o filme com o meu ceticismo no máximo. Confesso que estava certa que ia achar o filme uma chachada, mais uma daquelas coisas que ninguém entende e que toda a gente gosta porque um qualquer critico algures disse que era brilhante.

Tanto burburinho pareceu-me que a montanha ia parir um hamster anão.

Vai daí e pomos o filme, no fim dos primeiros 5 minutos, e perante a minha cara, o Nuno pergunta:

- Queres que mude?

E eu:

- Deixa estar mais um bocado. Já agora quero ver no que isto vai dar.

Esta mesma conversa aconteceu pelo menos mais duas vezes. Vimos o filme até ao fim. Ambos adorámos o final, a forma como foi pensado, criado, dirigido.

Adorei.

Sei que é um cliché dizer isto, mas: não sou fã de musicais.

Ou se calhar penso que não sou porque acho que é uma coisa lamechas e eu não sou dada a lamechices. Porque a verdade é que não vejo por resistência. Os que calhei a ver por acaso adorei, e voltaria a ver com gosto.

Um deles foi o Moulin Rouge.

O outro foram "Os Miseráveis", em que eu só soube que o filme era um musical quando vejo o Russel Crowe a cantar. Adorei o filme, e olhem que ver aquele homem a cantar é coisa para fazer uma pessoa esquecer o balúrdio que pagou para ver o filme e pôr-se a andar dali p'a fora.

Por isso quem ainda não viu o La la Land, favor ver. Eu cá acho que vale bem a pena.

 

Uma opinião cá minha sobre esta coisa dos Blogs do Ano

blogs do ano.png

 

Para que iniciemos esta dissertação da melhor forma possível vou começar por falar da vaca branca que está no ecrã. Sim, eu gostava de ganhar os Blogs do Ano, antes disso, eu gostada bueda mesmo de ser sequer nomeada. Quem tem um blog tem-no porque gosta de escrever, mas também porque gosta de partilhar e fica carregada de jubilo quando há quem lê.

Ponto.

Eu não sou exceção.

Não tenho qualquer hipótese de qualquer das coisas, sou menos do que um grão de areia e faço isto porque há meia dúzia de gatos pingados que leem, ainda que, para ser franca, haja muitos dias em que pense que havia de mandar isto às couves e dedicar-me à plantação de beringelas orgânicas uma horta comunitária.

“Ah, mas em primeiro lugar deves escrever para ti…” e bla-bla-bla, pardais ao ninho, conversa da chacha. Quem escreve num espaço e publica fá-lo com o objetivo de que alguém leia. Fá-lo à procura de que outros gostem. Se fosse só para si anotavam as coisas num caderno e enfiavam na mesa de cabeceira.

Não me venham com tretas que eu não tenho paciência para conversa de encher chouriços.

 

Dito isto, tenho algumas considerações a fazer a esta excelente iniciativa.

Os Blogs de Portugal começaram no ano passado. Sendo a primeira vez, já sabíamos que havia alguns nomes que tinham de ser nomeados e que, de entre esses, eram mais do que conhecidos os favoritos. Não há discussão. Há blogs que definiram o conceito de blog em Portugal enquanto elemento de criação de conteúdos, enquanto fonte de rendimentos, e essas pessoas – bem como os seus espaços – tinham de ser reconhecidas. Quanto a isto não há nada a referir.

Ultrapassada esta questão essencial, parece-me um pouco redundante e mais-do-mesmo, que os vencedores da edição do ano anterior sejam candidatos no ano seguinte.

“Ah, mas ó Cátia as pessoas têm direito e leuleuleu…!”

“Ah, mas ó Cátia isto não é a da Joana e cada um tem de fazer por si, se querem ganhar têm de ter um espaço melhor e larailailai…”

“Ah, mas ó Cátia isto se continuam a ser os favoritos são os favoritos e bleubleubleu…”

Certo, tudo certo. Os argumentos estão todos certinhos como a vida. Mas depois as coisas na prática têm um efeito de espiral, senão vejamos:

  1. Os blogs que foram selecionados no ano passado já têm uma dimensão grande, pelos anos que têm disto e pela panóplia de seguidores que granjearam;
  2. Ao serem selecionados como candidatos passam a ter ainda mais seguidores, porque quem não seguia vai conhecer e, como seria de esperar, muita gente que não seguia passa a seguir, que mais não seja para perceber o que é que os outros veem no espaço. A lógica do “se tanta gente gosta é porque deve ser bom”.
  3. Quando ganham não ficam só com o prémio, há um mediatismo associado, uma exposição de que ainda não gozavam e também aqui se repete o fenómeno referido no ponto 2.

Ou seja, quando são candidatos no ano seguinte têm ainda mais seguidores que no primeiro ano, o que deixa quem chega de novo um pedaço descalço perante quem está em toda a parte.

Na minha modesta opinião, estes concursos deviam ser como a Miss Mundo, quem ganha entrega a coroa no ano seguinte. Ou seja, dá lugar a outro. Se quisermos foi isso que aconteceu com o Por falar noutra coisa, este ano retirou-se do concurso e isso fez com que um espaço espetacular tivesse mais hipóteses, o Bumba na Fofinha.

Gosto muito dos espaços que ganharam, sigo-os e compreendo perfeitamente que concorram, afinal de contas acredito (mas não sei) que quando ganham acabem por colher frutos (a nível financeiro). Mas gostava de ver uma coisa mais clean, onde fosse possível que outros espaços, tão bons ou se calhar até melhores (não sei, não conheço todos) tivessem uma oportunidade de ganhar.

Uma opinião, um pensamento, um lai-lai-lai pardais a ninho muito meu, que sou pessoa para gostar de viver num mundo que não existe.

Filme: Eddie "The Eagle"

São tantas e tão poucas as coisas que se podem dizer sobre esta história. A superação humana. O trabalho, a dedicação, a vontade; acima do dito «talento».

Sei que me transformei numa mariquinhas pé de salsa.

Mas comovi-me várias vezes. Chorei várias vezes. Tapei a cara quando pensei que ele se ia partir todo.

Depois limpei as lágrimas e procurei-o no Google. Tem esta página. 

A vontade de facto pode ser mais forte que tudo.

 

 

Epicrítico e Protopático

Epicrítico - Que tem uma sensibilidade fina, especifica e localizada ao tacto, à pressão, à dor ou á temperatura, por oposição ao protopático.

Protopático - Que tem uma sensibilidade grosseira, pouco especifica ou pouco localizada ao tacto, à pressão, à dor ou à temperatura, por oposição ao epicrítico.

(informações disponíveis no dicionário Priberam

 

Gosto e usar o dicionário, saber o que as palavras são e o que podem ser, até porque muitas vezes têm mais significados do que aqueles que eu conheço para lhe atribuir.

 

Sempre gostei de me rir. Sempre gostei de brincar com as palavras. Tiro gozo de fazer pouco das circunstâncias da vida, até porque, de outra forma é tudo tão mais cinzento, tão mais forçado, tão mais rígido.

Gosto de pessoas que não se levam demasiado a sério. Gosto de não me levar a sério e é exatamente por isso que faço pouco de mim, das minhas escolhas, da minha cabeça, do que sou e das decisões que tomo. É possível que seja a minha forma de lidar com a aspereza da vida, mas lá está, cada um com a sua.

Apetece-me contar uma história.

Quando era miúda tinha uma amiga que vou chamar de Maria. Assim só Maria. Não nos vemos há muitos anos e estou certa que é algo bom para ambas. Esta minha amiga comportava-se como se fosse a mais especial das raparigas: o que ela fazia era o que estava certo, o que ela dizia era perfeito, os cadernos dela eram os melhores, as pessoas de quem ela gostavam eram sempre as mais fixes; os outros andavam por ali.

Eu nunca fui líder de nada. Nunca fui especial para coisa nenhuma, mas também nunca tive perfil para ser um mamífero ruminante e lanífero da espécie Ovis, vulgo carneiro. No meio de todos os defeitos que assumo ter há um que me orgulho de não constar da lista: não sigo as ideias dos outros só porque eles são fixes ou porque a maioria acha que sim. Penso pela minha própria cabeça, gosto de pensar pelo prazer de pensar, gosto de desconstruir os temas e é aí, nesse momento em que me avalio a mim mesma, que sou capaz de me rir das minhas fragilidades, das minhas escolhas, do que sou. É um processo de conhecimento que pode ser bastante divertido.Ou então não.

Mas voltando à Maria. Ela ria-se muito quando eu fazia pouco de mim mesma, concordava quando alguém fazia pouco das peculiaridades alheias, mas quando o tema era a própria tudo mudava de figura. Apenas ela podia escolher com o que fazer troça e só a própria podia faze-lo. Ela podia fazer troça dos outros, mas ninguém podia brincar com as suas idiossincrasias.

Descobri isto porque houve um dia em que ela se espatifou no chão porque, distraída, embrulhou os pés um no outro. Ri-me que nem uma perdida. Ri-me de forma incontrolada. Não demorou 5 minutos para que aquela amiga - que se ria quando eu fazia pouco de mim mesma por ser gorda - me oferecesse um tabefe. Não demorou mais de uma semana para que eu passasse a ser uma pessoa menos desejada no seu circulo de amigos.

Eu defequei para a situação. Como aliás faço sempre. Considerando que nunca tinha feito parte do rebanho, não me causou incomodo.

Mas deu-se o fenómeno da aprendizagem. Eu aprendi que as pessoas não são exatamente aquilo que nos dão a ver, que se melindram com pouco, que mesmo quando fazem pouco de si, se outra pessoa se atreve, sentem-se ofendidas e com uma espécie de refluxo esofágico de defesa. Tantas vezes injustificado.

Nos dias que correm isto acontece mais vezes do que seria de esperar. Apesar de ser espectavel, com o acesso à escolaridade para todos, que a capacidade de interpretação estivesse mais apurada. Acontece porque as pessoas se ofendem a troco de nada. Porque quando leem ou ouvem algo garantem a retenção exclusiva de um conjunto de palavras e, a partir daí, fazem as extrapolações que entendem, resultando estas, na maior parte das vezes, em manifestações de melindramento, ofensa, repulsa pelo outro e no bendito refluxo de defesa. Mesmo que não haja nada que de tal careça.

Deve ser da celeridade dos dias, ou quem sabe do calor, ou do frio, ou de uma qualquer necessidade de indignação que parece pairar como o vírus da gripe.

O facto de as pessoas se ofenderem com as palavras alheias resulta, muitas vezes, de um profundo narcisismo, até porque, exceção feita para os casos em que o nome da pessoa é apontado, é preciso que a pessoa ache mesmo que é, não só a melhor bolacha do pacote, como a única; para sentir que alguém está a tentar fazer pouco de si.

Quem escreve tem vida, espera-se que tenha mais que fazer, por isso não levemos tão a peito as palavras. Essas só nos magoam se deixarmos. Não são socos.

As palavras, os textos, esses que deviam ser interpretados e que hoje são absorvidos de forma literal, como se nenhuma outra função pudesse ser atribuída a uma palavra.

Há umas semanas reli esta crónica do Ricardo Araújo Pereira e, infelizmente, voltei a adorar. Vou explicar: infelizmente porque era melhor que não fosse assim, que ela não tivesse de ter sido escrita. Convido-vos a ler também, a ler e a refletir. A fazer um exercício simples: quando lerem um texto escrito por alguém demorem o tempo que for preciso, garantam que leem todas as palavras, assegurem-se que não se estão a agarrar a duas ou três que vos são mais próximas, desconstruam o texto e pensem em tudo o que pode estar dito. Pensem sobre as palavras escritas e depois reflitam. No fim vão ver que não há nada para se indignar, nada para justificar, nada para ofender. No fim, nada do que lá está é sobre vocês.

É um exercício que carece de treino, mas no fim é compensador.

Tenham uma boa semana.

 

Filme: Wiskey Tango Foxtrot

 

Podia gastar aqui 1000 caracteres a encontrar as palavras certas para descrever este filme. Mais um que não teve a projeção que merecia. 

Mas acho que a melhor coisa é dizer: vejam. 

Está excelente!

Produzido pela Tina Fey.

Atriz principal: Tina Fey.

 

 

 

Os brutos também procuram a felicidade

Existe uma ideia fantasiosa, mas muito atual, de que as pessoas que procuram a felicidade têm todas um determinado perfil. Não se apoquentam, não gritam, não têm maus dias; até porque para esses arranjam sempre uma frase inspiradora que tudo resolve.

As pessoas felizes têm sempre fotografias coloridas no Instagram, têm textos sobre o interior de si mesmos no facebook, comem sempre muitas bagas de coisas várias e nunca se fartam das suas opções. Aparentemente as pessoas felizes nunca se arrependem de nada. Não se passam dos carretos e sabem que as decisões tomadas foram sempre «a melhor com a informação que tinham à data».

As pessoas felizes têm roupas de cores leves e têm fotos tiradas por pessoas sorrateiras que as apanham a pensar no jantar quando estão à beira mar pontapeando as ondas com o biquinho do pé por forma a tapar a parte menos jeitosa da perna pousada.

As pessoas felizes têm tralha de praia a condizer e acham que os cocós dos filhos cheiram melhor que o perfume francês mais caro (estava a tentar lembrar-me de um nome mas não me ocorre nenhum porque sou pobre, e o ultimo perfume que comprei era do Boticário).

Estas pessoas felizes amam-se sempre buedesde e nunca dizem «fodasse ou foda-se lá mais esta merda!», as pessoas felizes de alma dizem «ora bolas!» e seguem à sua vida.

As pessoas felizes, aparentemente, não sabem o bem que faz à alma mandar uma valente caralhada quando as coisas correm menos bem. Para não dizer: quando correm mal como a porra! Não sabem o prazer de mandar o windows para a puta que o pariu quando o cabrão insiste em não abrir o Excel que precisamos. Não sabem o que é chamar de cabra à gaja boa que aparece no Instagram, porque desejamos profundamente ter umas nalgas iguais às dela. As pessoas felizes, sempre felizes, não sabem como sabe bem ser bruto com a vida.

Gosto de frases bonitas e de fotografias bem tiradas. As ultimas até as invejo, para dizer a verdade. Gostava de ter talento com a máquina, mas o talento não quer nada comigo em vertente alguma. O mal das frases é que se parecem tanto a lugares comuns. O enfado é que muitas vezes (e digo muitas, não todas) parecem saídas de vidas que não sabem lá muito bem o que a vida custa. Mas lá está, também não têm de saber.

«Sabemos lá nós da vida dos outros!», foi uma frase que me ficou. Porque é verdade; sabemos sempre bem como gerir a vida dos outros, como achar que podem fazer o que nós fazemos, mas sabemos lá nós dos contornos da vida alheia.

«Ser feliz é uma escolha!", já li, já ouvi, já contestei. Ser feliz não é uma opção como a cor da camisola que se veste. Aliás, se pensarmos bem nem essa, até a camisola que vestimos está disponível num numero limitado de cores. É como a felicidade. Está limitada a um numero de momentos. Alguns de nós são agraciados com mais, outros com menos. Alguns têm a capacidade de perceber quando a felicidade lhes bate à porta, outros só dão por ela quando estão novamente na fossa.

Ser feliz não é uma escolha (na minha modesta opinião), nem tão pouco é uma condição (outra vez na minha modesta opinião). Ser feliz é um momento, que se segue por outro menos feliz, que se segue por outro raivoso, que se segue por outro indiferente, que se segue por outro feliz, que se segue por outro infeliz e por aí em diante.

Cada um encara a sua felicidade de maneira diferente.

O brutos fazem-no à sua. Sem frases feitas. Sem o nascer nem o pôr do sol atrás; muito provavelmente porque no primeiro estão a caminho do trabalho e no segundo ainda estão por passar a 25 de Abril.

Eu vivo na categoria dos brutos.

Ainda assim gosto dos Instragrams coloridos. Aliás é um ponto de melhoria para o barraco: criar uma conta como deve de ser no Intagram, uma coisa que valha a pena ver. Mas também gosto de coisas divertidas, que me tirem uma gargalhada de quando em vez. Aquela coisa do: «acredita em ti!» de segunda à sexta é um pouco de amor próprio a mais para mim.

Não gosto que me digam que: «não se dizem essas coisas», como se existissem frases da felicidade e frases do diabo; como se mandar alguém à merda fosse sinonimo de falta de amor próprio. Muito pelo contrário.

Que se dê um desconto aos brutos, eles também procuram a felicidade.

 

#afinfanamotivação

#tambémseiinspirar

#senãosoubesseinspirarjátinhafalecido

 

O facebook e a feira da minha terra

Quando eu era miúda vivia numa vila pequena da Margem Sul que dá pelo nome de Corroios. Hoje já nem sei se é vila, se o que será. Mas também não importa para o caso. O que importa é que em Agosto dava-se o acontecimento do ano: a feira de Corroios. As ruas eram fechadas ao trânsito e davam lugar às bancas dos feirantes: pipocas, algodão doce, cachorros quentes, mel, charcutaria diversa, chupas&rebuçados, mantas, rifas. Tudo acabava nos carroceis e nos carrinhos de choque. Os meus irmãos iam andar de carrinhos, atirando as viaturas uns contra os outros, eu, porque era pequena demais para essas andanças (e porque uma menina não anda à pancadaria em carros sujos), ia com os meus pais ao leilão dos cobertores. Era uma senhora gorda, que falava alto que chegasse para não precisar de um altifalante. Abria a porta da carrinha, repleta de mantas, cobertores, lençóis com folhos, toalhas de um turco nunca visto. Dava o mote para base de licitação e ali estávamos, a ver quem levava o cobertor com o desenho do leão para casa.

Até chegarmos à dita carrinha cirandávamos pelas outras bancas. Raras vezes íamos comprar alguma coisa, por isso o recado: «veem com os olhos, não se mexe no que não se vai comprar, não se chateia quem está a trabalhar». A minha mãe gostava pouco daquela gente que, aos seus olhos, fazia pouco de quem trabalhava. Porque eles andavam sempre por ali. Entravam nas bancas, mexiam em tudo, criticavam o produto, perguntavam o preço, criticavam o preço, que o bem «não vale isso nem que você se pele», pousavam o bem, criticavam o vendedor, não tinha jeito para atender os clientes, assim não havia de vender nada.

Estas pessoas nunca estiveram interessadas em comprar nada. Umas porque nem dinheiro tinham, outras porque achavam interessante fazer pouco de quem vendia na feira. Eles que trabalhavam em escritórios ou em lojas finas de perfumes eram muito melhores que «aquela gente».

Hoje acho que estas pessoas têm todas contas no Facebook, entram nas páginas públicas dos outros e, apesar de não gostarem do que são, ou apesar de os invejarem, ou seja lá pelo que for, entram. Para eles é o mesmo que entrar numa loja para implicar com o dono, implicar com a vendedora. Criticam o que a pessoa é, o que a pessoa disse, o que a pessoa não disse, o que a pessoa vai ser daí a 5 anos e ainda regateiam a profundidade da bosta que dizem.

É a feira de Corroios chutada para a estratosfera digital. A massa de gente que vai, gosta. Quer que a feira volte. Respeita. Depois há os nichos de gente que ciranda a terra como se estivessem a fazer um favor a Deus nosso Senhor. São uma espécie de bullys sociais, ou apenas os idiotas que antigamente se sentavam ao canto da taberna, mas agora têm um telemóvel com touch screen.

 

Tenho um profundo respeito pelo Nuno Markl, faz-me rir, e eu respeito pessoas que, sem me serem nada, me alegram o dia. Penso que de todos os humoristas é o mais inofensivo. Não que os demais sejam ofensivos, acho que não há nenhum de que não goste, e adoro os mais ácidos. Fazer rir não é fazer mal. Fazer mal é deixar um animal abandonado à sua mercê, preso num rail. Fazer mal é ver alguém cair e, em vez de lhe estender a mão, desviar-se para que não impacte 2 cagagésimos o seu dia. Fazer mal é sair do meu caminho para ofender alguém só porque essa pessoa disse o que pensava.

 

A maldade das pessoas resume-se à sua frustração, má formação, ignorância e maldade. Fazer rir é um trabalho difícil e pessoas como o Nuno trabalham todos os dias para alegrar alguém, para arrancar uma gargalhada num dia de merda. Essa é a vitoria do seu dia de trabalho. Vejam como é difícil.

Ser humorista não é ser médico, mas quando estamos na merda e nem os médicos conseguem ajudar só há uma coisa a fazer: rir. Rir muito disto tudo.

 

Hoje, quando vi a mensagem do Nuno Markl no Instagram lembrei-me da feira da minha terra. Lembrei-me das pessoas que entravam nas bancas de quem estava a trabalhar, não queriam comprar nada, só queriam estragar-lhe o dia.

 

Espero que o Nuno pense o mesmo que a senhora das toalhas de mesa e saiba que: «estes cabrões só para aqui vêm para me dar conta da mona». Que os mande pastar e nos continue a fazer rir, mas rir muito. Eu cá sei a falta que ele me faz todos os dias a caminho da 25 de Abril.

 

 

Querem lá ver que é um cachalote de tanga

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É sexta-feira e a cabeça rejubila de uma alegria imensurável, os neurónios dão-se a uma dança frenética que isto filmado cá dentro se assemelharia muito a uma qualquer gaiola das loucas. Vai daí e decido meter as minhas extremidades superiores dotadas de 10 falangetas ao serviço do mundo cor de rosa. Podia dar-me para pior, podia acordar com os espírito virado para a política, mas não. Decidi meter as ganfias numa coisa que afeta muito mais as nossas vidas que Bancos falidos e rendimento de inserção social.

Desta feita percorro a minha conta de Facebook - onde vós não ireis encontrar fotos de minhas pernas à beira mar, mas quem sabe das minhas falangetas inferiores soterradas em areia da praia - e deparo-me com a nova pancadaria de galhardetes que se vive. Mais uma vez com um participante num dos programas da SIC Caras, o que me leva a consolidar ainda mais o meu pensamento de que podiam aniquilar aquele canal e sugerir aos seres vivos que vivem de falar da vida dos outros, à falta de saber o que fazer com a deles, que arranjassem um emprego que produzisse alguma coisa para a sociedade.

Esta é apenas uma pequena nota, uma opinião, um pedido, um desejo, vá!

Pois então, e passando ao que interessa, diz que a querida Luísa Castelo-Branco, conhecida por todos pela sua beleza, admirável forma física, já para não falar da sua agradabilidade vocal (sendo que em nada se parece com um camionista de longo curso, nada, nada, nada) refere, a propósito de um vestido usado pela Sofia Ribeiro, que "ficava bem a uma pessoa com metade do peso dela".

Ora uma pessoa a ouvir um comentário destes fora de contexto é bem capaz de pensar que a querida Luísa se deparou com um cachalote em cuecas a caminho do Chiado. Mas não. Fala de uma outra mulher, que tem idade para ser sua filha e que é, por sinal, uma mulher lindíssima, que passou por algumas dificuldades em termos de saúde e que apesar de tudo isso, continua a ser uma gaja boa, como aliás a querida Luísa nunca foi.

Espanta-me que uma mulher que é mãe de uma outra mulher que foi tão satirizada por causa de um vestido há coisa de ano e tal, seja hoje tão cruel com uma miúda que tem idade para ser sua filha.

E não, querida Luísa, não estou a dizer que tem de gostar de tudo. Todos podemos ter a nossa opinião. Contudo há formas para dizer as coisas. Até eu, que estava na arrecadação a arrumar tralhas velhas quando distribuíram a classe lhe sei dizer que há formas mais simpáticas de se dizer, digamos que, o mesmo excremento.

"Já a vi com vestidos melhores", "este não lhe assenta tão bem", "gosto mais de ver este corte em pessoas mais esguias", sei lá, vocês é que recebem para ser comentadores, não eu. Mas parece-me que qualquer destas três frases ajudaria a transmitir que a Luísa não gosta, sem ser, como hei-de dizer...rude e camionista.

A Sofia por outro lado, revestida de amor e coisas, escreveu um post ou lá o que foi à Luísa, sentida pelo comentário da comentadora, ou lá o que é.

Compreendo que a Sofia se sinta melindrada pela frase, mas palavras são palavras, trapos são trapos, opiniões são guizos e temos de lhes atribuir o valor que merecem dependendo do impacto que têm na nossa vida, bem como a boca de onde saem. E muito francamente, depois de já ter gasto alguns minutos da minha vida a ver este magnifico programa de profundo interesse intelectual e cultural, nada me admirava que depois de proferir a frase um dos exemplares comentadores espetasse com uma mão cheia de tremoços na boca, assim mesmo com casca, desse umas valentes golfadas numa jola e num ato de classe continuo, libertasse um arroto profundo seguido de um, "vamos passar ao próximo". Assim mesmo, como quem tritura chicha para salsichas na Sicasal.

 

Humm, que tal, tenho jeito pró cor de rosa ou não?!

 

Feita que está a minha resenha, vou fazer cenas que de facto interessam para alguma coisa ao contrário disto.

 

*para quem não sabe e por forma a dar algum tipo de cunho intelectual ao supra descrito esclareço que um cachalote é  um "Mamífero cetáceo dentado, de comprimento até 20 metros, encontrado em mares temperados e tropicais."

 

E quem ganha o ordenado mínimo, como é que faz?

Estamos de pseudo férias. Não temos de nos apresentar ao trabalho, porque, lá está, estamos de férias. Mas a virose prendeu-nos em casa. Por isso não são bem férias, são uma espécie de descanso forçado com sopa sem azeite e com ausência de produtos com lactose.

Pensávamos que a coisa estava mais composta mas de manhã o pequeno acordou choroso, com dores, nem abria os olhos.

Não sei se já disse, tenho a ideia que sim, mas ouvir o meu filho chorar com dores é a pior dor que eu consigo sentir. No momento em que ele chora prefiro que me vazem uma vista a sangue frio em troca pela dor que ele está a sentir.

E sim, já sei que há coisas piores, que é uma dor de barriga, que lhe passa, que já teve antes e há de ter mais, que se me vazassem uma vista por cada vez que ele chorar por uma coisa pequena qualquer não havia globos oculares que me valessem nesta terra e tudo e tudo. Mas custa-me. Aguento-me e contenho uma lágrima quando a dor lhe passa e finalmente descontraio.

Tivemos de ligar ao médico. Não podia ficar como estava (e até hoje não tinha estado assim, tinha estado sempre bem disposto, sem vómitos). Aconselhou a compra de uns sumos na farmácia (depois faço um post sobre esses porque são mesmo bons e resultam a sério - para crianças e adultos (nós também bebemos)) e mais umas saquetas para juntar ao leite (hoje sem lactose).

Quando o Nuno chegou da farmácia:

- Fazes ideia de quanto custaram 6 sumos de 200 ml cada?

- Não.

- Quase 30 Euros!

Quase 30 Euros por 6 sumos de 200 ml cada. Só se vendem em farmácias. São bons? São. Se fossem o dobro, comprava? Comprava. 

Porque, felizmente, posso paga-los. Não sou rica. Longe disso. Tenho um carro usado e ando há mais de 6 anos para mudar de casa mas não posso porque não tenho como suportar uma renda superior. Mas ainda posso comprar estes sumos para o meu filho.

Depois penso, como faz quem ganha o ordenado mínimo? Sim, aqueles que o senhor da Padaria Portuguesa, que tira lucros de 400 % sobre um Pão de Deus, aqueles que têm de trabalhar mais não sei quantas horas para ganhar mais algum. Como fazem esses? 

Uma renda, uma prestação de carro, água, luz, gás, ATL ou creche, certo?

Como é que fazem estes? 

Desenrascam-se. Criam-se. Tudo se cria.

Mas não devia ser assim, pois não? Não é para isso que vejo uma batolada do meu ordendo ser descontado todos os meses. 

Depois falam-se em incentivos à natalidade, para ver se cada mulher atinge o objetivo dos 2.1 filhos. Palmadinhas nas costas, é o único incentivo que conheço.

Diz-se que dinheiro não traz felicidade. É verdade. Mas traz descanso. A possibilidade de dar aos que mais amamos, não tudo o que querem, mas todas as condições para que, com sorte, repito, com sorte, tenham o melhor futuro possível. Quem sabe melhor que o nosso. Quem sabe, melhor do que o ordenado minimo.

 

(nota complementar, os sumos não servem sequer para pôr no IRS. mas repito são bons, funcionam, e depois faço um post sobre isso)

 

Este post foi escrito 4ª feira à noite, muito tarde, cansada e sem vontade de o publicar na hora.

(feita a devda retificação do trás pelo traz...quem cá vem já sabe que sou meia analfabeta )

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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