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Em busca da felicidade

Estava um vento de merda na praia

Hoje ouvia na rádio que a Vodafone tem uma nova app que permite saber como está tudo e tudo lá para os lados da praia, mesmo antes de lá chegar. A saber: temperatura da água, temperatura do ar, índice UV, humidade, velocidade do vento, ondulação, etc.

Eu, que nasci e cresci na Margem Sul e pouco mais sou que uma mulher das cavernas, acho que uma pessoa saber estas coisas todas antes de ir à praia desvirtua todo o conceito de ir à praia.

Uma pessoa levanta-se de manhã e, antes de outra coisa qualquer, tenta perceber a que planeta pertence e se estamos perante um dia inútil de trabalho ou um dia útil de férias/fim de semana. Confirmando-se de que se trata de um dia útil (de acordo com a descrição anterior), a pessoa procede ao apalpamento de apetecimentos, com vista a compreender se tem vontade de levar o seu lombo para a praia logo pela manhã. Caso contrário adia para o final do dia.

Chegado o momento de fazer caminho a pessoa dirige-se à janela mais próxima e analisa o céu: (1) verificar se há muitas nuvens e, a haver, se são branquinhas ou se ameaçam chuva; (2) olha para as árvores para compreender se está vento ou não; (3) vai ver se tem o carro ao sol ou se apanhou sombra, de maneira a preparar-se fisicamente para a dor que lhe irá causar sentar o befe num forno.

Feita que está a avaliação mínima de "condições praia" a pessoa pega na família, onde estão incluídos: o marido, o filho, o carro do filho, a piscina de borracha do filho, a boia do filho, o baldinho do filho, a pázinha do filho, o ansinho do filho, o iogurte do filho, a fruta do filho e todos os pertences habituais de um filho com 2 anos. E vai para a praia.

Chega à praia e de facto constata se está vento ou não. A estar (como esteve ontem) a pessoa procede à chingamento ofensivo de um Santo que dá pelo nome de Pedro, porque "com tantos dias para mandar vento o filho da puta escolhe sempre os dias de folga de uma pessoa." Depois, o filho da pessoa pede para ir buscar água, este - em resultado de algumas análises estatísticas - já compreendeu que a água está, invariavelmente, fria. Pelo que pede à sua mãe que leve a sua carcaça velha até ao mar para lhe ir buscar baldes de água e encha a sua piscina de borracha.

Esta ultima cumpre como requisitado e, aproveitando para molhar o pé e "ver como está a água" (como se alguma vez a água do mar em Sesimbra tivesse estado morna nos últimos 34 anos em que a frequenta). Ao chegar ao mar e sentindo os ossos encarquilhar dentro da pele, chega à brilhante conclusão que a merda da água está gelada ´"até faz doer os ossos". O marido, já calculava que assim fosse, pelo que nem se dá ao trabalho de ir experimentar.

Praia é isto minha gente. É poder chegar ao sitio e chingar esse mesmo sitio porque não tem as condições ótimas que idealizámos. É ter a oportunidade de, na segunda feira, poder contar aos colegas no trabalho que: "fui à praia mas aquela porra estava uma merda porque estava um vento do caraças que até o miúdo reclamava com a quantidade de areia que lhe entrava involuntariamente boca adentro". Saber quais são as exatas condições desvirtua tudo. Senão vejamos, consulto a app e sei que está vento, mesmo um vento do caraças, conto o quê na segunda feira: "fui à app e vi que não havia condições ótimas." É isso? Tenham dó de mim. Eu sou tuga, gosto de ter de que me queixar.

 

As crianças, os brinquedos, o emprestar e o já chega

Mal acabei de pousar os sacos na areia da praia aparece uma miúda, com os seus 7 ou 8 anos, e pergunta se pode levar emprestado o balde de brincar de sôtor.

“Se for por um bocadinho…pode ser!” disse-lhe.

Gosto de o ensinar a emprestar e não há razão nenhuma para que não possa disponibilizar um brinquedo ou outro a outra criança. Esperando-se, claro, que a atitude seja reciproca. Afinal de contas são crianças e o melhor brinquedo é sempre aquele que ainda não têm. Chama-se curiosidade e, quando é saudável, só faz bem.

Lá levaram o balde. (Havia outra que estava à espera ao pé de uma piscina que construíam com a ajuda de um adulto) Estavam a fazer uma piscina na areia e precisavam de carregar água do mar até lá.

Retirámos o resto dos brinquedos da sacola, estendemos as toalhas e sôtor começou a brincar. Só tem um balde, o que leva sempre com ele, o que uso para lhe ir buscar água ao mar.

Ao fim de pouco tempo começou a pedir para ir buscar água. Tinha visto as miúdas a levar o balde mas não disse nada, está habituado a que as coisas possam ser para emprestar…desde que, como é obvio, ele fique com brinquedos para ele. Não há cá Madres Teresas lá em casa. Nem quero!

As miúdas voltam para devolver o balde. Não agradecem, mas tinham sido educadas a pedir, pelo que dei o desconto.

Não passaram 5 minutos e estava de volta. E eu que sim, que podia ser mais um bocadinho porque o pequeno não estava agora a brincar com o balde.

O tempo passou, passou e quando olho estavam todos no mar a brincar com o balde e o meu filho a pedir pela terceira vez para eu lhe ir buscar água ao mar. Duas dessas pedi que aguardasse, a terceira levantei-me e fui buscar de volta o que é dele.

Estavam acompanhadas por adultos, sendo que um destes brincava com elas. E não, não estamos a falar de crianças com dificuldades, de uma pobreza tal que nem uma pazinha tinham para se entreter. Falamos de duas crianças com 7 ou 8 anos que traziam cada uma um biquíni vestido de valor superior aos meus 3 fatos de banho.

 

Quando estivemos de férias no Algarve insistia sempre que sôtor partilhasse os seus brinquedos com as outras crianças, apenas duas condicionantes, que não lhe tirassem das mãos aquilo com que brincava (quero que seja altruísta, não xoninhas) e que a atitude fosse reciproca. Como é obvio isto não é “cobrado” a crianças com 2 e 3 anos. Mas espera-se que os pais, que estão a tomar conta dos filhos sejam educados ao ponto de alertar os seus querubins que, se brincam com os brinquedos de outras crianças, devem ser uma atitude similar.

Posso dizer que nem sempre acontece. Nesses casos, temos pena, e por mais besta que me possam achar, se sôtor não se importar, deixo que empreste, se se queixar não deixo quem não partilha brincar com as coisas dele. Ponto.

 

Este tema é para mim um tema sensível porque, apesar de parecer conversa sobre nada é um tema fundamental na construção da pequena pessoa que ele é. Não quero que seja egoísta, mas também não quero que seja o totó de quem todos se aproveitam e que nada fazem por ele.

Não me importo nada de emprestar os brinquedos do meu filho, mas não gosto que as pessoas se esqueçam da pessoa a quem eles pertencem e que, como este fim de semana, mal deixaram uma criança de 2 anos brincar com o seu baldinho, porque estavam a divertir-se à beira mar.

É uma linha ténue, entre o à vontade de pedir alguma coisa emprestado e o à vontadinha de achar que se não está a berrar é porque não lhe faz falta.

Lá está, são as crianças que devem ser educadas a pensar nos outros e não apenas nelas próprias e nos seus desejos, são os brinquedos que servem para o divertimento dos seus proprietários e não só, é o emprestar, o saber partilhar, um bom valor a passar na formação de pequenos seres, mas é também o saber dizer já chega para que lhes ensinemos a não deixar que abusem da sua boa vontade.

 

As suas maminhas cabem bem aqui!

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Começa o verão e chega a necessidade de comprar roupa apropriada para ir pôr o lombo ao sol.

Ando há semanas com as lojas de fatos de banho e biquínis de baixo de olho. A ver se me decido se compro uma peça ou duas. É que isto de não ter os abdominais da Patrocínio é um bocado intimidador de levar p'a praia.

No sábado passado fomos passear para a Avenida da Liberdade, a fazer que somos pessoas endinheiradas, depois descemos o suficiente para chegar aos Restauradores e encontrar lojas que vendessem coisas no limite do nosso orçamento.

Entro e escolho dois fatos de banho.

Enfio-me no provador cheia de confiança e o desgosto dá-se logo com o primeiro. Claramente desenvolvido para uma criatura em fase de desenvolvimento ou que tenha puxado mais ao pai da parte de cima.

Vamos ao segundo. (o da imagem) Penso de mim para mim. Faço muito isto, pensar de mim para mim.

Grande porra, não havia meio de descobrir como é que entrava para dentro do fato de banho. Sabia que o corpo cabia lá dentro. Só não havia forma de o meter no interior sem rasgar um pedaço para tentar entrar. Juro que tentei enfiar aquela bodega pela cabeça, depois pelos pés. Até de lado tentei entrar, senhores! Desisti.

Saio e digo à moça:

- Preciso de uma ajuda. Como é que isto se veste?

Ao que me responde:

- Sabe já me tinha feito essa pergunta várias vezes e também não sei.

Boa!

Não trouxe nada.

Hoje fui dar uma volta ao Colombo.

Como diria o nazi financeiro com quem contraí matrimonio "Não te podes apanhar com ordenado e sem marido!"

Mal entro na loja aparece-me uma moça muito simpática. Acabadinha de chegar do Alentejo.

Tudo me ficava bem. Eu a pensar "aí filha, se me calhas a ver descascada....a roupa cria tantas ilusões!"

Pego num mesmo giro, daqueles que ficam bem à Rita Pereira e digo:

- Era isto mas em maior.

- Este serve-lhe.

- Olhe que eu visto uma copa maior.

- Posso pôr-lhe o fato de banho à frente?

- Ponha.

- Cabem bem aqui.

Eu pareceu-me que não. Mas lá fiz a vontade à moça. Levei mais um fato de banho azul e outro branco fantástico que, modéstia à parte até nem me ficava mal, só atirava era para o inadequado para férias num espaço familiar porque a qualquer momento ficavam coisas a respirar ar fresco...se é que me faço entender. E sabem as senhoras que leem este antro que há partes do corpo a quem a liberdade tem se ser sonegada a tempo inteiro.

Lá vou eu para o provador. Constato o óbvio com o biquíni. Não cabia o que devia caber. Percebo que o fato de banho branco criaria uma espécie de anarquia de peças corporais e viro-me para o azul, que apesar de bonito me fez lembrar os fatos de banho que a senhora minha mãe, depois de 4 partos, usava na praia.

Ficava bem e estava com problemas em encontrar-lhe o problema ideal para o rejeitar. Puxei pela etiqueta, 79 €. O quê?! Tá tudo doido. Mais depressa vou p'ra praia 19 da Costa da Caparica e faço bronze integral. Até fico mais sintonizada com a natureza.

Saio e pouso as peças.

- Então?

Perguntam 3 moças. Ficaram em transe de ver alguém sair sem levar uma única peça.

- Não vou levar.

- NADA!

Diz uma horrorizada.

- Exato.

- Mas porquê?

- Não gostei de como assentavam.

- Mas não gostou do quê?

- Olhe não gostei, parece-me suficiente não gostar. Boa tarde.

Lá fui à minha vida, a qual passou por comprar um pacotinho de chocolates na Hussel (não, não papei todos...dividi pelos coleguinhas)

 

Valem-me os dias de sol

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Mesmo com o frio valem-me os dias de sol. Os dias de fim de semana com tempo e com o sol vivo lá fora. Valem-me os momentos vividos com calma, os passeios na praia, os minutos que passam devagar, no descanso do ponteiro, enquanto olho para ti, com a tua pazinha a fazer escavações na areia da praia. Valem-me as tuas corridas em direção ao mar, que não entendes que está frio e ao mar não vamos de roupa. Quer dizer, se calhar um dia vais. Vais mergulhar vestido e saber o que é sentir a força do mar nas nossas roupas.

Mas se fores vai com juízo. Não te aventures muito e trata de ter uma muda de roupa dentro do carro.

Que não te quero doente, filho.

Valem-me os momentos as tuas palavras palradas, as que ninguém entende mas eu percebo. O areal é um mundo de possibilidades que só tu, na tua inocência entendes.

Ah, como invejo a tua inocência. Nunca a percas, filho. Essa capacidade de ver o mundo em todas as suas possibilidades, e não só as vãs.

Valem-me os dias em que não há horas, há o nascer e o pôr do sol, aqueles em que posso dizer “deixa-o estar, brincar mais um pouco” deixa…

Deixa estar. Se der tempo. Calhando a dar.

Frases comuns que de comuns nada têm na correria dos dias. Não deixo estar quando queres brincar até tarde. Tem de dar tempo, para trabalhar, para as viagens de casa trabalho, para fazer jantar e para te dar banho. Não calha a dar, tem de dar. Que outra hipótese temos.

E vivo assim a minha semana. Entra as fotografias e os vídeos que trago comigo. Aquelas que dantes eram a fotografia tipo passe na carteira do pai.

Vejo uma e outra vez e lembro-me, que daí a dias, poucos dias. Menos um hoje. Menos outro amanhã. Daí a dias é fim de semana outra vez. E o único tempo que conta é o que está la fora. É o sol que nos deixa sair e viver os minutos do tempo devagar. No descanso do ponteiro.

 

 

Um passeio com o Augusto

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 (imagem retirada da net)

 

Os óculos RayBan e o cigarro no canto da boca definem a imagem que o marca. Não importa a roupa, que hoje é mais cinzenta e creme, ao contrário do preto que lhe marcou tantos anos.

- Não precisa fumar à pressa, homem. Temos tempo.

Segue-se um tá bem, de quem quer que não lhe digam o que fazer. Não por ter mais idade, mas porque sempre foi assim. Não acho, tenho a certeza. Carrego o mesmo gene comigo.

Dá a volta ao carro para cumprimentar o neto que esperneia na cadeira. Impaciente. Disseram-lhe que ia à praia e deu com ele à porta do prédio velho do avó. O velho a fumar o cigarro e ele cansado de esperar por ter os pés na areia.

Entra no carro. Uma mistura de tabaco e Old Spice. Reconheço-lhe o cheiro em qualquer lado.

- Então Nuno, como vai isso? Então minha filha?

O sarcasmo no minha filha, de quem estende a mão para apertar a ponta dos dedos. De quem queria que eu tivesse saído do carro para o cumprimentar com dois beijos mas não pude porque garantia o entretenimento da criatura mais pequena. Aquela que em vontades, beiços e birras não é muito mais nova que ele.

- Tava ao telefone com o Gaspar. Encontrou o teu irmão na Charneca e queria que eu fosse lanchar com ele, vê lá!

- Então isso é bom!

- Ahhh, esse gajo quer é conversa e eu preciso de descansar.

- Estás reformado.

O relembrar permanente de que não tem compromissos com ninguém. De que devia sair mais. Entreter-se menos com a TV.

- Anda a chatear-me para comprar um computador para falar com ele na internet. Tá maluco.

- Olha que te fazia bem!

- Ahhh, fazia agora. Já tenho com que chegue para me entreter. Depois é só contarem histórias tristes e outras que eu não entendo. Não tenho pachorra já!

- Histórias tristes? Mas aconteceu alguma coisa a alguém?

- Sei lá. Não percebi nada daquilo. Diz que agora o Manel se chateou com o filho. Não percebi nada daquilo. Depois fico sempre com a história a meio. É o que te digo. Já não tenho paciência. Mas aquilo também são alguns 13 ou 14 irmãos. Uns ouvem uma coisa, contam aos outros e depois nunca ninguém sabe muito bem que raio é que aconteceu.

- Mas dão-se tão bem pai e filho.

- Pois dão. Eu sei lá. O que eu sei é que o Manel é bom rapaz. Mas de vez em quanto chateia-se com as pessoas. Foi como quando há uns anos se chateou com a mulher. Eu a dizer-lhe “tu vê lá, fala com a moça, que gosta de ti e é tua amiga”, mas o gajo é casmurro pá. Faz-me sempre lembrar de quando voltei do Ultramar, sem um tostão à frente. Estes gajos foram todos bem colocados, perto de casa e eu fui logo para longe. Tive de falar com o engenheiro, não tinha recebido o primeiro ordenado, não tinha ajudas de custo, não trouxe dinheiro, tinha um filho para criar, não podia ir para longe. Foi o engenheiro que me adiantou um ordenado. Senão não sei como era a vida.

As lembranças do Ultramar sempre presentes. Dos anos em que foi atirado para uma guerra que não era dele. O filho que não viu nascer. Os três anos que lá esteve. O regresso uma pessoa diferente. Menos afável e mais revoltada com a vida.

- Então senhor Augusto, há quanto tempo é que não vai à Costa.

- Sei lá. Da ultima vez que lá fui passei no Barbas, mas já nem me lembro há quanto tempo foi. Se calhar já lá vão 2 ou 3 anos.

Chegamos à Costa para encontrar o parque de estacionamento de que já não se lembrava. Recorda as estradas antigas e quebradas que ali estavam. As paragens de autocarro de que também eu me lembro. Aquelas onde esperávamos pelo Autocarro em pequenos para ir à praia da Bola de Nivea.

- É pá estão ali a vender castanhas.

- Queres?

- Pelo menos meia dúzia, assim quentinhas.

Lá foi meia dúzia quentinha. Descemos até à areia. Para ver o neto a correr o areal afora.

- Anda Ricardinho, vamos sentar-nos naquela rocha a comer as castanhas.

As castanhas comeu-as ele, que o pequeno queria era escavar areia.

- Vai ser engenheiro o meu neto. Vais ver.

Ao fim de meia hora já ia ser pedreiro, tal o apresso do moço por encher as rochas de areia.

- Vamos lanchar senhor Augusto?

- Lanchar?

- Sim, lanchar?

- Lanchar o quê?

- Sei lá, uma fartura, um waffle, um pão com chouriço.

- Pão com chouriço!?!?!?!? Atão e há caldo verde?

- Há.

Pensou.

- Bom…vocês é que sabem.

Percebemos que era mesmo aquilo. Como a criança que sorri de contente porque sabe que o chocolate é para ela.

- Vamos ao caldo verde.

Pelo caminho ainda comprou um boneco para o neto empurrar. E agora vai perguntar-me todos os dias se ainda gosta dele.

Comeu o caldo verde. Meio pão com chouriço e ainda deu conta do arroz doce. Tudo acompanhado da sua imperialzita.

Regressamos com as conversas das coisas que não se alteram quando queremos. As que fazem os “tem de ser” da vida. As que nos fazem deitar a pedir que o amanhã seja melhor. Nem que esse amanhã chegue só para o ano que vem.

Fazemos a viagem com a conversa vazia que preenche o tempo.

O Augustinho ficou feliz de ver o mar. Relembrar as praias que caminhou em novo. As me mediu para hoje estarem com as conhecemos.

 

Está a chover lá fora...

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... avizinha-se um fim de semana cinzento. Já podemos começar a enfeitar as casas de vermelho, dourado e branco, mas ainda não é Dezembro e para mim é esquisito quando ainda não é Dezembro.

Está a chuviscar lá fora, uma forma de anunciar que o fim se semana que se quer quente e cheio de passeios no jardim, na praia...lá vai ser passado com mais sofá do que desejava.

Estão a cair as primeiras gotas lá fora e eu gostava tanto de nos meter aos três num avião e aterrar numa ilha assim, de areia azul, mar limpo com espreguiçadeiras e sem casacos pesados às costas.

 

Sesimbra

As melhores memórias da minha infância passadas aqui. Numa Sesimbra ainda pouco arranjada.Nestas praias de água serena, sem ondas. Uma piscina gigante.

A minha praia. Hoje. A nossa praia.

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 (não sei quem este senhor é. e gostava de o conseguir eliminar com photoshop)

Preciso de ir para um retiro

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Pus o despertados para as 06:15. Levantei-me meia hora depois. Estava capaz de me voltar a deitar.

Uma torrada, um galão e uma miniatura depois, continuava capaz de ir descansar novamente.

Arrastei-me para sair de casa. Peguei no puto e abraçados voltávamos para a cama, mais ou menos como quando ele tinha 3 meses e eu o tempo que a licença me dava.

Tenho a cabeça cansada e não encontro porcaria nenhuma no lugar. Com a ajuda da colega do lado lá encontro o envelope que já tinha dado por desaparecido. Estava metido no meio dos outros papeis e eu tinha posto na minha cabeça que tinha uma cor diferente. Não encontro ficheiros criados por mim e gasto tempo à procura, à procura.

Acho que preciso de ir para um retiro. Um daqueles à beira mar. Com praias longas, daquelas que não têm prédios lá ao fundo. Só palmeiras.

Um daqueles retiros que quando estão mais de 2 pessoas na piscina parece que está muito povoado.

Daqueles retiros onde o Yoga é o exercício mais agitado que fazemos, onde comemos saladas de cores sedutoras e todas as bebidas têm chapéus coloridos. Onde toda a gente anda de roupa branca ou florida, esvoaçante, leve, mais ou menos como a cabeça fica depois de 15 dias do paraíso.

E agora chega de sonhos. Que a vida não é isto. Pelo menos não a minha.

Lingua da sograaa! Olha a lingua da soograa!

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Batata frita! Língua da sograaa! Olha a língua da soograa!

Ainda as toalhas não estavam estendidas na areia e eu os meus olhos já procuravam a senhora, que cansada e queimada do sol, fazia arrastar atrás de si um saco cheio de pacotes da língua da sogra.

Baunilha deliciosa.

- Eu quero línguas da sogra.

- Tu queres esperar que as toalhas estejam estendidas na areia. Que o chapéu esteja posto. E mais um bocado em cima disso para pedires alguma coisa. Ainda agora chegamos.

- Mas...

- Mas. Nada.

E não se faziam mais perguntas. Sempre fui mais pedinchona que os meus irmãos. Eles sabiam bem que para receber alguma coisa tinham de lhes perguntar. Pedinchices eram meio caminho andado para não receber nada.

Mas a baunilha. O sabor da baunilha que me crescia na boca. E a senhora que se afastava cada vez mais de nós. Será que ainda voltava a tempo de nos apanhar na praia?

Claro que voltava. Comprava-se uma embalagem de línguas da sogra. Uma para cada um e as que sobrassem ficavam para mais logo. Na maioria das vezes comia-as eu. Hoje percebo que não tive de aprender a dividir da mesma forma que os meus irmãos. Eu era a menina. A mais nova. Por isso, enquanto crescidos deixava de lhes apetecer porque eu era pequenina.Hoje sei disso.

Há anos que não vou às praias da Costa. Há anos que não vejo a senhora que, calmamente e com uma voz que nunca se cansa, caminha praias de ponta a ponta, com o bronze que uns desejam, com a pele estragada e sem remédio de quem se queima pelo oficio e não pelo prazer.

Quando hoje fomos às compras encontrei uma embalagem. Não aquele pacote antigo de plástico, preso com um pedacinho de fita branca ou amarela. Não aquele pacote que no fundo de um saco gigante de plástico, que se arrastava todo o dia pela areia solta, e que por milagre não tinha um grão de areia lá dentro. Mas um pacote finório. Com uma caixinha de papel azul, a fazer publicidade à receita tradicional. Não consegui esperar que se acabasse de pagar a conta, tinha de comer uma. No caminho da minha mão à boca uma vida de memórias, quase voltei a estar no areal, a minha mãe ao lado, os meus irmãos cada um com uma língua da sogra na mão e eu, pequena e egoísta, a contar se sobrava alguma para comer mais. Quando dou a primeira trinca, o desgosto. Tradicionais talvez, mas não eram as minha línguas da sogra. Demasiado açúcar. Demasiado finas. Queria aquela baunilha grosseira, de textura rogada. Seca. Deliciosa. O Ricardo gostou mais que eu. O Nuno gostou mais que eu.

Estava capaz de pegar no carro, ir até à Costa e correr as praias à procura da senhora que há 20 anos apregoava "Olha a língua da sooograaa!".

Mas por esta altura espero que já esteja reformada. Porventura a tomar conta de uma penca de netos que não sabem nem sonham que a avó está nas memórias mais doces de quem há 20 anos tinha o tamanho deles.

As férias da minha infância

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Sempre que posso vou visitar o Dias de uma Princesa. Gosto. Gosto muito. No post de hoje, também a crónica do Dinheiro Vivo desta semana, a Catarina fala de férias. Se vale ou não a pena gastar dinheiro nas férias.

Eu acho que sim. Vale muito a pena. Fazer um esforço – para os que precisam de o fazer, para os que o podem fazer – para, pelo menos, uma vez ao ano passar uns dias fora da vida do dia a dia.

Mas não é por isso que agora escrevo.

O post da Catarina sobre as ferias fez-me lembras das que tínhamos em família.

Lá em casa não havia condição financeira para férias fora. Família de colarinho azul com 4 filhos, tornava difícil ter dinheiro para ferias fora. Para além disso tínhamos a Costa da Caparica mesmo ao lado e para ir à praia não era preciso ir ao Algarve. Depois o dinheiro que havia a mais dava sempre para um arranjo em falta, o seguro do carro, comprar uma prenda melhor de aniversário a cada filho. Remediar qualquer coisa que estava em espera daquela verba extra.

Por isso as férias grandes eram feitas rumo a Sesimbra. Todos nos levantávamos cedo. A minha mãe preparava a cesta. Sandes de paio e sandes de fiambre. Melão cortado em pedaços. Uma garrafa grande de água bem fresca.

Na praia brincávamos. Jogávamos raquetes. Nadava muito. Lembro-me de ir a nadar até aos barcos com o meu pai. O pato e os patinhos todos. A minha mãe na toalha. Nunca soube nadar.

Houve um dia que subimos a um barco. Um senhor convidou. Subimos e demos um mergulho. Depois seguimos ao nosso passeio pelo mar. Sempre calmo em Sesimbra. Não havia ondas que puxassem para alto mar. Não havia rebentação para passar.

Ao meio dia de voltar ao carro. Um caminho de vinte e tal quilómetros pela frente. Um carro pouco potente. carregado de gente. O ar condicionado era a janela aberta.

Pelo meio uma paragem para um peixe fresco. Se houvesse, sardinhas. Quando chegávamos o meu pai acendia o fogareiro num pátio em frente ao prédio.

- Não quero a casa com cheiro a peixe.

Dizia a minha mãe.

Enquanto o pai assava as sardinhas a mãe fazia a salada, ou ela ou um irmão mais velho. Antes dos 10 já era eu.

Tomate meio verde-meio maduro, pepino, cebola e no fim, depois do tempero, um bocadinho de orégãos.

Almoço e sesta. Ou um filme. Ou cada um no que lhe apetecesse. Amanhã havia mais.

Não queria voltar atrás no tempo porque a minha vida é confortável hoje. Mas lembro-me com carinho  desse tempo. Boas memórias dos dias em que a palavra preocupação não me dizia nada. Dias em que a maior responsabilidade que tinha era garantir que as bonecas ficavam arrumadas quando acabava de brincar.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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