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Em busca da felicidade

Valem-me os dias de sol

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Mesmo com o frio valem-me os dias de sol. Os dias de fim de semana com tempo e com o sol vivo lá fora. Valem-me os momentos vividos com calma, os passeios na praia, os minutos que passam devagar, no descanso do ponteiro, enquanto olho para ti, com a tua pazinha a fazer escavações na areia da praia. Valem-me as tuas corridas em direção ao mar, que não entendes que está frio e ao mar não vamos de roupa. Quer dizer, se calhar um dia vais. Vais mergulhar vestido e saber o que é sentir a força do mar nas nossas roupas.

Mas se fores vai com juízo. Não te aventures muito e trata de ter uma muda de roupa dentro do carro.

Que não te quero doente, filho.

Valem-me os momentos as tuas palavras palradas, as que ninguém entende mas eu percebo. O areal é um mundo de possibilidades que só tu, na tua inocência entendes.

Ah, como invejo a tua inocência. Nunca a percas, filho. Essa capacidade de ver o mundo em todas as suas possibilidades, e não só as vãs.

Valem-me os dias em que não há horas, há o nascer e o pôr do sol, aqueles em que posso dizer “deixa-o estar, brincar mais um pouco” deixa…

Deixa estar. Se der tempo. Calhando a dar.

Frases comuns que de comuns nada têm na correria dos dias. Não deixo estar quando queres brincar até tarde. Tem de dar tempo, para trabalhar, para as viagens de casa trabalho, para fazer jantar e para te dar banho. Não calha a dar, tem de dar. Que outra hipótese temos.

E vivo assim a minha semana. Entra as fotografias e os vídeos que trago comigo. Aquelas que dantes eram a fotografia tipo passe na carteira do pai.

Vejo uma e outra vez e lembro-me, que daí a dias, poucos dias. Menos um hoje. Menos outro amanhã. Daí a dias é fim de semana outra vez. E o único tempo que conta é o que está la fora. É o sol que nos deixa sair e viver os minutos do tempo devagar. No descanso do ponteiro.

 

 

Esta coisa de ter um segundo filho

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(imagem retirada da net)

 

Quando estava no principio dos meus vintes nem sabia se algum dia teria um filho. Nem sabia se queria ser mãe. Esta coisa que tenho cravado no interior de querer fazer sempre bem as coisas e lidar mal com o erro fazia-me ter medo de me meter em tamanha empreitada. Tinha perdido a minha cedo demais. Seria eu capaz de ser uma boa mãe?

Tinha a certeza que não haviam príncipes encantados e muito menos tipos com a capacidade de aturar um ser como eu, desorganizado, com uma boca pouco educada, refilona, dona da razão e incapaz de gerir o meu ser em torno dos gostos de um homem qualquer. Via-me, quando pensava nessa coisa de ter um filho, sozinha com uma criança porque o pai tinha desistido. Não dela mas de mim. Que paciência tinha limites. Via-me, duas décadas depois, com o relógio biológico caducado, com uma criança adotada. Essa coisa linda de ser mãe do coração. Uma vida já vivida e a maturidade suficiente para ensinar e amar sem limites.

A meio dos meus vintes sabia que afinal os príncipes encantados sempre existem e que andam mascarados de homens normais, sem cavalos brancos nem espadas. Que não nos salvam de torres muito altas, mas que nos acarinham nos momentos mais difíceis, aqueles que parecem mais altos que as malditas torres. A possibilidade de ser mãe torna-se uma realidade. Mas de apenas um. Um filho seria suficiente.

À porta dos trinta decidimos ter um filho. Aos trinta engravido. Passamos toda a gravidez a gerir a vida de uma família que será sempre de 3 pessoas. Quem sabe de 4. Se um dia concretizar aquele sonho antigo de saber o que é ser mãe do coração.

Nasce e percebemos em instantes que não queremos viver aquele momento apenas uma vez na vida.

Que se lixem as dores, as epidurais, as barrigas grandes, as contas. Que se lixe tudo. Queremos repetir. Só falta saber o quando.

Ao fim de 3 semanas, sem ter uma única noite com mais de 1 hora seguida dormida por noite. Com a minha cabeça feita em água, perguntava-me no que raio me tinha metido. “Ser pequeno porque choras? Porque raio não dormes?”. Acalmava-se, aninhava-se em mim e eu sabia outra vez no que me tinha metido. Na melhor coisa da minha vida. A mais difícil também.

Chegaram os dois meses e as rotinas estavam implementadas. Dormia e a vontade de não ser só um voltou. Havia tempo para dar atenção a cada suspiro. Tudo era feito com a lentidão que o tempo pede. Com a atenção que cada momento merece. Garantindo assim que ficava gravado para sempre em todos os tipos de memória que tenho em mim.

Aos 5 meses volto ao trabalho. As exigências iguais às que tinha deixado. O horário mais curto difícil de cumprir. O stress permanente. Uma viagem de uma hora para chegar ao trabalho e outra para regressar. O perceber que os dias lentos acabaram. Que os momentos vividos ao milímetro acabaram. Que temos de chegar a casa e tratar de tudo em vez de estar com todo o tempo para cuidar dele.

Percebo que sou uma pessoa mais do one on one do que a relações publicas da festa. Quero dar-lhe atenção a ele, estar com ele, viver as suas piadas, as suas brincadeiras, dar-lhe atenção focada e não estar perdida entre as fraldas de outro bebé, com o coração dividido e o corpo cheio de culpa ao deitar porque não consigo estar verdadeiramente com nenhum. Não há tempo para isso.

Quero viver este filho. Quero recordar cada pequena coisa que aprender. Quero guardar cada olhar.

A vida que tenho, que levamos (quase todas nós, mulheres trabalhadoras) retira-nos muito dos nosso filhos. É certo que crescem e que depois, já adolescentes se vão borrifando para nós. Mas nos primeiros anos querem-nos mais. Fazemos mais parte deles. Da vida deles.

Falavam-me noutro dia sobre um segundo filho. “Vocês não percam esta oportunidade de ir ao segundo” dizia-nos uma amiga. (já foi ao segundo).

Não quero perder, mas sei que com a vida que tenho não será certamente para já. Quero ver este crescer, quero absorver todos os momentos que restam nos poucos minutos que temos por dia. E depois, depois, quando ele perceber melhor que pode ter companhia, quando ele puder participar e ser incluído de forma consciente. Aí sim, posso pensar nisso sem o medo de perder mais dele e de outro ou outra que possa vir.

 

(se entretanto ganhar o euromilhões, isso é outra conversa)

 

E graças a Deus que nos comovemos.

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As imagens. Os sentimentos. Os clicks. Os likes. As comoções. E o esquecimento.

Ontem entrou pelo ecrã da nossa televisão, pelo monitor do computador enquanto liamos as noticias no trabalho ou quem sabe até, no smartphone enquanto fazíamos tempo para apanhar o autocarro, a imagem de um menino Sírio de 5 anos. Chama-se Omar Daqneesh, não o perdeu o pai nem a mãe (coisa que não sabia ondem quando escrevi o meu post), mas sentava-se numa cadeira laranja, prostrado, de olhar vazio, sem saber o que fazer. Olhava para a lente de um fotografo que registava para todo o sempre a dor a que uma criança jamais devia ser sujeita.

Ontem todos os comovemos. E graças a Deus que nos comovemos. Porque somos humanos. Porque temos filhos, sobrinhos, enteados, irmãos. O que for. Porque temos uma coisa vermelha cá dentro que bate e nos faz sentir que, por mais louco que o mundo ande isto não deve acontecer.

Há vários meses atrás outra imagem tinha chocado o mundo. Dessa vez era Aylan Kurdi que perdera a vida e jazia inerte com à beira do mar.

Todos nos comovemos porque, lá está, somos humanos.

Ontem a comoção. Hoje a critica pela comoção.

Ainda que perceba ser verdade, que ontem nos lembramos e hoje nos esquecemos. O que se espera que façamos? Lamentamos. Chocamo-nos. Sentimo-nos. Acima de tudo doí-nos porque a imagem registada nos faz lembrar a criança que conhecemos. Faz-nos pensar Foda-se e se fosse o meu filho. E indignamo-nos. Ficamos revoltados. Depois a vida continua. Como aliás continua sempre. Como um comboio sem paragem.

Levantamo-nos, tomamos o pequeno almoço à pressa, deixamos os filhos nos colégios ou com os avós e entramos no carro com uma breve pedindo a Deus e aos Santos que jamais se abata na nossa vida o que vimos ontem.

Lamentamos. Que mais podemos fazer?

Por isso muito honestamente, quem hoje vem para as redes sociais, facebook, twiter, blogs, etc dizer que mais uma vez lá lamentamos todos e que se aproveitou a situação de forma mediática. Não estão a fazer o mesmo? A aproveitar para dizer alguma coisa? Quem quer lamentar, lamente. Quem acha que não se deve manifestar que se cale. Agora vir com a treta de ah ontem coitadinho mas depois falam mal dos refugiados e isto e aquilo.

Todos temos sentimentos. Eu senti esta imagem como senti a anterior. Com choque. Com tristeza. Com revolta.

Porque o meu filho também é um menino de calções e sandálias que vai brincar ao jardim. Porque a imagem é próxima à minha realidade. E o coração aperta.

Depois lembro-me que é só a imagem. Que está longe e egoistamente realizo que não é comigo. Sim egoistamente. Porque só os hipócritas não admitem que a determinada altura, mais tarde ou mais cedo, todos pensamos “ainda bem que não é comigo”.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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