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Em busca da felicidade

Um verdadeiro dia de merda

A segunda feira já é por natureza um dia de caca, pelo menos para os que não estão de férias, porque para quem está é o melhor dia da semana, significa que as férias estão a começar e que ainda têm uma semaninha de descanso pela frente. Há segundas feiras que eu adoro, mas não devem ser mais que 5 ao ano e dependem dos dias em que batem os feriados. 

Todas as outras segundas são os chamados dias de merda. Acabámos de sair do fim de semana, onde estávamos bem aninhados no sofá com chuva lá fora, ou no jardim a brincar com os filhos nos primeiros raios de sol, ou na praia a trabalhar fortemente para o bronze entre mais uma loirinha com espuma ou um sumo de fruta colorido e cheio de chapelinhos e uma valente caracolada, e lá somos nós lançados aos lobos das 6 da manhã. Um olho aberto e outro fechado, a incompreensão permanente, a incapacidade de entender porque raio as horas durante o fim de semana são sempre mais curtas do que nos dias úteis. Aqueles que chamamos de úteis porque servem para ganhar o tostão, mas os que são mesmo úteis são os que usamos para fazer o que gostamos, para estarmos com quem amamos, para ir correr ou estar de papo para o ar. Devíamos trocar a ordem, os dias de fazer o que nos dá na gana deviam ser os úteis, os outros, que só têm obrigações e tarefas os inúteis.

Toca a mudar procedimentos e regulamentos de tudo o que são instituições, organizações e outras com funções publicas ou privadas.

 

Eu já sabia que esta segunda feira ia ser uma segunda feira de merda. Aliás, já a tinha assinalado na agenda com o desenho de uma poia, com a imagem do cheiro e tudo. Na 6ª feira quando cheguei ao trabalho mandei um e-mail ao Nuno e disse, merda, próxima segunda vai ser um dia de merda.

Porque tenho capacidades videntes? Não, minha gente, se tivesse essas capacidades já tinha visto os números da sorte e em vez de estar para aqui a escrever de uma segunda feira de merda estava a postar fotos da minha cabana de luxo nas Maldivas.

Na quinta feira apercebemo-nos os dois que hoje, segunda feira, a minha sogra tinha uma consulta à hora de almoço, e, como o pequeno está com os avós alguém tinha de ficar a tomar conta dele até os avós regressarem da consulta. Podia ficar eu, podia ficar o Nuno, até que chegámos à brilhante conclusão de que talvez pudéssemos ficar os 2. Falávamos com as chefias no trabalho, pedíamos para chegar à hora de almoço e depois compensaríamos as horas de atraso ao longo da semana. Ideia brilhante, como trabalhamos na mesma empresa toda a gente compreende a questão logística que temos, é que numa situação destas, se viermos em horas diferentes para o trabalho implica trazer mais um carro para Lisboa ou gastar dinheiro em transportes, se viermos os 2 já não há esses constrangimentos.

Felizes e contentes porque íamos ficar mais umas horinhas na cama esta segunda, eu chego ao escritório, sento-me e ligo o Outlook, vejo a minha agenda e sinto o sangue todo concentrado no alto da pinha. Uma reunião inadiável esta segunda, não ia dar para fazer o que tínhamos pensado. Desfez-se o visionamento da alegria numa segunda feira para ser substituído por uma neura descomunal.

Lá me mentalizei. Mas só porque faltavam 2 dias e tal.

 

Hoje quando o despertador tocou pensei em ligar a dizer que me doía qualquer coisa, afinal de contas uma pessoa tem um corpo cheio de órgão e de membros, era só uma questão de escolher um para me doer hoje. Mas depois esta porra desta costela honesta que a minha mãe deixou fortemente enraizada em mim não deixou. Ocorreu-me mandar-me contra um móvel lá em casa, aleijar um dos membros, assim já não era mentira. Dor por dor ficar com a física. Mas depois se me aleijasse a sério lixava muito mais tempo e lá se iam os treinos com o galheiro.

Fiz-me à vida.

Pequeno almoço tomado segui rumo para o comboio.

Agora uma nota. Odeio andar de transportes. Sou pobre até à ultima fibra do meu ser, daqueles que quando compra qualquer coisa mais cara fica dias a remoer no dinheiro gasto. Mas detesto andar de transportes. É o único tique de riqueza que tenho.

Tava com a minha ansiedade ao rubro quando entrei no comboio, tantas vezes já andei naquilo que não se entente porque é que me lembro sempre que o bicho se pode escangalhar na ponte. Nunca se sabe quando é que a ponte não lhe dá para cair, afinal de contas aquela porra é mais velha que o cagar de encoscoras e abana como só ela. Quando a porra do comboio para em cima da ponte por algum motivo só tenho vontade de pedir para abrirem as portas que faço o resto a pé, ou pendurada como os macacos de galho em galho.

O comboio chega a Sete Rios e suspiro de alivio. Sobrevivi. Hora de virar toupeira e apanhar o Metro. Agora, se eu não tenho um prazer extraordinário em andar de comboio imagine-se de andar de Metro, que mais não é que um comboio enfiado debaixo do chão. Fazem-me confusão coisas debaixo do chão. Depois há atentados e os loucos escolhem sempre o Subway para explodir com merdas. Faço caminho para apanhar a toupeira e vejo uma catrefada de policias armados até aos dentes, pensei logo, ameaça terrorista, esses porcos tinham logo que querer hoje rebentar com isto, no único dia que ando nisto. Escusado será dizer que depois de ver o primeiro tipo com ar duvidoso que trazia uma mochila às costas (coisa que nunca há no metro) comecei a despedir-me dos que mais amo e a fazer um flasback das coisas boas da minha vida.

Foram 3 estações de horror estupido e injustificado.

Depois, cansada, começou um dia de trabalho, quando me sentei estava pronta para me deitar outra vez.

Vou almoçar e deparo-me com uma besta na fila, daquelas bestas quadradas que nasceram ensinadas e a quem a vida nunca agraciou com um primeiro dia de trabalho. Sento-me a comer a minha sopinha e estando sozinha visito os meus blogs de eleição. Paro no Cocó na Fralda e fico presa ao texto brilhante que a Sónia escreveu sobre os Quarenta. Não tenho quarenta mas tanto do que lá está faz parte do meu pensamento todos os dias. Ficou à tona a noção de como a vida é fugaz, um sopro que pode acabar em menos de nada, sem darmos conta, sem estarmos preparados para o fim, sem despedidas e últimos desejos. Enfim, ponto final e mais nada.

Volto para o meu sitio, ainda falta uma tarde de trabalho.

À tarde era suposto o Nuno ir trabalhar, os pais já teria regressado da consulta, mas, como sempre o Garcia da Orta no seu melhor, marcam 5 pessoas para a mesma hora de consulta e pumbas lá ficaram os velhotes presos.

O Nuno retido em casa, um dia sem trabalhar. Eu a ganhar o tostão e radiante de um regresso com mais metro e comboio.

A viagem de volta fez-se com mais levesa do que a de ia, provavelmente porque gostava mais deste destino.

Cheguei para o sorriso do meu campeão, e lá o meu dia ficou mais colorido.

Como a vida não perdoa agora é banho e jantar.

Hoje está difícil encontrar a felicidade. Essa porca escorregadia.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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