Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Em busca da felicidade

Filme: "Bad Moms"

bad moms.png

 

 

“Hoje em dia é impossível ser uma boa mãe…”

 

Infelizmente bem verdade e a culpa é toda nossa, que nos deixamos pressionar pela sociedade, bem caladinhas, sempre à espera que ninguém aponte um dedo em nossa direção e diga que também não somos assim tão aptas.

Lembro-me de quando a minha mãe era mãe, nessa altura já não era fácil. Até porque, sejamos francas, quando é que é?

Mas hoje em dia?! Hoje em dia é impossível! Pretendem-se das mães, dos pais - mas com mais enfoque nas mães - um nível de capacidade sobre humana que não há humano capaz de suportar. É claro que os filhos refletem sempre muito do que têm em casa, da educação que recebem. Mas sejamos francos, não é a única coisa que conta e qualquer mãe que tenha 2 filhos (mínimo) sabe bem que isso é verdade.

Na casa onde fui criada éramos 4. A mesma mãe, o mesmo pai, as mesmas regras para umas coisas e a mesma falta delas para outras. O mais velho sempre foi mais calado e cumpridor, o logo a seguir sempre foi reclamão e reacionário, ainda hoje o meu velhote conta a história dele, montado no seu triciclo a oferecer porrada ao meu pai porque tinha dado uma nalgada ao meu irmão mais velho. O irmão antes de mim mais calado, fazia as asneiras à socapa. Mais rijo do que todos os outros juntos apesar de às vezes o pensarmos mais frágil. Eu, a faladora, a bicho do mato, a metida no seu canto reacionária, a boca de inferno, a que tem sempre resposta e não sabe quando já chega, a não ser que chegue onde queria chegar. A mesma educação. Pessoas diferentes.

Mas hoje quer-se acreditar que podemos moldar os miúdos, que os podemos vestir de determinada forma, que os enfiamos nos colégios e eles depois saem de lá capazes de dar a volta ao mundo e construir um triciclo que vai à lua.

 

Ninguém gosta de contar que adormece primeiro que os miúdos quando está a ler-lhe a história de adormecer e o miúdo tem de dar uma pantufada no livro para continuarmos a ler. Ninguém gosta de dizer que às vezes os miúdos vêm à casa de banho connosco quando temos de fazer um xixi, porque de outra forma ficavam aos gritos do outro lado da porta. Ninguém diz que lhe deu 8 gomas em vez de 3 porque assim esteve mais 5 minutos em silêncio. Ninguém se pode cansar de levar os miúdos às atividades de fim de semana, quando na verdade só queria estar ainda de pijama a ver TV e a coçar-se em todas as partes possíveis. Ninguém gosta de dizer que brinca porque não quer perder o momento, mas preferia um mojito e um solinho à beira da piscina. As férias em família são sempre maravilhosas, mas ninguém diz que são cansativas.

 

Amamos os nossos filhos mais do que tudo nesta vida. Dávamos todos os órgãos que temos no corpo por eles. Mas às vezes somos humanos, temos dias assim, e nesses dias só apetece apanhar uma piela forte e feia e ir dormir.

 

Adorei o filme. Vai sair o 2 e eu estou desejosa de ver.

 

Sôtor meu filho é um tinhoso marreta!

terrible two.jpg

 

 

- A mãe precisa que te deites na cama para pôr a fralda.

- Nhão!

- Então como fazemos?

- Colo.

- Ao colo a mãe não consegue pôr a fralda!

- Colo!

O pai passa e diz qualquer coisa.

- Pai, nhão!

- Pai não, o quê?

- Pái, nhão!

- Sabes que o pai é muito teu amigo?!

- Nhão!

- É o melhor amigo que tu tens e gosta muito de ti!

- Nhão!

- Não gostas do pai?

- Nhão!

- E do avô? Que é tão teu amigo?

- Nhão!

- E da avó? Que toma tão bem conta de ti.

- Nhão!

- E do Boris?

(no desespero comecei a pensar que podia ser boa ideia perguntar pelo cão. Estava receosa de perguntar se gostava da mãe…avizinhava-se um “nhão” redondo)

- Nhão!

(páro para pensar. Pergunto ou não se gosta da mãe?)

- Então de quem é que tu gostas?

- Da mée (a sua forma de dizer mãe).

(lisonjeada)

- E do pai, certo?

- Nhão!

 

E voltamos a repetir toda a conversa.

Sôtor meu filho agora só gosta de sua mãe. Só quer estar ao meu colo. Só quer que eu lhe leia histórias. Só quer que eu o vista. Só quer que eu mude as fraldas. Quando acorda à noite para pedir leite tenho de ser eu a dar o biberão, manda o coitado do pai bugiar.

 

Ontem quando o fomos deixar de manhã não me queria deixar ir trabalhar. Lá o conseguimos distrair com qualquer coisa que gosta e fomos para o trabalho. Demorámos mais de 20 minutos para o deixar. E não, não saímos à socapa, dissemos adeus e tudo para que ele depois não fizesse birra quando percebesse que não estávamos.

Ao final do dia quando o pai o foi buscar não quis grandes conversas. Chegou a casa e mal me falou. Não quis ir brincar comigo e não queria ir tomar banho. Estava ofendido porque não tinha passado o dia inteiro com ele.

Com conversas mansas e muitas cocegas lá o convenci a ir fazer plasticinas. Mas foi sol de pouca dura.

“Temos de ir tomar banho!”

Que não, que não ia.

Mas foi. Tinha de ser. Fez birra e recusou pousar os dois pés na banheira.

“A mãe ainda se vai zangar contigo. Põe os dois pés para baixo!”

“Nhão!”

“Como queiras!”

O desgraçado punha o pé para cima quando eu estava a olhar e descansava o pé quando eu estava de costas. (Eu estava a vê-lo pelo espelho).

É um tinhoso marreta!

Eu sei porque sou igual. É como se me estivesse a ver ao espelho!

 

O banho foi rápido e ao sair pediu “colinho”. Foi aqui que se deu a conversa relatada.

 

Depois disso ainda tive de lhe dar uma caixa cheia de bugigangas para que me deixasse pôr a fralda, li 2 histórias com ele sentado ao colo e tive de o adormecer ao colo porque recusava com todas as forças ser pousado na cama…mesmo depois de já ter adormecido.

 

Acabou aí?!

Não.

 

Hoje às 5:30 estava na nossa cama a dar sarrafadas a mim e ao pai!

 

(nestes dias tenho vontade de ter pelo menos mais 4 filhos!)

 

p.s.: peço desculpa se existe alguma incoerência no texto escrito....a minha vida não tem lá muita coerência nos dias que correm.

 

Queria, quer dizer, quero....

Dar à vida o tempo que a vida merece.

 

Acordar depois das sete.

Levantar-me com a calma que o corpo pede.

Tomar o pequeno almoço sem a pressão dos ponteiros do relógio a avisar que a manhã já vai longa.

Levar-te ao colégio. Levar-te aos avós. Com a tranquilidade necessária para passar no jardim primeiro.

Duas corridas e três palhaçadas.

Regressar a casa para passear os cães sem lhes acenar com o saco porque estão a demorar demais.

Tratar da roupa, da loiça e da casa.

Levar-me ao ginásio.

Correr, levantar pesos, saltar e alongar.

Depois de uma sauna ou quem sabe de um banho turco, a chuveirada merecida.

Passar pelo mercado com tempo para escolher.

Peixe fresco da senhora de baton vermelho. Legumes da horta da D. Hortência (a quem nunca perguntámos o nome verdadeiro).

 

Dar à vida o tempo que a vida merece.

 

Ir buscar-te para almoçares em casa. Ou deixar-te a almoçar pelos avós.

Passar as tardes entre os textos. Entre os parágrafos e os capítulos.

Ir buscar-te pelas quatro. A tempo de caminhar com vagar até ao jardim.

A tempo de ser tua mãe. De ser pessoa e de ser capaz de escutar.

Chegar a casa para pegar nos cães outra vez.

Vamos todos. Passear, correr, atirar bolas e voltar.

Que os teus bonecos estão a começar e o jantar não se faz sozinho.

Ver-te brincar.

Poder ver-te e escutar-te sem a pressão da lista imaginária de afazeres.

Deitar-te antes das dez da noite.

Ler mais que uma página do livro que perdura na mesa de cabeceira e ter tempo um para o outro.

Que os crescidos precisam de ser crescidos neste mundo de gente que é grande.

Acabar o dia com a calma com que começa.

Nas rotinas alternativas, mas sempre iguais destes dias calmos e serenos.

 

Queria, quer dizer, quero...quero muito...

Dar à vida o tempo que a vida merece.

 

------ Gostar da Página ------

----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

------Blogs de Portugal------

----- Seguir no Bloglovin -----

Follow

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

------------ Arquivo ------------

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D