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Em busca da felicidade

As suas maminhas cabem bem aqui!

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Começa o verão e chega a necessidade de comprar roupa apropriada para ir pôr o lombo ao sol.

Ando há semanas com as lojas de fatos de banho e biquínis de baixo de olho. A ver se me decido se compro uma peça ou duas. É que isto de não ter os abdominais da Patrocínio é um bocado intimidador de levar p'a praia.

No sábado passado fomos passear para a Avenida da Liberdade, a fazer que somos pessoas endinheiradas, depois descemos o suficiente para chegar aos Restauradores e encontrar lojas que vendessem coisas no limite do nosso orçamento.

Entro e escolho dois fatos de banho.

Enfio-me no provador cheia de confiança e o desgosto dá-se logo com o primeiro. Claramente desenvolvido para uma criatura em fase de desenvolvimento ou que tenha puxado mais ao pai da parte de cima.

Vamos ao segundo. (o da imagem) Penso de mim para mim. Faço muito isto, pensar de mim para mim.

Grande porra, não havia meio de descobrir como é que entrava para dentro do fato de banho. Sabia que o corpo cabia lá dentro. Só não havia forma de o meter no interior sem rasgar um pedaço para tentar entrar. Juro que tentei enfiar aquela bodega pela cabeça, depois pelos pés. Até de lado tentei entrar, senhores! Desisti.

Saio e digo à moça:

- Preciso de uma ajuda. Como é que isto se veste?

Ao que me responde:

- Sabe já me tinha feito essa pergunta várias vezes e também não sei.

Boa!

Não trouxe nada.

Hoje fui dar uma volta ao Colombo.

Como diria o nazi financeiro com quem contraí matrimonio "Não te podes apanhar com ordenado e sem marido!"

Mal entro na loja aparece-me uma moça muito simpática. Acabadinha de chegar do Alentejo.

Tudo me ficava bem. Eu a pensar "aí filha, se me calhas a ver descascada....a roupa cria tantas ilusões!"

Pego num mesmo giro, daqueles que ficam bem à Rita Pereira e digo:

- Era isto mas em maior.

- Este serve-lhe.

- Olhe que eu visto uma copa maior.

- Posso pôr-lhe o fato de banho à frente?

- Ponha.

- Cabem bem aqui.

Eu pareceu-me que não. Mas lá fiz a vontade à moça. Levei mais um fato de banho azul e outro branco fantástico que, modéstia à parte até nem me ficava mal, só atirava era para o inadequado para férias num espaço familiar porque a qualquer momento ficavam coisas a respirar ar fresco...se é que me faço entender. E sabem as senhoras que leem este antro que há partes do corpo a quem a liberdade tem se ser sonegada a tempo inteiro.

Lá vou eu para o provador. Constato o óbvio com o biquíni. Não cabia o que devia caber. Percebo que o fato de banho branco criaria uma espécie de anarquia de peças corporais e viro-me para o azul, que apesar de bonito me fez lembrar os fatos de banho que a senhora minha mãe, depois de 4 partos, usava na praia.

Ficava bem e estava com problemas em encontrar-lhe o problema ideal para o rejeitar. Puxei pela etiqueta, 79 €. O quê?! Tá tudo doido. Mais depressa vou p'ra praia 19 da Costa da Caparica e faço bronze integral. Até fico mais sintonizada com a natureza.

Saio e pouso as peças.

- Então?

Perguntam 3 moças. Ficaram em transe de ver alguém sair sem levar uma única peça.

- Não vou levar.

- NADA!

Diz uma horrorizada.

- Exato.

- Mas porquê?

- Não gostei de como assentavam.

- Mas não gostou do quê?

- Olhe não gostei, parece-me suficiente não gostar. Boa tarde.

Lá fui à minha vida, a qual passou por comprar um pacotinho de chocolates na Hussel (não, não papei todos...dividi pelos coleguinhas)

 

Ser criança

A melhor coisa de ser criança é a capacidade de ver a mesma coisa de diferentes formas. Uma árvore pode ser uma casa. Uma caixa de cartão pode ser uma banca de jornais. Um boneco pode ganhar vida. Uma parede vazia pode preencher-se de cores. Basta que a imaginação exista.

Ser criança é perguntar porquê e nunca estar satisfeito com a resposta. É brincar com a vida nas coisas mais mundanas. É rir de nós e dos outros. Mas que se riam connosco também.

Ser criança é uma coisa maravilhosa e por vezes parece-me que hoje as nossas crianças são menos crianças que nós.

Íamos para a rua, sujávamos as calças, tínhamos férias de 3 meses no verão, andávamos de bicicleta, brincávamos, éramos patetas e era normal "porque éramos miúdos e quando crescêssemos logo íamos ver como este tempo é que era bom!".

Mas hoje pedimos às crianças que sejam ainda mais adultas. Não se lhe confiam as chaves de casa, como os nossos pais nos confiaram a nós. Sozinhos em casa nem pensar! Mas damos-lhes um dia de trabalho igual ao nosso. Com entrada no colégio às 7:30 da manhã e saída depois das 19.

Trabalhos de casa a dar com pau e mais atividades e livros e cultura olhos adentro.

E tempo para ser criança? Para usar a imaginação?

No nosso tempo não havia dia da criança, essencialmente porque não precisávamos de dia para ser aquilo que de facto éramos todos os dias.

Hoje há o dia da criança, para comprarmos uma prenda aos miúdos, para os levarmos a uma atividade, para poderem comer um chupa carregado de açúcar (porque ele é o demónio e lá em casa comem-se as porções certas de fruta e legumes como mando o nutricionista).

Hoje temos de lhes arranjar um dia, um pedaço de tempo ao ano para olharmos para eles e dizermos que as asneiras são normais porque são putos.

Ou talvez exagere. Mas parece-me que éramos tão mais crianças do que eles são hoje.

Sorte a dos que têm avós, que os levam a passear, que os vão buscar mais cedo aos colégios, que lhes proporcionam no dia a possibilidade daquilo que deviam ser. Crianças.

 

A vida é uma maravilha, amor!

Welcome to Cagaíbas!

A place of tremendous fun around the toilet.

 

 

Passámos o sábado em voo, sem se dar conta de grande coisa, no Domingo fizemos escala nas Ilhas Gregos e chegámos finalmente às Cagaíbas.

Toda a família! Uma maravilha de férias. Só faltam mesmo umas bebidas com chapéuzinho colorido à acompanhar com os imodium e às canjas de galinha.

O Nuno já andava a atirar para o mal, o pequeno idem-idem e eu julgava-me ilesa até ter acordado com os olhos em formato besugo.

Pensei, contudo, de forma errada, que karma terminava aí. Nada disso. O meu tinha algo de muito mais interessante guardado para mim.

Hoje fomos com a Tulipa ao veterinário. Mais uma conta e chegámos, confortavelmente, aos 200 euros e qualquer coisa de despesas (entre 2 tratamentos).  

Uma nota. Nunca mais na minha vida volto a ter cães de raça. E muito menos brancos! De hoje em diante apenas rafeiros e de preferência dos que já fizeram estágio de rua. Tive uma rafeira que desencantei num prédio em obras e só me deu despesas 2 meses antes do fim. Estes desgramados já me gastaram o suficiente para uma viagem de luxo em família a Nova York (em época pré-Trumpas, que agora devemos ser logo devolvidos).

Adiante.

Estava eu a segurar a cadela e a doutora que temos de continuar o tratamento e que temos de limpar isto e talvez pôr capacete (funil) e mais não sei o quê e eu começo a perceber que vou esbardalhar-me em grande estilo. Começo a deixar de ouvir a médica, a sentir que se me esvaiu o sangue do corpo. Sento-me.

Não disse nada à médica.

Ela estranhou.

Mas eu tenho um ar estranho. Podia só ter-me dado para aquilo.

Continuo a ficar mais branca.

"Não se está a sentir bem pois não?"

Acenei que não.

Lá foi a veterinária buscar água com açúcar.

Já fui atendida por muitas especialidades, veterinária é a primeira, quem sabe se não será a certa para a estirpe de animal que eu sou?!

Continuamos a consulta. Foi a cadela para ser atendida e a determinada altura estava eu sentada a beber água com açúcar, a cadela a levar uma injeção, o Nuno com o pequeno ao colo que se desgrenhava para dar cabo do consultório e o Ghandi a ver se ninguém dava por ele.

Ouvi o resto que a veterinária tinha a dizer. Saí com os votos de melhoras e a dúvida se seriam para mim se para a cadela.

Chego à caixa para pagar e estava um reformado. Contava devagar histórias à moça da caixa. Vagarosa. Simpática mas vagarosa. Acredito que boa moça, mas eu já estava capaz de gritar "despachem-se" quando o reformado se despediu e foi-se embora.

Oitenta a nove mais não sei quê.

Fiquei pior.

E ainda tenho de ir comprar gotas para pôr nos ouvidos da Tulipa.

Que belas férias. Cansados como estávamos, era mesmo disto que precisávamos!

Maravilha, é o que vos digo!

Só falta o puto aparecer com uma alforreca na cabeça e fica perfeito!

 

 

(nota importante, ninguém deu Imodium ao puto)

Desculpem lá a minha bipolaridade

Há dias em que acordo sem vontade de fazer nada. Há dias em que acordo com a sensação de que o dia é igual aos outros e depois, sem que nada de especial tivesse acontecido, perco a vontade que normalmente tenho para as coisas. Como quando ouvimos a mesma música vezes sem conta, a principio adoramos, depois habituamo-nos e já sabemos a letra de cor, até que chega o dia em que já nos irritam os primeiros acordes.

Nesses dias, ou nesses momentos, ou nessas horas, nessas frações de segundo parece que as coisas não fazem sentido. Não vale a pena rir que o dia está cinzento, não vale a pena a piada porque um pode não gostar, que interessa se os outros nove se divertem. Nesses dias, nesses momentos as expectativas aparecem sempre para dizer que estão aquém do esperado.

Uma espécie de bipolaridade ocasional que me assalta quando há mais cansaço. Quando as noites são mais curtas e piora nas intermitentes.

Porque a vida é mesmo assim, dizem, feita de altos e baixos. Eu preferia que fossem sempre altos, que tivesse sempre a coisa certa para dizer, que isto fossem só sorrisos e fotografias de qualidade.

Mas diz que não.

Se calhar é mesmo bipolaridade. Se calhar é porque sou gémeos. Se calhar é porque estou cansada. Porventura porque estou viva e ainda sinto as coisas.

Mas escreves para dois gatos pingados?

Pois escrevo para dois gatos pingados. Mas os meus gatos pingados são tão bons gatos pingados. Dos que voltam e dizem “não sejas parva, ó palerma, conta lá a próxima atrocidade que tens nessa cabeça condenada”, e eu fico sensibilizada. Porque não me conhecem, porque nunca me viram, nunca lhes salvei o cão, nem dei uma mãozinha com os sacos das compras e ainda assim dão-me uma mãozinha a mim nestes dias de carrancudice aguda.

Por isso desculpem lá a minha bipolaridade, a minha pouca capacidade para gerir expectativas, é que nasci com um pé nos sonhos e outro na realidade. Às vezes o equilíbrio falha.

 

(ninguém me disse a frase disparatada acima mencionada, isso é parvoíce que só podia sair de minha cabeça)

Eu sou o monstro das manhãs

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Não sou uma pessoa das manhãs. Ou como diriam os americanos “i’m not a morning person”. Aliás, sou o completo oposto. Acordo, praguejo, levanto-me 20 minutos depois porque o Nuno insiste. Vou à casa de banho e lentamente vou arrumar as coisas para o pequeno almoço e a mala do almoço. Preciso que os outros habitantes da casa me contornem e evitem dirigir-se a mim.

Nesse momento estou a tentar lidar - recorrendo ao único neurónio disponível - com a frustração de não poder acordar ao sabor do nascer do sol. Arranjo forças para sorrir a sôtor porque afinal de contas ele é ainda mais importante que o sol. Quando ele acorda nasce o meu dia.

 

Sôtor é assustadoramente meu filho e tem mau acordar como a mãe. Entendemo-nos lindamente de manhã. Normalmente só corre menos bem se um de nós estiver mais acordado que o outro. Ambos partilhamos o desejo de voltar para a cama. Tal como fizemos todos os dias nos primeiros 4 meses de vida dele.

 

Quando alguém impede este mecanismo de combustão lenta o meu cérebro entra em colapso e o único neurónio ao serviço levanta-se, vai até à primeira parede que encontra e fica lá, a bater com a mona proferindo o mesmo mantra “fuck, fuck, fuck-fuck-fuck, fuck, fuck, fuck-fuck”. Isto só se remedeia quando outro neurónio percebe que a torre de comando está ao Deus dará e manda reforços. Um neurónio para substituir o que está marado, duas neurónias enfermeiras, um colete de forças e um neurónio psiquiatra que diz “está a ter uma crise psicótica. CHOQUE” e levam-no já inconsciente para uma sala almofadada onde dorme 5 dias para depois ser acompanhado por dois ou três meses procurando evitar a situação que funciona como trigger aos momentos de crise.

Nessa altura o nerónio ao serviço manda comprar pão de Centeio com manteiga para remediar a situação.

 

O tempo não passa, voa

(ontem estávamos já deitados a tentar convencer o pequeno a ir dormir. o Nuno olhava para as fotos que temos na parede do quarto)

 

Nuno - Aquelas fotos têm quase todas 10 anos...

Eu - As da direita têm todas 10 anos. As da esquerda, em cima têm 10, as debaixo têm 9.

Nuno - Fogo...como é que é possível?!

Eu - O tempo voa. Ainda ontem parece que estávamos fartos de 2016 e agora já vamos no fim de Janeiro.

 

(o Nuno continuou a olhar para as fotos. eu fiquei a olhar para elas. a recordar esses dias. momentos das nossas palhaçadas. em que estávamos mais novos, com a cara a precisar de menos botox, cabelos mais fartos e cabeças menos desgastadas)

 

Nota: Não tinha vontade de escrever nada, mas depois recebo um daqueles comentários que me fazem ganhar inspiração. Malta menos medicada que eu, que aqui vem e gosta.

O tempo como um saco elástico

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Tenho esta mania, não sei se lhe posso chamar mania, mas à falta de uma palavra melhor cá vai esta. Tenho a mania de tentar fazer do tempo um saco elástico. Estico, estico, estico. Sempre a tentar enfiar nas mesmas 24 horas que já sei que existem mais coisas. Vou só fazer mais isto. Tenho a certeza que dá para encaixar só mais aquilo. Na permanente ideia de que as ideias utópicas de gestão magnifica de tempo permitem que se aproveite o maldito em toda a sua essência.

Mas será que se aproveita?

Vejo-me a bater-me com os ponteiros do relógio. Em permanente ansiedade pela tarefa auto proposta seguinte. Aquela que tentei encaichar entre a tarefa 147 e 194, que são obrigatórias e não posso fugir.

Depois páro ao final do dia com o corpo dormente da tareia que levou, ainda a vibrar com a eletricidade que circula por dentro. Um resultado da adrenalina permanente que o corpo carrega sobre si mesmo para, por força da vontade, e contra a necessidade do descanso, se obriga a fazer.

Depois pergunto-me, será que aproveitas mesmo? Lembras-te dos pormenores do dia? Estiveste feliz e descansada ou andaste a toque de caixa, que é como quem diz a toque de vontades, as tuas e as dos outros? Somadas às necessidades e às obrigações.

Aproveitas-te o tempo? Ou gozaste só aqueles cinco minutos em que, sem pensar em mais nada, paraste no tempo e no momento para ver o teu filho brincar na banheira. Patinho para lá, tartaruga para cá? Dois, três, seis e a mãe esconde a cara atrás do muro da banheira.

Será que feitos os nove’s fora do dia não gozaste só cinco? Não horas mas minutos. Nem mesmo aqueles em que o devias embalar estavas ali. A cabeça a pensar no tempo que passa no relógio, nos minutos que  passam e ele não adormece. Ele, com quem querias estar mais tempo e agora desejas que adormeça, para teres mais dez minutos para ti, leres duas páginas e meia e ir dormir.

Pegar no despertador do telemóvel, simpático, até te diz as horas que vais dormir. Sempre menos de sete, invariavelmente menos de seis e meia, com frequência nem essas porque aquele que menos vejo no dia acorda a meio da noite à procura de aconchego, encontramos espaço no meio de uma cama onde já não há e prometemos que vamos comprar uma maior.

O saco estica, estica e às vezes rebenta. Quando me sento no sofá com a sensação de que mal me mexo. Quando já não estou certa de ser quarta ou quinta feira, quando penso que faltam duas semanas para o natal e afinal estamos a quatro dias.

Percebo aí que o saco está a rebentar e que o tempo não é elástico, elástica é a minha vida, torno-me eu, para por dentro de um saco de fibra dura mais e mais peças.

Páro e penso o que ando a fazer ao meu tempo, que de tantas coisas que faço, mal faço alguma coisa com ele.

 

Sobre aquilo do fim do mundo

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Há umas semanas dizia-me o Nuno que leu no jornal que uns cientistas ou lá o que é dizem que vem em direção ao planeta terra um planeta com três vezes o nosso tamanho. Diz que o bicho está lançado e vai embater connosco com toda a força, dizimando-nos.

Uns dias depois alguém foi encontrar uma profecia de um senhor lá para 1500 a dizer que no ano em que nevasse 3 dias seguidos numa determinada cidade italiana, o mundo ia acabar. Nevou três dias seguidos numa determinada cidade italiana.

Hoje de manhã enquanto tomava o pequeno almoço via as noticias da TVI. Ora diz que uma chamada para o saúde 24 custa uma média de 12 euros, o que é bom. Uma pessoa está a ter um AVC e para se safar é bom que tenha saldo no telemóvel. Depois aparece uma senhora que foi atacada por um cão e, na sequencia dos exames necessários descobre que tem uma bala alojada no torax.

Mas que raio…mas atão a mulher nunca deu conta que levou um tiro?

Ao que parece há mais de 24 anos o ex companheiro da senhora deu-lhe dois ou três tiros de caçadeira. Os outros saíram e a senhora pôs um penso. Esta, calhou a nunca incomodar a senhora.

Ainda não eram 7 da manhã e eu pensei. O planetão bully já não vem acabar com nada.

Não há nada para dar cabo.

Alguém tem de lhe ligar a avisar que não vem pá’qui fazer nada, porque isto de fazer um bully perder tempo é coisa para o deixar ainda mais furioso.

É coisa para me fazer lembrar daquela senhora amiga da minha avó Gertrudes que quando foi assaltada não avisou os meliantes de que os brincos eram de pechisbeque. Danados, depois de terem levado uma nega na loja de penhor, os tipos fizeram-lhe uma espera e deram-lhe umas lambadas porque os brincos não eram de ouro.

 

(e sim, esta história é verdadeira, a da amiga da minha avó)

Valem-me os dias de sol

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Mesmo com o frio valem-me os dias de sol. Os dias de fim de semana com tempo e com o sol vivo lá fora. Valem-me os momentos vividos com calma, os passeios na praia, os minutos que passam devagar, no descanso do ponteiro, enquanto olho para ti, com a tua pazinha a fazer escavações na areia da praia. Valem-me as tuas corridas em direção ao mar, que não entendes que está frio e ao mar não vamos de roupa. Quer dizer, se calhar um dia vais. Vais mergulhar vestido e saber o que é sentir a força do mar nas nossas roupas.

Mas se fores vai com juízo. Não te aventures muito e trata de ter uma muda de roupa dentro do carro.

Que não te quero doente, filho.

Valem-me os momentos as tuas palavras palradas, as que ninguém entende mas eu percebo. O areal é um mundo de possibilidades que só tu, na tua inocência entendes.

Ah, como invejo a tua inocência. Nunca a percas, filho. Essa capacidade de ver o mundo em todas as suas possibilidades, e não só as vãs.

Valem-me os dias em que não há horas, há o nascer e o pôr do sol, aqueles em que posso dizer “deixa-o estar, brincar mais um pouco” deixa…

Deixa estar. Se der tempo. Calhando a dar.

Frases comuns que de comuns nada têm na correria dos dias. Não deixo estar quando queres brincar até tarde. Tem de dar tempo, para trabalhar, para as viagens de casa trabalho, para fazer jantar e para te dar banho. Não calha a dar, tem de dar. Que outra hipótese temos.

E vivo assim a minha semana. Entra as fotografias e os vídeos que trago comigo. Aquelas que dantes eram a fotografia tipo passe na carteira do pai.

Vejo uma e outra vez e lembro-me, que daí a dias, poucos dias. Menos um hoje. Menos outro amanhã. Daí a dias é fim de semana outra vez. E o único tempo que conta é o que está la fora. É o sol que nos deixa sair e viver os minutos do tempo devagar. No descanso do ponteiro.

 

 

De vez em quando o tapete foge

Há uma espécie de tapete encantado que guia a nossa vida. Só pode haver. Aquele que de quando em vez alguém puxa e nos manda ao chão. Porque nos tiraram o tapete que nos equilibra nesta coisa chamada vida. Aquele que cuidamos para não cair.

O nossos planos, as nossas ideias, os nossos sonhos.

Tudo cai quando batemos com força contra o chão duro. Indolente. Implacável.

E o sonho lá em cima, a olhar para nós.

E nós, cá em baixo, à procura do tapete. Alguém o puxou.

Apetece gritar. Arrancar cabelos. Procurar o responsável…quando o há.

Depois da raiva vem a aceitação, de que nada mais podemos fazer. Repensamos os planos. Dizemos aos sonhos que lá havemos de chegar. Enxugamos as lágrimas e cambaleantes tentamos seguir em frente.

Connosco a mágoa, as cicatrizes que ninguém vê. As que trazemos cá dentro e nos tornam mais amargurados. Porque a vida não devia ser isto.

E lá subimos para o tapete. Agora diferente. Mais gasto. Menos firme.

De vez em quando o tapete foge. E outras vezes alguém o puxa.

E assim ainda é mais triste.

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