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Em busca da felicidade

Anda uma mãe a criai um filho #

Tinha acabado de tomar banho e andava aos saltos na cama:

 

Sôtor: Tulica, Gâdi, vénham cá!

Eu: Queres que a Tulipa e o Ghandi venham para o pé de ti?! O que queres tu ao Ghandi e à Tulipa?

Sôtor: Béjinhos e abaços!

Eu: Aummmm! Meu rico menino! Também dás beijinhos e abraços à mãe?

Sôtor: Não!

(assim, secamente!)

 

Já definida a ordem de importâncias cá em casa:

1º Tulipa e Ghandi

2º Mãe

3º Pai

 

(dá-me a ideia que ele ainda não percebeu bem quem é que paga a net e os dados móveis que ele gasta!)

A vida de quem tem medo

A vida de quem tem medo é menor.

É mais cinzenta.

Quando a luz está acesa parece nunca iluminar o suficiente.

A vida de quem tem medo preenche-se de dias muito iguais.

Às vezes sempre iguais.

Demasiado iguais.

Tão gémeos uns dos outros que a menor variação aumenta o ritmo cardíaco.

O coração bate perto da boca.

Parece sufocar.

Parece que vai rebentar.

Parece que nada o pode acalmar.

A vida de quem tem medo nada sempre no rio conhecido.

Não se atreve em alto mar.

Os perigos que se sabem são muitos, os que se desconhecem ainda maiores.

A vida de quem tem medo redunda na morte.

Numa morte inesperada.

Não controlada.

Súbita.

Parva.

Num fim que se deseja tardio.

Na vida de quem tem medo a morte aparece mais vezes que no fim.

Morre-se um pouco de cada vez que pensamos que a maldita pode vir.

Na vida de quem tem medo há momentos que se vivem como se de um filme se tratasse.

O «até logo» reveste-se de um «adeus» que parece eterno.

«E se digo até logo mas já não volto?»

«E se o teu pedido para ficar, assim, só mais um pouco, assim, só hoje, for premonitório?»

Os ses que rodam e atormentam.

A racionalidade que se quer impor, mas que o animal não deixa.

O coração ainda bate forte demais.

Uma pontada debaixo do braço.

Alguma dificuldade em engolir.

As pernas parecem não querer responder. Ainda que continuemos a caminhar.

«Põe aquela musica.»

E a musica toca. Toca mais alto.

«Muda de musica. A outra...»

E o coração bate perto do pescoço.

«Sim, agora sinto-me confiante.»

Mas estava melhor sentada na minha cadeira de todos os dias.

A fazer as coisas de todos os dias.

Os dias sempre iguais.

Não sei em que momento o medo tomou conta da minha vida.

Antigamente não o sentia.

Diz que um coração que sofre é um coração que é amado.

Se calhar é isso.

O medo de perder o amor.

 

(não é um poema, não é um texto, nem sequer é uma lista. é uma coisa que escrevi em 3 horas de espera)

 

Aí a p%&ta da memória

crs.png

 

Fomos ao AKI comprar umas coisas que nos faziam falta. Seguimos para a caixa:

 

Senhor da caixa

Deseja pagar como?

 

Nuno

Multibanco

 

Começa à pesca do MB na carteira. Nada de encontrar o dito; parecia um daqueles velhotes que colocam a arrastadeira de lado e se enconstam ao balcão a contar os trocos enquanto dizem: «ora menina ajude-me lá a contar aqui as moedas.»

Eu armada em chica esperta saco do meu MB:

 

Eu

Deixe estar, está aqui o meu. Afinal de contas sai tudo do mesmo poço.

 

Lampeira marco o código. Dá erro. Só me estava a ocorrer o código de entrada da porta de casa.

 

Eu

Grande merda. Parecemos dois pategos. Porra que não me lembro do código.

 

Retirei o cartão e o Nuno pagou com o dele (entretanto encontrou).

 

#putadamemória

#jánãodápamais

#estoutodaqueimada

 

 

Coisas de mãe

Há poucas coisas nesta vida que me deem mais gozo do que ouvir o meu filho aprender a falar.

Todas as noites me pede para ler "torias", umas atrás das outras. Prometo duas, pede sempre mais uma: "gepeto", "shete anões" ou a minha preferida a "chidelela e o coche". Queixo-me feita parva, mas fica-me um sabor a pouco na boca quando não o ouço insistir por mais uma.

 

Poucas coisas nesta vida me alegram mais as manhãs do que ver o meu filho acordar com um sorriso. Poucas me apertam mais o coração do que ver esse sorriso dar lugar a um semblante de tristeza quando me pede "mãe, quato" para irmos brincar e eu tenho de lhe dizer "a mãe tem de ir ganhar tostões".

 

No sábado passado compramos-lhe uma caixa de lápis de cena na loja dos chineses. Todos os dias me pede "folas", pinta os seus rabiscos e corre atrás de mim pela casa, quer que lhe elogie os desenhos.

Ontem sentei-me ao lado dele enquanto rabiscava, contente e confiante com a sua obra, decidiu experimentar as cores todas. Os lápis, fininhos, partiam-se com a força que fazia a pintar. Olhava para mim, uma metade de lápis em cada mão e dizia preocupado "oh, pitiu!". "Não faz mal, filho, pinta na mesma", disse-lhe de todas as vezes. E ele pintava. Eu olhava para ele e pensava nas saudades que vou ter deste tempo. Pedi aos anjos, se é que eles existem, que me permitam guardar na memoria estes momentos. São os únicos que valem o arquivo.

 

As suas maminhas cabem bem aqui!

banho.jpg

 

 

Começa o verão e chega a necessidade de comprar roupa apropriada para ir pôr o lombo ao sol.

Ando há semanas com as lojas de fatos de banho e biquínis de baixo de olho. A ver se me decido se compro uma peça ou duas. É que isto de não ter os abdominais da Patrocínio é um bocado intimidador de levar p'a praia.

No sábado passado fomos passear para a Avenida da Liberdade, a fazer que somos pessoas endinheiradas, depois descemos o suficiente para chegar aos Restauradores e encontrar lojas que vendessem coisas no limite do nosso orçamento.

Entro e escolho dois fatos de banho.

Enfio-me no provador cheia de confiança e o desgosto dá-se logo com o primeiro. Claramente desenvolvido para uma criatura em fase de desenvolvimento ou que tenha puxado mais ao pai da parte de cima.

Vamos ao segundo. (o da imagem) Penso de mim para mim. Faço muito isto, pensar de mim para mim.

Grande porra, não havia meio de descobrir como é que entrava para dentro do fato de banho. Sabia que o corpo cabia lá dentro. Só não havia forma de o meter no interior sem rasgar um pedaço para tentar entrar. Juro que tentei enfiar aquela bodega pela cabeça, depois pelos pés. Até de lado tentei entrar, senhores! Desisti.

Saio e digo à moça:

- Preciso de uma ajuda. Como é que isto se veste?

Ao que me responde:

- Sabe já me tinha feito essa pergunta várias vezes e também não sei.

Boa!

Não trouxe nada.

Hoje fui dar uma volta ao Colombo.

Como diria o nazi financeiro com quem contraí matrimonio "Não te podes apanhar com ordenado e sem marido!"

Mal entro na loja aparece-me uma moça muito simpática. Acabadinha de chegar do Alentejo.

Tudo me ficava bem. Eu a pensar "aí filha, se me calhas a ver descascada....a roupa cria tantas ilusões!"

Pego num mesmo giro, daqueles que ficam bem à Rita Pereira e digo:

- Era isto mas em maior.

- Este serve-lhe.

- Olhe que eu visto uma copa maior.

- Posso pôr-lhe o fato de banho à frente?

- Ponha.

- Cabem bem aqui.

Eu pareceu-me que não. Mas lá fiz a vontade à moça. Levei mais um fato de banho azul e outro branco fantástico que, modéstia à parte até nem me ficava mal, só atirava era para o inadequado para férias num espaço familiar porque a qualquer momento ficavam coisas a respirar ar fresco...se é que me faço entender. E sabem as senhoras que leem este antro que há partes do corpo a quem a liberdade tem se ser sonegada a tempo inteiro.

Lá vou eu para o provador. Constato o óbvio com o biquíni. Não cabia o que devia caber. Percebo que o fato de banho branco criaria uma espécie de anarquia de peças corporais e viro-me para o azul, que apesar de bonito me fez lembrar os fatos de banho que a senhora minha mãe, depois de 4 partos, usava na praia.

Ficava bem e estava com problemas em encontrar-lhe o problema ideal para o rejeitar. Puxei pela etiqueta, 79 €. O quê?! Tá tudo doido. Mais depressa vou p'ra praia 19 da Costa da Caparica e faço bronze integral. Até fico mais sintonizada com a natureza.

Saio e pouso as peças.

- Então?

Perguntam 3 moças. Ficaram em transe de ver alguém sair sem levar uma única peça.

- Não vou levar.

- NADA!

Diz uma horrorizada.

- Exato.

- Mas porquê?

- Não gostei de como assentavam.

- Mas não gostou do quê?

- Olhe não gostei, parece-me suficiente não gostar. Boa tarde.

Lá fui à minha vida, a qual passou por comprar um pacotinho de chocolates na Hussel (não, não papei todos...dividi pelos coleguinhas)

 

Ser criança

A melhor coisa de ser criança é a capacidade de ver a mesma coisa de diferentes formas. Uma árvore pode ser uma casa. Uma caixa de cartão pode ser uma banca de jornais. Um boneco pode ganhar vida. Uma parede vazia pode preencher-se de cores. Basta que a imaginação exista.

Ser criança é perguntar porquê e nunca estar satisfeito com a resposta. É brincar com a vida nas coisas mais mundanas. É rir de nós e dos outros. Mas que se riam connosco também.

Ser criança é uma coisa maravilhosa e por vezes parece-me que hoje as nossas crianças são menos crianças que nós.

Íamos para a rua, sujávamos as calças, tínhamos férias de 3 meses no verão, andávamos de bicicleta, brincávamos, éramos patetas e era normal "porque éramos miúdos e quando crescêssemos logo íamos ver como este tempo é que era bom!".

Mas hoje pedimos às crianças que sejam ainda mais adultas. Não se lhe confiam as chaves de casa, como os nossos pais nos confiaram a nós. Sozinhos em casa nem pensar! Mas damos-lhes um dia de trabalho igual ao nosso. Com entrada no colégio às 7:30 da manhã e saída depois das 19.

Trabalhos de casa a dar com pau e mais atividades e livros e cultura olhos adentro.

E tempo para ser criança? Para usar a imaginação?

No nosso tempo não havia dia da criança, essencialmente porque não precisávamos de dia para ser aquilo que de facto éramos todos os dias.

Hoje há o dia da criança, para comprarmos uma prenda aos miúdos, para os levarmos a uma atividade, para poderem comer um chupa carregado de açúcar (porque ele é o demónio e lá em casa comem-se as porções certas de fruta e legumes como mando o nutricionista).

Hoje temos de lhes arranjar um dia, um pedaço de tempo ao ano para olharmos para eles e dizermos que as asneiras são normais porque são putos.

Ou talvez exagere. Mas parece-me que éramos tão mais crianças do que eles são hoje.

Sorte a dos que têm avós, que os levam a passear, que os vão buscar mais cedo aos colégios, que lhes proporcionam no dia a possibilidade daquilo que deviam ser. Crianças.

 

A vida é uma maravilha, amor!

Welcome to Cagaíbas!

A place of tremendous fun around the toilet.

 

 

Passámos o sábado em voo, sem se dar conta de grande coisa, no Domingo fizemos escala nas Ilhas Gregos e chegámos finalmente às Cagaíbas.

Toda a família! Uma maravilha de férias. Só faltam mesmo umas bebidas com chapéuzinho colorido à acompanhar com os imodium e às canjas de galinha.

O Nuno já andava a atirar para o mal, o pequeno idem-idem e eu julgava-me ilesa até ter acordado com os olhos em formato besugo.

Pensei, contudo, de forma errada, que karma terminava aí. Nada disso. O meu tinha algo de muito mais interessante guardado para mim.

Hoje fomos com a Tulipa ao veterinário. Mais uma conta e chegámos, confortavelmente, aos 200 euros e qualquer coisa de despesas (entre 2 tratamentos).  

Uma nota. Nunca mais na minha vida volto a ter cães de raça. E muito menos brancos! De hoje em diante apenas rafeiros e de preferência dos que já fizeram estágio de rua. Tive uma rafeira que desencantei num prédio em obras e só me deu despesas 2 meses antes do fim. Estes desgramados já me gastaram o suficiente para uma viagem de luxo em família a Nova York (em época pré-Trumpas, que agora devemos ser logo devolvidos).

Adiante.

Estava eu a segurar a cadela e a doutora que temos de continuar o tratamento e que temos de limpar isto e talvez pôr capacete (funil) e mais não sei o quê e eu começo a perceber que vou esbardalhar-me em grande estilo. Começo a deixar de ouvir a médica, a sentir que se me esvaiu o sangue do corpo. Sento-me.

Não disse nada à médica.

Ela estranhou.

Mas eu tenho um ar estranho. Podia só ter-me dado para aquilo.

Continuo a ficar mais branca.

"Não se está a sentir bem pois não?"

Acenei que não.

Lá foi a veterinária buscar água com açúcar.

Já fui atendida por muitas especialidades, veterinária é a primeira, quem sabe se não será a certa para a estirpe de animal que eu sou?!

Continuamos a consulta. Foi a cadela para ser atendida e a determinada altura estava eu sentada a beber água com açúcar, a cadela a levar uma injeção, o Nuno com o pequeno ao colo que se desgrenhava para dar cabo do consultório e o Ghandi a ver se ninguém dava por ele.

Ouvi o resto que a veterinária tinha a dizer. Saí com os votos de melhoras e a dúvida se seriam para mim se para a cadela.

Chego à caixa para pagar e estava um reformado. Contava devagar histórias à moça da caixa. Vagarosa. Simpática mas vagarosa. Acredito que boa moça, mas eu já estava capaz de gritar "despachem-se" quando o reformado se despediu e foi-se embora.

Oitenta a nove mais não sei quê.

Fiquei pior.

E ainda tenho de ir comprar gotas para pôr nos ouvidos da Tulipa.

Que belas férias. Cansados como estávamos, era mesmo disto que precisávamos!

Maravilha, é o que vos digo!

Só falta o puto aparecer com uma alforreca na cabeça e fica perfeito!

 

 

(nota importante, ninguém deu Imodium ao puto)

Desculpem lá a minha bipolaridade

Há dias em que acordo sem vontade de fazer nada. Há dias em que acordo com a sensação de que o dia é igual aos outros e depois, sem que nada de especial tivesse acontecido, perco a vontade que normalmente tenho para as coisas. Como quando ouvimos a mesma música vezes sem conta, a principio adoramos, depois habituamo-nos e já sabemos a letra de cor, até que chega o dia em que já nos irritam os primeiros acordes.

Nesses dias, ou nesses momentos, ou nessas horas, nessas frações de segundo parece que as coisas não fazem sentido. Não vale a pena rir que o dia está cinzento, não vale a pena a piada porque um pode não gostar, que interessa se os outros nove se divertem. Nesses dias, nesses momentos as expectativas aparecem sempre para dizer que estão aquém do esperado.

Uma espécie de bipolaridade ocasional que me assalta quando há mais cansaço. Quando as noites são mais curtas e piora nas intermitentes.

Porque a vida é mesmo assim, dizem, feita de altos e baixos. Eu preferia que fossem sempre altos, que tivesse sempre a coisa certa para dizer, que isto fossem só sorrisos e fotografias de qualidade.

Mas diz que não.

Se calhar é mesmo bipolaridade. Se calhar é porque sou gémeos. Se calhar é porque estou cansada. Porventura porque estou viva e ainda sinto as coisas.

Mas escreves para dois gatos pingados?

Pois escrevo para dois gatos pingados. Mas os meus gatos pingados são tão bons gatos pingados. Dos que voltam e dizem “não sejas parva, ó palerma, conta lá a próxima atrocidade que tens nessa cabeça condenada”, e eu fico sensibilizada. Porque não me conhecem, porque nunca me viram, nunca lhes salvei o cão, nem dei uma mãozinha com os sacos das compras e ainda assim dão-me uma mãozinha a mim nestes dias de carrancudice aguda.

Por isso desculpem lá a minha bipolaridade, a minha pouca capacidade para gerir expectativas, é que nasci com um pé nos sonhos e outro na realidade. Às vezes o equilíbrio falha.

 

(ninguém me disse a frase disparatada acima mencionada, isso é parvoíce que só podia sair de minha cabeça)

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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