Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Em busca da felicidade

As suas maminhas cabem bem aqui!

banho.jpg

 

 

Começa o verão e chega a necessidade de comprar roupa apropriada para ir pôr o lombo ao sol.

Ando há semanas com as lojas de fatos de banho e biquínis de baixo de olho. A ver se me decido se compro uma peça ou duas. É que isto de não ter os abdominais da Patrocínio é um bocado intimidador de levar p'a praia.

No sábado passado fomos passear para a Avenida da Liberdade, a fazer que somos pessoas endinheiradas, depois descemos o suficiente para chegar aos Restauradores e encontrar lojas que vendessem coisas no limite do nosso orçamento.

Entro e escolho dois fatos de banho.

Enfio-me no provador cheia de confiança e o desgosto dá-se logo com o primeiro. Claramente desenvolvido para uma criatura em fase de desenvolvimento ou que tenha puxado mais ao pai da parte de cima.

Vamos ao segundo. (o da imagem) Penso de mim para mim. Faço muito isto, pensar de mim para mim.

Grande porra, não havia meio de descobrir como é que entrava para dentro do fato de banho. Sabia que o corpo cabia lá dentro. Só não havia forma de o meter no interior sem rasgar um pedaço para tentar entrar. Juro que tentei enfiar aquela bodega pela cabeça, depois pelos pés. Até de lado tentei entrar, senhores! Desisti.

Saio e digo à moça:

- Preciso de uma ajuda. Como é que isto se veste?

Ao que me responde:

- Sabe já me tinha feito essa pergunta várias vezes e também não sei.

Boa!

Não trouxe nada.

Hoje fui dar uma volta ao Colombo.

Como diria o nazi financeiro com quem contraí matrimonio "Não te podes apanhar com ordenado e sem marido!"

Mal entro na loja aparece-me uma moça muito simpática. Acabadinha de chegar do Alentejo.

Tudo me ficava bem. Eu a pensar "aí filha, se me calhas a ver descascada....a roupa cria tantas ilusões!"

Pego num mesmo giro, daqueles que ficam bem à Rita Pereira e digo:

- Era isto mas em maior.

- Este serve-lhe.

- Olhe que eu visto uma copa maior.

- Posso pôr-lhe o fato de banho à frente?

- Ponha.

- Cabem bem aqui.

Eu pareceu-me que não. Mas lá fiz a vontade à moça. Levei mais um fato de banho azul e outro branco fantástico que, modéstia à parte até nem me ficava mal, só atirava era para o inadequado para férias num espaço familiar porque a qualquer momento ficavam coisas a respirar ar fresco...se é que me faço entender. E sabem as senhoras que leem este antro que há partes do corpo a quem a liberdade tem se ser sonegada a tempo inteiro.

Lá vou eu para o provador. Constato o óbvio com o biquíni. Não cabia o que devia caber. Percebo que o fato de banho branco criaria uma espécie de anarquia de peças corporais e viro-me para o azul, que apesar de bonito me fez lembrar os fatos de banho que a senhora minha mãe, depois de 4 partos, usava na praia.

Ficava bem e estava com problemas em encontrar-lhe o problema ideal para o rejeitar. Puxei pela etiqueta, 79 €. O quê?! Tá tudo doido. Mais depressa vou p'ra praia 19 da Costa da Caparica e faço bronze integral. Até fico mais sintonizada com a natureza.

Saio e pouso as peças.

- Então?

Perguntam 3 moças. Ficaram em transe de ver alguém sair sem levar uma única peça.

- Não vou levar.

- NADA!

Diz uma horrorizada.

- Exato.

- Mas porquê?

- Não gostei de como assentavam.

- Mas não gostou do quê?

- Olhe não gostei, parece-me suficiente não gostar. Boa tarde.

Lá fui à minha vida, a qual passou por comprar um pacotinho de chocolates na Hussel (não, não papei todos...dividi pelos coleguinhas)

 

Valem-me os dias de sol

20170115_172520.jpg

 

Mesmo com o frio valem-me os dias de sol. Os dias de fim de semana com tempo e com o sol vivo lá fora. Valem-me os momentos vividos com calma, os passeios na praia, os minutos que passam devagar, no descanso do ponteiro, enquanto olho para ti, com a tua pazinha a fazer escavações na areia da praia. Valem-me as tuas corridas em direção ao mar, que não entendes que está frio e ao mar não vamos de roupa. Quer dizer, se calhar um dia vais. Vais mergulhar vestido e saber o que é sentir a força do mar nas nossas roupas.

Mas se fores vai com juízo. Não te aventures muito e trata de ter uma muda de roupa dentro do carro.

Que não te quero doente, filho.

Valem-me os momentos as tuas palavras palradas, as que ninguém entende mas eu percebo. O areal é um mundo de possibilidades que só tu, na tua inocência entendes.

Ah, como invejo a tua inocência. Nunca a percas, filho. Essa capacidade de ver o mundo em todas as suas possibilidades, e não só as vãs.

Valem-me os dias em que não há horas, há o nascer e o pôr do sol, aqueles em que posso dizer “deixa-o estar, brincar mais um pouco” deixa…

Deixa estar. Se der tempo. Calhando a dar.

Frases comuns que de comuns nada têm na correria dos dias. Não deixo estar quando queres brincar até tarde. Tem de dar tempo, para trabalhar, para as viagens de casa trabalho, para fazer jantar e para te dar banho. Não calha a dar, tem de dar. Que outra hipótese temos.

E vivo assim a minha semana. Entra as fotografias e os vídeos que trago comigo. Aquelas que dantes eram a fotografia tipo passe na carteira do pai.

Vejo uma e outra vez e lembro-me, que daí a dias, poucos dias. Menos um hoje. Menos outro amanhã. Daí a dias é fim de semana outra vez. E o único tempo que conta é o que está la fora. É o sol que nos deixa sair e viver os minutos do tempo devagar. No descanso do ponteiro.

 

 

Um passeio com o Augusto

passeio.jpg

 (imagem retirada da net)

 

Os óculos RayBan e o cigarro no canto da boca definem a imagem que o marca. Não importa a roupa, que hoje é mais cinzenta e creme, ao contrário do preto que lhe marcou tantos anos.

- Não precisa fumar à pressa, homem. Temos tempo.

Segue-se um tá bem, de quem quer que não lhe digam o que fazer. Não por ter mais idade, mas porque sempre foi assim. Não acho, tenho a certeza. Carrego o mesmo gene comigo.

Dá a volta ao carro para cumprimentar o neto que esperneia na cadeira. Impaciente. Disseram-lhe que ia à praia e deu com ele à porta do prédio velho do avó. O velho a fumar o cigarro e ele cansado de esperar por ter os pés na areia.

Entra no carro. Uma mistura de tabaco e Old Spice. Reconheço-lhe o cheiro em qualquer lado.

- Então Nuno, como vai isso? Então minha filha?

O sarcasmo no minha filha, de quem estende a mão para apertar a ponta dos dedos. De quem queria que eu tivesse saído do carro para o cumprimentar com dois beijos mas não pude porque garantia o entretenimento da criatura mais pequena. Aquela que em vontades, beiços e birras não é muito mais nova que ele.

- Tava ao telefone com o Gaspar. Encontrou o teu irmão na Charneca e queria que eu fosse lanchar com ele, vê lá!

- Então isso é bom!

- Ahhh, esse gajo quer é conversa e eu preciso de descansar.

- Estás reformado.

O relembrar permanente de que não tem compromissos com ninguém. De que devia sair mais. Entreter-se menos com a TV.

- Anda a chatear-me para comprar um computador para falar com ele na internet. Tá maluco.

- Olha que te fazia bem!

- Ahhh, fazia agora. Já tenho com que chegue para me entreter. Depois é só contarem histórias tristes e outras que eu não entendo. Não tenho pachorra já!

- Histórias tristes? Mas aconteceu alguma coisa a alguém?

- Sei lá. Não percebi nada daquilo. Diz que agora o Manel se chateou com o filho. Não percebi nada daquilo. Depois fico sempre com a história a meio. É o que te digo. Já não tenho paciência. Mas aquilo também são alguns 13 ou 14 irmãos. Uns ouvem uma coisa, contam aos outros e depois nunca ninguém sabe muito bem que raio é que aconteceu.

- Mas dão-se tão bem pai e filho.

- Pois dão. Eu sei lá. O que eu sei é que o Manel é bom rapaz. Mas de vez em quanto chateia-se com as pessoas. Foi como quando há uns anos se chateou com a mulher. Eu a dizer-lhe “tu vê lá, fala com a moça, que gosta de ti e é tua amiga”, mas o gajo é casmurro pá. Faz-me sempre lembrar de quando voltei do Ultramar, sem um tostão à frente. Estes gajos foram todos bem colocados, perto de casa e eu fui logo para longe. Tive de falar com o engenheiro, não tinha recebido o primeiro ordenado, não tinha ajudas de custo, não trouxe dinheiro, tinha um filho para criar, não podia ir para longe. Foi o engenheiro que me adiantou um ordenado. Senão não sei como era a vida.

As lembranças do Ultramar sempre presentes. Dos anos em que foi atirado para uma guerra que não era dele. O filho que não viu nascer. Os três anos que lá esteve. O regresso uma pessoa diferente. Menos afável e mais revoltada com a vida.

- Então senhor Augusto, há quanto tempo é que não vai à Costa.

- Sei lá. Da ultima vez que lá fui passei no Barbas, mas já nem me lembro há quanto tempo foi. Se calhar já lá vão 2 ou 3 anos.

Chegamos à Costa para encontrar o parque de estacionamento de que já não se lembrava. Recorda as estradas antigas e quebradas que ali estavam. As paragens de autocarro de que também eu me lembro. Aquelas onde esperávamos pelo Autocarro em pequenos para ir à praia da Bola de Nivea.

- É pá estão ali a vender castanhas.

- Queres?

- Pelo menos meia dúzia, assim quentinhas.

Lá foi meia dúzia quentinha. Descemos até à areia. Para ver o neto a correr o areal afora.

- Anda Ricardinho, vamos sentar-nos naquela rocha a comer as castanhas.

As castanhas comeu-as ele, que o pequeno queria era escavar areia.

- Vai ser engenheiro o meu neto. Vais ver.

Ao fim de meia hora já ia ser pedreiro, tal o apresso do moço por encher as rochas de areia.

- Vamos lanchar senhor Augusto?

- Lanchar?

- Sim, lanchar?

- Lanchar o quê?

- Sei lá, uma fartura, um waffle, um pão com chouriço.

- Pão com chouriço!?!?!?!? Atão e há caldo verde?

- Há.

Pensou.

- Bom…vocês é que sabem.

Percebemos que era mesmo aquilo. Como a criança que sorri de contente porque sabe que o chocolate é para ela.

- Vamos ao caldo verde.

Pelo caminho ainda comprou um boneco para o neto empurrar. E agora vai perguntar-me todos os dias se ainda gosta dele.

Comeu o caldo verde. Meio pão com chouriço e ainda deu conta do arroz doce. Tudo acompanhado da sua imperialzita.

Regressamos com as conversas das coisas que não se alteram quando queremos. As que fazem os “tem de ser” da vida. As que nos fazem deitar a pedir que o amanhã seja melhor. Nem que esse amanhã chegue só para o ano que vem.

Fazemos a viagem com a conversa vazia que preenche o tempo.

O Augustinho ficou feliz de ver o mar. Relembrar as praias que caminhou em novo. As me mediu para hoje estarem com as conhecemos.

 

Está a chover lá fora...

ilha.png

 

... avizinha-se um fim de semana cinzento. Já podemos começar a enfeitar as casas de vermelho, dourado e branco, mas ainda não é Dezembro e para mim é esquisito quando ainda não é Dezembro.

Está a chuviscar lá fora, uma forma de anunciar que o fim se semana que se quer quente e cheio de passeios no jardim, na praia...lá vai ser passado com mais sofá do que desejava.

Estão a cair as primeiras gotas lá fora e eu gostava tanto de nos meter aos três num avião e aterrar numa ilha assim, de areia azul, mar limpo com espreguiçadeiras e sem casacos pesados às costas.

 

Sesimbra

As melhores memórias da minha infância passadas aqui. Numa Sesimbra ainda pouco arranjada.Nestas praias de água serena, sem ondas. Uma piscina gigante.

A minha praia. Hoje. A nossa praia.

20160820_102508.jpg

20160820_103601.jpg

 

20160820_103609.jpg

 

20160820_103617.jpg

20160820_103639.jpg

 (não sei quem este senhor é. e gostava de o conseguir eliminar com photoshop)

Preciso de ir para um retiro

paraíso.jpg

 

Pus o despertados para as 06:15. Levantei-me meia hora depois. Estava capaz de me voltar a deitar.

Uma torrada, um galão e uma miniatura depois, continuava capaz de ir descansar novamente.

Arrastei-me para sair de casa. Peguei no puto e abraçados voltávamos para a cama, mais ou menos como quando ele tinha 3 meses e eu o tempo que a licença me dava.

Tenho a cabeça cansada e não encontro porcaria nenhuma no lugar. Com a ajuda da colega do lado lá encontro o envelope que já tinha dado por desaparecido. Estava metido no meio dos outros papeis e eu tinha posto na minha cabeça que tinha uma cor diferente. Não encontro ficheiros criados por mim e gasto tempo à procura, à procura.

Acho que preciso de ir para um retiro. Um daqueles à beira mar. Com praias longas, daquelas que não têm prédios lá ao fundo. Só palmeiras.

Um daqueles retiros que quando estão mais de 2 pessoas na piscina parece que está muito povoado.

Daqueles retiros onde o Yoga é o exercício mais agitado que fazemos, onde comemos saladas de cores sedutoras e todas as bebidas têm chapéus coloridos. Onde toda a gente anda de roupa branca ou florida, esvoaçante, leve, mais ou menos como a cabeça fica depois de 15 dias do paraíso.

E agora chega de sonhos. Que a vida não é isto. Pelo menos não a minha.

Lingua da sograaa! Olha a lingua da soograa!

IMG_2809.JPG

 

Batata frita! Língua da sograaa! Olha a língua da soograa!

Ainda as toalhas não estavam estendidas na areia e eu os meus olhos já procuravam a senhora, que cansada e queimada do sol, fazia arrastar atrás de si um saco cheio de pacotes da língua da sogra.

Baunilha deliciosa.

- Eu quero línguas da sogra.

- Tu queres esperar que as toalhas estejam estendidas na areia. Que o chapéu esteja posto. E mais um bocado em cima disso para pedires alguma coisa. Ainda agora chegamos.

- Mas...

- Mas. Nada.

E não se faziam mais perguntas. Sempre fui mais pedinchona que os meus irmãos. Eles sabiam bem que para receber alguma coisa tinham de lhes perguntar. Pedinchices eram meio caminho andado para não receber nada.

Mas a baunilha. O sabor da baunilha que me crescia na boca. E a senhora que se afastava cada vez mais de nós. Será que ainda voltava a tempo de nos apanhar na praia?

Claro que voltava. Comprava-se uma embalagem de línguas da sogra. Uma para cada um e as que sobrassem ficavam para mais logo. Na maioria das vezes comia-as eu. Hoje percebo que não tive de aprender a dividir da mesma forma que os meus irmãos. Eu era a menina. A mais nova. Por isso, enquanto crescidos deixava de lhes apetecer porque eu era pequenina.Hoje sei disso.

Há anos que não vou às praias da Costa. Há anos que não vejo a senhora que, calmamente e com uma voz que nunca se cansa, caminha praias de ponta a ponta, com o bronze que uns desejam, com a pele estragada e sem remédio de quem se queima pelo oficio e não pelo prazer.

Quando hoje fomos às compras encontrei uma embalagem. Não aquele pacote antigo de plástico, preso com um pedacinho de fita branca ou amarela. Não aquele pacote que no fundo de um saco gigante de plástico, que se arrastava todo o dia pela areia solta, e que por milagre não tinha um grão de areia lá dentro. Mas um pacote finório. Com uma caixinha de papel azul, a fazer publicidade à receita tradicional. Não consegui esperar que se acabasse de pagar a conta, tinha de comer uma. No caminho da minha mão à boca uma vida de memórias, quase voltei a estar no areal, a minha mãe ao lado, os meus irmãos cada um com uma língua da sogra na mão e eu, pequena e egoísta, a contar se sobrava alguma para comer mais. Quando dou a primeira trinca, o desgosto. Tradicionais talvez, mas não eram as minha línguas da sogra. Demasiado açúcar. Demasiado finas. Queria aquela baunilha grosseira, de textura rogada. Seca. Deliciosa. O Ricardo gostou mais que eu. O Nuno gostou mais que eu.

Estava capaz de pegar no carro, ir até à Costa e correr as praias à procura da senhora que há 20 anos apregoava "Olha a língua da sooograaa!".

Mas por esta altura espero que já esteja reformada. Porventura a tomar conta de uma penca de netos que não sabem nem sonham que a avó está nas memórias mais doces de quem há 20 anos tinha o tamanho deles.

As férias da minha infância

7850018_orig.jpg

 

Sempre que posso vou visitar o Dias de uma Princesa. Gosto. Gosto muito. No post de hoje, também a crónica do Dinheiro Vivo desta semana, a Catarina fala de férias. Se vale ou não a pena gastar dinheiro nas férias.

Eu acho que sim. Vale muito a pena. Fazer um esforço – para os que precisam de o fazer, para os que o podem fazer – para, pelo menos, uma vez ao ano passar uns dias fora da vida do dia a dia.

Mas não é por isso que agora escrevo.

O post da Catarina sobre as ferias fez-me lembras das que tínhamos em família.

Lá em casa não havia condição financeira para férias fora. Família de colarinho azul com 4 filhos, tornava difícil ter dinheiro para ferias fora. Para além disso tínhamos a Costa da Caparica mesmo ao lado e para ir à praia não era preciso ir ao Algarve. Depois o dinheiro que havia a mais dava sempre para um arranjo em falta, o seguro do carro, comprar uma prenda melhor de aniversário a cada filho. Remediar qualquer coisa que estava em espera daquela verba extra.

Por isso as férias grandes eram feitas rumo a Sesimbra. Todos nos levantávamos cedo. A minha mãe preparava a cesta. Sandes de paio e sandes de fiambre. Melão cortado em pedaços. Uma garrafa grande de água bem fresca.

Na praia brincávamos. Jogávamos raquetes. Nadava muito. Lembro-me de ir a nadar até aos barcos com o meu pai. O pato e os patinhos todos. A minha mãe na toalha. Nunca soube nadar.

Houve um dia que subimos a um barco. Um senhor convidou. Subimos e demos um mergulho. Depois seguimos ao nosso passeio pelo mar. Sempre calmo em Sesimbra. Não havia ondas que puxassem para alto mar. Não havia rebentação para passar.

Ao meio dia de voltar ao carro. Um caminho de vinte e tal quilómetros pela frente. Um carro pouco potente. carregado de gente. O ar condicionado era a janela aberta.

Pelo meio uma paragem para um peixe fresco. Se houvesse, sardinhas. Quando chegávamos o meu pai acendia o fogareiro num pátio em frente ao prédio.

- Não quero a casa com cheiro a peixe.

Dizia a minha mãe.

Enquanto o pai assava as sardinhas a mãe fazia a salada, ou ela ou um irmão mais velho. Antes dos 10 já era eu.

Tomate meio verde-meio maduro, pepino, cebola e no fim, depois do tempero, um bocadinho de orégãos.

Almoço e sesta. Ou um filme. Ou cada um no que lhe apetecesse. Amanhã havia mais.

Não queria voltar atrás no tempo porque a minha vida é confortável hoje. Mas lembro-me com carinho  desse tempo. Boas memórias dos dias em que a palavra preocupação não me dizia nada. Dias em que a maior responsabilidade que tinha era garantir que as bonecas ficavam arrumadas quando acabava de brincar.

Queria tanto ter uma autocaravana

 

Tenho uma coisa com autocaravanas. Não sei explicar porquê. Nunca andei sequer numa autocaravana. Mas gostava de ter uma autocaravana. Gosto da ideia de ter uma casa com rodas, uma casa que hoje está à beira mar numa praia em Sintra e amanhã está numa planície do Alentejo. Sempre com cama, sempre com uma casa de banho se estiver aflita, sempre com um fogãozito para fazer uma bucha se me der fome. Sem ter de estar presa a marcações.

Se calhar é porque me farto facilmente dos sítios de sempre. Às vezes apetece-me sair e esquecer onde é a casa de todos os dias. Sair e parar onde me apetecer.

Se tivesse uma autocaravana este fim de semana ia até à Lagoa de Albufeira. Parava à beira da praia e fazia o pequeno almoço. Porta aberta e os cães a correr cá fora. Cansados. Quando o sol estivesse quente que chegue saíamos para um mergulho. Toalhas estendidas na areia. O pequeno a brincar e eu a fazer os castelos que ele ainda não consegue. Metade areia seca, metade molhada.

À hora de almoço já está quente demais. Todos para a casa com rodas. Um almocinho simples. Quem sabe uma salada. Uma fatia farta de melancia docinha e uma sesta. Encostados nesta casa com rodas que por este fim de semana tem vista mar.

À tarde mais praia e à noite, se quiséssemos ficávamos para passar a noite. A ver as estrelas a aparecer sobre o mar. Ensinar ao campeão as constelações que nem eu sei.

No Domingo repetíamos tudo outra vez.

E na segunda voltávamos a vida dos dias sempre iguais.

 

Ando a trabalhar para o bronze

ng1918713.jpg

 

(atenção que não sou eu na foto. achei que o post ficava melhor com uma gaja boa) 

 

Literalmente.

Há mais de 10 anos que não sei o que é estar bronzeada. Ora que não vou à praia vezes que cheguem, ora que quando vou não me escarrapacho tempo que chegue para os UV porem a melanina a funcionar. Ora que vou à praia pouco e de tão branca que estou o sol parece desistir de mim. Porventura é daquela coisa de que o preto absorve todas as cores e o branco emite todas as cores. O sol bate, vê um branco tão branco que nem pega em mim.

Estou farta de saber que sou morena, com pele naturalmente mais escura e andar branca como um saco de farinha.

A fartura da transparência de pele este ano bateu-se-me mais forte e eis que decidi ir pôr o lombo no solário. Já sei que este ano por mais que me esforce, de forma natural a coisa não se vai dar. Com uma criança de ano de meio só dá para ir à praia bem cedinho e quando o sol começa a apertar é para estar a caminho de casa. Para além disso, mesmo que pudesse estar esparramada ao sol nunca fico muito tempo pela praia. Começo a ficar cheia de calores e enfadada de estar ali, tipo bacalhau na seca. Depois de 2 ou 3 horinhas e de uns capítulos de um livro estou é pronta para me fazer ao caminho e ir fazer outra coisa qualquer.

A coisa abateu-se-me quando os primeiros raios de sol apareceram e fui buscar as minhas sandálias lindas, cremes, e depois de as calçar percebi que a única coisa que diferenciava as sandálias dos meus pés eram as unhas pintadas de rosa choque.

Não podia ser!

Assim, ganhei coragem e lá fui pedir informações. Que ia começar com a máquina mais suave, que devir por creme, de preferência do que ajuda a ganhar bronze, que devia usar uns óculos próprios e que o batom para os lábios era obrigatório. Quanto a roupinha. Podia ser com alguma ou com nenhuma. De fato é que não fazia sentido.

Marquei para ontem e lá fui.

Caguinchas como sou não quis comprar logo o pacote, deixe-me experimentar, se gostar então compro um pacote. Isto porque aquilo passa-se tudo dentro de um tubo com luzes. Tubo esse que podia aquecer demasiado e eu, pessoa sensível e com tensão baixa podia dar-me mal com a porra do calor.

O senhor explicou que tinha ventilação e que era tudo muito mais fresco do que na praia.

Certo, mas se me derem os calores não posso ir à água refrescar. Pensei.

Lá fui.

Considerando o tédio que ia ser, 15 minutos dentro do tubo iluminado, perguntei se o Nuno podia ficar comigo. Assim sempre ia conversando e o tempo passava mais depressa. O senhor que não, que não era possível.

Fiz aquela cara de quem aceita porque são as regras da casa, mas que não entende.

Não me leve a mal, é que houve pessoas que entravam pagando uma sessão só para uma pessoa e depois de fechar a porta, a outra pessoa despia-se e também entrava para a máquina.

What!?

A sério, isto há malta para tudo. Se eu já achei a máquina apertada imagine-se dividi-la com mais alguém.

O Nuno lá subiu para me ajudar a barrar a parte de trás do lombo com o creme e depois saiu.

Eu enfiei-me na máquina e lá fiquei durante uns entediantes 15 minutos.

Quando saí quero acreditar que se notasse qualquer coisa. Mas tenho mais 5 sessões pela frente.

Agora é cumprir com as sessões e encher o bucho de cenoura (que já ando a comer a rodos). Diz que ajuda ao bronze.

Este ano, se tudo correr bem, e vai correr, vou de férias escurinha. Bem morenaça. E com olhos de águia, com a cenoura que ando a papar…

Vão ver!

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

------- Mais sobre mim -------

foto do autor

------ Gostar da Página ------

------ Blogs de Portugal ------

----- Seguir no Bloglovin -----

Follow

------------ Arquivo ------------

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D