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Em busca da felicidade

Uma música - Uma história #5

 (O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado, escrito para um campeonato de escrita criativa em que participei)

 

 

Acordo com alguém a bater à porta ao de leva. Levanto-me estremunhada, os passos descompassados. Terei ouvido mesmo alguém a bater à porta ou terá sido o móvel velho da sala a ranger outra vez? Aquele que uma vezes me acorda, que outras me assusta.

O cão abana o rabo enquanto cheira por baixo da porta.

“O que foi Baltazar? Quem está à porta?!”

A pergunta retórica feita ao cão que sei incapaz de responder. Mas é alguém que conhece, nunca fica tão contente. Sempre desconfiado, o meu eterno protetor.

Espreito e lá estás tu. Encharcado. Chove lá fora. Que fazes aqui?

Abro a porta devagar. O corpo a pedir o teu abraço molhado com emergência. A cabeça a dizer que não. Que me deixaste, que me magoaste, que voltaste costas sem dó nem piedade, que me adormeci em lágrimas e não sei a que horas pararam os soluços e começaram os sonhos. Sempre contigo.

Entras sem dizer uma palavra. Invades a minha boca num beijo profundo, as tuas mãos a percorrer o corpo que ansiava por ti mesmo antes de te saber à minha porta.

“Não te quero aqui...” murmuro entre beijos e fôlegos. Não o queres aqui. Repete a minha consciência. Aquela que sabe que depois de mais uma noite de entrega vais embora. Vais dizer que não podes voltar. Vais lembrar-te que trazes um anel na mão esquerda que marca o teu compromisso com aquela que é a mãe dos teus filhos. Vais sair e eu, eu vou ficar aqui. Sozinha com as minhas lágrimas. Acompanhada pelo Baltazar que me trouxeste da primeira vez que voltaste para mim. Acordada não pelo teu abraço carregado de desejo, mas pelo móvel velho que continua a ranger.

Bateste ao de leve e eu abri a porta. Deixei-te entrar e perdi-me em ti.

 

 

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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