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Em busca da felicidade

Tenho tantas saudades de dormir

 

Acho que nunca na minha vida me tinha visto perante a efectiva privação de sono. Quando trabalhava a tempo inteiro e estudava à noite dormia menos horas mas dormia na maioria dos dias pelo menos as 7 horitas, mínimas ao descanso da tola, ainda que mesmo assim chegasse às vezes a períodos de grande cansaço.

Nunca me meti naquelas andanças de ir para a noite e fazer uma directa, ou pôr-me a estudar até às tantas para ver se martelava as porras cá para dentro, até porque nunca acreditei muito nessa técnica, a do engole matéria na véspera para ver se passo, se calhar era porque pagava os meus próprios estudos, pagava para aprender, não para decorar. Por isso, nas vésperas até podia rever as coisas e estudar mais um bocado, mas acho que a verdade é que era mais cigarros e gomas numa tentativa de gerir o stress e a ansiedade do momento sabes ou não sabes?!

Tive um momento ainda em miúda com uma paixão avassaladora em que não consegui dormir durante 2 ou 3 dias porque as coisas correram mal, mas também essa fase não vi como privação de sono, deitava-me só que não conseguia dormir. Não era querer dormir e não poder…

Desde que fui mãe esta tem sido a maior dificuldade. Convivo muito mal com a falta de descanso, com a falta de sono. Acordo mal por natureza e viveria feliz como uma preguiça na Amazónia, a ouvir os sons dos outros animaizinhos, pensando e bocejando antes de cada passo.

Mas não sou. Pena.

 

O primeiro mês foi o caos, tinha umas olheiras que iam até aos joelhos – coisa que se agravava com a tez lixivia da minha pele – andava literalmente a bater com a tola na parede. A cria só queria andar ao colo, sempre que o pousávamos na cama dele gritava como se tivesse repleta de agulhas. Até que um dia, no pico do cansaço o pousei em cima da nossa cama, ele entretido com o bonequinho que eu abanava, eu segurava a pálpebra do olho esquerdo com o dedo indicador, a ver se me mantinha acordada. Perdi a luta e adormeci. Acordei eram 5 e tal da manhã e quase tive um enfarte quando o vi ali, tão pequenino no meio de nós 2, sereno, pousei-lhe a mão no peito, precisava perceber se respirava, era suposto ele dormir com a cabeceira inclinada e a da nossa cama não estava. Havia pelo menos 50 regras de livros diferentes que diziam que ele não devia estar a dormir ali. Lançou-se o pânico! E se um se virasse e o aleijasse? E se um de nós lhe desse uma pancada com um braço? E se um de nós caísse para cima dele e não desse conta? Tão frágil. Não pode ser, não pode ser. Disse mil vezes, o Nuno a tentar acalmar-me, não tinha acontecido nada, o bebé estava bem e pela primeira vez tinha dormido e tinha-nos deixado dormir. OK, disse eu, mas para não se repetir.

Na noite seguinte voltou a acontecer, o cansaço a vencer o corpo e o pequeno a dormir no meio dos pais.

Chegámos à conclusão que até a dormir o protegemos, passámos a deita-lo logo na nossa cama, passou de cama de 2 para cama de 2 e meio e ele com o espaço maior. Acho que desenvolvi 25 hérnias discais ao longo de 3 meses. A verdade é que até este campeão fazer 4 meses e decidir que afinal dormia melhor na cama dele por causa do calor, dormiu connosco, felizes e contentes, com mais de 7 horas de sono por noite. Eu andava nas nuvens.

Mas acho que falámos demasiado e agoirámos a coisa, porque desde os 4 meses até agora que se contam pelos dedos das mãos as noites em que dorme o tempo todo. Quando regressei ao trabalho foi um baque brutal, passei de dormir mais de 7 horas por dia, mais umas sestas quando me apetecia, para ter noites de mal dormir 3 horas.

Hoje as coisas estão mais controladas, muito graças ao pai que é um herói e que toma conta do pequeno para que eu consiga descansar, mas continua a acordar pelo menos 2 a 3 vezes por noite.

Hoje foi uma noite dos diabos, não acordou mas palrava, queixava-se, ria-se e virava-se. Veio para a nossa cama porque às vezes o mel da cama dos pais, os miminhos e um bom abraço, resolvem tudo. Nem isso. Levei várias lambadas desde as 4 da manhã. Demos-lhe leite, mudámos a fralda, pusemos gel para as gengivas, embalámo-lo, demos-lhe colo e depois, como que quem desiste ou quem acaba de brincar num sonho que, sem saber, se reflecte na realidade, adormece profundamente. O problema é que adormeceu depois de o nosso despertador tocar, ou seja, a noite dele ainda continuou quando o nosso dia já estava a começar. O Nuno, esse meu herói tratou de tudo para que aqui a princesa pudesse dormir mais uns estonteantes 20 minutos e eu depois, levantei-me a arrastei-me pela casa para lavar a tromba e vestir qualquer coisa. Creio que não calcei peúgas trocadas.

Não tenho saudades de muita coisa dessa minha vida antes de mãe, é lógico que às vezes gostava de me esparramar na sala a ver televisão com o cérebro em modo vegetal, é claro que gostava de continuar a ser a dona do comando em vez de passar todas as refeições a ver publicidade, é claro que gostava de puder ir fazer programinhas românticos quando me apetecesse, mas convivo bem com a abstinência temporária de todas essas coisas, que só as tenha muito pontualmente porque agora há um "motivo" maior. E é um motivo tão bom. Só há uma coisa, umazinha, de que tenho mesmo muitas saudades e me faz falta como o pão para a boca, é o meu soninho, o meu querido soninho. Como tenho saudades de dormir uma noite inteira.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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