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Em busca da felicidade

Tenho um interior estúpido, os meus órgãos (no geral) são parvos e os meus pulmões (em particular) são do contra

Nasci com 5 kg, no dia 5 de Junho às 5 da tarde.

Dei cabo do dia de aniversário da minha mãe que passou pelo parto mais difícil que teve, ao quarto filho.

Dei ao meu pai um ganda presente, eu. Visto que também faz anos no mesmo dia.

Sim, sou uma aberração da natureza com tendência para o número 5. Faço (ou fazia) anos no mesmo dia que a minha mãe e o meu pai.

Lá em casa o 5 de Junho era mais uma espécie de Natal a meio do ano.

Nasci, lá está, gorda como uma bacorinha, mal cabia no berço do hospital (aliás desconfio que me devem ter posto logo numa cama de corpo e meio), com o cordão umbilical com duas voltas no pescoço (era a minha visão fashion, como não tinha roupa resolvi sair à rua de echarpe).

Tudo o que tivesse que ver com o trato respiratório sempre foi o meu fraco.

Os meus irmãos apanhavam sarampo, varicela, papeira. A minha mãe punha-me no quarto com eles e eu, ruim, não apanhava nada.

O vizinho da casa ao lado espirrava e eu ficava de cama 2 dias. Bronquites. Asma. Amígdalas. Dores de garganta que me impossibilitavam de comer. Falta de ar e o diabo a quatro.

Operaram-me à garganta, nariz e ouvidos. Disseram à minha mãe que se me pusesse na natação tudo iria melhorar.

Aos 6 anos entro para a natação. Saio aos dez porque como era a miúda mais baixa da minha turma cheguei à conclusão que o melhor desporto porá mim era o basquetebol.

Desde que andei na natação nunca mais soube o que foi ter uma crise de asma. Uma bronquite.

Lá apanhava a ocasional constipação. Mas nada que me impossibilitasse sequer de ir à escola. Aliás, desde os meus 7/8 anos não tenho memória de faltar à escola por estar doente.

Aos 19 entro para a Faculdade, começo a fumar.

Fui fumadora até 2009, altura em que, depois de ser operada às pernas decidi parar de fumar.

Em 2010 regresso à Faculdade. Decidi terminar as 3 cadeiras (que graças ao Bolonha se transformaram miraculosamente em 6) e concluir o curso. O compasso de espera levou-me a um Marlboro e voltei a fumar. Mas nunca tanto como antes (que era um maço por dia).

Chegamos a 2014 e decidimos que vamos ter um bebé. Gravida e fumos nem pensar. Pus o tabaco de lado. Engravido. O bebé nasce. Amamento 6 meses e nunca mais pego num cigarro.

Num jantar festarola alguém está a fumar lá fora e eu, naquele impulso social, decido que vou fumar só 1. Cravo um cigarro, acento e nem o acabo. Sabe-me mal. Apago.

No final de 2015 apanho uma gripe valente. Com direito a tudo. Faltas de ar, brônquios apanhados, dores no peito, You name it.

Desde aí nunca mais fiquei bem. Só este ano já devo ter estado apanhada das vias respiratórias pelo menos 6 ou 7 vezes. Duas delas mais graves, sendo que uma dessas vezes estive 15 dias bastante abalada.

O ar condicionado em cima da cabeça no trabalho tem o seu efeito negativo.

Mas ponho-me a pensar, fumei durante tanto tempo e nunca apanhava nada de especial, é agora, que deixo de fumar, que até faço por fazer exercício mais vezes que fico pior. Aliás, o que me dá ainda mais raiva é que muitas das vezes fico mais aflita quando acabo de fazer exercício. E isto leva a que, em alguns dias, só de subir os três andares do meu prédio fique meio tonta.

 

Ora será que a porra da asma voltou em grande para me dar conta da tola? Agora? Depois dos 30?! Oh, Valha-me Deus!

 

Marquei consulta com um pneumologista. Fui à consulta. Saio mesmo em cima da hora e chego ao Hospital da Luz a parecer um cartoon, ofegante. Esqueço-me que a consulta é porque os pulmões já viram melhores dias. Pelo caminho ocorre-me que se calhar ainda me fino pelo caminho. Desmaio com a falta de ar. Ou isso ou cuspo um pulmão. Depois quando chegar à consulta é mais fácil, já levo um de fora e isso deve facilitar a avaliação global.

Chego. Dou entrada e ainda ouço - enquanto me fazem as contas - uma das rececionistas a dizer a outra que não gosta do seu trabalho e que por ela estava bem era entre tachos e panelas. Entre trapos e limpezas. Eu a pensar que a senhora podia vir cá a casa, que se há coisa que não falta são tachos para arrumar, loiça para lavar e pias para esfregar. Até ia fazer um post curto sobre isso, na ideia de que ia esperar até à eternidade, mas nem aqueci o lugar.

- Dona Cátia!

Ui. Já eu!

Deparo-me com um senhor doutor simpático e calmo. Tão calmo que a determinada altura não sei se sou eu que estou a falar em fast forward se é ele que está em slow motion. 

Lá me diz que pode ser a asma. Que o raio-x que fiz está bom. Que quando sopro se ouve um leve chiar. Que o melhor é fazer uns exames de sopro e voltar a falar com ele.

Apesar de ter em mente todas as mais variadas doenças pulmonares que poderiam acabar comigo no espaço de 3 meses, acabei por vir com um diagnostico descansado de que não seria nada de grave.

Mas o que é?

É que eu sou pessoa carregada de hipocondria e até saber o que é fico em tormento. Alguém tem de explicar ao doutor isto.

Vou até ao carro a pensar nesta coisa de ser hipocondríaco e chego à conclusão que o maior medo do hipocondríaco não é apanhar uma doença. Para isso está preparado. O maior medo do hipocondríaco é o de levar com um barrote no alto da pinha e finar-se ali mesmo. Não há exame nem tratamento que lhe valha. E as tentativas de morder os calcanhares à morte caem por terra.

Concluída e sedimentada que fica essa ideia na minha mente passo ao próximo raciocínio. (sempre tudo coisas brilhantes) Aquele que me clarifica que os meus pulmões são do contra. Depois de 10 anos enquanto fumadora sem quaisquer problemas, agora, que não fumo um cigarro há dois anos, começam a arranjar-me problemas.

Fazem-me lembrar aqueles velhos chatos que, quando não têm nada para fazer dão cabo da cabeça aos outros. Enquanto lhe mandava doses industriais de alcatrão para se entreterem. Quietinhos. Agora que não têm problemas para resolver nem estradas para pavimentar dão-me conta da mona.

Olha qu'isto!

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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