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Em busca da felicidade

Uma dor pior que a do parto

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«Há quem diga que é uma dor mais forte que a do parto.»

Disse a enfermeira simpática quando ligava ao cateter o segundo saquinho de medicação. Disse-o enquanto olhava para mim, porventura na esperança de que eu validasse que a dor de parto é das mais difíceis de suportar. Pouco mais pude fazer do que acenar que sim, afinal de contas fiz uma cesariana marcada, não faço a menor ideia de como são as dores do parto.

 

Fomos almoçar à mesma hora de sempre, achei-lhe a cara estranha mas sendo segunda-feira é preciso dar um desconto. Quando nos sentamos para comer percebo que alguma coisa não está bem: «Que se passa contigo?» Pergunto. Que estava tudo mais ou menos, que tinha alguma dor nas costas, que tinha estado numa reunião, que devia ser do ar condicionado, que podia ter sido do excesso de pão no fim de semana; ir ao médico estava fora de questão.

Eram três da tarde quando recebo um sms: «podes trazer-me alguma água ao carro?»

Estava com um feeling que alguma coisa não estava bem, já tinha avisado os colegas que era possível que me tivesse de ausentar – o Nuno não estava bem. Peguei no telemóvel e disse para o colega francês, que está em Portugal para conhecer o nosso trabalho: «sorry, but my husband is not feeling well, I need to take him to the hospital.»

Lá fui eu a correr. Estive quase meia hora para convencer o meu querido marido que tinha de ser assistido pelo médico. Pelos vistos nem mesmo com dores como as do parto é capaz de admitir que tem de ser tratado.

«NÃO ME DEIXES FICAR INTERNADO!» Disse-me em desespero quando estávamos a caminho.

«Fica descansado homem, mesmo que estejas a cuspir um rim, ninguém te prende ao hospital que eu não deixo.»

Fomos.

 

É estranho ver quem amamos em dor. É uma mistura entre a vontade de absorver algum desse mal, dividir, no bem e no mal, na saúde e na doença. Equilibrar as coisas, como se o fardo se tornasse mais leve se cada um pegar nele de um lado; e a necessidade de ser mais forte, de estar tranquila, de dar a mão e dizer «não te preocupes que eu tomo conta de ti, tudo se vai resolver.»

Nunca tinha visto o Nuno em tanta dor. Estou habituada a ser eu a queixar-me, sou uma caguinchas, isso toda a gente sabe.

 

Exames e medicamentos feitos: «não há nada de grave.» Disse o médico, ainda assim: «toda esta dor terá sido uma pedra num rim, com a medicação desfez-se e saiu. Mas vai estar medicado nos próximos dias, podem haver ainda algumas “areias” e é importante que saiam. Nestes casos não se pode beber muita água. Tá bem?» Claro que está, beber pouca água é o lema de senhor meu esposo, pelo que ninguém cumprirá esta regra melhor que ele.

 

«Se calhar amanhã é melhor ficar em casa a descansar?» Questionou o médico.

«Se não tinha nenhuma pedra da calçada, não vejo motivo para ficar em casa.» Responde meu excelentíssimo marido.

«Levas o papel e depois logo se vê como estás!» Resolvo eu precavida.

 

Aviámos os medicamentos e hoje achou que era melhor não tomar: «não me sinto em dor!», esclareceu.

Eu esclareci-lhe que lhe arreava com uma cadeira no lombo se ele não tomasse os medicamentos, afinal de contas são anti-inflamatórios por causa de ele ter, lá está, uma inflamação nos rins.

Em resultado do meu trato meigo tomou o comprimido.

 

Portanto, foi um maravilhoso fim de Julho.

 

De bom tenho a salientar o excelente atendimento no Hospital da Luz: a rececionista super simpática e atenciosa; a enfermeira que fez a triagem e que compreendeu que a situação era urgente e não apenas mariquice de homem que mal fica constipado; os dois médicos que o atenderam (até a doutora que lhe deu uma porradora no rim); a maravilhosa e atenciosa enfermeira que o medicou (tenho muita pena de não ter ficado com o nome desta enfermeira, podemos ver ao longe que se trata de alguém que gosta e respeita o seu trabalho); a médica que lhe fez a ecografia; a assistente da ecografista; enfim, todos com os quais nos cruzámos.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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