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Em busca da felicidade

Uma música - Uma história #1

 

Quero mais.

Foram as ultimas palavras que ouvi. As ultimas palavras que me disseste antes de sair. As ultimas palavras que escutei da tua boca. Aquela que hoje, cinco anos depois, ainda quero beijar como no primeiro dia que te vi, do outro lado da estrada. Cruzámos o olhar, tu fingiste que não me viste, fingiste que não prendeste o olhar no meu por breves instantes, fizeste de conta que não querias saber. Eu não parei de olhar. Sempre soube bem demais o que queria da vida. E naquele momento, meu amor, naquele momento queria-te a ti. Não sabia que durante anos te ia continuar a querer. Não imaginava que ainda hoje, cinco anos depois te podia continuar a querer.

O sinal ficou verde e esperei que atravessasses. Fui ter contigo.

- Esqueceu-se de travessar. - Disseste.

- Não, não esqueci.

- Tem a certeza.

- Tenho. É que percebi que a minha vida vinha ter comigo a este lado, não faz sentido atravessar para o outro.

Sorriste e contornaste-me. Continuaste a fazer de conta. A fazer de conta que não querias saber.

Segui o caminho a teu lado.

- Como te chamas?

- Não tem coisas para fazer.

- Trata-me por tu. Por favor trata-me por tu. Não tratamos por você o amor da nossa vida.

Riste.

- Porque te ris?

- Achas que não devia?

- Acho que me devias levar a sério. Podes magoar os meus sentimentos.

Nunca desisti de uma conquista. Naquele dia não sabia que eras o amor da minha vida. Já tinha chamado de amor da minha vida a muitas outras mulheres. E eram. Por instantes. Por momentos. Depois perdiam a graça e eu seguia em frente. Elas também.

Contigo foi diferente. Assustaste-me. Ainda me assustas. Sinto medo do que sinto por ti. É forte, desgarrado, incontornável. Faz o meu peito doer, como se uma tonelada estivesse assente mesmo no meu coração.

Quando te aproximas a minha respiração muda, ajusta-se a ti.

Queres mais. Queres um anel, uma festa, um vestido branco, um sim, um para sempre “na saúde e na doença”. E eu quero-te só a ti, na liberdade do descompromisso.

Queres mais. Queres um filho no teu ventre. Depois outro. Queres uma criatura a correr pela casa a chamar por ti. Queres um marido e um pai que carrega às cavalitas um pirralho de cabelo desgrenhado como o meu.

E eu quero-te a ti. Só a ti. Assim, de forma desgarrada e sem prisões. Enquanto o coração quiser e esse, esse quer sempre.

Não queres ir embora e eu não quero que vás. Quero que fiques, mas também quero os meus quereres. A vida quando muda, muda as pessoas. E eu não quero que a vida mude para que tudo fique sempre igual.

Quero chegar a casa para te encontrar com a minha t-shirt vestida, sem roupa interior e o cabelo mal apanhado enquanto fazes qualquer coisa deliciosa para o jantar. Quero amar-te antes e depois do jantar. Quero que a nossa cama possa ser a casa toda e não as assoalhadas que não têm Lego por toda a parte. Quero poder gritar de prazer e não conter a minha satisfação porque posso acordar a princesa do quarto ao lado.

Mas ter uma princesa como tu a correr por toda a parte. Ter uma miniatura de ti podia ser delicioso.

Se bem que depois vai crescer e vai ser linda como tu e eu não vou aguentar quando um cabrão como eu a vier buscar cá a casa.

Era giro ter uma princesa como tu. Talvez uma bailarina.

Estás a mexer com a minha cabeça e ainda não me levantei desta cadeira na cozinha desde que passaste por mim com a tua mala na mão. Levavas o essencial e passavas mais tarde, quando eu não estivesse, para levar o resto.

Não quero que leves o resto. Quero que tragas de volta o que levaste agora. Que te tragas a ti porra.

Queres um anel? Vou-te dar. Escolhe. Queres casar? Casamos amanhã.

Foda-se não vás!

Uma descarga de adrenalina percorre o meu corpo e saldo da cadeira. Acho que foi o primeiro movimento que fiz desde que passaste por mim. Desde que disseste quero mais.

Vou encontrar-te. Vou parar-te. Vou dizer-te o quanto te quero. Queres um filho? Fazemos um agora. Queres uma casa com alpendre? Com piscina? Dois cães e um gato. Um pónei branco talvez. Tudo. Tudo o que quiseres, mas volta.

Desço as escadas em desespero.

És estúpido. Sou estúpido. Tens medo de quê? De deixar de a querer? E se a quiseres para sempre. Adiei cada instante com medo de acordar um dia e já não sentir nada. De me sentir obrigado a estar preso a uma vida que não queria. De gravata posta, a picar o ponto às oito, de carregar a marmita para o micro-ondas, de sair às cinco e desejar que um autocarro me passasse por cima para que a desgraça do meu malfadado destino acabasse com o meu sofrimento.

Mas que sofrimento? Corres para casa para a ver. Pensas nela todos os dias. Não queres saber da Judite da contabilidade. Que é boa e está desejosa para que lhe pegues.

Mas tu não queres. Queres encontra-la em casa, com a tua t-shirt todos os dias.

Quando chego ao fim das escadas vejo-a à porta do prédio, parada, inerte no meio do passeio. A mala ao lado. A cabeça baixa.

Que raio fizeste? És um cabrão de merda!

Podias. Devias ter-lhe dado o mundo e recusaste. Recusaste um anel. Recusaste um sim. Recusaste um filho. Egoísta.

Saio do prédio.

- Dou-te tudo.

Os olhos dela estão vermelhos e carregados de água.

Foste tu que fizeste isto. Devias ser sovado por faze la sofrer.

- Por favor. Dou-te tudo. Queres um anel? Vamos comprar agora. Queres casar? Caso-me hoje contigo. Queres uma festa grande ou pequena? É como quiseres eu apareço desde que prometas que ficas. Que todos os dias te encontro quando chego a casa. Queres um filho? Sobe comigo? Fazemos um filho. Por favor seca essas lágrimas. Diz-me o que posso fazer para que parem de cair.

Pego na mala e estendo-lhe a mão.

Olha para o horizonte.

- Prometes?

- Prometo. O que tu quiseres.

Da-me a mão e subimos juntos.

___________________________

 

A igreja está cheia. Eu a suar como um porco. Não sei se é do fato com colete e tudo neste dia quente de verão se dos nervos. Nunca mais a vejo. Nunca mais digo que sim e pego nela para a levar comigo. Para dizer que é minha.

A musica começa e vejo 2 crianças a lançar pétalas ao chão.

Ela vem aí.

E é a visão mais perfeita.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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