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Em busca da felicidade

O sono, as casas e o açúcar

Ora pois que a criatura sem amígdalas que eu trouxe ao mundo me acordou pouco depois das 3 da manhã. Tinha adormecido já perto da meia noite e, como já vem a ser hábito nos últimos dias, os seres trabalhadores que participam para o pagamento de contas apagam, de tão cansados que estão. O sacripanta, que dorme de manhã até à hora que lhe apetece e ainda «descansa» perto de 3 horas à tarde. O mesmo que tem agora uma vida limitada no que toca a saltos e escorregas e a fona em que anda sempre; esse está fresco à noite. E, depois de meras 3 horas de repouso, está capaz de ver a Patrulha Pata outra vez.

- Vamos pá shala!

Dizia-me.

E eu, um olho meio aberto e o outro a recusar-se a abrir, levanto-me e alombo com o bicho mais de meia hora de um lado para o outro. Porque é a contrapartida, se não vamos ver a «Patulha Pata» então andamos de (colinho lado pó oto).

Eu, para não me apagar em andamento, dou comigo a comprar coisas: vestidos, sapatos, carros, casas. O que mais aprouver ao neurónio de serviço nessa noite. Ontem foram casas. Onde comprar? Metros quadrados? Comprar o que quero porque sonhar é grátis como diz o Ronaldo? Fazer contas ao que a carteira deixa (bem mais triste por sinal)? Ser pobre é mesmo uma calamidade. Devia ser proibido ser pobre.

De manhã, para me manter acordada no carro, decidi pesquisar casas na net. Por baixo do preço da casa aparecia um valor que o meu neurónio ignorante achou que era a mensalidade prevista. Passei metade da fila em choque. Casas havia em que dava 2.000 € por menos de 200 000 €. Caraças!

Já estava eu decidida em ver apenas as que não podia comprar. Afinal de contas mais valia. Quando dou conta que havia casas a mais de meio milhão de euros com valor de «mensalidade» inferior.

 

Era o preço por metro quadrado. Não a mensalidade. «Bem que achei estranho aquele «m» calistava.

De qualquer modo vi muito destas coisas:

 

casa 1.png

 

Casa 2.png

Casa 3.png

  

Odespois, já no emprego e após tratamento de afazeres, senti uma espécie de ramerame no estomago que me cheirou ao pedido de croissant de chocolate. Atendi ao pedido até porque hoje já treinei pesos às 3 e meia da manhã. Depois às 4 e tal e ainda depois das 6. Houve uma altura em que acho que já sentia que não tinha controlo sobre os meus membros, falavam comigo mas a cabeça recusava-se a acionar as pernas.

croissant.png

 

Quando o sono é mais forte que a hipocondria

medical.png

 

 

Factos:

Sou hipocondríaca assumida.

Não sou hipocondríaca em ultimo grau.

Mas gosto de fazer exames e tirar fotografias ao interior.

Sou uma pessoa que aprecia dormir.

Desconfio sempre de medicamentos.

E quando tenho de tomar alguma coisa mais forte do que um Bem-U-Ron assaltam-me receios de efeitos secundários.

 

Quando na sexta-feira passada fui ao médico, o doutor, muito simpático, fez-me uma enxurrada de perguntas para saber que medicamento me poderia passar. Que peso tenho, se tomo a pílula, se tomo outros medicamentos, etc.

Para a maior parte das pessoas o facto de o senhor doutor fazer muitas perguntas resultaria num sinal de conforto, até porque, se está a ter em conta tantos fatores é porque o medicamento será mesmo o mais adequado.

Na minha cabeça as coisas não funcionam assim.

Quanto mais perguntas o médico faz, mais eu suo. A minha cabeça é tomada a saque por neurónios neuróticos que disparam observações parvas: «o medicamento deve ser mesmo perigoso!», «porquê tanta pergunta?», «quantos dias vou tomar aquilo?», «8 dias? Tanto?», «Ainda me dá alguma coisa, um AVC, uma embolia pulmonar, sei lá!».

Tomo o medicamento desconfiada. Com medo. Sinto pontadas ocasionais e faço exercícios que li na internet para ver se estou a perder capacidades. Procedo ao acalmamento interior. Rezo. Mesmo não sendo crente, rezo. E posso dizer que escrevia cartas a Nosso Senhor e lhas enviava em correio azul se soubesse que as lia.

 

Há duas noites acordei com uma pontada no peito. Podia ser um mau jeito. Podia estar mal deitada. Podia ser muita coisa. Na minha cabeça: uma embolia pulmonar. Já sentia a falta de ar.

Mas estava com sono. Eram 3 e tal da manhã e eu tinha muito sono.

Disse para mim: «encosta-te só um pedacinho…o pior que pode acontecer é faleceres…mas descansa.» Lembro-me perfeitamente de me dizer isto. O Nuno deitado ao lado, a dormir, e eu a falar sozinha. A dizer a mim mesma que era tranquilo, o pior que podia acontecer era falecer, mas não havia de ser nada.

Encostei-me e adormeci.

Quando acordei fiquei radiante por não ter tido uma embolia pulmonar.

 

Está visto que, no meu caso, o sono é mais forte que a hipocondria, espero que se um dia for a sério não me dê para me encostar um nadinha «a ver no que dá!»

 

Lá há forma...

...melhor de acordar do que com a mão pequenina e quentinha do nosso filho no rosto?

Há. Às 10 da manhã.

 

Perfeito, mas mesmo perfeito, é acordar com a mão pequenina e quentinha do nosso filho no rosto, mas às 10 da manhã.

 

Bom dia!

 

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