Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Em busca da felicidade

Saga: os meus bons professores #1

professor.jpg

 

 

Como havia prometido neste post demoníaco, cá estou eu para falar de bons professores. É verdade, apesar das abéculas que me calharam em algumas disciplinas (e cadeiras) ao longo de mais de década e meia de estudos, tenho muitas coisas boas a contar.

Vou assim começar esta saga pelo principio, ao contrário do que - segundo entendo - acontece com a Guerra das Estrelas.

 

Para grande surpresa da minha mãe, eu adorei a escola. Ainda hoje, se tal me fosse permitido eu adoraria continuar a estudar, quem sabe uma vida académica. Gosto de me sentar naquelas cadeiras. Gosto dos livros, de ouvir ensinar quem sabe o que eu não sei. E é aqui que se dá a magia, ou o total desgosto.

Ser professor, para quem o faz com gosto e paixão, pode fazer com que se transforme numa das mais importantes profissões, logo a seguir aos médicos, enfermeiros e bombeiros.

Uns salvam-nos a vida, o corpo e estes, por aquilo que nos ensinam, podem salvar-nos a alma.

Para muitas crianças, adolescentes, jovens adultos cujos casas são tudo menos lares, onde impera  a desordem e a falta de amor; para estes é muitas vezes na escola, na pessoa de um ou dois professores, que encontram a força, a motivação, o caminho para fazer muito mais com as suas vidas do que cingir-se a espelhar o que têm em casa.

Tenho uma profunda admiração por professores, mas apenas por aqueles que são, de facto, professores. Aqueles que profanam esta tão digna profissão tenho pena e vergonha.

 

No meu percurso escolar tive: péssimos professores , falei deles aqui; professores maus, malta que até gostava de fazer aquilo, mas pá, não levavam jeito, mais ou menos como quem se candidata ao Ídolos e assassina as músicas (não é por mal, mas não dá); professores normais, que executavam bem a sua função, ensinavam corretamente, mas não marcavam ninguém; e tive professores que foram muito mais que professores, ensinaram-me o que precisava de aprender e ensinaram-me a ver a vida de várias formas.

 

É sobre estes professores maravilhosos que quero falar. Um post que requer mais tempo e dedicação do que o anterior, afinal de contas estes merecem tudo e mais um bocadinho.

 

Primária – «Não me chames de «Senhora professora», o teu nome é Cátia, vou chamar-te por Cátia, o meu é Maria Helena, gostava que me chamasses assim: Maria Helena.»

 

Esta foi a primeira frase que trocámos. Espantou-me, deixou-me levemente indignada porque eu tinha praticado para fazer como a menina da Casa na Pradaria e ofendeu-me ligeiramente que me fosse chamar de Cátia, esse nome tão pimba. Depois lembrei-me que a culpa não era dela e redirecionei novamente a minha frustração para o meu irmão que, numa bela tarde se lembrou de pedir para eu ter este nome. Na altura, e sendo já a quarta na fila, estava lá a minha mãe para se chatear com o nome. «Pode ser isso! Menos uma coisa em que pensar!»

Os meus irmãos tinham todos estudado numa escola como a que eu via nos desenhos animados; uma casinha branca com telhas amarelas, janelas em torno, um recreio em terra batida. Eu fui estudar para a escola nova, mais cómoda para a minha mãe, ficava do outro lado da estrada. Menos encantada para mim, afinal de contas era no rés-de-chão de um prédio.

Lá se ia a Casa na Pradaria outra vez.

Sempre que ia entregar um filho à escola a minha mãe punha a melhor roupa, pegava no filho pela mão, pedia para falar com a professora e explicava que quem educava os seus filhos era ela, mais ninguém. Por isso não admitia que mais alguém lhes tocasse, caso houvesse molho devia ser avisada do mau comportamento. Ela encarregava-se da disciplina. À professora cabia o ensino. Educação e Ensino eram coisas diferentes, aos pais cabia o primeiro, à escolha e respetivos professores o segundo.

A minha mãe era uma senhora com pelo na venta. Composta, bem posta e que impunha respeito. Não aceitava desaforos e não se ensaiaria nada em, do alto do seu tailleur azul, igual ao da princesa Diana, arrear uma murraça nas trombas de alguém se se atrevesse a bater-lhe nos filhos.

Os meus irmãos todos detestaram a escola. Todos choraram para ir para a escola. Todos viram colegas a levar reguadas nas mãos. A eles não lhes tocou nada.

Os meus irmãos eram seres vivos sociáveis.

Eu sempre fui um animal arisco, parecia ter sido criada no meio do mato, entre bichos e palmeiras.

No meu primeiro dia de aulas a minha mãe vestiu - como seria de esperar - o seu tailleur azul, pegou-me pela mão e atravessou a estrada. Pediu para falar com a professora, explicou-lhe que eu era um pouco diferente. Não que fosse deficiente, mas era meio bicho do mato e era provável que fosse chorar assim que ela virasse costas. Deu o mesmo chá de sempre: «se alguém bate nos meus filhos, sou eu!»

A Maria Helena tranquilizou-a. Explicou que não havia nada de bater em crianças naquela sala de aula. Que na escola só uma professora mantinha esse «método», mas que estavam a tentar mudar. Que as crianças não aprendiam com pancada, aprendiam com amor.

A minha mãe achou aquilo lindo, ainda assim, cética, ficou à porta. Esperou pelo recreio.

Estava tudo bem.

Continuou a esperar.

Eu saí com um sorriso que ela não tinha visto muitas vezes antes. Eu; a minha trunfa de caracóis escovados que ia até ao rabo e que, segundo uma colega, ela fofa como a lã de uma ovelha (na altura achei que era um elogio); a minha mochila maior que eu; os meus totós; as minhas meias com folhos e os meus sapatos de verniz com fivela.

Tinha adorado a escola e a minha mãe caminhou em transe até casa. Passou o dia abismada: «será que o animalzinho da família havia de se tornar num ser instruído, coabreca!?!»

Foi com a Maria Helena que aprendi a escrever, a ler, a ter paciência com os colegas. A tocar flauta. Foi com ela que acreditei que podia aprender. Deu-me apoio quando a minha mãe ficou doente, permitindo-me continuar a aprender apesar das faltas pelas tardes passadas no hospital, a acompanhar exames, tratamentos, o diabo a quatro.

De acordo com a Maria Helena eu era «uma menina muito inteligente» e as faltas não afetavam a minha aprendizagem.

Quando a escola primária acabou lembro-me que fui ter com ela para lhe deixar uma fotografia minha. Queria que se lembrasse de mim. Na altura não sabia ainda expressar isso. Tinha sido meio civilizada, mas no fundo ainda vivia o animalzinho que tinha cruzado a porta no primeiro dia.

Um animalzinho, apesar dos totós, das meias com folhos e do cabelo de lã.

 

Nos anos que se seguiram encontrei-a várias vezes, conversávamos à porta da escola. Perguntava pela minha mãe. Perguntava-me por namorados e aconselhava-me a ter calma, a esperar pela pessoa certa, a concentrar-me nos estudos em vez de me entregar a namoricos e a esquecer a escola para fazer uma vida de bairro. Mesmo não sendo já minha professora impulsionava-me sempre para tentar ser mais. Para estudar, para me instruir. Lembrava-me que as coisas más podem passar e a vida pode ser melhor. Nunca se sabe. Depois reformou-se. Nunca mais soube nada dela.

Mas gostava, gostava muito. Gostava de a voltar a encontrar, de saber como foi a vida sem criançada à volta. De lhe contar que os seus conselhos se mantém comigo. Gostava de lhe dizer que a menina de meias aos folhos e totós de carangueijo, a mesma que era um bicho do mato; essa continuou a estudar, formou-se, tem o canudo mas ainda não o foi buscar, encontrou a pessoa especial de que ela falava, arranjou um emprego em condições, mesmo atrás de uma secretária. Continua a esforçar-se todos os dias por ser melhor.

 

Não deviam ter chegado a professores

 

Estamos em inicio do regresso às aulas e eu, daqui de meu espaço de descanso, pus-me a pensar no tempo em que, por esta altura, andava às voltas com livros, cadernos, canetas e estojos.

Recordei-me de como era voltar à escola e pôr a conversa em dia. Alembrou-se-me dos melhores professores que já tive, aqueles que me marcaram positivamente para sempre. E vieram-me à ideia aqueles que só Deus sabe como é que chegaram a professores. São estes últimos que me fazem ter a certeza que é fundamental que os professores sejam avaliados, de outra forma servirão apenas para que, em adultos, alunos meio coise, como moimeme, escrevam posts parvos sobre eles.

Deixo-vos uma resenha dos professores mais cromos que já tive na minha vida.

Vamos a isso.

 

5º ano - O primeiro contacto com o "crazy world"!

(esta é só para aquecer)

Tive uma professora de inglês que punha creme nas mãos de 5 em 5 minutos. A somar a isso falava num sotaque tão estranho que até eu, que já sabia falar algumas coisas em inglês, me via à rasca para a entender.

 

5º Ano - Então educação física é isto!?

Quando andava na primária a Maria Helena disse-nos uma vez que íamos começar a fazer aulas de educação física, tínhamos de levar fato de treino e íamos aprender a fazer exercício. Fizemos umas macacadas no recreio e a coisa não se voltou a repetir nunca mais. Quando cheguei à preparatória dei de caras com uma professora de ginástica com dentes tortos que trazia sempre um fato de treino azul da adidas, daqueles com forro branco e umas listas de lado. Fazia-me saltar ao cavalinho numa sala de aula com 20 metros quadrados e quase dei cabo de uma perna por conta das ideias dela.

Sim, na margem sul vive-se à flor da pele a lógica do desenrasca. A escola tinha 2 campos de futebol para os miúdos jogarem à bola, tinha um polivalente que dava para meter a Kadoc lá dentro e não tinha pavilhão desportivo. Assim, como tinham uma sala que não era usada para aulas de verdade (davam Religião e Moral) decidiram pôr uns trampolins naquele cubículo, mais uns cavalinhos e os miúdos que se desemerdassem lá dentro.

Eu sempre detestei estas macacadas, até hoje não percebo porque raio uma pessoa tem de passar por cima de uma porcaria daquelas, logo atravessada, com as pernas todas espraiadas. Parti-me toda. E parti-me toda várias vezes.

Ainda hoje me lembro da professora, tenho a ideia que deve ter casado com aquele fato de treino e aquela permanente de caracóis mal definidos com uma franja lisinha, lisinha.

 

6º Ano - «Isto tem balas a sério! Ora vejam!»

«Filipe, vou raspar a tua orelha!» PUM! E disparou, acertou na parede e nós ficamos sem reação.

O Filipe trabalha hoje na Worten que fica a 10 minutos da minha casa e parece-me ter recuperado do trauma em grande estilo. Quanto ao senhor professor não sei nada dele, mas espero francamente que já tenha falecido.

Era normal vir para as aulas ébrio, que é como quem diz, bêbado com'ó raio. Fazia observações inusitadas, daquelas que ninguém entendia e não ensinava grande coisa. Eu pessoalmente achava-lhe graça, havia ali qualquer coisa que não jogava certo naquela mona, mas tava tudo bem, o tipo não chateava e não inventava muito. De qualquer modo se o pusessem a andar e ele fosse substituído pelo jeitoso da Turma B, também estávamos em casa.

Pois que um dia a pessoa vem mais ébria do que era normal. Começa a perguntar se já tínhamos visto uma arma. Eu quase levantei o braço porque já tinha visto o Rambo vezes sem conta e o filme que o meu pai mais via era a "Fúria do dragão", pelo que pancadaria, tiros e naifadas era comigo. Mas por qualquer razão achei que era melhor manter o bico fechado. Não foi preciso esperar muito tempo para saber que tinha feito uma boa escolha. O professor saca de uma revolver, aponta para um aluno (o Filipe) e dispara. Acertou na parede.

Na altura não havia medos, a malta sabia que coisas estranhas aconteciam, a aula continuou por mais 2 horas, ninguém pegou no telemóvel para ligar ao pai ou à mãe e nenhum aluno ameaçou o professor. (porque não havia telemóveis...). Eu, nem em casa contei. Afinal de contas o Filipe não se tinha finado e o desenho que levou o balázio nem estava nada de especial.

Na aula seguinte apareceu o jeitoso da turma B. Alguém tinha contado em casa (e muito bem) e a escola expulsou o professor. 

Fim.

 

7º Ano - A Pipi das meias sensuais.

Há 20 anos atrás não havia condescendências. Não havia pedidos atendidos - a não ser que se tivesse um amigo no sitio certo - ah, espera, era igual a hoje.

Apesar dos vários pedidos da minha mãe para que não me mudassem de escola, ela era uma pessoa doente e gostaria que a filha de 11 anos não tivesse de passar, também, por mais uma mudança de escola; adivinhe-se: mudaram-me de escola.

Motivo de preocupação: sabia-se que, na nova escola, havia alunos que passavam droga e à entrada da escola davam-se cenas menos simpáticas.

Coisas poucas. «O que não nos mata torna-nos mais fortes», certo?!

No 7º ano mudei de escola e, como seria de esperar foi sempre a «subir». Se a primeira tinha sido no rés de chão de um prédio e a segunda não só não tinha pavilhão de desporto, como metiam os miúdos a dar saltos perigosos em salas esguias, na terceira foi a cereja no topo do bolo. No 7º ano entrei para a escola conhecida como «Barracas de...» (não interessa a localidade), uma escola que era pré-fabricada e que já tinha ultrapassado o prazo de construção quando o meu irmão mais velho lá tinha andado.

O meu irmão mais velho é 13 anos mais velho que eu.

Ele acabou a escolaridade lá nesses termos e também eu. Tinha um pavilhão, mas não podíamos receber as outras equipas de vólei das outras escolas porque não tinha altura suficiente. Chovia nas salas de aula e havia uma vacaria....mas já sem vacas.

Havia também uma «varanda» onde se passava algum produto leve e havia um doido que continuava a ter alta da casinha cor de rosa e que ia para ao pé das grades, com a sua gabardina sem nada por baixo. Como é que sei? Porque toda a gente sabia que ele chamava a criançada e depois abria o casaco. Au naturel.

Nesta escola tive a minha primeira negativa. Foi um sentimento estranho, mas um problema ultrapassado no que há nota diz respeito. Até hoje detesto geografia.

Foi aqui que conheci a minha primeira professora de Geografia. Uma mulher nova, muito provavelmente com menos de 30 anos que estaria, se não na primeira escola, na segunda colocação. Falava de forma nasalada e tinha o cabelo liso pelos ombros, sempre encaracolado para fora. Parecia uma espécie de pipi das meias altas...mas em mau.

Tratava-nos com distanciamento e como se fossemos seres inferiores. Fui apanhada por um colega a imitar esta professora nas costas. Todos os seus tiques. Quase fui convidada a sair da sala...mas fui perdoada.

Creio que a pessoa em causa não estava para ter muitas condescendências para com os alunos que tinham más notas, mas toda aquela coisa de esta aluna que hoje escreve ter perdido a mãe no meio do segundo período, fez com que a pessoa repensasse, agendasse outro teste e desse mais uma oportunidade aos alunos.

 

7º, 8º e 9º anos - História para que te quero!

Ainda hoje sei muito pouco de história. Até há uns anos atrás diria que sei pouco de história porque não gostava. Hoje, casada com um tipo que adora história, posso dizer que tive a infelicidade de ter maus professores a história.

Na escola onde eu andava tinha uma professora de história que já havia sido professora dos meus 2 irmãos mais velhos. Ambos com fracos conhecimentos de história porque a professora passava a maior parte do ano de baixa. Quando entrei para esta escola a primeira coisa que me disseram foi: "espero que não apanhes a ratinha a história!".

Mas apanhei.

Acumulava doenças. Tinha asma em ultimo grau. Uma espécie de cirrose ou lá o que era, e, em cima de tudo isso fumava, pelo menos, meio maço de tabaco por aula. Leram bem...por aula.

Era frequente passar o tempo todo da aula à porta da sala (que dava para a rua) a fumar enquanto líamos algumas passagens dos livros. Quando voltava para o quadro tossia como uma condenada. Aparentemente o giz fazia-lhe pior que o tabaco. 

Enfim há pulmões estranhos.

Passávamos à disciplina porque toda a gente levava cabulas e se safava.

 

8º ano - Popeye the sailor man em Fisico-Quimica

Há uns anos fui encontrar este professor no Centro Comercial da Portela e a única coisa que me ocorreu fazer foi virar-me para o Nuno e dizer: "Olha, era o Popeye".

Toda a gente sabia que ter Fisico-Quimica no 8º e no 9º anos era uma desgraça, não necessariamente pela matéria, mas porque o professor não dava propriamente aulas. Ele entrava, pousava os livros dele, acendia o cachimbo e caminhava de um lado para o outro na sala de aula. Debitava a matéria que lhe apetecia, sem que houvesse necessariamente uma ordem dos temas e quem apanhasse, apanhava, quem não apanhasse «temos pena».

As aulas eram a rebaldaria total, os alunos juntavam-se em grupos de 4 para jogar à sueca e a Carina - que hoje é médica - sentava-se na mesa da frente para conseguir tomar nota de tudo o que ele dizia.

Todos passávamos à disciplina porque tirávamos copia do caderno da Carina. E porque, como as janelas da sala de aula estavam abertas, e os testes eram feitos por metade da turma de cada vez - alegadamente para não copiarmos dos colegas de carteira - os que esperavam cá fora davam as respostas aos que estavam a fazer teste.

Lógico que os que ficavam no meio da sala se entalavam.

Mas era a lei da sobrevivência no seu mais alto exponencial.

 

Nota intermédia: No final do 9º ano fomos todos acompanhados pela única psicóloga da escola. Esta devia avaliar as nossas aptidões para nos ajudar a escolher a área que iríamos optar no secundário. Para cerca de 90% dos alunos ela aconselhou um curso profissional de jardinagem. Não sei qual é a saída da jardinagem em Portugal no final dos anos 90, mas diria que a maioria acaba na manutenção do ambiente das ruas (leia-se varredor - com todo o respeito pela profissão, que bem o merece).

Soubemos mais tarde que era esposa do Popeye. 

Só se estragava uma casa.

 

7º, 8º e 9º - Je ne comprend pas!

Ainda hoje não gosto de falar francês. Numa certa medida porque não percebo nada, na outra porque não tive quem me ensinasse em condições, pelo que ganhei aversão à coisa. Mais ou menos como as roupas da Guess: já que não as posso comprar, então não gosto delas.

Foram múltiplas as professoras de francês. Um ano tivemos uma professora de francês que era espetacular...mas só conseguiu manter a sua espetacularidade no primeiro mês, porque, um dia, ao sair da escola foi assaltada por uns manfos que iam de mota. Puxaram-lhe a mala e, como estava à tira-colo, levaram a mulher a rojo pela estrada fora até que esta se conseguisse libertar da dita mala.

Ficou de baixa o resto no ano.

Depois de meses sem professora recebemos uma substituta que tinha duas pernas de tamanhos diferentes. Não havia mal nenhum nisso e sempre respeitámos a problema da senhora. O mal é que o maior problema que a senhora tinha não estava nas pernas, mas sim na cabeça. Pelo que hoje compreendo ao olhar para trás, vivia frustrada porque a vida não tinha corrido como devia, então, em vez de nos ensinar francês, divagava dizendo-nos que não precisava de estar ali porque tinha uma loja de artigos para casa de banho. Durou dois meses.

Ao fim de 2 meses apareceu outra professora. Não tinha problemas em nenhum membro e parecia muito simpática. Mas era quase tão cega quanto um morcego. A senhora não via quase nada, de tal forma era que o Tiago conseguia ir ao quadro, mesmo ao lado dela, desaparecer com o apagador e deixar a mulher às aranhas para apagar o quadro. Durou menos de um mês.

Sempre tive pena desta. Já na altura, em miúda, tinha pena e pensava porque raio não nascemos todos com as mesmas oportunidades. Ria-me na mesma, afinal era miúda e parva, embarcava com os outros. Mas sentia compaixão e sabia que era lixado estar no papel daquela pessoa. Hoje espero conseguir ensinar o meu miúdo a fazer diferente.

 

9º, 10º e 11º - Vamos lá aprender desporto!

Tive um professor de educação física que ficava excessivamente "alegre" durante as aulas. Tanto assim era que dava as aulas de quispo mesmo no verão, porque a "coberta" ia até meio da perna.

Ainda assim, por vezes, levado pelo entusiasmo,  tirava o casaco para jogar vólei connosco e tumbas, lá estava o "amigo" do professor todo alegre.

Esse foi apanhado uma vez a espreitar para dentro do balneário das raparigas. A sorte é que como não havia chuveiros ninguém se despia (já íamos de casa com fato de treino, aguentávamos o cheiro a ranço até ao final da manhã e tomávamos banho em casa).

Um dia uma outra professora contou-nos que a mãe deste professor tinha estado na reunião de professores, ao que parece não conseguia que o filho tomasse banho em casa e queria que os colegas o convencessem. Nunca soubemos se tinha sido verdade. Se o senhor tinha um ar asseado? Não, não tinha.

 

Já na faculdade...

- Tive um professor que nos tratava por ignorantes e energúmenos porque não tínhamos lido o livro dele, alegando que só sabíamos o que eram revistas cor de rosa.

- Outro - que eu adorei - tinha o mesmo penteado que o Einstein, apagava as luzes durante a aula (para sentirmos a matéria) e galgava os montes com ervas daninhas, para nos mostrar como é que os chimpanzés faziam para tirar as térmitas.

- Tive também um professor que quando me viu com uma camisola justa se fez a mim. Ao que me pareceu, o professor não tinha dado conta de que eu fazia parte da turma durante 2 períodos de aulas. Os que, coincidentemente, estava um frio de rachar e eu passava o tempo todo de quispo vestido na aula.

Um dia, à porta da sala olhou para mim guloso e perguntou-me:

- É nova na turma?

- Que eu saiba não, sou a única aluna que nunca faltou!

 

A vida não é feita só de professores «estranhos». Tive muitos professores maravilhosos, aqueles que são responsáveis, em parte, por eu ter concluído os meus estudos, por eu sempre ter gostado de estudar. Falarei deles. 

Um bom professor pode fazer com que um aluno mediano seja um aluno excelente. Um mau professor pode fazer com que um aluno capaz se desinteresse da escola.

Estes serviram para me ensinar que na vida há de tudo e deram-me ferramentas para hoje lidar com os maluquinhos do dia a dia. Porque eles há, se há!

 

 

------ Gostar da Página ------

----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

--------Instagram--------

------Blogs de Portugal------

----- Seguir no Bloglovin -----

Follow

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

------- Mais sobre mim -------

foto do autor

------------ Arquivo ------------

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D