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Em busca da felicidade

E quem ganha o ordenado mínimo, como é que faz?

Estamos de pseudo férias. Não temos de nos apresentar ao trabalho, porque, lá está, estamos de férias. Mas a virose prendeu-nos em casa. Por isso não são bem férias, são uma espécie de descanso forçado com sopa sem azeite e com ausência de produtos com lactose.

Pensávamos que a coisa estava mais composta mas de manhã o pequeno acordou choroso, com dores, nem abria os olhos.

Não sei se já disse, tenho a ideia que sim, mas ouvir o meu filho chorar com dores é a pior dor que eu consigo sentir. No momento em que ele chora prefiro que me vazem uma vista a sangue frio em troca pela dor que ele está a sentir.

E sim, já sei que há coisas piores, que é uma dor de barriga, que lhe passa, que já teve antes e há de ter mais, que se me vazassem uma vista por cada vez que ele chorar por uma coisa pequena qualquer não havia globos oculares que me valessem nesta terra e tudo e tudo. Mas custa-me. Aguento-me e contenho uma lágrima quando a dor lhe passa e finalmente descontraio.

Tivemos de ligar ao médico. Não podia ficar como estava (e até hoje não tinha estado assim, tinha estado sempre bem disposto, sem vómitos). Aconselhou a compra de uns sumos na farmácia (depois faço um post sobre esses porque são mesmo bons e resultam a sério - para crianças e adultos (nós também bebemos)) e mais umas saquetas para juntar ao leite (hoje sem lactose).

Quando o Nuno chegou da farmácia:

- Fazes ideia de quanto custaram 6 sumos de 200 ml cada?

- Não.

- Quase 30 Euros!

Quase 30 Euros por 6 sumos de 200 ml cada. Só se vendem em farmácias. São bons? São. Se fossem o dobro, comprava? Comprava. 

Porque, felizmente, posso paga-los. Não sou rica. Longe disso. Tenho um carro usado e ando há mais de 6 anos para mudar de casa mas não posso porque não tenho como suportar uma renda superior. Mas ainda posso comprar estes sumos para o meu filho.

Depois penso, como faz quem ganha o ordenado mínimo? Sim, aqueles que o senhor da Padaria Portuguesa, que tira lucros de 400 % sobre um Pão de Deus, aqueles que têm de trabalhar mais não sei quantas horas para ganhar mais algum. Como fazem esses? 

Uma renda, uma prestação de carro, água, luz, gás, ATL ou creche, certo?

Como é que fazem estes? 

Desenrascam-se. Criam-se. Tudo se cria.

Mas não devia ser assim, pois não? Não é para isso que vejo uma batolada do meu ordendo ser descontado todos os meses. 

Depois falam-se em incentivos à natalidade, para ver se cada mulher atinge o objetivo dos 2.1 filhos. Palmadinhas nas costas, é o único incentivo que conheço.

Diz-se que dinheiro não traz felicidade. É verdade. Mas traz descanso. A possibilidade de dar aos que mais amamos, não tudo o que querem, mas todas as condições para que, com sorte, repito, com sorte, tenham o melhor futuro possível. Quem sabe melhor que o nosso. Quem sabe, melhor do que o ordenado minimo.

 

(nota complementar, os sumos não servem sequer para pôr no IRS. mas repito são bons, funcionam, e depois faço um post sobre isso)

 

Este post foi escrito 4ª feira à noite, muito tarde, cansada e sem vontade de o publicar na hora.

(feita a devda retificação do trás pelo traz...quem cá vem já sabe que sou meia analfabeta )

Há dias em que me convenço ...

... que o melhor é escrever sempre sobre coisas inócuas.

Há dias em que me convenço que o melhor não é ter uma boa nem uma má opinião, é conseguir escrever um texto sem dizer nada. Não importa se é curto ou longo.

Cada vez mais me convenço que o melhor é escrever sobre estrelas e constelações e posição da lua.

E isso é um tédio tão grande.

Cada vez mais me convenço que não tenho grande jeito para isto.

 

E pronto, lá vou eu ler “O nosso Reino”

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Esta situação que está a ser vivida com o livro “O nosso Reino” de Valter Hugo Mãe está a dar-me a volta ao estômago de tantas formas que nem sei bem por onde começar. A leviandade e a estupidez num matrimónio descarrilado que se celebra por uma cataduta de opcionalmente ignorantes.

Mas vamos por partes, que isto não há nada como dissecar os temas com calma e tranquilidade para lhes encontrarmos o âmago.

 

Em primeiro lugar se o queixume e choque anafilático-indignado tivesse acontecido à Maria Clotilde, mãe da Marlene Beatriz e ao Quim Tó, pai do Rúben Filipe, que estão no 8º A da E, B 2/3 do Feijó, escola que até há dois anos era um pré-fabricado, estou certa que ninguém lhes tinha dado ouvidos. Até porque a escola em que os filhos estudam foi um pré-fabricado durante 30 anos, e por mais queixas que tivessem sido feitas só em 2014 alguém se lembrou que essa coisa de ter alunos a aprender Físico-química com um alguidar ao lado, para apanhar as pingas da chuva, era coisa para não ser muito adequada. De qualquer modo posso imaginar a malta lá para o Ministério da Educação a receber uma queixa da Maria Clotilde e do Quim Tó:

- É pá mas esta gente não fica satisfeita com nada? Primeiro a moer o Ministério por causa do pré fabricado e agora livros. Percebe lá esta gente alguma coisa de literatura?! Ó Maria Amélia, faça-me o favor e ponha na pilha que eu não tenho pachorra p’a isto.

E na pilha ficava.

Mas como isto se deu num liceu "de bem", em Lisboa, então temos de ter outra atenção.

 

Depois, fico sempre com a ideia que os filhos destas pessoas "de bem" (chamemos-lhe assim), para além de vestirem sempre encarnado (nunca vermelho) e darem sempre presentes (nunca prendas), não foram concebidos durante uma relação sexual, não, sexo é chavascal e chavascal é para o pobre. As pessoas de bem fazem o amor em leitos imaculados e o climax não se dá em gritos ou gemidos de prazer, mas numa espécie de luz que encandeia as vistas alheias. Assim como quando o Son Goku se transforma em super guerreiro. E o parto? No nascimento de crianças de bem não há dor e muito menos a criança vem de um pipi. Nada disso. Todo o momento se reveste de puro encantamento, em que os enfermeiros se vestem de cor de rosa e os médicos são póneis encantados. Quando a criança vem ao mundo vemos um arco íris lindo e plim, a criança aparece. Só o pobre é que vai parir. Fazemos confusões ou quê?!

 

Acho extraordinária a dedicação destes pais, porque, ao que parece, todos foram ler o livro. E já que leram este, espero eu que tenham lido todos os outros no Plano Nacional de Leitura. Esta gente não é culta. É mega culta. Ou se calhar houve um beato que leu e depois tirou cópias das páginas pecaminosas para mostrar aos outros. Eu aposto que é mais a segunda. Ou ainda, de tão entediante e persecutória que é a sua vida, depois de saberem que havia 2 páginas e meia de sexo correram a ler. Aí pipis e pilas, pipis e pilas!

Pessoas, tenham juízo! Acham mesmo que com 13 e 14 anos os miúdos ainda não sabem de onde vêm os bebés? Acham mesmo que com 13 e 14 anos ainda não sabem que os meninos têm pilinhas e as meninas pipis? Por maior escândalo que vos possa parecer, alguns já terão até aprendido a usa-los. Desculpem lá a franqueza.

Sim, porque quando eu andava na escola a Marlene Sofia ficou grávida. Estávamos no 8º ano e ela tinha a mesma idade que eu. Por mais inculta que possa parecer nunca chumbei e nunca andei em nenhuma escola de ensino especial. Fiz isso tudo no publico, numa escola pré fabricada e que ainda hoje tem um excelente corpo docente. Que preparou alunos para ser médicos, engenheiros, investigadores, pedreiros, desempregados e parvos, como eu. Como podem ver, de tudo um pouco, numa espécie de potpourri de seres humanos.

 

Mas continuando com a viagem literária, calculo que por esta altura tenham já preparado um abaixo assinado para “Os Maias” porque se sexo é um escândalo, então esperem até um irmão e uma irmã se começarem a encavalitar um no outro, várias vezes. Por encavalitar não estou a falar de equitação, estou a falar de se comerem um ao outro, fornicarem, fazerem sexo, porque fazer o amor só acontece depois do matrimónio.

Então não seria melhor os miúdos irem por fazes, primeiro lerem sobre o sexo e depois vir o incesto?

 

Revolta-me esta permanente busca pela opcionalmente escolhida ignorância. Será que ainda não aprenderam nada? Que ainda não conseguiram encaixar que a pior coisa que podem fazer é esconder aos miúdos a realidade, com histórias fantasiosas e respostas evasivas? É melhor irem pesquisar à wikipedia, ou aprenderem com as novelas? Olhem que lá há sempre muito amor e muito pouco preservativo. Eu diria que este ultimo é sempre útil. Para além disso, se os miúdos até podiam achar o livro uma seca, agora vão estar numa cegueira fora de serie por lê-lo, tal não é o espalhafato em torno de 2 páginas. Valha-me Deus, vamos com 2 séculos e tal disto e ainda ninguém aprendeu que o fruto proibido é o mais apetecido. Jesus!

 

De qualquer modo, assim se avalia um livro. Menos de meia dúzia de páginas e pronto. Parece o livro do demónio que vai conspurcar as mentes límpidas destas inocentes crianças. Crianças estas que, nem devem ter acesso ao youtube para ver ao vivo como se faz. Nunca ouviram Snoop Dog com as senhoras semi nuas que o acompanham sempre, entre outras músicas de letra sexual (este foi um exemplo). Não me digam que põem os miúdos a ouvir Renascença e TSF em permanência.

Acham mesmo que miúdos com 13 e 14 anos nunca viram (ou pelo menos tentaram ver) um filme pornográfico? Minha gente, até no American Pie que passa à tarde em períodos de férias há miúdos a masturbar-se, a fazer insinuações e há um que diz que "fuck" toda a gente. Mas isso não faz mal, porventura porque não está no Plano Nacional de Leitura.

“O meu Afonso Maria jamais faria isso! Usar a internet para coisas do mal. Afonso Maria dedica-se inteiramente a seus estudos e usa a internet unicamente para investigação.”

Claro que jamais. E eu acredito bem que investigue.

Ou depois a prima manda cartas à Maria com perguntas como “Querida Maria, se eu lavar os dentes com a escova do meu primo fico grávida?” Arriscando-se a que um dia alguém a esclareça de forma errada.

Que mentes tão pudicas, que mentes tão pobres, que mentes tão pequenas. Quanto mais ferramentas temos para procurar a evolução da nossa espécie, mas retrógrados e tacanhos nos tornamos.

 

E no fim de tudo isto, falamos de um livro cuja descrição reza assim:

"Num ambiente rural onde a religião é uma âncora fundamental e a visão do pecado uma pesada herança do Estado Novo, o nosso reino começa como uma aventura terna e cândida, contada por uma criança obcecada pela diferença entre o bem e o mal. Conseguirá o narrador escapar e transformar- se em borboleta ou anjo?"

Ui, qual 50 Shades qual quê!!! Isto deve ser lambada e cama que até doí.

Ó pá não me moam a cabeça e tenham dó de mim!

 

Quanto a mim, vou comprar o livro. Vou lê-lo e muito provavelmente coloca-lo para leitura lá em casa. E logo que entenda que pequeno sôtor está apto para o compreender, seja com 10, 12 ou 18, quando ele quiser, vou dar-lho para ler. E vou perguntar-lhe se entendeu, se tem questões, e vou esclarece-lo. Eu, ou o pai, se ele preferir, não a internet e muito menos as suposições ou os primos dos amigos que mal sabem duas coisas e meia da vida.

 

 

As frases inspiracionais do Facebook

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Abri conta no Facebook porque me tinham dito que dava jeito ter conta para seguir algumas páginas de promoções e de informação e coisas desse género.

Mantive a conta do Facebook porque fiz like a montes de páginas de animais fofinhos e passou a ser um mecanismo de relaxamento ao longo do dia, numa espécie de substituição do cigarro. Ia ao Facebook, via os gatinhos fofinhos ou os cãezinhos bebés e ia ficando mais animada. Qualquer coisa como “olha um gatinho, like, olha um gatinho, like, olha um gatinho like, olha o relatório, tem de like”.

Depois descobri que me dava jeito ter uma página de Facebook para o blog, sempre acabo por granjear mais alguns leitores, ainda que nem sequer tenha chegado aos míseros 100 likes. Uma calamidade.

Mas adiante.

Hoje em dia evito ir ao Facebook. Dou lá uma volta p’aí uma vez por semana e trago trauma que chegue por, no mínimo, 5 dias. São demasiada frases inspiracionais e aquilo tende a dar-me conta dos nervos. É uma espécie de síndrome de barriga inchada, em que a pessoa acorda com a barriga lisa e depois ela vai inchando ao longo do dia, mas para a irritação. É uma irritação inchada, vá! Parece que toda a minha gente tem uma espécie de filosofo-ó-mago dentro de si, com frase redundantes que têm por objetivo alegrar a vida de uma pessoa mas que quando a merda chega ao nariz (quando chegamos à fase da merda já o verniz foi com o caraças) só nos dão é vontade de dar cabo da canastra de quem se lembrou delas. Parece que uma pessoa hoje não pode dizer que está a ter um dia fodido, porque todos os copos têm uma parte meio cheia, nem que seja o facto de a pessoa estar vida.

Pessoas, news flash, estar vivo é fundamental para sentir cenas, mas muitas vezes é manifestamente insuficiente para uma pessoa estar alegre. Há momentos até, em que uma pessoa para se sentir alegre só lá vai depois de botar abaixo uma de tinto. E estou a apontar por baixo.

 

Hoje de manhã decidi que devia dar uma volta ao Facebook. A fila estava mesmo supimpa, havia chuvinha mas o tempo estava melhor, e não me fazia mal nenhum apanhar uns gatinhos para fazer uns likes. Aceitam-se gatos que fazem miau e gatos que dizem “Oi!” desde que os últimos se apresentem apenas cobertos na parte inferior e mostrem de forma clara que o ginásio é a sua segunda casa. Se não cumprirem estes requisitos, por favor vistam-se e, melhor ainda, não tirem selfies. Pelo menos não de corpo inteiro. Só Deus sabe que é o que eu faço para evitar traumas.

Sou muito atenciosa com as outras pessoas.

Mas dizia então. Estava eu em busca de gatinhos e outra bicheza de regalo ocular quando me deparo com uma e outra frase inspiracional.

Pessoas, não há cú que aguente. Parece que esta malta tem toda um Gustavo Santos lá dentro (depois desta frase desimpeçam por favor as vossas mentes menos asseadas, esta frase é puramente filosófica e espiritual até porque o homem é casado, sim!?) só que o tipo é o único a fazer dinheiro com isso. Depois dizem que a aparência não ajuda. Fosse ele um trombolho anafado e queria ver alguém a acreditar no “a mente chama-se mente porque te mente”, diziam-lhe mas era “tá calado ómêm!”

 

Dediquemos então alguma - breve - atenção ao teor filosófico desta manhã, a ver se conseguimos sacar das frases algum sumo.

 

“uma casa sem livros é como um corpo sem alma”

Eu, quando estou a limpar o pó, só me ocorre que uma casa sem livros era a casa que eu gostava de ter. Assim, sem gretas com ácaros e essas cenas. De mais a mais ainda não percebi se o meu corpo tem alma. Nunca a vi e desconheço a existência de algum exame que me ajude a ver a sua condição e bem estar.

 

“o lar é onde o coração do homem cria raízes”

Este gajo tinha empregada de limpeza. Só pode. Porque o lar é onde os braços do homem lavam a loiça e arrumam a tralha espalhada. O lar de um homem sem empregada é um segundo emprego ou um chavascal. Isso das raízes deve ser outra cena qualquer.

 

“Pense o bem. Queira o bem. Faça o bem. Semeie o bem. Que o retorno vem!”

Estava a ler esta e a tentar interiorizar quando uma desgraçada veio em contra-mão na nossa direção. Não me escavacou o carro por milímetros. Avisámos e ainda acenou a demonstrar que sabia bem o cocó que estava a fazer. Alegre. Devia ter lido outra frase inspiracional à qual eu ainda não tinha chegado. Pensei que ela devia marrar contra um muro. Quis que se esmerdalhasse toda. Fiz um sinal com o dedo e não semeei nada. Por esta altura já estávamos a estacionar e eu enervada.

 

“Nada de desgosto nem de desânimo; se acabas de fracassar, recomeça”

Mas recomeço o quê afinal? O dia de trabalho? Que remédio. Senão quem é que me paga as contas? Desânimo? O gajo que escreveu isto havia de ir a minha casa à 6ª feira ao final do dia, quando ele visse o que há arrumar nem a ansiolíticos se safava. Chico esperto. Este é outro com empregada.

 

“O destino de alguém não é nunca um lugar, mas uma nova forma de olhar as coisas”.

Este ano não tenho plafond para óculos. Tenho de esperar pelo 2018 a ver se vejo as coisas melhor.

 

E há mais. Podia estar aqui até amanhã.

Pessoas, arranjem o que fazer, tipo terapia e deixem-me o Facebook em paz senão qualquer dia quem tem de se tratar sou eu.

 

Escolher ser feliz

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Lia há uns meses atrás que ser feliz é uma opção e fiquei a pensar sobre o assunto.

Ainda hoje penso e não tenho uma opinião sobre esta opinião.

É verdade que podemos, por vezes fazer opções. Que podemos escolher se nos queremos entristecer com o que a vida nos oferece ou se nos queremos agarrar ao que de bom ela tem e estar felizes por isso.

Aquela história do copo meio vazio e meio cheio. Há quem tenha a capacidade de ver sempre o copo meio cheio. E também os há que tenham a capacidade de nunca olhar para a parte preenchida.

Tenho dias.

Tenho dias em que não me largam as tristezas e em que me questiono, quase de forma permanente, sobre todos os porquês que resultam nas coisas menos boas da minha vida.

Tenho dias em que escolho não pensar nas coisas menos boas e, em vez disso, me concentro em tudo o que de bom tenho. Agradeço e sigo em frente. E o que é mau? Não desaparece, está lá, faço pouco dele. Ou outras vezes nem o cotoco, não vá acordar e vir para me aborrecer.

Mas lá está, será que ser feliz é uma opção? Talvez. Depende da cabeça de cada um de nós. Há quem, contra tudo e contra todos escolha sorrir. Nunca vergar à tristeza. Falta-lhes o pão. O tecto. Às vezes o pior mal, a saúde. Sorriem na mesma.

Talvez para esses seja uma opção. Há quem o chame de inteligência emocional. Talvez seja. Mas e então as condicionantes da vida. A liberdade, o direito a ser criança, o respeito pelo corpo e pelo ser? Quem não tem estes pequenos detalhes tantas vezes esquecidos nas nossas comiserações à vida?

A verdade é que para alguns não há escolha, os infortúnios da vida são profundos demais para poder escolher.

Mas para a maioria de nós pode ser. Para os que têm uma vida trivial, mesmo que sempre igual, os que reclamam da chuva e do sol, da roupa larga e da roupa justa, do tempo que não têm para os filhos e depois do que passam com eles.

Será que aqui não há uma opção?

Mas e os estados de espirito? E se acordo de mau humor? E se a vida me arrasta?

Mas não arrasta todos os dias.

Ser feliz pode ser uma opção. Não a de me sentir feliz todos os dias. Mas a de procurar ser feliz todos os momentos.

 

Será que é o principio do fim?

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A noticia do dia hoje é a tomada de posse de Donald Trump como presidente dos EUA. Momento este que custará uns estimados 200 milhões de dolares. Ao que parece a maior parte deste dinheiro será gasto em segurança.

Eu diria que é em segurança e em artistas, porque não está fácil encontrar quem queira atuar para esta desgraça. Faz-me lembrar o Titanic, quando os três desgraçados dos músicos  continuaram a atuar mesmo quando se estava a escangalhar todo e a ir ao fundo.

Houve um coro Mórmon que aceitou atuar, ainda que um dos elementos tenha desistido. Com um coro Mórmon imagino que aquilo vá ser para lá de animado e emblemático. Também terão conseguido contratar as The Radio City Rockettes (não conheço), mas um dos elementos já se manifestou envergonhada e desapontada nas suas redes sociais. Como te entendo Rochette que não conheço, mas é a vida, todos temos de ganhar o pão e às vezes engolir sapos. E este é um sapo bem feio. Parece uma experiência que correu mal.

Confesso que li várias vezes a parte da noticia que fala no valor gasto porque parecia uma brincadeira, 200 milhões de dolares. Tudo o que se podia fazer de bom com este dinheiro, e vê-lo assim, tão mal empregue.

E pronto, no fim do dia de hoje só fica mesmo a faltar o planeta bully vir acabar com isto. Ou se calhar o tipo desiste, o Trump adiantou-se.

O post do atendimento prioritário ou sobre as coisas que mexem com os nervos das pessoas

O mês passado escrevi este post sobre o atendimento prioritário. Um texto que não é nada de especial, na minha opinião. Pretende rir do que nos chateia todos os dias. A falta de civismo alheia e de como existe a necessidade de leis para regular os comportamentos de pessoas crescidas e que se queriam educadas.

Esse post teve todos os destaques possíveis. Na página de blogs, na página principal do Sapo e até foi partilhado no facebook do Sapo. Uma total novidade para mim.

Largas dezenas de comentários. De pessoas a manifestarem a sua opinião sobre o tema, outras a sua indignação, algumas apenas a ser tolas. Mas lá está, essa é também a minha opinião. Desde que foi publicado continua, todos os dias, a ser um dos posts mais lidos e de quando em vez, ainda que já tenha passado um mês lá recebo mais um comentário. Normalmente mais um anónimo indignado, não com o texto, mas com a perspetiva de outra das pessoas que comentou.

Eu aprovo, mas já não me meto.

Este post é uma espécie de filho crescido que já ganhou asas. Não o vou proteger mais.

Sabia que este era um tema que mexia com o nervoso miudinho das pessoas. Mas nunca pensei que fosse tanto.

Imagino uma senhora bem vestida a ter de dar lugar a um velhote coxo (que por ser velho e coxo acumula 2 vantagens). Indignada por ter de lhe dar o lugar. Liga o telemóvel e escreve no Google “atendimento prioritário” e pumbas, lá está o post. Lê o texto. Lê os comentários e dana-se com um.

Eu cá estou. Tranquila deste lado. A aprovar.

 

Por falar nisso, no outro dia um colega meu chegou ao trabalho a contar que tinha acabado de poupar 1000 euros. Ao que parece estava na fila quando começa a ouvir pessoas a discutir. Pelo que entendeu um velhote chegou à fila e disse que queria passar porque tinha direito. Viram-se, não uma, mas duas grávidas.

- Você é velho e nós estamos grávidas. Se nós podemos esperar como os outros você também pode.

Lançam-se em voo rasante uns aos outros.

O velhote desiste.

O meu colega insiste em dar passagem às grávidas.

 

A minha opinião? As grávidas não tinham razão. Se não querem usufruir do direito que têm, não usufruem. É outro direito que têm. Agora impedir outro de usar só porque não querem ou não concordam é outra fruta.

Lá está, a mania de que sabemos tanto da vida dos outros.

Sabemos lá nós da vida dos outros.

Se calhar o velhote tinha um problema de saúde. E se calhar teve de ir às compras porque não tem quem as faça por ele.

 

O "novo" regulamento, os drones e os traumatismos

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O Felismino andava com umas dores de cabeça e a Clotilde, moça cautelosa e tendencialmente hipocondriaca, lá o convenceu de que o melhor que tinha a fazer era ir ao médico. O médico "ah e tal isto sem exames não podemos aferir nada, pode ser alguma coisa como pode não ser nada". O desgraçado de Felismino lá vai fazer um TAC. Sua frio o desgraçado e quando sai, a técnica, moça simpática e gostosa que nem reparou por conta dos nervos, diz-lhe "olhe, vá descansado que isto não acusa nada".

O Felismino sai contente e decide ir dar um passeio pelo jardim, passar pela pastelaria e levar um sortido Húngaro para comemorar a saudinha da boa em casa.

Enquanto passeava pelo jardim com retângulos verdejantes da relva mal aparada pelos senhores da Câmara que ainda não tinham aparecido, dando graças ao Senhor por estar bem, ouve um barulho que se vai intensificando e PUM!

Felismino recebe com um drone na tola, desfragmentando-lhe o alto da pinha, que toda a gente sabe ser o termo técnico para traumatismo crânio encefalico.

O desgraçado é levado para o hospital de onde tinha acabado de sair e agora já havia alguma coisa a acusar nos exames. Considerando que o drone quase o tinha feito quinar, que toda a gente sabe ser o termo técnico para falecer.

 

Esta é a minha visão sobre os drones. E o meu maior receio também. Por mais regulamentação que exista, ninguém me faz esquecer que, estando eu feliz e contente a passear ao longo da praia num dia quente, respeitando os horários para não apanhar demasiado calor, pondo o protetor máximo para me proteger contra os UV e depois, levo com um drone na mona e pumbas, está tudo estragado.

 

Esta passada semana saíu uma nova regulamentação, mas eu, depois de ler a noticia não fiquei mais descansada.

Ora diz então que:

"As Aeronaves pilotadas remotamente (RPA) apenas podem efetuar voos diurnos, em operações VLOS (Operação à linha de vista), até 120 metros acima da superfície (400 pés) nos casos em que as aeronaves não se encontram a voar em áreas sujeitas a restrições ou na proximidade de infraestruturas aeroportuárias. Voos acima de 120 metros acima da superfície (400 pés) carece de autorização expressa da ANAC (Autoridade Nacional da Aviação Civil)."

E eu pergunto, quem é que vai andar a tomar conta disto?

E disto, já agora?

"Os pilotos remotos e os observadores de RPA não podem exercer funções quando se encontrem em qualquer situação de incapacidade da sua aptidão física ou mental,..."

Pois...não sei...

Para não falar que ainda não percebi bem como que estes pássaros se alimentam. Diz que os de brinquedo não têm motor de combustão, pelo que os a sério, chamemos-lhe assim, devem ter. Então e quem é que garante que isto está em funcionamento com "combustível" suficiente para o trabalho que está a realizar?

E isto é apenas para questões relacionadas com a integridade física de qualquer Maria e qualquer Manuel.

Então e a privacidade? Diz que um "passarito" destes, um "não brinquedo", pode voar até 120 metros acima da superfície. Em resumo, consegue filmar para dentro de qualquer casa em qualquer prédio.

Como fica a privacidade de cada um de nós?

Quem compra um drone tem de o registar. Muito bem, e que exigências são feitas para avaliar que a pessoa que o está a adquirir e registar não está em "situação de incapacidade da sua aptidão física ou mental,..."? A parte física é simples. Agora, quem avalia a mental?

Um drone brinquedo pode pesar até 250 gramas. Pode ser adquirido para uma criança brincar e pode voar até 30 metros acima do solo. O que impede que um adulto o use para filmar a casa de alguém?

Eu compreendo que a utilização dos drones facilite um sem numero de circunstâncias. Que permita filmar em sítios que de risco, etc.

Mas a facilidade com que se pode aceder a um drone assusta-me. Mesmo com esta regulamentação. Afinal de contas qualquer doido pode ter acesso a um e "despenha-lo na minha tola". Qualquer tolo pode usa-lo para filmar a minha casa, e isso, isso mexe-me cá com os cordelinhos.

Mas lá está, podem ser só coisas da minha cabeça.

Novo regulamento.

 

Diário da nossa paixão / Notebook

Há 12 anos vi o trailer do filme. Adorei, mas não tive oportunidade de ir ao cinema ver. Assim que o encontrei no videoclube (sim quando ainda se alugavam DVD's fisicos) aluguei e sabia que is gostar. Não gostei. Adorei. A historia de amor. Daqueles que ultrapassam o tempo, as maleitas da vida e todos os percalços. Aquela que sempe quis para mim. )

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Sabia que o filme era inspirado nim livro. Mas nunca o li. Mais tarde comprei vários livros do Nicholas Sparks que adorei, mas este...este estava no filme que eu adoro. Achei que estava na altura de perceber como se escreve uma história tão bonita. Surpreendi-me quando vi que o livro era pequeno. Pensei "devem ter melhorado a história para ecrã. Nada disso. O livro está brilhante. O meu preferido do Nicholas Sparks. Prova que não são precisas 500 páginas para contar uma história. E conta-la bem. Para quem ainda não leu aconselho.

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Estupidez tem limites (ou de como devia ter)

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Gastei algum tempo a pensar nisto e acho que hoje vou chegar a casa e ter uma conversa com o Ghandi e com a Tulipa. Qualquer coisa deste género:

 

Como vocês sabem eu e o dono temos de trabalhar como dois mouros para pagar as despesas cá de casa, nomeadamente as vossas camas, a vossa ração, as vossas consultas de veterinário e essas tretas todas. Como se não bastasse temos ainda de limpar os vossos pelos e levar-vos a passear mesmo quando está um frio de rachar. Acresce a toda esta agrura os vossos latidos quando os vizinhos descem as escadas como quem vai a cavalo e a vossa incapacidade de se comportar no passeio de final de dia.

Mas o que mais importa não é isto. O que mais importa é que vocês passam muitas horas sozinhos, aqui fechados em casa, sem festas e sem companhia humana. Com toda a casa à disposição, é verdade, mas fechados na mesma. É desumano, é uma agressão, é uma violência nossa.

Por isso achamos que o melhor é deixar-vos num canil. Daqueles bem apinhados de cães, daqueles em que, mesmo quando há tempo e atenção, há também mais de 5 cães por box porque não é possível acomodar tantos cães abandonados pelos otários dos donos.

Mas olhemos pelo lado positivo. Assim sempre têm companhia. Vão fazer amizades e deixar para trás esta triste vida de apartamento, com ventiladores para aquecer no inverno e ração de marca.

Para que é que vocês querem isso, digam lá!?

 

Magnifico não é? Não acham que é uma grande ideia!?

Não. Porque não é.

E o que é isto? Diarreia mental? Sim, qualquer coisa desse género.

 

Lis esta semana uma noticia do sol em que eram dadas 3 dicas para aliviar o stress dos nossos animais de estimação que resulta do tempo que passam em casa sozinhos quando estamos a trabalhar. Até aqui tudo bem, as dicas são boas e aplicáveis em alguns casos. O problema está nos comentários. Há quem ache que não nos devemos preocupar tanto com os direitos dos animais, que nos devíamos era preocupar com os direitos do trabalho, porque errado é passar mais de 11 horas por dia fora de casa. O que não é mentira, que deviam ser revistas as horas de trabalho. Mas uma coisa não tem nada que ver com a outra e são direitos que merecem a atenção de todos. Ambos os direitos.

Há quem ache que os donos que deixam os animais sozinhos em casa para ir trabalhar deviam ser punidos por lei por maus tratos a animais. Ora aqui levo já eu uma valente sarrafada no lombo. Se não trabalho vamos todos para baixo da ponte comer do caixote de lixo. Mas que interessa isso?

Há também, e este foi o que mais gostei, quem considere que pessoas como eu, que “abandonam” os seus animais de estimação em casa para ir trabalhar, deviam era entrega-los em canis porque aí tinham companhia.

E eu pergunto-me, de onde sai esta gente?

É possível ser-se assim tão parvo?

Pelos vistos a resposta é: sim!

Então mais vale entregar um animal ao abandono num canil carregado de animais cheios de necessidades, nomeadamente de carinho e atenção, do que tê-lo em casa. Temos os nossos filhos que não vemos as mesmas horas, fazemos o que com eles, entregamos para a adoção? Porque temos de trabalhar?

Eu não sei o que se passa com a cabeça das pessoas, mas alguma coisa não está bem para haver quem tenha opiniões destas. Ou são miúdos que nada sabem da vida, ou são pessoas que vivem alienadas da mesma. Todos temos de trabalhar, todos estamos horas longas fora de casa. Se só pudessem ter animais de estimação pessoas com vidas perfeitas, das que trabalham a distância de 5 minutos a pé de casa, as que trabalham em casa, as que trabalham em part-time, os reformados e os que levam os animais para o emprego (0.001% da população) então os canis estariam ainda mais lotados. Para não falar que, quando decidimos ter um animal a nossa vida pode ser uma e depois, por motivos que nos são alheios, pode mudar. Mudar muito. E o que fazemos aí, abandonamos? Entregamos a um canil?

É muito triste ler coisas destas. Tira-me a esperança de algum dia viver numa sociedade. Ponto. Numa sociedade.

Se quiserem ler a noticia e as tristezas comentadas podem encontrar aqui.

 

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